Lola

17 Ponto Fraco


Domingo, 02/03 12:14

Acordei em um ambiente diferente, aquele não era o meu quarto. Ah, Jared... Estava em seu quarto, em seus braços. Nada melhor do que acordar envolvida por alguém que você ama.

– Bom dia amor. — ele disse rindo, que meigo.

– Boa tarde você quis dizer... — respondi sorrindo também.

– Ah tanto faz, hoje eu só quero ficar aqui na cama e não te soltar mais. — ele me abraça mais forte.

– Eu também queria ficar com você aqui, para sempre. — passei a mão em seu rosto, seus lindos olhos azuis me fitavam.

– But when I looked in her eyes, well I almost fell for my Lola, Lo lo lo lo Lo la Lo lo lo lo Lola... — ele cantarolou para mim.

– The Kinks? Eu gosto dessa música.

– Sério? Então canta comigo.

– I met her in a club down in old Soho. Where you drink champagne and it tastes just like cherry cola, C-O-L-A cola. She walked up to me and she asked me to dance. I asked her her name and in a dark brown voice she said...

– Lola. — eu cantei junto.

– L-O-L-A Lola, Lo lo lo lo Lo-La. Well, I'm not the world's most physical guy but when she squeezed me tight she nearly broke my spine. Oh my Lola, la-la-la-la Lola. Well, I'm not dumb but I can't understand why she walked like a woman but talked like a man. Oh my Lola, la-la-la-la Lola, la-la-la-la Lola. Well, we drank champagne and danced all night, under electric candle light. She picked me up and sat me on her knee, and said

– Dear boy, won't you come home with me?

– Well, I'm not the world's most passionate guy, but when I looked in her eyes, well I almost fell for my Lola, Lo lo lo lo Lo — la Lo lo lo lo Lo — la Lola, Lo lo lo lo Lo — la Lo lo lo lo Lo — la. I pushed her away. I walked to the door. I fell to the floor. I got down on my knees. Then I looked at her and she at me. Well, that's the way that I want it to stay and I always want it to be that way for my Lola, La-la-la-la Lola.

– Girl will be boys and boys will be girls.

– Well, I'm not the world's most masculine man but I know what I am and I'm glad that I'm a man and so is Lola... PERA AI, PARA TUDO LOLA!

– O que foi Jared?!

– A Lola dessa música era um travesti!

– HAHAHAHAHAHAHAHA, não, pera... HAHAHAHAHAHA. — na hora que ele me disse, não consegui me conter e comecei a rir.

– Meu Deus, você é um traveco Lola hahahahaha.

– Então você é gay, esperto. — ele parou de rir nesse instante.

– Nunca mais canto essa merda pra você, ok?

– Ok. Hahahaha.

– Vamos sair para almoçar?

– Vamos.

Fomos para aquele mesmo restaurante que Connor havia me levado, parece que os irmãos não são tão diferentes assim. Comemos, dançamos então decidimos ir para o parque da cidade. Haviam muitos casais de idosos, muito fofos. Mães e seus filhos, correndo e brincando. Até que reconheci uma menina, quero dizer um pedaço de plástico. Vonnie. Ela vinha em nossa direção, com cara ameaçadora, o que não era ameaça nenhuma para mim.

– Lola, Jared... Só vim aqui gastar meu precioso tempo para dizer que a senhorita — apontou para mim — está marcada, espero que tenha aproveitado bastante os dois irmãos. Eu mesmo, aproveitei bastante...

– Cala a boca vadia, você não sabe o que tá falando. — retruquei.

– Haha, você quem pensa queridinha. Eu sei como o Jared te deixou louca, não foi? Mas tenha certeza de que comigo foi melhor.

– Sua puta, desgraçada!

Dei um soco em seu rosto, sim um soco. Não sou daquelas de dar tapinha de novela. Uma multidão se formara, ela me arranhava com aquelas coisas postiças enquanto eu puxava seu rosto até o chão. Jared tentava nos separar, me segurando pela cintura.

– Me solta Jared, eu não terminei com ela.

– Chega Lola, não deixa ela te provocar desse jeito.

– Não Jared, pode soltar. Eu já terminei por aqui. Só quero que ela saiba que a única puta aqui é ela, e a mãe dela. Beijinhos. — ela saiu andando como se nada ocorrera.

Jared me soltou, ela havia me acertado em cheio falando de minha mãe. Era óbvio que eu não havia superado ainda, e nunca superaria. Essa ferida seria cutucada por quem conhecesse a história e sangraria toda vez. Comecei a chorar, não consegui ser forte.

– Não amor, não chore. Estou aqui com você. — disse ele me envolvendo com seus braços, no qual me agarrei.

– Por favor, me leva para casa.

Chegamos e eu fui direto para o meu quarto. Olhei para um mural onde haviam algumas fotos minhas, de minha mãe e de meu avô. Lágrimas corriam em meu rosto. Jared me abraçou por trás, enquanto ficamos em silêncios apenas observando as velhas lembranças, que jamais voltariam.

– Sinto falta deles. Sinto falta de minha vida normal.

– Não está feliz aqui comigo? — ele pareceu desapontado.

– Estou, mas eu queria poder apagar todas as coisas ruins que me aconteceram.

– Olha pra mim. — Ele me virou, fazendo-me olhar em seus olhos. — Se tudo isso não tivesse acontecido você não me conheceria, nem saberia quem Connor é direito. Nós dois não estariamos juntos... Pense nisso, tudo tem seu lado bom.

Me aconcheguei em seus braços, encostando-me em seu peito. Seu coração batia por mim, e o meu por ele. Queria que isso durasse para sempre.