Lola
26 Morrendo
Notas iniciais
Depois do meu programa, sai sozinha pela rua da cidade em que estava, á milhas de meu verdadeiro lar.
– Foda-se. — disse a mim mesma.
Peguei um cigarro e o acendi. A cada tragada eu me aproximava mais da morte, fora os cortes que fazia todos os dias. Estava morrendo aos poucos, e eu não ligava. Era de madrugada, eu andava na escuridão olhando as vitrines das lojas fechadas, vi meu reflexo. Meu cabelo estava bagunçado, minhas roupas vulgares. Eu era suja, por fora e por dentro. Uma prostituta.
– A mais famosa da cidade, para ser mais exata. — disse enquanto ria ironicamente.
Continuei andando até que encontrei outras como eu, elas me chamaram e saimos juntas, falando bobagens, bebendo e fumando.
– Como consegue, Lolita? — perguntou-me uma.
– O que?
– Ser tão fria, quero dizer, você transa com qualquer á troco de que?
– Na verdade eu só tento preencher minha mente com alguma coisa, mas sabe, estou pouco me ferrando pra isso. Ganho meu dinheiro e gasto com o que quiser.
– Aposto que tem algum sonho. Eu queria tanto poder ver minha filha de novo, ela mora com a vó então eu tive que "trabalhar" para sustentá-las...
Outros comentários sobre as vidas sofridas surgiram. Eu fiquei quieta apenas ouvindo eles, concordando e fingindo me importar com a desgraça de cada uma delas. Estavam todas condenadas, a não ser que algum idiota rico quisesse tirá-las daquela vida.
Querida, querida
Não há problema
Mentindo para si mesma
Porque seu licor é de primeira
Honestamente, é alarmante
O quão encantadora ela pode ser
Enganando a todos
Dizendo que está se divertindo
Ela diz:
"Você não quer ser igual a mim
Não quer ver todas as coisas que eu vi"
Estou morrendo, estou morrendo
Ela diz:
"Você não quer ficar desse jeito
Famosa e burra tão cedo"
Mentindo, estou mentindo
– Carmen, Lana del Rey
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