Enquanto quebravam o jejum ambos trocavam olhares, ambos não conseguiam tirar da cabeça o quase beijo da noite passada, aquilo havia mexido demais com os dois. Loki preferiu evitar um treinamento, temia em se afeiçoar pela moça. Ela poderia ser alguém contratada para seduzir e ferir seus sentimentos. Ele a usaria para o baile e depois a deixaria, esse era o plano. Mas uma parte da consciência queria cumprir a promessa que havia feito a ela. Sigyn não quis pedir pelo treinamento, não queria causar mais brigas do que já tiveram. Ambos selaram os cavalos e seguiram caminho até a capital de Vanenheim. O lugar lembrava Roma durante o reinado dos Bórgias, cheia de ladrões, mercenários e cortesãs a cada esquina. Sigyn evitava de olhar pra elas, Loki caminhava apenas preocupado com sua bolsa que continha ouro e prata. Após alugarem um quarto numa estalagem Loki precisou sair para conseguir os convites do baile, deixando Sigyn sozinha pensando em como iria seduzir um rei, que de acordo com a velha da caverna era cruel.

Ela passou um tempo olhando pela janela até ver uma mulher sendo espancada na rua, Sigyn entrou em fúria e saiu da estalagem. Desembainhou a espada e chamou a atenção do homem.

– Hey!

O homem olhou diretamente para Sigyn, ela partiu pra cima dele, ele desembainhou a espada e duelou com ela. As aulas que ela teve com o príncipe de Asgard valeram alguma coisa, facilmente ela deixou o homem desarmado. Ele fugiu com medo de que ela arrancasse a cabeça dele. Ela riu e ajudou a mulher a se levantar.

– Muito obrigada, eu estou em dívida com você. Qual é o seu nome?

– Meu nome é Sigyn, porque aquele cara estava te batendo?

– Bem, eu sou uma cortesã, ele passou uma noite comigo e agora não quer pagar, eu cobrei dele e ele me espancou.

– Compreendo, você disse que está em dívida comigo... Eu preciso... De umas aulas de sedução... Sabe, pra... Você entendeu.

– Deseja seduzir alguém é?

Sigyn pensou no rei, mas logo em seguida no Loki, isso a fez abrir um sorriso.

– Sim, existe um certo alguém.

A cortesã riu e concordou, ela levou Sigyn para onde ela trabalhava. Ambas entraram num quarto com cortinas vermelhas, a cama de madeira possuía um colchão mais confortável do que a da estalagem, os móveis eram de carvalho, o tapete era de pele de carneiro e as paredes estavam descascadas, porém ainda podia-se ver a cor original delas. A cortesão se sentou na cama fez menção para que Sigyn fizesse o mesmo.

– Querida, meu nome é Anna. Eu queria te perguntar uma coisa, você é virgem?

Sigyn imediatamente ficou corada com a pergunta, Anna riu e segurou a mão dela.

– Pelo seu rosto vejo que você é. Vai ser um pouco mais difícil te ensinar, mas é possível.

– Eu tenho apenas até o final da tarde para aprender.

Anna suspirou e começou com o básico que ela mesma havia aprendido, ela queria fazer com que Sigyn se soltasse, que sentisse menos vergonha com o próprio corpo e libertasse a habilidade de seduzir que toda mulher possui. Um dos momentos que mais deixaram Sigyn constrangida foi ter que beijar a cortesã, a mulher ensinou em que partes do corpo ela deveria tocar durante o beijo e quando não estivesse beijando. Como ela deveria olhar para o parceiro e o tom de voz a ser usado durante uma conversa. A forma de andar era um dos pontos principais que Anna ensinou a Sigyn. A última lição era remover as roupas e seguisse a coreografia da cortesã, os movimentos lembravam a dança do ventre. De início Sigyn estava bastante travada, mas com a ajuda da Anna ela soltou mais os quadris. Antes do fim da tarde Sigyn agradeceu pelas aulas e andou o mais rápido que pode para a estalagem, não queria que Loki soubesse sobre sua aventura num bordel. Ela se deitou de bruços na cama, porém poucos minutos depois Loki aparece com os convites em mãos, seus olhos foram direto para os glúteos da midgardiana. Ela se virou e ele virou o rosto olhando para o nada.

– Como você conseguiu os convites?

– Isso não é de seu interesse. Roubei algumas peças de ouro o suficiente para comprar trajes apropriados para o baile. Não podemos ir nessas condições para o baile, venha comigo para o alfaiate.

– Sim senhor.

Após uma boa caminha, ambos chegaram ao alfaiate. Sigyn colocou um vestido vermelho, a parte de cima era um corpete justo com decote em "V" e a saia possuía uma fenda do lado direito. Esse vestido acentuava as curvas da moça e combinava com seus olhos violetas, como o baile seria de máscaras ela colocou uma máscara de veludo preto que cobria apenas os olhos. Ao sair do provador para pedir a opinião do Loki, ela deixou o príncipe boquiaberto, ele a olhava de cima para baixo, por um instante ele sentiu um extremo desejo de beija-la e despi-la para possuir o corpo sensual dela. Ele fechou a boca, porém seus olhos permaneciam arregalados.

– O vestido está ótimo, não necessita de modificações.

Loki levantou-se e tirou as medidas, as roupas que usaria seriam parecidas com a suas casuais, porém mais refinadas e menos desgastadas. Sigyn se olhava no espelho, pela primeira vez ela sentia-se uma mulher. Ela voltou para o provador e deixou uma fresta aberta propositalmente, para que seu companheiro a visse. Lentamente ela removeu as roupas como a cortesã havia-lhe ensinado. Loki a observou, cada movimento e pele exposta eram guardados atenciosamente em sua memória. Ela ficou apenas de calcinha, enquanto permanecia de costas ele não poderia ver seus macios seios. Ela se vestiu novamente, assim que terminou Loki fingiu não ter visto a cena, porém ela sabia que ele tinha dado uma olhada. Ela fez uma pergunta sarcástica.

– Tão sorridente, o que o príncipe viu para ficar assim?

– Isto não é de teu consentimento.

– Por que não é?

Sigyn estava afim de provocar ela se aproximava lentamente dele enquanto olhava em seus olhos. Loki permanecia parada notando o andar dela, era um andar delicado, contudo sensual. Ela se ficou com o rosto próximo ao dele.

– Estás muito abusiva hoje, talvez deva-lhe punir por teu desacato.

– Estou morrendo de medo, de que forma o senhor iria me punir?

– De uma forma que jamais esquecerias.

– Eu duvido muito Loki, não sei se você conseguiria fazer tal proeza.

– Não é bom brincar com fogo, no fim tu irás queimar-se com as chamas.

– Não quero me privar de algo tão divertido como brincar com fogo. Eu não me queimo tão fácil.

Sigyn virou de costas para o deus, mas Loki segurou o braço dela. Ela acho que ele fosse falar algo, porém ele permaneceu calado apenas olhando nos olhos dela. Ela sorriu e se aproximou para ajeitar a mecha de cabelo dele que estava fora do lugar, a mão livre tocou no cabelo e o ajeitou, Loki sentiu um leve arrepio com o toque suave dela. Lentamente ele soltou o braço dela, porém sua mão segurou firme a cintura de Sigyn e a puxou para mais perto. Seus corpos estavam colados e suas respirações atingiam o rosto do outro, uma das mãos dela segurava no ombro dele. Loki fechou os olhos e a soltou, ele saiu do estabelecimento quase quebrando a porta. Ela pediu desculpas ao alfaiate e levou o vestido numa sacola, Sigyn voltou para a estalagem, contudo não encontrou o príncipe.

Ela deixou o vestido em cima da cama e saiu da estalagem, após caminhar um pouco a moça encontrou o deus numa praça, ele estava sentado no beiral de uma fonte cheia de peças de cobre e prata ao fundo das águas ininterruptas. Ele poderia estar olhando para o chão, mas sua mente estava longe. Sigyn vagarosamente caminhou até ele e sentou ao seu lado.

– Eu fiz algo a você, que tenha te magoado?

O deus olhou para ela, viu que seu olhar não era cínico ou de deboche, era apenas preocupação. Ele sentia raiva mais de si do que dela, mas acabou descontando as frustrações na pessoa errada.

– Desde que estás seguindo-me eu só arranjei problemas, és um estorvo em minha vida. Tu me causas toda essa raiva descontrolada. Teria sido melhor que nunca tivéssemos nos conhecido, não quero que fales comigo sua garota tonta.

– Vou te dizer uma verdade, você está sozinho porque maltrata quem é próximo de ti. Sempre é rude comigo sem eu te dar motivo para agir de tal maneira. Se não fosse por mim, você não estaria aqui para gritar comigo.

Loki se levantou com ar de superior, Sigyn não queria dar ao príncipe o luxo de sentir-se melhor que ela. Suas vozes começaram a ficar altas chamando a atenção da praça inteira.

– Se não fosse por ti? Tu se achas muito para uma reles humana. Jamais deveria ter te ajudado, és uma ingrata e uma maldita menina escandalosa.

– Olha quem fala, na menor oportunidade você arranja briga comigo, eu não aguento mais esse inferno. Já chega, que se dane o baile. Fique com essa bosta de metal no seu pé, pouco me importo se está sem poderes. Você é louco, quer voltar pra um lugar onde ninguém ama você...

O deus esbofeteou com força o rosto de Sigyn, ela caiu no chão e cortou levemente o lábio. Sangue escorria pelo canto da boca, foi quando ao ver o sangue que Loki se arrependeu amargamente pelo que fez. Ele queria se ajoelhar e pedir desculpas, mas tudo o que conseguiu fazer foi ficar paralisado. Sigyn limpou o rosto, se levantou e o encarou. A chuva começou a cair grossa, dissipando a plateia que assistia com bastante atenção a briga. Ela tocou no próprio rosto e se virou, Loki a viu ir embora, ficou ali parado na chuva sem mover um músculo. Assim que ela sumiu ele caiu de joelhos na poça e deu um grito de dor, suas mãos foram para a cabeça de início era ódio, porém esse ódio tornou-se em arrependimento. Para ele a situação era estranha, a ausência dela deixa a vida amarga, triste e inconfortavelmente silenciosa.

Ele voltou para o quarto da estalagem, o recinto estava vazio, ela deixou nada, nem sequer uma carta de despedida. Loki gritou para o empregado trazer água quente, assim que a banheira estava cheia ele ficou nela até ficar fria. Ele saiu e vestiu as roupas que ainda estavam úmidas pela chuva, novamente ele foi ao alfaiate, desta vez para pegar a roupa e a máscara verde que cobria os olhos.

Na estalagem ele arrumou-se para o baile, ao terminar se olhou no espelho. Uma parte de si havia sumido, com raiva ele quebrou o espelho pegou o convite e saiu do quarto. Com ou sem ela, ele iria atrás da chave. Ele montou no cavalo e notou que o andaluz de sua antiga companheira não estava nos estábulos, ele deduziu que ela tivesse fugido para algum lugar distante. Provavelmente rumo a Asgard, ele suspirou e cavalgou até o castelo. Era uma noite fria e as luzes que saiam pelas janelas do castelo indicavam ser um lugar mais quente do que do lado de fora. Após deixar o cavalo com um cavalariço ele subiu as escadas de mármore cinza e chegou a entrada, guardas protegiam o lugar e o capitão verificava os convites. Apesar de seu rei ser cruel Robert era um homem mais amistoso, porém rígido devido a sua posição na guarda real. Loki mostrou o convite, após uma análise Robert liberou a sua entrada.

O chão do salão era todo em mármore negro e os pilares eram de mármore branco. As janelas eram altas com grandes cortinas carmesim, o lugar era iluminado por grandes candelabros de ouro ornamentados com cristais. A música tocava alegrem e os casais dançavam no meio do salão. Loki olhou e viu algo que quase fez seu coração parar, Sigyn dançava com o rei.

Notas finais
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