Locked Out of Heaven
8 Capítulo 8
Notas iniciais
– Seu… Pai? – Não estava nos planos de Santana se surpreender com a história, ou mesmo sentir pena de Sebastian. Mas eles estavam ali e era do pai dele de quem estavam falando. Ela conseguira ficar apreensiva com as palavras.
– É. Nós moramos por um ano em Paris, já faz algum tempo. Um dia, ele resolveu me fazer uma surpresa e foi me buscar na escola. Nesse dia, eu estava com um garoto. Não foi nada demais, mas meu pai viu o suficiente. Quando cheguei em casa, ele disse que nunca poderia imaginar que sentiria tanta vergonha em sua vida, que nunca pensou que fosse se arrepender de ter tido um filho. Um mês depois estávamos de volta à Lima — acho que foi a forma que ele encontrou de me punir. Ele não ficou muito feliz quando teve que me matricular numa escola só para garotos, mas a Dalton era a única escola particular nas redondezas e era isso ou me colocar na McKinley. Mesmo que ele quisesse, minha mãe não é muito fã de escolas públicas. — As sobrancelhas estavam franzidas e os olhos azuis transpareciam amargura diante das lembranças.
– Fico feliz que você não tenha ido estudar no McKinley. — Santana falou com um tom verdadeiro, ao mesmo tempo em que tentava aliviar o clima daquela conversa. — Ter que te ver todos os dias seria...
– Incrível? — Ele a interrompeu e a latina pode ver uma sombra de diversão passando pelos olhos de Sebastian.
– Eu ia dizer insuportavelmente irritante. — Ela revirou os olhos; em seguida, acrescentou em um tom mais baixo: — Mas... E sua mãe?
– Minha mãe deu à luz a adorável Bonnie há poucos meses. Imagino que ela não tenha muito tempo pra se preocupar comigo ou com a maneira com a qual o meu pai me trata. De qualquer forma, não vivemos na mesma casa. Eles só aparecem de tempos em tempos pra fingir que ainda somos uma família e não dar ainda mais tema de conversa para os vizinhos. Como se eles já não falassem o suficiente. — Sebastian acrescentou amargamente.
– Como eu nunca soube disso? — Santana perguntou e, vendo o semblante confuso do rapaz, continuou: — Ah, qual é! Estamos em Lima. Numa cidade como essa, eu já teria ouvido falar sobre uma história dessas.
– Você já deve ter ouvido falar do meu pai... Ele está na lista dos 10 melhores advogados de Ohio e 50 melhores dos Estados Unidos. — Ele esclareceu e, com um sorriso satisfeito, acrescentou: — Nessa última ele está em 50º. O nome dele é Thomas Smythe.
– É verdade... Como não percebi antes? Já ouvi falar sobre o filho problemático do dr. Smythe. É claro que nunca soube dos detalhes, mas... Seu sobrenome. Eu não tinha associado.
– Bom, você não deixou passar grande coisa. — Sebastian estava sério.
Os dois ficaram calados por alguns minutos depois disso, ambos mergulhados nos próprios pensamentos. Até que Sebastian quebrou o silêncio:
– Hey, Lopez! Isso não significa que gosto de você.
– É claro que não! Você só expôs todos os dramas da sua vida pra uma garota de Lima Heights Adjacent… Achei que fosse mais cuidadoso, Smythe. Imagino que superestimei você.
– Você sabe que eu só te contei o que eu quis contar… Não sabe? – Sebastian disse e Santana pode ver o sorrisinho de escárnio voltando àqueles lábios.
– Eu acho melhor você não ter mentido pra mim, querido. – O rosto latino ficara sério.
– Talvez sim, talvez não… Agora eu tenho que ir. Uma noite conversando com você é demais pra minha cabeça. – Ele se levantara do balanço e estava à frente de Santana.
– Nem me fale… – Ela concordou.
– Inimigos? – Ele estendeu a mão.
– Inimigos. – Ela disse, aceitando.
– Foi um prazer, estranha. – Sebastian disse e a latina interpretou como um duplo sentido, mesmo que não intencional. O brilho nos olhos azuis só piorou a situação. “Merda, Santana! O que diabos você está pensando?”, era o que ela pensava.
– Vai logo, Smythe! Antes que eu acorde desse transe em que me meti e te dê uma surra.
– Sabe, Lopez… Apesar de tudo, o meu pai ainda é um advogado de sucesso. Então, a não ser que você queira se juntar aos seus parentes na cadeia, você deveria se manter onde está.
– Sebastian. Corre. – Ela disse, cerrando os dentes.
– Ok, ok… Parei. Te vejo em outra vida, Lopez?
– Eu realmente espero que não, Seb.
– É verdade. Você ainda vai chorar lágrimas de sangue ao me ver ganhar do seu clubinho esse ano.
– “Você vai chorar lágrimas de sangue, blá blá blá…” Decididamente, toda essa conversa gay afetou os seus neurônios. – A latina revirou os olhos.
– Tchau, Lopez. – Sebastian disse, já se encaminhando para o carro prateado estacionado a poucos metros do carro de Santana.
– Finalmente! – Ela disse, estendendo as mãos como se agradecesse aos céus. Em seguida, ela foi para o próprio carro pensando em como aquela noite entrara para o top 10 de “noites mais estranhas” de sua vida.
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