Notas iniciais
Volteeeeeeei! Taí um capítulo maior e mais cheio de acontecimentos do que nunca!

Queimando.

Era assim que Santana se sentia.

Para uma pessoa literalmente tão fria – uma vez que a pele de Sebastian estava sempre gelada –, ele conseguia queimá-la com tanta eficiência quanto o próprio fogo. A diferença era que aquele tipo de fogo, o fogo dele, não a repelia. Uma vez que ele a tocasse, era praticamente impossível que ela se afastasse. Seu corpo entrava em chamas, e parecia responder cada estímulo por conta própria. Seus dedos estavam firmemente agarrados aos fios de cabelo de Sebastian. Sua boca não conseguia deixar a dele. Sua sanidade... Já não existia.

Sebastian finalmente moveu seus lábios para o pescoço moreno e então ela conseguiu respirar. Mesmo assim, ainda estava muito ofegante e ela se perguntou como ele conseguia chupar sua pele com tanta vontade, já que ele também deveria estar completamente sem ar.

— O que... – Santana tentou dizer, mas foi interrompida pelo som de um longo gemido que vinha dela mesma. Sebastian acabara de morder o lóbulo de sua orelha e voltara para o pescoço. Era exatamente o tipo de percurso que a desestabilizava. Ela respirou profundamente e tentou mais uma vez: — O que você tá fazendo?

Ela nem mesmo sabia o que estava falando.

— O que acha que estou fazendo? – Sebastian rebateu, as palavras saindo num grunhido. Ele agora descia as mãos pelas coxas de Santana, tentando subir a saia que ela vestia.

— Não... – Santana tentou negar, mas era uma tentativa patética. Seu corpo a traía de uma forma que não dava para esconder. Ela estava completamente perdida.

Sebastian subiu a saia dela e percebeu que ali havia também um pequeno short. Ele bufou impaciente e tirou sua mão, enfiando-a mais uma vez agora pela parte de cima da saia, adentrando a calcinha de Santana num empurrão. Com a mão dele ali, ela se sentia sufocando. Não só porque entre a mão dele e suas roupas o espaço era quase inexistente, mas sim porque – no momento em que sentiu os dedos dele tocarem seu centro completamente encharcado –, Santana se esqueceu de como respirar.

— Onde... Você... Aprendeu isso?! – Santana perguntou, com a voz entrecortada, enquanto Sebastian passava os dedos levemente pelo seu clitóris inchado.

— Não aprendi. – Ele respondeu simplesmente e voltou a beijá-la.

Santana era a primeira garota com quem havia transado. Mesmo assim, nas vezes anteriores, ele nunca a tinha masturbado. A verdade é que Sebastian não sabia muito bem o que estava fazendo. Ele estava sendo completamente guiado por suas vontades, e, uma vez que Santana estava bem longe de reclamar, ele percebeu que estava fazendo a coisa certa.

Para Santana também era uma experiência completamente nova. Sebastian podia não ser o seu primeiro garoto, mas era o primeiro que parara para lhe dar um prazer que não era mútuo. Todos os outros só queriam saber de enfiar o pau entre suas pernas e, se ela não tivesse aprendido como tirar proveito no sexo hétero, nunca teria sabido o que era um orgasmo antes de ficar com Brittany. Ser masturbada por um homem... Era uma sensação diferente e única. E ela sabia que o crédito era todo de Sebastian, mesmo que admitir isso não a agradasse nem um pouco.

Santana subiu o suéter que Sebastian usava somente o suficiente para alcançar suas costas. Uma hora ou outra ela sempre sentia o impulso de arranhar as costas dele, e ela sabia que Sebastian também gostava. Foi só ela começar a movimentar suas unhas, que ela pôde ouvir os gemidos dele se intensificarem, a cabeça dele apoiada em seu ombro esquerdo. Aquilo era música para seus ouvidos, o que fez Santana soltar um pequeno sorriso.

Sebastian se afastou um pouco e abriu os olhos. Ele viu o exato momento em que ela fechara os seus e começara a sorrir. Ali, com os cabelos já bagunçados, o suor molhando o rosto, e aquele pequeno sorriso de satisfação, Sebastian pensou que ela era a garota mais linda que ele já havia visto. Ele aproximou-se e encostou seus lábios nos dela, que aceitou aquele beijo de bom grado. Toda vez que ele notava essa falta de resistência por parte dela, tinha vontade de sorrir. Mas não o fez, afinal, aquele não era um momento de ternura, era um momento de urgência. Ela estava para se derramar em sua mão, então Sebastian apenas aumentou o ritmo de seus dedos.

Santana ficou grata por estar no meio de um beijo quando sentiu seus músculos internos apertarem os dois dedos de Sebastian que a preenchiam. Foi um orgasmo esmagador. Ela puxava o ar com força para os pulmões e, se o outro braço de Sebastian não estivesse em volta de sua cintura, ela talvez tivesse se desequilibrado. Suas mãos apertavam os ombros dele, enquanto Sebastian delicadamente puxava sua mão de dentro das roupas dela. Ele levou os dedos até a boca e fechou os olhos ao sentir o gosto de Santana. Para sua surpresa, ele soltou um gemido, e quase que imediatamente teve vontade de beber aquele mel direto da fonte. Seu pênis estava latejando de tão duro, mas a vontade de chupar Santana era tão grande quanto a vontade de sentir seu próprio alívio.

Quando Santana abriu os olhos, pôde ver que Sebastian chupava os próprios dedos, e a consciência de que a expressão de prazer no rosto dele se devia unicamente ao sabor que era dela, fez com que Santana o empurrasse até a parede mais próxima, que era a apenas um passo de distância. Ela se abaixou até ficar de joelhos, então começou a abrir a calça jeans logo a sua frente.

— Lopez... – Sebastian murmurou.

— Shhhh! Quieto, Smythe! – Santana ordenou. Ela puxou todo o cabelo pra trás e lentamente colocou o pênis de Sebastian na boca. Sebastian levou uma de suas mãos até os lábios, impedindo a si próprio de gritar. Céus! A boca dela era tão quente e aquela língua era tão macia... Ele fechou os olhos inconscientemente, mergulhado nas próprias sensações.

Por sua vez, Santana estava concentrada no que fazia. Ela acabara de descobrir que o gosto dele era surpreendentemente bom. Não sabia dizer exatamente se era doce, salgado ou até um pouco azedo... Só sabia que era bom, e pegou-se realmente gostando do que sentia em sua boca. Ela ergueu uma mão e começou a acariciar as bolas de Sebastian, até que sentiu uma mão adentrando seu cabelo, começando a ditar o ritmo de sua boca. Ela ergueu os olhos para encontrar os de Sebastian a encarando. Mesmo no ambiente mal iluminado, ela pôde ver o brilho nos olhos azuis e aquilo foi o suficiente para instiga-la ainda mais.

Sebastian estava em êxtase. Santana estava fazendo maravilhas com a boca, é verdade, mas o modo como ela o olhava, cheia de malícia, os olhos completamente escuros... Aquele olhar o levava à loucura. Sebastian percebeu ela aumentar o ritmo e, por mais que tentasse prolongar o momento, ele chegou ao seu limite. Ele podia sentir seu sêmen enchendo a boca dela, e ficou surpreso ao notar como ela estava engolindo tudo com muita vontade. Quando terminou, Santana se levantou, passando as costas da mão pela própria boca, enquanto Sebastian se abaixava para subir suas calças novamente. Ele ainda podia sentir seu coração acelerado e, quando olhou para Santana, ela estava encostada na parede, de braços cruzados, a expressão indecifrável. O silêncio durou alguns segundos, até que ele disse:

— Dorme comigo hoje.

— Dormir? – Ela ergueu uma sobrancelha. Sebastian revirou os olhos. – Tudo bem.

Sebastian estranhou.

— “Tudo bem”?

— É. Tudo bem. – Santana confirmou.

— Então tá. – Sebastian deu de ombros, ainda não muito convencido de que ela tivesse aceitado o convite com tanta facilidade. – Vamos?

— Eu vim de carro hoje. Vai na frente, que eu te acompanho.

— Ok. – Ele concordou. Ele encostou uma orelha na porta do armário e procurou pelo barulho de alguém que pudesse estar passando pelo corredor naquele momento, mas não ouviu ninguém. Ele então abriu a porta com cuidado e verificou que o caminho estava livre. Antes de sair completamente, se voltou para Santana e arriscou beijá-la mais uma vez. – Te vejo daqui a pouco.

— Te vejo daqui a pouco. – Ela repetiu, antes que ele se virasse e finalmente saísse para o corredor.

Ela levou uma mão aos lábios e tocou o lugar que Sebastian beijara.

— Merda! – Ela xingou, ao se dar conta de tudo que tinha acabado de acontecer.

[...]

Santana chegou ao estacionamento sem maiores dificuldades. Ela olhou em volta, e percebeu que o carro de Sebastian não estava mais ali. Então entrou no carro e saiu em disparada.

Sua cabeça estava cheia de pensamentos inquietos e a última coisa que ela queria fazer era se concentrar em algum deles. Entretanto, era inevitável.

“O que diabos estou fazendo?!” – Era o pensamento predominante.

Era óbvio que ela sabia o que estava fazendo. Estava indo para a casa de Sebastian Smythe transar loucamente até que se sentisse cansada o suficiente para pegar no sono enquanto tentasse se recuperar de mais um orgasmo. É claro que poderia levar a noite inteira para que ela se sentisse cansada a tal ponto, mas isso não era exatamente o que a preocupava no momento.

“O que significa ir até lá?”

Santana não tinha uma resposta. Mas, de algum modo, tinha a impressão de que, depois daquela noite, tudo mudaria.

Quando o sinal vermelho à sua frente finalmente abriu, ela apertou suas mãos no volante e virou à esquerda.

[...]

No outro dia, durante um dos intervalos entre as aulas, Sebastian estava parado em frente ao seu próprio armário, encarando o suporte que sustentava o terno que ele trouxera à escola especialmente para se apresentar com Quinn, Brittany... E Santana.

Santana.

Ele bufou e bateu a porta do próprio armário. Nunca se sentira tão idiota em sua vida quanto naquele momento. Isso para não mencionar sua frustração sexual. Ele chegara em casa agitado e apenas se jogara no sofá da sala, depois de ter atirado sua mochila de qualquer jeito na poltrona ao lado.

Dois minutos foi o tempo que ele conseguiu ficar deitado. Cinco minutos foi o tempo que permaneceu sentado, e, nos dez minutos seguintes, tudo o que fez foi andar de um lado para o outro da sala, sempre parando quando ouvia o barulho de algum carro passando por sua rua. Depois de mais alguns minutos, quando o relógio finalmente apontou meia hora após sua chegada, Sebastian foi até a cozinha buscar um copo d’água. Quando voltou à sala, jogou-se no sofá novamente.

“Ela não vem.” – Ele deu-se conta.

Desde então, sentia um ódio que o impossibilitava de pensar com coerência. Ele tomou o banho mais gelado que pôde, na tentativa de controlar sua raiva e congelar seus pensamentos, mas ele não podia ficar pra sempre embaixo do chuveiro. Foi até o quarto e jogou-se na cama ainda com a toalha enrolada no corpo e tentou clarear o que pensava e o que sentia, o que foi inútil.

Pensou em mandar alguma mensagem para a Lopez, mandando ela ir se foder, mas era pouco.

Pensou em ligar para Quinn, mas não tinha o número dela. Além disso, não estava certo sobre ir xingar Santana justamente para a sua melhor amiga... Talvez não fosse a melhor ideia do mundo, afinal.

Sentiu vontade de tocar alguma coisa, apenas para se distrair. Mas o piano que costumava tocar ficara na casa de seus pais em Columbus. O pensamento o fez suspirar. O piano era uma das poucas coisas que conseguia distraí-lo de fato.

Por fim, acabou se levantando e vestindo uma roupa quente. Ele não se daria ao luxo de ficar doente por continuar ali largado, perdido em sua raiva por Santana e o papel de bobo que estava fazendo por causa dela. Depois de colocar um suéter, ele simplesmente pegou o ipod que estava em cima de sua mesa de cabeceira e colocou os fones de ouvido. Aumentou o volume ao máximo e deu play em uma música qualquer, tentando parar de pensar.

O resto do dia foi insignificante, até que ele finalmente pôde dormir. Agora, estava de volta ao presente e, quando viu onde estava, se deu conta de que seu inconsciente era mais esperto – e mais sacana – do que ele poderia imaginar.

— Oi. – Austin abriu um sorriso assim que o viu.

— Oi... – Sebastian respondeu, sorrindo de lado. Ele sentou-se ao lado do garoto na parte mais afastada da piscina, onde havia arquibancadas. – Cadê sua namoradinha?

— Lynn? – Austin soltou uma risadinha. – Deve estar com as outras Cheerios, fazendo a única coisa que elas sabem fazer além de sacudir pompons: fofocar.

Sebastian riu também.

— Se é isso que você pensa sobre líderes de torcida, por que namora uma delas? – Sebastian perguntou, genuinamente curioso. Desde que vira Austin com a garota, teve vontade de perguntar ao rapaz sobre o assunto, mas não tivera ainda a oportunidade... Até agora.

— Bem, Lynn só é minha namorada porque foi burra o suficiente para acreditar que eu estou interessado nela. – Ele deu de ombros. – O que já era de se esperar. Por aqui, desde que você tenha a jaqueta de algum time, as garotas não ligam pra mais nada.

— Então essa é a sua fachada? O time de nado sincronizado e uma líder de torcida como namorada? – Sebastian indagou, mas seu tom não era nem um pouco acusatório. Na verdade, ele parecia até mesmo se divertir com a história toda.

— Esse é o meu jeito de sobreviver nesse lugar. – Austin respondeu, sem se preocupar. – Imagino que você tenha ideia do que os trogloditas daqui fazem com quem é gay, uma vez que você entrou pro clube do coral, não é? – O garoto o encarou sério, e Sebastian percebeu que ele considerava aquela uma péssima ideia. – Aquele garoto Hummel comeu o pão que o diabo amassou por um bom tempo antes de as coisas se acalmarem mais. E até mesmo aquela menina, Lopez, teve que aguentar uns caras atrás dela enchendo o saco, tentando “curar” a doença dela, ou algo assim.

Sebastian desviou o olhar.

— Espero que você saiba que o clube do coral é uma furada. – Austin aproveitou o silêncio de Sebastian para alertá-lo. – Eles são os maiores perdedores por aqui.

— É, mas eu não sou um perdedor. – Sebastian respondeu.

— Eu sei que não. Mas as outras pessoas não sabem.

— Elas saberão. – Sebastian assegurou. – Mesmo assim, obrigada pela preocupação. Eu acho que já vou indo agora. – Ele disse, levantando-se.

— Hey! – Austin agarrou seu pulso antes que ele pudesse ir. – Você sabe que pode me procurar para qualquer coisa que precisar, não sabe?

Sebastian abriu um sorrisinho malicioso.

— Claro... – Ele concordou. Austin soltou seu pulso.

— Então te vejo depois? – O garoto sorriu.

— É. Te vejo depois. – Sebastian assentiu e deixou as arquibancadas sem olhar para trás.

[...]

Nesse mesmo dia, Santana ainda não estava falando com Quinn.

Na verdade, ela estava praticamente fugindo da garota por todo o colégio. E se Sebastian tivesse contado à loira que Santana o deixara plantado a esperando enquanto ela fugira dele igual um cão assustado? E se Sebastian manipulasse a loira para que ela ficasse do seu lado, e contra Santana? E se não pudesse mais confiar em Quinn, agora que ela andava de conversinhas com o Smythe?

Eram suposições demais e formas eficazes de fugir de menos. Elas tinham treino juntas, aulas juntas e uma apresentação para o Glee Club juntas. E foi durante uma das aulas que Quinn tentou conversar:

— Santana...

— Não. – A latina cortou. A melhor defesa era sempre o ataque. – Como pôde, Quinn? O que acha que está fazendo confiando nele?

— Por Deus, Santana! Não estou me casando com ele, nem nada do tipo! – Quinn exclamou, tentando manter sua voz baixa, afinal, estavam no meio de uma aula. – Nós só vamos dançar uma música juntos.

— Você sabe que o problema não é esse. – Santana retrucou. – Não quero você perto dele. Ele não é confiável.

— Desde quando você manda em mim, para dizer com quem eu posso ou não falar? Me poupe, Santana! – Quinn se exasperou. – Você está sendo muito infantil.

— Infantil?! – Santana se alterou, e teve que se controlar para não subir seu tom de voz. – Acha que estou sendo infantil por te querer longe do cara que quase cegou uma pessoa?

Quinn revirou os olhos.

— Muito sensato vindo de uma pessoa que anda transando como uma coelha com esse mesmo cara...

— É diferente! – Santana respondeu. – Ele perderia os dois olhos antes que qualquer cisco pudesse entrar no meu olho!

— E você acha que não sou capaz de me defender? – Quinn parecia incrédula. – Não sou feita de vidro, Santana. Você, mais do que ninguém, sabe disso.

— Sim, eu sei. – Ela assentiu. – Mas eu não quero que ele tenha a chance de encher a sua cabeça com merdas sobre mim.

— Então é esse o problema? – Quinn indagou. – Porque, se for, eu espero que você tenha consciência de que está me subestimando, se acha que sou tão facilmente manipulável. Ou melhor, está subestimando nossa amizade.

— Não é isso, Quinn. – Santana balançou a cabeça. – Eu não confio nele. Quantas vezes preciso te dizer isso, pra que você entenda que não deve confiar nele?

— Eu não confio nele. – Quinn afirmou. “Não ainda...”, ela pensou. – Nós só vamos dançar juntos.

— Tudo bem. – Santana cedeu. – Se você diz...

Quinn suspirou. Sabia que Santana continuaria chateada por um tempo. E se Santana soubesse que ela estava dando uma chance a Sebastian de realmente conhecê-lo... Ela não queria nem pensar no que a latina diria.

[...]

— Você está muito quieto. – Quinn observou enquanto Sebastian vestia o paletó. Eles estavam nos bastidores do auditório, esperando os integrantes do Glee Club chegarem para mais um dia de apresentações. – Aconteceu alguma coisa?

— Artie está sendo um pé no saco. Eu disse a ele que iria dançar com você hoje e ele acha que estou negligenciando nossa parte da tarefa. – Sebastian respondeu. Era mentira, já que Artie nem dera tanta importância ao fato de ter sua apresentação mais uma vez adiada, uma vez que estava no meio de uma conversa com Sugar quando Sebastian o avisou.

— Hum... – Quinn apenas murmurou, assentindo. – Me desculpe por te causar problemas com a sua dupla. – Ela acrescentou suavemente.

— Não tem problema. – Sebastian deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça social. – Já temos tudo pronto. Acho que de amanhã não passa.

— O Sr. Schue chegou, gente. – Brittany se aproximou deles, animada. Assim como Quinn e Santana, ela vestia um conjunto de saia rodada preta e camisa social branca. Seus cabelos estavam soltos, descendo por suas costas. O pequeno coração preto desenhado no canto de uma das bochechas deixava a garota ainda mais adorável. – Acho que podemos começar.

— Ótimo! – Santana disse, dando o sinal para Mike, que logo ligou um ipod ao grande equipamento de som do auditório. Quinn logo se posicionou e, alguns segundos depois de ouvir a melodia, ela entrou no palco, sendo seguida por Sebastian logo depois.

[Quinn]

Regra número um:

você tem de se divertir

Mas querido, quando você terminar, você tem de ser o primeiro a correr

Ela sorriu, antes de se virar completamente para dançar com Sebastian, e Brittany entrar no palco, sendo seguida de perto por Mike.

[Brittany]

Regra número dois:

não se apegue a alguém que você pode perder

Então, deixe eu te contar

Brittany sorriu e virou-se para dançar com Mike, enquanto Santana entrava no palco com Blaine atrás dela.

[Santana]

É assim que você parte um coração

Os garotos gostam de um pouco de perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

Do palco elas puderam ouvir alguns aplausos depois que Santana entrou no palco e as pessoas se deram conta de aquela performance teria toda a Trindade Profana.

[Quinn, Brittany e Santana]

Como partir um coração

Os garotos gostam da visão do perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

[Brittany]

Pelo menos, eu acho que sim!

[Quinn]

Porque eu amo você...

Brittany foi para o meio do palco, enquanto Mike a rondava, apenas a observando antes de realmente tocá-la. A loira apontou para o desenho do coração em seu rosto e cantou:

[Brittany]

Regra número três:

leve seu coração em sua bochecha

Mas nunca o tire da manga

Ao menos que queira sentir o gosto da derrota

Mike a levantou pela cintura e a girou uma vez antes de abrir espaço para Quinn, que se aproximou do centro do palco com as mãos unidas em sinal de oração:

[Quinn]

Regra número quatro:

você tem que parecer pura

Dê um beijo de despedida à porta

e o deixe querendo mais

Sebastian a guiou para o lado direito do palco para que dessem lugar à Santana e Blaine:

[Santana]

É assim que você parte um coração

Os garotos gostam de um pouco de perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

Quinn e Sebastian voltaram para o centro do palco, enquanto as três garotas cantavam:

[Quinn, Brittany e Santana]

Como partir um coração

Os garotos gostam da visão do perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

[Brittany]

Pelo menos, eu acho que sim!

[Santana]

Porque eu amo você...

Aquele era o momento em que as garotas brevemente trocavam de par. Brittany estendeu sua mão para Blaine, que a puxou, enquanto ela cantava:

[Brittany]

Garotas,

nós fazemos

o que for preciso

Por sua vez, Santana estendeu a mão para Sebastian, que parecia se esforçar em não olhar diretamente nos olhos dela. Mas ela fez questão de realmente colocar o que sentia nas palavras que cantava:

[Santana]

Porque as garotas não querem

Nós não queremos nossos corações quebrados

em dois

Quinn estendeu sua mão para Mike e ele prontamente a puxou para si.

[Quinn]

Então é melhor ser falsa

Não podemos arriscar perder o amor de novo, querido

As garotas completaram o ciclo e voltaram para seus pares.

[Santana]

É assim que você parte um coração

Os garotos gostam de um pouco de perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

[Quinn, Brittany e Santana]

Como partir um coração

Os garotos gostam da visão do perigo

Fazemos com que se apaixonem por uma qualquer

Uma conquistadora,

cantando "eu amo você"

[Quinn]

Porque eu amo você...

[Brittany]

Pelo menos, eu acho que sim!

Brittany terminou a música com um sorriso, e logo todos aplaudiram as garotas.

— Uau! – Sr. Schue disse, enquanto ainda batia palmas. – É disso que estou falando, pessoal! Parabéns, meninas. Vocês fizeram um excelente trabalho, mesmo que tenham burlado um pouco as regras ao formar um trio.

— Se fomos assim tão boas é exatamente porque fizemos as três juntas. – Quinn respondeu, ganhando mais aplausos dos meninos que restaram na plateia. Brittany ergueu a mão para a amiga e elas bateram um high-five, enquanto Santana ostentava um sorrisinho presunçoso.

— Tudo bem, tudo bem. – Sr. Schue ergueu as mãos em sinal de rendição. – De qualquer forma, foi um número incrível. Canto e dança impecáveis! Parabéns também a vocês, meninos. – O professor elogiou e Rachel se remexeu inquieta, ao lado de Finn. Ela não gostava das pessoas brilhando mais do que ela. Talvez devesse ter adiado um pouco sua apresentação com Blaine. Sr. Schue continuou: – Brittany e Quinn estão livres dessa parte da tarefa, mas imagino que você e Mike ainda farão um dueto, não é, Santana?

— Na verdade... – Brittany se adiantou. – Eu e Santana meio que trocamos. Como ela cantou com a gente, eu pensei que pudesse cantar com o Mike no lugar dela.

— Bom, se Santana e Mike já tiverem concordado, eu não vejo problema algum. – Sr. Schue respondeu.

Brittany sorriu para Mike e ele logo a abraçou de lado. Enquanto todos começavam a descer do palco, Sr. Schue perguntou:

— Quem é o próximo? – Ele olhou para os alunos ainda sentados na plateia.

— Eu, Sr. Schue. – Sam se levantou, recolhendo o violão que estava na poltrona vazia ao seu lado. – Vou cantar minha música para a Quinn. – Ele disse, chamando a atenção da garota que acabara de se sentar.

— Tudo bem! – O professor concordou sorridente.

Sam subiu ao palco e começou a tocar.

Vem fácil, vai fácil

É assim que você vive

Oh leva, leva, leva tudo, mas você nunca dá

Eu deveria saber que você era problema desde o primeiro beijo

Você tinha os olhos bem abertos

Por que eles estavam abertos?

Ele não tirava os olhos de Quinn e ela o encarava sem saber o que sentir.

Te dei tudo que eu tinha e você jogou no lixo

Você jogou no lixo, você jogou

Me dar todo o seu amor foi tudo que sempre te pedi

Porque o que você não entende é

Eu pegaria uma granada por você

Jogaria minha mão numa guilhotina por você

Eu pularia na frente de um trem por você

Você sabe que eu faria qualquer coisa por você

Oh oh whoa

Eu passaria por toda essa dor

Levaria uma bala no meio do meu cérebro

Sim, eu morreria por você, baby

Mas você não vai fazer o mesmo

Não, não, não, não...

Sam realmente achava que ela era essa megera? Quinn estava incrédula. O fato de Mercedes a estar fuzilando com os olhos também não ajudava em nada.

Se o meu corpo estivesse em chamas

Você ficaria me vendo queimar?

Você disse que me amava,

você é uma mentirosa

Porque você nunca, nunca amou, querida

Mas, querida, eu pegaria uma granada por você

Jogaria minha mão numa guilhotina por você

Eu pularia na frente de um trem por você

Você sabe que eu faria qualquer coisa por você

Oh oh whoa

Na verdade, nada a ajudava naquele momento. Ela tinha uma melhor amiga ainda com raiva dela, um ex-namorado a acusando de ser uma vadia sem coração na frente de todos, e a garota que tinha como uma amiga, bufando de ciúmes a algumas cadeiras de distância. Era demais para aguentar. Ela se levantou e começou a sair do auditório, andando cada vez mais rápido.

Eu passaria por toda essa dor

Levaria uma bala no meio do meu cérebro

Sim, eu morreria por você, baby

Mas você não vai fazer o mesmo

Não você não vai fazer o mesmo

Você não faria o mesmo

Você nunca faria o mesmo

Não, não, não, não, não!

Sam terminou no exato momento em que Quinn passava pela porta de saída nos fundos do auditório. Santana e Brittany se levantaram logo em seguida para ir atrás da amiga e, para surpresa de Santana, Sebastian se levantou também. Mas, quando as duas garotas começaram a sair, Sebastian se sentou novamente, pensando que não havia nada que ele pudesse fazer por Quinn naquele momento. Aquilo cheirava a uma história antiga, e ele se sentia meio idiota por ter se levantando junto à Brittany e Santana. Quinn certamente não precisava de ninguém além das duas amigas, então ele resolveu que depois falaria com ela.

— Bem... – Sr. Schue tentou apaziguar o momento, mesmo não parecendo muito certo de como agir. Lidar com adolescentes era sempre um desafio. – Isso foi muito intenso, Sam. Mas depois eu quero que você se certifique de que está tudo bem com a Quinn. Ela pareceu não gostar da música, e eu tenho certeza de que você pode entender o por quê.

O garoto apenas assentiu e começou a sair do palco. O professor resolveu então seguir em frente.

— Alguém mais preparou alguma coisa?

Apesar da expressão de Mercedes, Kurt resolveu se pronunciar:

— Eu e Mercedes, Sr. Schue! – Ele disse se levantando animado.

Assim como Rachel e Blaine, eles optaram por um musical e logo os dois estavam cantando no palco, encerrando as apresentações do dia.

[...]

— Tudo bem. Você consegue explicar o que foi aquilo? – Santana perguntou assim que ela e Brittany entraram no banheiro em que Quinn estava. A loira de cabelos curtos tinha as mãos apoiadas na pia e mantinha o olhar baixo.

— Aparentemente, depois de todo esse tempo, Sam continua achando que sou uma vaca. – Ela disse com amargura.

Brittany se aproximou e colocou uma mexa do cabelo de Quinn atrás da orelha, então começou a afagar suas costas com carinho, mas manteve silêncio.

— Ele claramente é um idiota, então. – Santana comentou.

— O pior de tudo é que ele tem lá sua parcela de razão. Eu realmente agi muito mal com ele ano passado, eu só não sabia que as consequências durariam até hoje.

— Eu também não. – Brittany se pronunciou. – Pensei que ele gostasse da Mercedes.

— Ele me disse que gosta. – Quinn respondeu. – Mas isso não apaga o fato de eu ter traído ele enquanto ele realmente gostava de mim.

— Ok! Quinn, você foi uma vaca. – Santana disse. – Mas e daí? Isso é passado! Ele nem gosta mais de você, e você também não gosta dele... – Ela pareceu pensar um pouco. – Quer dizer, você nunca gostou. Ai, meu Deus! Você está apaixonada por ele, Lucy Quinn Fabray?

— O quê?! – Quinn fez uma careta. – É claro que não! E não me chame de Lucy, ou eu vou começar a te chamar de Maria!

— Quem é Maria? – Brittany perguntou.

A latina suspirou.

— É meu nome do meio, Britt. Lembra?

— Ah, sim. – A loira de olhos azuis assentiu um tanto envergonhada.

— Enfim. Segue em frente, vadia. – Santana deu de ombros, voltando-se novamente para Quinn. – Deixa o loiro bocudo pra lá.

A loira respirou fundo e disse:

— Eu odeio dizer isso, mas você tem razão.

— Eu sei que tenho. – Santana afirmou. – De qualquer forma, posso dar uma surra no Boca de Truta, se você quiser.

— Não, não precisa. – Quinn balançou a cabeça. – Ele pode pensar o que quiser de mim, tanto faz. Eu não me importo.

— Essa é a Quinn que eu conheço. – Santana sorriu.

— A nossa Quinn. – Brittany concordou, abraçando a amiga.

Santana se aproximou e abraçou as duas. Se dependesse dela, nada nunca machucaria aquelas duas loiras... Suas melhores amigas.

[...]

Assim que saíram do banheiro, deram de cara com Blaine.

— Santana, posso falar com você?

— Claro, garoto do gel. – Santana concordou. – Alguém mais cantou depois do Boca de Truta?

— Só Mercedes e Kurt. – Blaine respondeu.

— Ah, que bom. – A latina comentou. – Não perdemos nada.

Blaine revirou os olhos e Brittany sorriu.

— Mas agora já estamos liberados. – O moreno informou.

— Britt, Quinn. Vejo vocês depois. – Santana disse, e as duas garotas saíram andando, deixando Santana e Blaine a sós.

— E então? O que você tem pra me dizer que nem mesmo o Porcelana pode ouvir? – Santana perguntou, observando que Kurt não estava ali.

— Não é que ele não possa. Mas ele ainda está fofocan... Quer dizer, comentando as apresentações de hoje com Rachel e Mercedes. – Blaine justificou.

— Sei... – Santana sorriu sarcasticamente.

— É sobre o Sebastian. – O garoto foi direto ao ponto, e Santana ficou séria. – E sobre você.

A latina congelou.

— O quê? – Ela perguntou, depois de alguns segundos de silêncio. – O que eu tenho a ver com aquele esquilo marginal?

— Eu sei que, depois do Kurt, você provavelmente é a pessoa que mais odeia Sebastian no clube do coral. – Blaine começou. – Além disso, eu pude ver como você o trata durante esses dias em que nós ensaiamos a música de vocês. Você olha pra ele com uma cara cheia de ódio, mas também... – Ele pareceu procurar as palavras por um momento. – Eu não sei. Tem alguma coisa, bem lá no fundo, que eu não consegui identificar. Então eu estou totalmente chutando quando digo que talvez seja a vontade de acreditar que existe algo de bom nele.

Santana revirou os olhos sarcasticamente.

— E eu posso saber por que você acha isso?

— Porque você não é má, Santana. – Ele disse, seus grandes olhos verdes transmitindo inocência, de uma forma que lembrava a Santana o modo como Brittany falava dela. – Todo mundo acha que você é, mas não é verdade. E dá pra ver isso o tempo todo, se você souber enxergar bem. Como quando você olha pra Quinn e pra Brittany, ou quando você está cantando, ou simplesmente dançando pela sala do coral. – Blaine argumentou. Ele fez uma pausa e continuou: – Ou quando você foi até a Dalton ameaçar Sebastian pra me defender.

Santana mudou o peso do corpo para o outro pé, parecendo um pouco desconfortável.

— Pensei que Kurt não tivesse te contado. – Ela murmurou. – Na época, ele disse que não ia te aborrecer com esse assunto.

— Não foi ele. – Blaine explicou. – Foi Sebastian. No mesmo dia em que ele foi na minha casa, pedir desculpas por ter jogado a raspadinha.

Santana arregalou os olhos.

— Pedir o quê?!

— Eu sei que é difícil de acreditar, mas realmente aconteceu. – O rapaz afirmou. – E mais: ele me pediu para guardar segredo, e não contar nada a ninguém.

— A única coisa decente que ele faz e ainda pede pra manter isso em segredo? Isso não faz o menor sentido! – Santana balançou a cabeça, cética. Ela achava Sebastian exibido demais pra se redimir de uma maneira assim tão nobre.

— Bem, se Sebastian não tivesse me contado, até hoje eu não saberia que você foi até a Dalton sozinha pra me defender. – Blaine a observou com um pequeno sorriso nos lábios.

Santana revirou os olhos mais uma vez.

— Não me compare a ele! – Ela exclamou indignada.

— Querendo ou não, vocês têm muito em comum, Santana. – Blaine disse. – É só prestar atenção. A diferença é que ele não tem amigos a quem defender e, se você puder pelo menos baixar um pouco a guarda e tentar não odiá-lo tanto, essa pode ser a oportunidade que Sebastian precisa para nos mostrar quem ele é de verdade.

— Uma pessoa que joga sal grosso nos olhos dos rivais, é isso que ele é! – Santana resmungou.

Blaine suspirou.

— Bem, eu não tenho mais nenhuma mágoa em relação a isso. Meu olho está perfeitamente bem, e eu realmente acho que você deveria deixar isso pra lá. Mas enfim. – Blaine deu de ombros. – Eu só achei que você deveria saber sobre o pedido de desculpas. E obrigado. – Ele acrescentou, começando a sorrir.

— Pelo quê? – Santana indagou, franzindo as sobrancelhas.

— Por ser uma boa amiga. – Ele disse e se aproximou, envolvendo Santana em um abraço.

— Tá bom, já chega. – A garota disse, tentando conter um sorriso. – Meu coração de gelo pode derreter com todo esse melodrama, e eu não quero que isso aconteça. Some daqui, garoto do gel.

Blaine sorriu para ela mais uma vez e virou-se, começando a ir embora, enquanto Santana ainda o observava. Quando ele virou o corredor, Santana desmanchou o próprio sorriso. Se tudo aquilo era mesmo verdade, Santana vinha cometendo uma grande injustiça, punindo Sebastian por algo que ele já se arrependera de ter feito há muito tempo. E se havia algo que Santana odiava era injustiça. Ela fechou os olhos com força e murmurou:

— Merda.

Estava na hora de ter uma séria conversa com o Smythe.

[...]

Notas finais
E aí, manas? O que acharam? Esse capítulo teve de tudo um pouco e eu espero que vocês relevem minha demora. Quero dizer que dia 17 é meu aniversário e eu queria ganhar um monte de comentários de presente... A quem interessar possa. .-. Obrigada por, quase dois anos depois, ainda acompanharem essa fic sobre o pior/melhor casal do mundo! Podem ter certeza de que eu só escreveu por causa de vocês, leitoras maravilhosas! GRATIDÃO, pois sou de humanas! Mil beijos e até o próximo! P.S.: Sugestões são sempre muito bem-vindas!