Locked Out of Heaven
35 Capítulo 35
Notas iniciais
— Britt, você viu a Quinn? – Santana perguntou, enquanto Brittany tentava fazer um complicado passo de dança que envolvia suspender Mike Chang enquanto girava. Blaine apenas sorria, enquanto prestava atenção na cena, e fazia pequenas caretas quando achava que Mike fosse cair. — Ela já deveria estar aqui.
Brittany soltou uma das pernas de Mike, que ela ainda segurava, e disse:
— A última vez que a vi foi quando eu estava vindo pra cá. Ela estava conversando com aquele garoto novo, Sebastian, mas já deve estar vindo...
— Conversando com quem? – Santana interrompeu a loira, que não deu muita atenção à pergunta, preferindo mirar um lugar às costas de Santana.
— Ah, olha eles aí! – Britt acenou, ao mesmo tempo em que Santana se virava para constatar que “eles” realmente significava Quinn e Sebastian.
Enquanto adentrava o auditório, Quinn tentava manter sua postura de HBIC de sempre, mas ela tinha o cuidado de não mirar o olhar de Santana. Sebastian, por sua vez, parecia completamente à vontade, chegando até mesmo a exibir seu típico sorrisinho de satisfação ao encarar os colegas, mas ele também preferiu ignorar Santana e limitou-se a acenar para Brittany. Quando eles finalmente subiram ao palco do auditório, onde os demais estavam, Quinn se pronunciou:
— Bem, desculpem o atraso. Tive que esperar a Sra. Jenkins liberar Sebastian. Ele estava incluído o nome na lista de chamada dela e... – A loira começou a se justificar, mas logo foi interrompida por Santana.
— Você não pode estar falando sério. – A latina sacudiu a cabeça com impaciência. – Por que ele está aqui? Me diga que você realmente não está falando sério...
— Estou vendo que você e a Britt já tem cada uma o seu par, Santana. – Quinn replicou, olhando para Blaine e Mike. – Então, Sebastian será o meu. – Ela disse e, à medida que as palavras saíam de sua boca, o sorriso de Sebastian aumentava, assim como a irritação de Santana.
— Não! – A latina exclamou. – Ele não é bem-vindo aqui.
— Sim, ele é. – Quinn rebateu.
— Por que, Quinn? – Santana perguntou, tentando disfarçar a pontada de mágoa em sua própria voz. – Você poderia ter chamado qualquer um. Por que convidou esse aspirante a matador de aluguel pra dançar com você?
— Primeiramente, não pretendo ser um matador de aluguel. – Sebastian se manifestou pela primeira vez, atraindo o olhar de Santana e dos outros. – Se quisesse, estaria dançando com você e não com a Fabray, afinal, você é a garota do subúrbio aqui, não é? Em segundo lugar, quem mais Quinn poderia ter chamado? Puck? Finn? – Ele desdenhou. – Desculpe dizer, mas acho que os três caras que estão aqui eram as decisões mais óbvias que vocês poderiam ter tido, falando em termos de dança.
Ninguém podia discordar.
— Bem, podemos começar o ensaio? – Quinn perguntou.
Brittany apenas concordou com a cabeça, abrindo um sorriso, enquanto Santana agarrava a mão de Blaine e o puxava para o canto mais distante do palco, longe de Quinn e Brittany.
Enquanto se posicionavam, a loira de cabelos mais curtos reclamou para Sebastian:
— Você me deve um GRANDE favor. – Ela disse, depois de um suspiro.
— Relaxa... Ela não vai te morder. – Sebastian disse, displicente. Ele olhou de esguelha para a latina e viu que ela se mantinha muito concentrada em Blaine. Ele suspirou e passou suas mãos pela cintura de Quinn, tentando não invejar Blaine, já que Santana claramente não nutria pelo moreno o desejo de matá-lo.
Depois disso, eles começaram a ensaiar. As garotas já tinham repassado mais ou menos a coreografia aos rapazes no tempo livre que tiveram pela manhã, antes das aulas começarem. No caso de Brittany e Mike, os dois já tinham toda a coreografia memorizada, e poderiam apresenta-la em cinco minutos se necessário, tamanha era a sincronia que os dois tinham. Sebastian e Blaine também estavam indo bem e o principal objetivo daquele ensaio era apenas ajustar os movimentos de todos juntos.
Em determinada parte, Quinn, Santana e Brittany precisavam abandonar seus parceiros e trocar de lugar, o que rapidamente deixou Santana relutante. Quando ela precisou esticar sua mão para que Sebastian a puxasse para si, foi inevitável sentir um arrepio, e aquilo só serviu para deixa-la ainda mais furiosa. Afinal, que tipo de máquina desenfreada e cheia de hormônios era o seu corpo? Era um toque totalmente sem importância e que rapidamente acabou – quando ela empurrou o peito de Sebastian e estendeu a mão para Mike puxa-la –, e mesmo assim, ela não conseguira controlar suas reações.
Sentia-se frustrada, mas, mais do que isso, Santana estava preocupada. Quanto tempo conseguiria se controlar, quando ele estava tão perto e quando seu próprio corpo era um aliado do inimigo?
Raiva. Se Sebastian tinha seu corpo (e ela teve que conter uma careta ao ter este pensamento), ela tinha sua raiva. A raiva que sentia era sua principal aliada. E, no momento, ela dobrara de tamanho, visto que Quinn resolvera traí-la aproximando-se justamente da última pessoa com a qual deveria ter contato. A loira não tinha o direito de fazer isso com ela, não depois de tudo o que Santana contara à ela sobre Sebastian.
Depois de repassarem a música algumas vezes, garantindo que todos dominavam a coreografia, o ensaio terminou com a orientação das garotas de que os meninos deveriam trazer roupas extras para a apresentação, que seria no dia seguinte. Brittany, Mike e Blaine deixaram logo o auditório, conversando animadamente entre si. Quinn ia esperar Santana, mas viu que Sebastian estava demorando muito para amarrar seus cadarços, os quais ela nem mesmo se lembrava de ter visto soltos, enquanto a latina parecia estar travando uma pequena luta com sua bolsa, provavelmente procurando seu celular, agachada em um canto do palco. Analisando aquela cena, a loira decidiu rapidamente acompanhar os amigos que saíam e, apesar de não se engajar na conversa dos demais, aproveitou para segui-los e deixar o auditório.
Sebastian deixou os cadarços de lado e deu alguns passos em direção à Santana.
— Se está esperando que eu diga alguma coisa sobre essa sua ridícula tentativa de ser amiguinho da Fabray, está perdendo seu tempo. – Santana disse, ainda de costas.
— Não sabia que você era uma pessoa ciumenta, Lopez. – Sebastian respondeu, e Santana não precisava vê-lo para saber que o odioso sorrisinho estava lá.
— Pode apostar que meu ciúme, se é que sinto algum, não está nem um pouco relacionado a você. – A latina disse, o sarcasmo escorrendo por sua voz.
— E também não sabia que amava tanto assim a Fabray... – Ele respondeu irônico. – Pensei que preferisse os olhos azuis da Pierce, embora o seu fraco por loiras esteja bem claro.
— Bem, desculpe decepcionar essa mente depravada, mas “esse” – Santana enfatizou – não é o único tipo de amor entre duas mulheres.
— Certamente que não. – Sebastian concordou. – Mas os depravados se reconhecem, não é mesmo?
— Talvez. Mas, sinceramente, não tenho a mínima vontade de conversar com você agora. – Santana disse, finalmente se levantando e virando-se para Sebastian. – Se a Fabray quer acabar levando sal grosso no olho, eu posso até ajudar com os curativos depois, mas o problema é dela e não meu. – Ela deu de ombros, numa falsa indiferença. É claro que conversaria seriamente com Quinn depois, mas Sebastian não precisava saber que sua presença era assim tão incômoda para a latina. O garoto assentiu, as sobrancelhas levemente franzidas, mas não deixou que o silêncio perdurasse:
— Sem ressentimentos então? – Sebastian estendeu a mão para ela. Santana encarou a mão alva e lutou para não transparecer sua raiva, cada vez maior. Para ele, parecia muito fácil ter contato com ela, enquanto a última coisa que ela mesma precisava era tocar minimamente a pele dele.
— Ah, é claro que não. – Santana abriu um sorriso falso. – Você só precisa se lembrar de ficar longe de mim, e então... Estamos bem.
— Claro... – Ele disse, não muito certo. Sebastian arriscou olhar diretamente nos olhos negros, e se assustou com a genuína indiferença que eles transpareciam. Como aquela garota poderia ser a mesma que o abraçara tão fortemente e o beijara com tanta vontade em sua casa? Aquilo parecia ter sido um milhão de anos atrás e não há menos de um mês.
Santana simplesmente virou-se e desceu do palco. Enquanto saía do auditório, ela voltou sua atenção para o celular em suas mãos, tentando ignorar o par de olhos que sentia sobre suas costas. Rapidamente, selecionou alguns contatos em sua agenda e enviou a seguinte mensagem:
“Reunião comigo no vestiário feminino em 10 minutos. E deem um jeito de arranjar roupas pretas.”
Ser uma das capitãs das Cheerios tinha suas vantagens, afinal de contas.
[...]
O dia de Quinn estava indo de mal a pior.
A loira cutucava a salada em seu prato com a ponta do garfo, imaginando onde diabos Santana se metera. A manhã passara rápido, e a latina já havia sumido há um bom tempo. Tudo bem, nem tanto tempo assim, considerando que Quinn a vira pela última vez quando Santana abandonara rapidamente o auditório, depois do ensaio para o Glee Club, o que não fazia nem meia hora direito. Quinn suspirou. O problema não era o tempo do sumiço de Santana, e sim as circunstâncias em que a loira havia se colocado com a amiga. Santana era uma cabeça dura, e provavelmente não entenderia porque Quinn convidara justamente Sebastian para participar da apresentação delas. Infelizmente para Quinn, não cabia a ela justificar nada. Ela suspirou e, mais uma vez, pensou em como era melhor que Sebastian não fizesse nenhuma besteira, ou Lima Heights Adjacent não seria nada comparado à fúria Fabray.
No meio de seus devaneios, Quinn foi interrompida por uma das pessoas mais improváveis do seu círculo de convivência:
— Oi. – Sam Evans cumprimentou a loira enquanto depositava sua própria bandeja de comida na mesa, sentando-se em frente a ela.
— Oi... – Quinn respondeu, parecendo um pouco incerta sobre os motivos da aproximação do loiro.
— Como está indo com a tarefa da semana? – Sam perguntou, o que esclareceu um pouco as coisas para Quinn. Ele obviamente estava falando do Glee.
— Bem... Eu acho. – Quinn também não parecia muito certa sobre isso. – E você? – Ela acrescentou, mais por educação do que por qualquer outra coisa, afinal, não era muito próxima de Sam.
— Era justamente sobre isso que eu queria conversar. – Sam disse, com a boca cheia. Ele terminou de engolir a comida e disse: — Tenho que cantar algo pra você e, pra simplificar as coisas, seria bom que você me dissesse alguma música legal o bastante, alguma que você goste. – Ele deu de ombros, enchendo mais uma vez a própria boca com uma garfada generosa de comida.
Quinn conteve uma careta.
— Não era pra isso ser uma surpresa? – Ela questionou.
— O Sr. Schue não falou nada sobre isso. – Sam rebateu.
— Mesmo assim... Tenho certeza de que você poderia encontrar algo sozinho, se quisesse. Quer dizer... Nós namoramos por um tempo, e...
— E você me traiu com o Finn. – Sam a interrompeu. – Não pode esperar que eu tenha a obrigação de me lembrar das músicas que você me obrigava a ouvir enquanto tentava me impedir de avançar o sinal no nosso namoro.
Quinn ficou tão estupefata, que nem soube o que responder àquela afirmação.
— Não pode me culpar, Sam. – Ela balançou levemente a cabeça. – Eu tentei consertar as coisas com você, logo quando você voltou, esse ano. E você me dispensou.
— Você não estava tentando consertar as coisas comigo, Quinn. – Sam discordou, parando de comer para encará-la. – Estava tentando consertar a si mesma, à sua vida.
Embora não houvesse amargura naquelas palavras, Quinn sentia-se estranhamente incomodada por elas.
— Eu... – Ela franziu a testa, sem realmente saber o que dizer. – Onde você quer chegar, Sam?
— Eu poderia perguntar a você por quanto tempo nós namoramos... – Ele ignorou a pergunta dela. – Mas eu acho que você realmente não sabe.
— Você me parece bem amargurado para alguém que supostamente está apaixonado pela Mercedes. – Quinn observou.
— Sim, eu estou. – Ele assentiu. – Mas eu também gostei de você, Quinn. Gostei de verdade. Só que você quebrou meu coração.
Quinn realmente não sabia o que responder àquela afirmação, mas isso não pareceu incomodar Sam. Ele se levantou, com o almoço ainda pela metade e a olhou uma vez mais, antes de sair:
— Não precisa me sugerir nada. Isso tudo acabou me lembrando de que eu tenho a música perfeita pra você.
E foi embora, deixando uma loira mergulhada nos próprios pensamentos.
[...]
— Você trouxe o que a gente combinou? – Sebastian perguntou, assim que alcançou Artie no corredor.
— Sim, mas tenho uma má notícia. – Artie disse, parecendo não muito satisfeito.
— Por que passamos da sala do Glee Club? – Sebastian apontou para a porta pela qual Artie passara sem nem olhar, impulsionando ainda mais sua cadeira pelo corredor.
— Essa é a má notícia. – Artie respondeu. – Nossa reunião hoje é no auditório.
— O quê? – Sebastian franziu as sobrancelhas. – Por quê?
— Algumas pessoas que vão se apresentar hoje pediram pra ser lá. – Artie deu de ombros.
— Pensei que não precisássemos avisar nada assim... – Sebastian balançou a cabeça, frustrado. – Mas e nós? Mantemos nossa apresentação pra hoje?
— É claro que não! – Artie exclamou. – Pensamos em tudo para ser na sala. Se fizéssemos no auditório, não seria a mesma coisa.
— Pelo menos concordamos em algo. – Sebastian comentou, enquanto ajustava as alças de sua mochila.
— Pelo menos já tenho um estoque de óculos escuros no meu armário. De qualquer forma, poderemos usá-los amanhã. – Artie concluiu.
Sebastian murmurou em concordância e os dois seguiram caminho.
[...]
Santana já havia avisado ao Sr. Schue que cantaria sua música para Sebastian naquele dia, assim como também avisara que algumas Troubletones fariam parte do número, ao que o homem apenas abriu um sorriso empolgado. Agora, ela estava atrás das coxias do auditório, observando Rachel e Blaine, sem realmente prestar atenção ao que os dois cantavam. Santana tinha 95% de certeza de que aquela música era de algum musical, e ela não poderia se importar menos, mas não era a única. De longe, ela viu Puck bocejar na plateia, e aquilo a fez abrir um pequeno sorriso, porque a sua música certamente não traria tédio aos colegas.
Logo Blaine e Rachel terminaram e, após os devidos aplausos, desceram do palco e foram sentar-se nas poltronas do auditório. Santana rapidamente fez um sinal para suas colegas líderes de torcida, avisando que era a hora de entrar no palco.
Da plateia, Sebastian observou alguns dos alunos da banda da escola se posicionarem assim que Rachel e Blaine desceram do palco. Algumas garotas carregavam violinos e, quando Santana entrou no palco sentada em uma mesa empurrada por algumas outras Cheerios, em um figurino inteiramente preto, Sebastian quase pôde se imaginar de volta ao dia em que ambos cantaram Michael Jackson na agora distante Academia Dalton. Como ela era a única do Glee Club no palco, Sebastian nem precisou que ela começasse a cantar para entender que aquela era a música que ela cantaria para ele.
Ele é uma cobra de coração gelado (garota)
Olhe nos olhos dele
Oh ohh
Ele está contando mentiras
Ele é um amante em jogo (garota)
Ele não joga pelas regras (Uh ohh)
Oh oh
Garota não se faça de boba agora
As Cheerios, também vestidas de roupas pretas, empurravam andaimes pelo palco e, quando paravam, subiam nas estruturas, movendo-se por elas facilmente. A coreografia parecia complicada, mas não representava nenhum desafio para aquelas garotas.
Você é a única desistindo do amor
Toda vez que ele precisa
Mas você vira as costas e, em seguida, ele está fora
e correndo com a multidão
Você é a única a se sacrificar
Qualquer coisa para agradá-lo
Você realmente acha que ele pensa sobre você
Quando ele está fora?
Santana não olhava diretamente para Sebastian. Pelo menos não ainda. Ela parecia concentrada em seus movimentos, e olhava para a plateia de modo geral, sem se concentrar em nenhum dos rostos que a assistiam. Mr. Schue parecia um pouco preocupado com a escolha da música, pois não era sua intenção incitar brigas com aquela tarefa. Quinn sentia-se incomodada, pois sabia que fora ela a motivação para a escolha da música de Santana. Os mais animados eram os meninos, principalmente Puck, que ostentava um grande sorriso no rosto ao ver todas aquelas Cheerios entre roupas e passos de dança provocantes.
Ele é uma cobra de coração gelado (garota)
Olhe nos olhos dele
Oh ohh
Ele está contando mentiras
Ele é um amante em jogo (garota)
Ele não joga pelas regras (Uh ohh)
Oh oh oh
Garota não se faça de boba agora
Apesar do conteúdo da música insultá-lo, o maior problema de Sebastian não era exatamente aquela letra, e sim a própria Santana. Seu corpo todo estava afetado apenas pela visão da latina cantando, e ele teve sorte de não arquejar no momento em que Santana abriu as pernas em um de seus movimentos de dança. A algumas cadeiras de distância, ele notou Puck depositando sua jaqueta do futebol sobre seu colo, e Sebastian soube na mesma hora o porquê. Ele mesmo recolheu sua mochila da cadeira ao lado, onde ela estava, e colocou sobre suas pernas, a fim de esconder uma ereção crescente. A diferença entre ele e Puck, Sebastian pensava, era que ele não fazia ideia de por qual delas Puck se sentia atraído, e a resposta poderia ser “qualquer uma”, ao passo que Sebastian não tinha olhos para mais ninguém além de Santana.
Ontem à noite mesmo
Ele estava lá fora furtivamente
Então ele te ligou para verificar se você
estava esperando ao lado do telefone
O mundo todo é uma loja de doces
E ele tem brincado de "doces ou travessuras"
Mas quando se trata de verdadeiro amor com ele, garota
Não há ninguém em casa
Certo, Santana decididamente precisava terminar logo essa música. A situação de Sebastian estava bem ruim, e piorou ainda mais quando Santana passou a encará-lo diretamente. Os olhos negros sobre ele refletiam apenas malícia. O desprezo de mais cedo parecia ter evaporado. Santana o olhava séria, é verdade, mas não parecia indiferente. Parecia... Se divertir ao máximo enquanto o provocava. Sebastian cerrou os punhos. Odiava o poder que ela tinha de irritá-lo.
Ele é uma cobra de coração gelado (garota)
Olhe nos olhos dele
Oh ohh
Ele está contando mentiras
Ele é um amante em jogo (garota)
Ele não joga pelas regras (Uh ohh)
Oh oh oh
Garota não se faça de boba agora
Por sua vez, Quinn pensava em como Santana deveria estar odiando o fato de a loira ter se aproximado abertamente de Sebastian. Ela estava preocupada em como explicaria suas atitudes e, ao mesmo tempo, uma parte de si também estava irritada por precisar dar qualquer tipo de satisfação à Santana. Seu dia já não estava ruim o bastante, para que ela ainda precisasse ficar ouvindo a latina cantar repetidamente que ela era uma idiota?
Você pode encontrar alguém melhor, garota
Ele só pode fazer você chorar
Você merece alguém melhor, garota
Ele é frio como gelo
frio como gelo
Ele é frio como gelo
Ele é frio como gelo
Fique longe dele, garota!
Os violinos ressoavam pelo auditório enquanto Santana agora estava sobre um dos andaimes, as Cheerios dançando junto a ela. A latina se sentia muito feliz pela escolha de sua música e, mesmo de longe, ela podia ver os olhos azuis faiscando em sua direção. Ela conteve um sorriso de satisfação, mas tinha certeza de que seus olhos a denunciavam. Estava se divertindo como nunca com a expressão de fúria no rosto de Sebastian, causada unicamente por ela.
Coração gelado
Ooh ah ah
Coração gelado
Coração gelado
Ooh ah ah
Cobra de coração gelado
Ele é uma cobra de coração gelado (garota)
Olhe nos olhos dele
Oh ohh
Ele está contando mentiras
Ele é um amante em jogo (garota)
Ele não joga pelas regras (Uh ohh)
Oh oh oh
Garota não se faça de boba agora
(Oh ah)
Olhe nos olhos dele (Ooh ahh)
Ele está contando mentiras (Ooh ahh)
Ele não joga pelas regras (Ooh ahh)
Garota não se faça de boba agora
Uma cobra de coração gelado (Oh whoa)
Olhe nos olhos dele (nos olhos dele)
Oh oh
Oh oh oh
Ele é uma cobra de coração gelado!
Santana se afastou dos andaimes e desceu do palco, indo em direção à plateia. Quando a música acabou, ela estava parada exatamente em frente à Sebastian, os dois pares de olhos conectados, se desafiando. Sebastian queria muito empurrá-la e sair dali o mais rápido que conseguisse, mas, se levantasse de sua poltrona agora, ele apenas denunciaria o tamanho de sua excitação. E a última coisa que ele precisava era dar à Santana a certeza do poder que ela tinha sobre ele.
A garota desviou o olhar dele e sorriu, olhando para o Sr. Schue.
— Bem, essa foi a minha música para o Sebastian, Sr. Schue. Espero que tenha gostado. – Ela disse, virando-se para voltar ao palco, e fazendo sua saia rodopiar no processo, o que atraiu imediatamente a atenção de Sebastian.
— Bem... – O professor começou. – Acho que você poderia ter escolhido algo não tão apelativo, Santana. Mas você se saiu muito bem.
A latina deu de ombros.
— Não acho que fui apelativa. Acho que consegui me expressar muito bem com essa música.
— Tudo bem. – Sr. Schue assentiu, tentando não trazer à tona nenhuma discussão. Mas ele precisava perguntar: — Você quer dizer alguma coisa, Sebastian?
— Não, eu... – Sebastian disse, depois de alguns segundos de silêncio. – Bem, se é isso que Santana pensa sobre mim, o problema é dela e não meu, não é?
O Sr. Schue não soube o que responder a isso, então disse apenas:
— Bem... Acho que por hoje é só, gente. Continuamos amanhã, na sala do coral.
Os alunos começaram a se levantar e Sebastian aproveitou para sair rapidamente daquele lugar. Sentia-se sufocado. Ele conseguiu sair antes de todos e, antes que pudesse pensar, entrara num dos armários de vassouras no mesmo corredor do auditório. Ele largou sua mochila, que não chegara nem mesmo a colocar nas costas, em um canto no chão e passou a mão pelos cabelos. Do lado de fora, ele podia ouvir o barulho de seus colegas indo embora, considerando que as aulas do dia já haviam acabado. Mas o barulho maior estava em sua própria mente. Afinal de contas, quem era Santana e o que ela queria de verdade? Matá-lo? Talvez. Enlouquecer Sebastian? Com certeza!
Ele andou de um lado para o outro no pequeno espaço, e, antes de chegar a qualquer pensamento que fizesse sentido, ele escutou o som de passos solitários pelo corredor. Saltos, pelo que ele pôde perceber. Sem pensar muito, Sebastian resolveu arriscar. Esperou o som se tornar mais alto e, quando sentiu os passos mais próximos de onde estava, abriu a porta do armário e só teve tempo de confirmar quem era, antes de puxar o braço moreno com força, trazendo a latina para junto de si.
— O quê?! – Santana arfou, antes de se dar conta do que acabara de acontecer.
— Você... – Sebastian sussurrou, ainda segurando a garota muito próxima ao seu corpo. Suas pupilas estavam dilatadas e Santana podia sentir a respiração dele junto a sua, que já começava a acelerar. – É uma mentirosa.
— O que... – Santana começou, mas logo foi interrompida.
Sebastian a beijou com toda a vontade e, depois disso, Santana não pensou em mais nada.
[...]
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