Notas iniciais
Estou me sentindo idiota e contagiosa hoje, então resolvi postar esse projeto de capítulo. Especialmente pra LauPrado, que me pediu essa interação há tempos.

No mesmo dia, antes de ir embora, Sebastian estava organizando alguns livros em seu novo armário, quando uma mão morena bateu a porta de uma vez.

– Pode me dizer o que diabos você pensa que está fazendo? – Santana perguntou. Sua voz não estava alta, mas Sebastian pôde notar a raiva que ela exalava mesmo assim.

– Arrumando meus livros? – Ele ergueu as sobrancelhas para ela, reabrindo o armário. Santana bateu a porta mais uma vez.

– Pode parar, Smythe. Essa imagem de garoto retardado não cola, nem mesmo que essa sua cara de lesado ajude muito.

Sebastian suspirou, antes de responder:

– Quero vencer as Nacionais tanto quanto você, Santana.

A latina estreitou os olhos.

– Você odeia escolas públicas. E, de repente, você se transfere para uma. Quer mesmo que eu ache normal essa vontade súbita de vencer as Nacionais? – Ela questionou, cruzando os braços.

– É engraçado como você me conhece tão bem e tão mal ao mesmo tempo, Lopez. – Ele disse, encarando os olhos escuros de Santana, que tentou não encarar muito os lábios de Sebastian, quando ele pronunciou seu sobrenome. – Sim, eu odeio escolas públicas. Mas se esse é o preço por uma nova chance no jogo, eu estou disposto a pagar. E é por isso que você não me conhece tanto quanto imagina. Eu sou competitivo e pode apostar que não vou desperdiçar nenhuma oportunidade que eu tiver. Eu sempre tenho o que eu quero, Santana. – Sebastian não desviava o olhar da garota. – Sempre.

– Você pode ser convincente, e enganar a todos no Glee Club, mas não me engana, Smythe. – Santana retrucou. – Eu não estou nenhum pouco convencida de que é só por isso que está aqui.

– Se está sugerindo que eu estou aqui porque vim atrás de você, eu peço desculpas por te desapontar, mas esse não é o caso. – Sebastian abriu um pequeno sorriso. O típico sorriso que tinha o poder de aumentar em 300% a irritação de Santana.

– Não é o que está parecendo, considerando que a última vez em que nos vimos você veio atrás de mim para dizer que “queria tentar”. – Ela disse, fazendo aspas com as mãos.

– Nessa mesma ocasião você me acusou de estar tentando te fazer de boba, o que, pensando bem, não é uma opção a se descartar. – Sebastian deu de ombros. É claro que não admitiria que estava ali por causa dela... Era demais para o seu orgulho. Além disso, não estava exatamente mentindo quando disse que queria ganhar as Nacionais, então esse seria realmente o seu motivo quando perguntassem o que ele estava fazendo ali.

– Está vendo? – Santana apontou um dedo para ele. – É exatamente por isso que não confio nenhum pouco em você! Você mente, manipula... Sem contar que é uma espécie de criminoso, que quase cegou uma pessoa! – Santana destilava seu ódio a cada palavra, comemorando internamente por ter conseguido fazer o sorriso de Sebastian se desmanchar.

– Já acabou? – Ele perguntou, tentando soar indiferente, enquanto voltava sua atenção novamente para o armário a sua frente. – Se me der licença, quero terminar de arrumar essas coisas e ir pra casa.

– Por que a pressa, Smythe? Não vai ter ninguém te esperando lá mesmo... – A latina debochou.

– Se eu te beijasse agora, seria tão fácil te convencer a ir comigo, Santana... – Ele disse, olhando de volta para a garota, que ficou tensa no mesmo instante. – Mas quem sabe em uma outra oportunidade.

– Pro inferno, Smythe! Fique longe de mim! – Ela avisou, virando-se em seguida para ir embora.

Sebastian observou-a até que ela virasse à esquerda no fim do corredor, pensando em como ela conseguia bagunçar seus sentimentos tão facilmente. Ele não a amava, disso tinha certeza. Algo no modo como ela falava e as palavras duras que dizia, além da postura e o olhar de desafio que ela tinha quando se dirigia a ele, faziam com que Sebastian a odiasse na mesma intensidade em que a desejava. Mesmo assim, de uma coisa ele tinha certeza:

– Só tem uma coisa, Lopez. Eu não vim aqui pra ficar longe de você. – Ele murmurou para si mesmo, ainda virado para o lado pelo qual Santana seguira caminho, sem notar que havia alguém às suas costas, e que conseguira ouvir perfeitamente aquelas palavras.

– Foi exatamente isso o que pensei. – A garota disse, fazendo Sebastian praticamente pular de susto.

– Por Deus, garota! Quer me matar? – Sebastian se virou, apoiando uma mão na porta do armário.

– Por enquanto não. – Quinn respondeu, rindo da reação do garoto.

– Por enquanto? – Sebastian ergueu uma sobrancelha.

– Sim, mas fique tranquilo. Eu te matar ou não só depende de você.

– O que quer dizer com isso? – Sebastian parecia confuso.

– Quer dizer que, se você magoar Santana, eu vou arrancar as suas bolas e fazer você comer as duas de garfo e faca. – Quinn esclareceu, no mesmo tom de alguém que comentava o tempo. Sebastian fez uma careta.

– Você também é de Lima Heights?

– Não. Mas sou a melhor amiga de uma garota de Lima Heights, então posso te garantir que você não quer me ver com raiva. – Quinn afirmou.

– Hum... Fabray, não é?

– Pode me chamar de Quinn, se eu puder te chamar de Sebastian. – A loira deu de ombros e se encostou no armário ao lado do de Sebastian.

– Tudo bem. – Ele assentiu. – Então, Quinn... Por que eu magoaria a Lopez?

– Caso não tenha percebido, eu ouvi o que você disse sobre estar aqui por causa dela. Na verdade, eu já sabia disso no momento em que te vi perto da diretoria hoje mais cedo. – A loira disse, observando Sebastian desviar o olhar para um ponto qualquer que não fosse ela. – Ter ouvido o que você disse só poupou o trabalho de te fazer confessar o que eu já sei. O que me leva à segunda pergunta: o que pretende fazer, Sebastian?

Ele ficou em silêncio por longos segundos, enquanto Quinn o olhava atentamente, aguardando uma resposta.

– Você parece muito bem informada, Quinn. É a melhor amiga de Santana, não foi isso o que disse?

– Sim. – Quinn confirmou, cautelosamente, percebendo que ele não respondera à sua pergunta.

– Então você não pode mesmo esperar que eu te diga alguma coisa, considerando que a próxima coisa que você pode fazer é correr para Santana e contar para ela tudo o que eu te disser.

– Acredite ou não, eu estou te dando a oportunidade de ter uma amiga, de ter alguém com quem conversar. – Quinn disse algo que Sebastian realmente não esperava ouvir. – Querendo ou não, você tem que encarar os fatos. Você sabe cantar, mas não é exatamente bem-vindo no Glee Club. Na verdade, algumas pessoas ali poderiam comer o seu fígado num espeto. Mas eu quero te dar uma chance. – Ela afirmou, fazendo Sebastian voltar seus olhos azuis para os olhos verdes, quase dourados, de Quinn. — Pode confiar em mim, Sebastian.

– Por quê? – Ele parecia relutante. – Por que eu deveria confiar em você?

– Porque eu me importo. – Ela disse. – Não com você, mas com Santana. Você acabou de chegar, e eu não sei como são as coisas na Dalton, mas aqui nós somos amigos, somos uma família, como o Finn disse. Nós cuidamos uns dos outros. E eu cuido da Santana. Então, se você está aqui por ela e não pretende magoá-la, você pode contar comigo.

Sebastian observou a loira. Mesmo calçando apenas tênis brancos, ela não era muito menor que ele. Ela, assim como Santana, vestia o uniforme das Cheerios e usava um pequeno rabo de cavalo no topo da cabeça. E, também como Santana, parecia muito determinada e muito segura do que dizia.

– Tudo bem. – Sebastian suspirou, fazendo a garota abrir um pequeno sorriso. – Mas a verdade é que eu não tenho uma resposta para a sua pergunta, Quinn. Eu posso até estar aqui pela Santana, mas eu não estou exatamente certo do que fazer.

– Ok, então não me diga mais nada. Você não me deve nenhum tipo de satisfação. – Quinn disse e Sebastian sorriu minimamente, começando a sentir que iria realmente gostar daquela loira. – Eu já dei o meu recado e, bem, você deve estar querendo ir pra casa. Quase todo mundo já foi.

– É, eu só vou terminar aqui e vou. – Ele assentiu.

– Então eu te vejo amanhã, Sebastian! — Quinn se despediu, já se virando para ir embora.

– Hey! Essa conversa fica só entre nós, certo?

– Claro. Assim como minhas conversas com Santana ficam só entre eu e ela. – “O que é um código para ‘não me pergunte nada sobre ela que eu não vou dizer, babaca’”, Sebastian pensou.

Quando Quinn já estava praticamente deixando o corredor, ele virou-se novamente para o armário, finalmente dando atenção à pilha de livros.

[...]

Notas finais
Eu quero é comentários. Tá bem curto, mas pelo menos eu não demorei tanto, neh non? BEIJOS!