Locked Out of Heaven
33 Capítulo 33
Notas iniciais
No mesmo dia, antes de ir embora, Sebastian estava organizando alguns livros em seu novo armário, quando uma mão morena bateu a porta de uma vez.
– Pode me dizer o que diabos você pensa que está fazendo? – Santana perguntou. Sua voz não estava alta, mas Sebastian pôde notar a raiva que ela exalava mesmo assim.
– Arrumando meus livros? – Ele ergueu as sobrancelhas para ela, reabrindo o armário. Santana bateu a porta mais uma vez.
– Pode parar, Smythe. Essa imagem de garoto retardado não cola, nem mesmo que essa sua cara de lesado ajude muito.
Sebastian suspirou, antes de responder:
– Quero vencer as Nacionais tanto quanto você, Santana.
A latina estreitou os olhos.
– Você odeia escolas públicas. E, de repente, você se transfere para uma. Quer mesmo que eu ache normal essa vontade súbita de vencer as Nacionais? – Ela questionou, cruzando os braços.
– É engraçado como você me conhece tão bem e tão mal ao mesmo tempo, Lopez. – Ele disse, encarando os olhos escuros de Santana, que tentou não encarar muito os lábios de Sebastian, quando ele pronunciou seu sobrenome. – Sim, eu odeio escolas públicas. Mas se esse é o preço por uma nova chance no jogo, eu estou disposto a pagar. E é por isso que você não me conhece tanto quanto imagina. Eu sou competitivo e pode apostar que não vou desperdiçar nenhuma oportunidade que eu tiver. Eu sempre tenho o que eu quero, Santana. – Sebastian não desviava o olhar da garota. – Sempre.
– Você pode ser convincente, e enganar a todos no Glee Club, mas não me engana, Smythe. – Santana retrucou. – Eu não estou nenhum pouco convencida de que é só por isso que está aqui.
– Se está sugerindo que eu estou aqui porque vim atrás de você, eu peço desculpas por te desapontar, mas esse não é o caso. – Sebastian abriu um pequeno sorriso. O típico sorriso que tinha o poder de aumentar em 300% a irritação de Santana.
– Não é o que está parecendo, considerando que a última vez em que nos vimos você veio atrás de mim para dizer que “queria tentar”. – Ela disse, fazendo aspas com as mãos.
– Nessa mesma ocasião você me acusou de estar tentando te fazer de boba, o que, pensando bem, não é uma opção a se descartar. – Sebastian deu de ombros. É claro que não admitiria que estava ali por causa dela... Era demais para o seu orgulho. Além disso, não estava exatamente mentindo quando disse que queria ganhar as Nacionais, então esse seria realmente o seu motivo quando perguntassem o que ele estava fazendo ali.
– Está vendo? – Santana apontou um dedo para ele. – É exatamente por isso que não confio nenhum pouco em você! Você mente, manipula... Sem contar que é uma espécie de criminoso, que quase cegou uma pessoa! – Santana destilava seu ódio a cada palavra, comemorando internamente por ter conseguido fazer o sorriso de Sebastian se desmanchar.
– Já acabou? – Ele perguntou, tentando soar indiferente, enquanto voltava sua atenção novamente para o armário a sua frente. – Se me der licença, quero terminar de arrumar essas coisas e ir pra casa.
– Por que a pressa, Smythe? Não vai ter ninguém te esperando lá mesmo... – A latina debochou.
– Se eu te beijasse agora, seria tão fácil te convencer a ir comigo, Santana... – Ele disse, olhando de volta para a garota, que ficou tensa no mesmo instante. – Mas quem sabe em uma outra oportunidade.
– Pro inferno, Smythe! Fique longe de mim! – Ela avisou, virando-se em seguida para ir embora.
Sebastian observou-a até que ela virasse à esquerda no fim do corredor, pensando em como ela conseguia bagunçar seus sentimentos tão facilmente. Ele não a amava, disso tinha certeza. Algo no modo como ela falava e as palavras duras que dizia, além da postura e o olhar de desafio que ela tinha quando se dirigia a ele, faziam com que Sebastian a odiasse na mesma intensidade em que a desejava. Mesmo assim, de uma coisa ele tinha certeza:
– Só tem uma coisa, Lopez. Eu não vim aqui pra ficar longe de você. – Ele murmurou para si mesmo, ainda virado para o lado pelo qual Santana seguira caminho, sem notar que havia alguém às suas costas, e que conseguira ouvir perfeitamente aquelas palavras.
– Foi exatamente isso o que pensei. – A garota disse, fazendo Sebastian praticamente pular de susto.
– Por Deus, garota! Quer me matar? – Sebastian se virou, apoiando uma mão na porta do armário.
– Por enquanto não. – Quinn respondeu, rindo da reação do garoto.
– Por enquanto? – Sebastian ergueu uma sobrancelha.
– Sim, mas fique tranquilo. Eu te matar ou não só depende de você.
– O que quer dizer com isso? – Sebastian parecia confuso.
– Quer dizer que, se você magoar Santana, eu vou arrancar as suas bolas e fazer você comer as duas de garfo e faca. – Quinn esclareceu, no mesmo tom de alguém que comentava o tempo. Sebastian fez uma careta.
– Você também é de Lima Heights?
– Não. Mas sou a melhor amiga de uma garota de Lima Heights, então posso te garantir que você não quer me ver com raiva. – Quinn afirmou.
– Hum... Fabray, não é?
– Pode me chamar de Quinn, se eu puder te chamar de Sebastian. – A loira deu de ombros e se encostou no armário ao lado do de Sebastian.
– Tudo bem. – Ele assentiu. – Então, Quinn... Por que eu magoaria a Lopez?
– Caso não tenha percebido, eu ouvi o que você disse sobre estar aqui por causa dela. Na verdade, eu já sabia disso no momento em que te vi perto da diretoria hoje mais cedo. – A loira disse, observando Sebastian desviar o olhar para um ponto qualquer que não fosse ela. – Ter ouvido o que você disse só poupou o trabalho de te fazer confessar o que eu já sei. O que me leva à segunda pergunta: o que pretende fazer, Sebastian?
Ele ficou em silêncio por longos segundos, enquanto Quinn o olhava atentamente, aguardando uma resposta.
– Você parece muito bem informada, Quinn. É a melhor amiga de Santana, não foi isso o que disse?
– Sim. – Quinn confirmou, cautelosamente, percebendo que ele não respondera à sua pergunta.
– Então você não pode mesmo esperar que eu te diga alguma coisa, considerando que a próxima coisa que você pode fazer é correr para Santana e contar para ela tudo o que eu te disser.
– Acredite ou não, eu estou te dando a oportunidade de ter uma amiga, de ter alguém com quem conversar. – Quinn disse algo que Sebastian realmente não esperava ouvir. – Querendo ou não, você tem que encarar os fatos. Você sabe cantar, mas não é exatamente bem-vindo no Glee Club. Na verdade, algumas pessoas ali poderiam comer o seu fígado num espeto. Mas eu quero te dar uma chance. – Ela afirmou, fazendo Sebastian voltar seus olhos azuis para os olhos verdes, quase dourados, de Quinn. — Pode confiar em mim, Sebastian.
– Por quê? – Ele parecia relutante. – Por que eu deveria confiar em você?
– Porque eu me importo. – Ela disse. – Não com você, mas com Santana. Você acabou de chegar, e eu não sei como são as coisas na Dalton, mas aqui nós somos amigos, somos uma família, como o Finn disse. Nós cuidamos uns dos outros. E eu cuido da Santana. Então, se você está aqui por ela e não pretende magoá-la, você pode contar comigo.
Sebastian observou a loira. Mesmo calçando apenas tênis brancos, ela não era muito menor que ele. Ela, assim como Santana, vestia o uniforme das Cheerios e usava um pequeno rabo de cavalo no topo da cabeça. E, também como Santana, parecia muito determinada e muito segura do que dizia.
– Tudo bem. – Sebastian suspirou, fazendo a garota abrir um pequeno sorriso. – Mas a verdade é que eu não tenho uma resposta para a sua pergunta, Quinn. Eu posso até estar aqui pela Santana, mas eu não estou exatamente certo do que fazer.
– Ok, então não me diga mais nada. Você não me deve nenhum tipo de satisfação. – Quinn disse e Sebastian sorriu minimamente, começando a sentir que iria realmente gostar daquela loira. – Eu já dei o meu recado e, bem, você deve estar querendo ir pra casa. Quase todo mundo já foi.
– É, eu só vou terminar aqui e vou. – Ele assentiu.
– Então eu te vejo amanhã, Sebastian! — Quinn se despediu, já se virando para ir embora.
– Hey! Essa conversa fica só entre nós, certo?
– Claro. Assim como minhas conversas com Santana ficam só entre eu e ela. – “O que é um código para ‘não me pergunte nada sobre ela que eu não vou dizer, babaca’”, Sebastian pensou.
Quando Quinn já estava praticamente deixando o corredor, ele virou-se novamente para o armário, finalmente dando atenção à pilha de livros.
[...]
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