Locked Out
2 Oh, no. Where is my house?
– Lucie, o jantar está na mesa! – gritou Paola, a empregada. A considero como minha mãe... ela e Jace são as pessoas que eu mais amo no mundo.
Saí correndo do quarto, estava morrendo de fome. Ao chegar numa das salas daquela casa imensa...
– Ah... sangue? – fingi desapontamento ao ver a jarra cheia.
– Não! Sangue é só para Jace. – riu
– Falando de mim? – Jace disse – Oba... sangue!
– "Oba, sangue?" – repeti incrédula – Tem certeza de que você não é uma criança, Jace? Quem ainda fala "oba"? – ri e tomei um gole do sangue
– Eu falo oba. – disse sério mas não aguentou por muito tempo e riu.
– Sabiam que é bom ver vocês assim... juntos, felizes...? – disse Paola
– Sabia que é bom ver eles assim... juntos, ponto final? – disse Simon, chegando em casa.
Simon é um cara de 19 anos que Jace contratou pra ser meu "amigo". Eu o odeio.
– Você não percebe que não é bem vindo nessa casa? – disse seca, sem tirar os olhos da minha comida. – Qual a sobremesa, Paola? – mudei de assunto
– A única coisa que eu percebo é que você finge que não gosta de mim. – sussurrou no meu ouvido, uma tentativa falha de me seduzir.
– Repete isso mais alto, boiolinha. – disse me levantando.
Ele recuou.
– Luce... – me repreendeu Jace.
– Por que você ainda deixa esse... esse... coisa entrar nessa casa? – o encarei – Sabe que eu o odeio.
– Luce, quando você era mais nova, vivia pedindo um amigo. Agora que te arranjei um você reclama?
– "Agora"? Eu estou com essa tralha há quatro anos! Não tinha ninguém melhor não?
– Já chega, vocês dois. – Nos repreendeu Paola – Estava indo tudo tão bem!
– Viu só como Simon só atrapalha?
– Um dia você vai me amar. – ele disse
– Você acha.
*
Uma hora da manhã. É hoje.
Liguei pro Simon:
– Fala – atendeu com voz de sono.
– Vem pra cá.
– Hã? – disse confuso
– Vem pra cá, mas sem fazer barulho algum.
Desliguei sem esperar resposta.
Em minutos, ouvi um barulho agonizante na janela do meu quarto. Resmunguei e abri a janela, que estava coberta por toneladas de cortinas para não entrar luz do sol. Caminhei até a varandinha e uma pedrinha pequena bateu na minha testa. Era Simon.
– Desculpe – ele sussurrou escalando a árvore que ficava de frente pro meu quarto.
Pulou para a varanda e entrou.
– O que quer? Sentiu muito a minha falta? – ele disse
– Jamais. Só preciso de ajuda. Quero fugir de casa.
– O que?
– Está surdo? Eu quero fugir de casa. – disse pausadamente – Na verdade, não quero fugir. Eu só quero dar uma voltinha, conhecer o lugar que ronda a minha casa. Mas tenho que voltar antes do amanhecer.
– Tá... tá, ok.
Descemos com muito cuidado. Abri a porta da sala, Simon foi na frente. Chequei se ninguém tinha nos visto e saí.
Andamos bastante.
– Onde a gente está? São quatro horas! Vai amanhecer, vamos sair logo daqui.
– Tem um problema... – gaguejou
– Que problema?
– Eu não sei onde a gente está.
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