“Venha, aproxime-se bela garotinha !” eu ouvia aquela voz acolhedora em minha mente. “Venha o mais rápido que puder estamos esperando por você” a voz afirmava. Esperando por mim ? Quem ? Aonde ? Por que ? “Sim , por você. Nós seus mais leais companheiros, no País das Maravilhas é claro , por que ? Ora, você é Alice ! Nossa Alice !”

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Acordei cansada, como se tivesse corrido a noite toda. Mirei o teto de gesso rebaixado em forma de nuvens , bocejei. Não queria levantar, desviei o olhar para o canto do quarto e encontrei o sorriso divertido de Lilith que me observava como se já tivesse previsto tudo que eu diria dali pra frente.

“E então ? Continuou resistindo ao chamado ?” dizia com um olhar maroto.

“ Do que você está falando ?” fiz-me de desentendida

“ Ah ...se eu não adorasse joguinhos já teria desistido de você a muito tempo.” riu baixinho aguardando uma resposta enquanto brincava com as orelhas de Blyssfull , seu coelhinho de pelúcia.

Suspirei derrotada , não adianta , ela lê meus pensamentos.

“Ah eu não entendo! Por que diabos você insiste pra que eu vá para esse tal de País das Maravilhas? O que tem de tão especial num lugar como esse ? Além do mais isso é apenas fruto da minha imaginação assim como você !” sem perceber havia alterado meu tom de voz. Ninguém mandou Lilith ser tão irônica o tempo todo.

“Querida...” minha mãe adentrou o quarto, parecia preocupada. “Que barulheira é essa logo de manhã?”

“A Lilith mãe , ela fica insistindo pra mim ir para o País das Maravilhas !” confessei irritando-me com a situação.

“Meu anjo...lembra o que eu e seu pai conversamos com você ? Essa Lilith, ela não é real , nem o País das Maravilhas isso é apenas a sua imaginação.” ela dizia docemente parecendo um tanto receosa.

“Mãe...eu sempre fui diferente, você sabe que a minha visão vai muito além da de vocês, eu já disse existe um mundo secreto que aguarda nossa exploração , eu tenho um pouco de receio de entrar lá pois não sei se conseguirei sair, mas, mas...” fui abaixando a cabeça a cada palavra que acrescentava á frase. Minha mãe me observava como se estivesse falando com uma louca.

“Alice já chega, vá tomar um banho gelado pra refrescar as ideias. Ou melhor congelá-las!” enquanto dizia isso minha mãe retirava as cobertas de cima do meu corpo deixando-o completamente descoberto. Parei com as explicações , levantei lançando um olhar mortal para Lilith que ria sem parar da descrença dos meus pais. Bufei indo em direção ao banheiro, retirei a fina camisola de seda que usava largando-a em um canto qualquer. Liguei a torneira na água morna e sentei na beirada da banheira olhando para meus próprios pés. Escorei a cabeça nos azulejos e fechei os olhos, ás vezes sinto como se pudesse perder a sanidade a qualquer momento por qualquer motivo.

Notas finais