Notas iniciais
Pov. Drogo

Checou o celular e, ao constatar que não havia nenhuma resposta dela, o jogou bruscamente contra a parede.

O aparelho, que não tinha nem dois meses de uso, quebrou-se em pedaços – como se fosse apenas um frágil copo de vidro. Frágil como vidro... Não conseguiu evitar o riso amargo ao pensar em tal comparação, Dany também o havia quebrado em pedaços. Talvez o tão temido – o considerado terrivelmente assustador — líder dos dragões não fosse lá grande coisa. Assim como aquele celular.

Sim, talvez assim fosse. Frágil. Quebradiço. Como vidro.

Sem conseguir conter-se, atirou as coisas que achou importante em sua mochila, e saiu de casa. Teve aquela sensação novamente. O vazio. Morava sozinho há muito tempo, mas não se acostumara aquilo. Chegar e não ouvir um “por que você demorou tanto”, sair e não revirar os olhos ao som de um “para onde você vai?”. Era estranho. Solitário. E, após o término do namoro com Daenerys, ele dera-se conta daquilo pela primeira vez.

Sentia falta dela.

Havia algo de errado com Dany, só assim para que tomasse uma atitude tão bufa como aquela – o término. Afinal, ela era sua lua e jamais falaria (por livre e espontânea vontade) tais palavras. Não, ela nunca falaria aquelas palavras. Não aquelas palavras...

Não posso dizer que o amo mais, Drogo. Você entende?

Quando ela, que sempre o jurou amar tanto, teria perdido os sentimentos? Era impossível...

Eu estou sentindo algo por outra pessoa também...

Era impossível, certo?

Não posso mais falar “eu te amo” pra você sem me achar uma mentirosa.

Sim, completamente impossível.

Por alguma razão Danerys havia mentido e terminado o namoro. Por alguma razão ela fora contra os próprios sentimentos. Por alguma razão ela agira daquela maneira. E aquela razão tinha nome. E sobrenome também. Viserys Targaryen. O maldito Viserys que se achava o rei de tudo. Viserys que controlava a vida de Daenerys, determinando o que ela poderia ou não fazer, por conta de um sobrenome... Um mísero sobrenome.

Lembrava-se bem das palavras que escutara do seu... cunhado. Fora algo tão absurdo que demorou em assimila-las. Então ainda havia pessoas que pensavam de maneira tão vil? Como alguém podia determinar o caráter de alguém baseado em seu sobrenome? Como? Tal pensamento tão impraticável, absurdo, existia. E, infelizmente, fora Drogo que se deparou com ele.

– Eu lhe chamei aqui para termos uma conversa séria. – Viserys começara, indicando para que sentasse na poltrona acolchoada que ficava ao lado da lareira. Mais uma lareira... A casa de sua namorada tinha uma lareira em quase todos os cômodos. Desde a primeira vez que fora ali, observara a decoração espalhafatosa e tivera vontade de correr. Aquele lugar, que lhe sufocava de maneira quase fatal, não parecia um lar. Não, um verdadeiro lar não precisa de tanto materialismo, apenas cumplicidade e amor.

– Imagino do que queira falar... Senhor Virerys? – Não escondera o desconforto ao não saber como chamar o homem a sua frente.

– Pode me chamar apenas de Viserys. – Dissera-lhe com um falso sorriso gentil estampado na cara. – É óbvio para mim que um jovem como você não é capaz de usar as formalidades.

– Um jovem... Como... Eu?

– Oh, sim! Não me entenda mal... Drogo, não é? – Seu nome saíra com desdém daquela boca, nunca vira alguém se direcionar a outra pessoa com tamanho nojo. – Pois bem, Drogo, você sabe o que os Targaryen representam nessa cidade? Carregamos um nome muito importante conosco. História. Tradição. Força. Daenerys não entende, mas nós somos tudo que restou e tudo que quero é protegê-la, proteger-nos.

– Eu nunca faria nenhum mal...

– As pessoas estão falando, Drogo.

– Que pessoas?

– As pessoas do nosso meio, estão me questionando a razão pela qual minha irmã está com alguém tão...

– Tão...? – Incentivara o xingamento que o outro reprimira. Se, antes de ir até ele para ter aquela conversa, já sabia que seu namoro não seria aprovado, aquela altura já possuía certeza.

– Inadequado.

– Inadequado?

– Veja bem, meu rapaz, em que mundo seria aceitável um Targaryen relacionar-se com alguém tão sujo? – Sujo? – Eu pesquisei sobre sua família, o negócio de cavalos... – Viserys fizera uma careta. – Cavalos? Nós não somos a família que lida com eles, apenas os montamos, damos as ordens.

– Sujo? Eu sou... Sujo?

– Você não ouviu o que eu disse, rapaz? – O mais velho aumentara o tom de voz. Sujo... Aquelas ideias eram tão absurdas que Drogo, nem ao menos, soubera como reagir. – Apenas se afaste da minha irmã e volte para sua família.

– O quê...?

– Sua simples presença me enoja.

E certamente a recíproca era verdadeira. Todas as vezes que olhara para cara daquele homem, Drogo sentia vontade de vomitar. Até mesmo em fotos. Ele era nojento. Ele era o imundo. Ele precisava ser limpo.

Reabriu a porta do apartamento e foi até a cozinha, caminhando diretamente para o armário que ficava embaixo da pia. Estava decidido, em definitivo. Pensara naquilo uma vez, quando Daenerys chegara para ele chorando, dizendo-lhe as coisas horríveis que o irmão fazia. Aquela era a única alternativa que vira na época, mas, por algum motivo, acabou desistindo. As coisas que comprara apenas ficaram ali, a espera...

Examinou com cuidado os itens antes de guarda-los consigo, certamente iriam servir. Tinham que servir. Já havia passado da hora dele dar um fim nisso tudo. Afinal, fora por culpa das imundices de Viserys que seu namoro tinha acabado. Fora por conta das imundices de Viserys que Dany sofrera tanto.

Sujo? Ele não era sujo.

Não como aquele miserável Targaryen.

**********

Nem bem a porta foi aberta e ele desferiu um soco no rosto de Viserys, não estava conseguindo conter a raiva que sentia. E tampouco queria contê-la. Desejava acabar com tudo o quanto antes. Fazer o que fora fazer, antes que o peso da adrenalina o abandonasse. Antes que o outro pudesse se recuperar da surpresa, golpeou-o novamente. Mais forte.

– O que você pensa que está fazendo, rapaz?

– Dando o que você merece.

– Como você ousa tocar em mim? – Disse enquanto tentava limpar, inutilmente, o sangue que escorria de seu nariz.

– Como eu ouso? – Drogo riu sem ser acompanhado. – Ah, é claro! Como alguém tão... sujo pode tocar em você? Não é? Como? – Andou até onde Viserys estava jogado no chão e este, talvez prevendo o que aconteceria, tentou arrastar-se para longe. Foi inútil, pois recebeu outro golpe. Desta vez um chute na cabeça. – Está se sentindo sujo, Viserys? – Manteve o pé pressionado contra o rosto dele, a lama do seu sapato misturando-se ao sangue... – Talvez eu devesse limpar você, não acha?

Sorriu para o Targaryen e afastou-se, indo até sua mochila que havia largado perto da porta, retirou de lá as correntes, dessas que se usam para prender os cachorros mais ferozes, dois pares no total e as garrafas. Fora difícil carregar tudo aquilo – era pesado demais -, mas ele sabia que valeria a pena. Apenas pelo olhar assustado que Viserys lhe lançou, ao constatar o que se sucederia, ele sabia.

– Você já ouviu falar em Soda Cáustica, Senhor Targaryen?

– D-drogo... Você não está pensando direito...

– Acho que isso é um sim. – Lançou-o mais um sorriso e, ao notar que o outro tentava escapar, agarrou-lhe uma das pernas. – Isso aqui. – Falou referindo-se as correntes – É por precaução. Não queremos que o senhor perca a diversão. Senhor Targaryen. – Puxou o corpo magricela e fraco do homem até as escadas, subindo até o quinto degrau, acorrentou-o junto o corrimão. Os braços e as pernas. De alguma maneira ficou feliz por aquela casa ser do jeito que era, os detalhes em metal no corrimão facilitaram sua missão. – Agora... Deveríamos começar a limpeza?

– N-não... – A voz do outro mal saiu. – Por favor...

– Oh! Sinto muito Senhor Targaryen, acho que sujei sua calça... – Empregou um tom teatral na voz. — Parece tão cara... Eu vou dar um jeito nisso. – E então, ignorando os protestos do mais velho, abriu a primeira garrafa e despejou parte de seu líquido sobre Viserys. O grito que ecoou pela casa foi ensurdecedor e, pela primeira vez desde que chegara ali, Drogo começou a se preocupar se Daenerys – ou alguns dos milhões de empregados – escutaria aquilo. Tinha de ser mais rápido do que planejava, não queria que lhe interrompessem. – Agora precisamos dar um jeito nessa sua cara, como as pessoas do seu meio vão reagir se você aparecer assim tão... sujo?

Sem pensar duas vezes, agarrou os cabelos da nuca de Viserys, forçando-o a encarar o teto. Aproximou o gargalo da garrafa sobre o rosto dele, de modo que o líquido não caísse sobre quem o derramava, e virou o recipiente. Viserys se debateu e gritou, enquanto sua pele derretia diante dos olhos de Drogo. Pegou a outra garrafa que continha soda caustica líquida e, depois de despir a camisa do seu não-cunhado, despejou tudo de uma vez, vendo o mais velho agonizar, gritar, gritar...

– Agora, Senhor Targaryen, o Senhor não está mais tão sujo... – Dito isso, banhou-o novamente e sua consciência apitou, pesando-lhe, indo contra o lado que estava entorpecido de prazer.

A verdade é que não queria ter tomado uma atitude dessas. Sabia que era errado. Sua mãe sempre falara que machucar os outros era algo inaceitável. E ele sabia. Mas não conseguia arrepender-se. Aqueles gritos eram como música, que animava seu espírito há muito solitário.

Notas finais
XAMAOXAMU Pra quem tava tipo "Esse relacionamento da DanyxJon só surgiu pra mudar totalmente o rumo da história", "Tira JonxDany daqui", "Odeio esse romance" e afins, foi justamente esse (não) relacionamento que fez o Drogo mandar a sanidade pra merda e mandar, em seguida, o Viserys pro inferno. Pode parecer que não, mas eu realmente pensei em como colocar os acontecimentos "marcantes" de GoT aqui. Pra isso eu tive que mudar muitas muitas coisas. Mas, como podem ver, a onda é uma só (meus amigos que falam isso, peguei costume, sorry). Enfim, o capítulo não demorou nada pra ser postado né? A pessoa (eu) virou mais eficiente depois de ter terminado a fanfic toda ahsuahsuahsu. Ah! Só mais uma coisa, não reclamem que o capítulo foi "forte demais", tem nos avisos - deeesde o início - as coisas que iam acontecer aqui. CÊS GOSTARAM? GOSTARAM? ASUAHSU Não tô bem da cabeça porque é tarde. pois é. O próximo capítulo vem quando? Não sei exatamente, porque eu tenho que revisar o próximo capítulo da minha outra fanfic (que eu amo de paixão) e que já era pra ter postado há 299283928 mil anos, mas eu deixei meio de lado por causa dessa aqui. Então, depois que eu me dedicar lá, volto pra cá e vice versa. Todos felizes? Eu não. Tô com fome. Tchau e... Até os comentários? AH! Pequeno preview do próximo capítulo: Ele é narrado pelo Jon. O Jon vai levar a Dany pra casa - depois do encontro dos dois e blábláblá. E eles vão encontrar o Drogo locaço lá.............. Pois é............. ~~~~ Todos entenderam a referência desse capítulo, né? Espero que sim