Notas iniciais
Oiii, Voltei com mais um capítulo. Eu dei uma editada no cap. anterior, na verdade adicionei um parágrafo pra explicar melhor o que são parceiros para os lobisomens na minha história, mas se ainda estiver confuso podem dizer que eu arrumo. Aproveitem o segundo capítulo e comentem o que acharam e o que esperam da história! Beijinhooos!

—Você! — Digo exasperada, já me preparando para dar meia volta e ir embora. Para o mais longe que eu conseguir. Então ele abre a boca.

—Parceira — Ele diz, a palavra dançando na sua língua, com uma voz sedutora que leva arrepios a minha espinha. Como ele pode ter uma voz tão linda? Aliás, como ele todo pode ser tão lindo, tão… perfeito. Como se tivesse sido feito pra mim.

Balanço a cabeça. É claro que ele foi feito pra você, sua idiota, vocês são parceiros. Então uma segunda voz suprime a primeira. Não! Esse idiota não pode ser meu parceiro.

Um grunhido baixo sai da minha boca enquanto eu recuo um passo. Erick arregala os olhos — aqueles olhos impossivelmente azuis. Então ele ergue a mão e agarra a grade de metal quadriculada que nos separa. Por um segundo meu corpo se move para perto dele e penso em como seria fácil simplesmente colocar minha mão sobre a dele. Eu quero isso. Mas então meu lado racional vem à tona, e eu me viro e saio correndo.

—Espere! — Aquela voz sexy grita atrás de mim, mas eu não vou parar agora. — Eu nem sei o seu nome!

Agora tenho a mais absoluta certeza de que tomei a decisão certa ao fugir. Ele nem se lembra de mim! Solto uma risada amarga. Ah, ele vai ter mesmo uma surpresa quando descobrir que sua parceira é uma ômega. Ou melhor — um pensamento me ocorre de repente — talvez ele nunca precise saber. Talvez eu possa simplesmente ir pra longe e nunca mais precisar vê-lo. Ele certamente não iria me procurar nos subúrbios, na parte humana da cidade. Não, arrogante como ele é, procuraria primeiro entre os betas de outra alcateia antes de pensar ir atrás de uma ômega do próprio bando. Ainda correndo me permito sorrir pensando em nunca mais ter que olhar para o rosto perfeito de Erick novamente. Não depois de tudo o que ele me fez passar no ensino médio.

Pouco mais de cinco quilômetros depois sinto o vento levar finalmente o cheiro dele para longe de mim. Sempre fui uma excelente corredora, mesmo entre os lobos. Apesar de nunca poder participar de uma competição, eu fiz parte do time de corrida nas poucas semanas que frequentei as aulas da escola de elite dos lobisomens, e sempre ganhava com larga vantagem. Mesmo assim sinto que se Erick quisesse vir atrás de mim ele conseguiria me alcançar com facilidade, ele é o filho do Alpha afinal.

Chego então ao movimentado centro da parte lupina da cidade, e vejo as pessoas sobressaltadas ao ver uma garota correndo a máxima velocidade pelas ruas. Eu não poderia estar chamando mais atenção, então decido reduzir o ritmo a um caminhar rápido. A essas horas eu já perdi minha entrevista de emprego, e contenho um grunhido enquanto xingo Erick mentalmente por isso. Como se eu precisasse de mais motivos para odiá-lo. Uma parte de mim — uma parte bem pequena, suprimida pela raiva — diz que perder a entrevista por ter encontrado meu parceiro não é necessariamente culpa dele, mas não deixo isso aplacar meu ódio. Diretamente culpado ou não, foi por causa dele que perdi a entrevista, e isso é o que importa.

Continua a largas passadas até chegar a parte humana da cidade. Aqui eu sei que ele não virá atrás de mim, mesmo assim não reduzo o passo até estar de volta em casa.

—Mas já está de volta? — Minha mãe pergunta segurando uma bandeja de muffins de mirtilo — os meus favoritos — E a entrevista como foi?

—Não foi — Digo, então penso que dizer para ela que não fui a entrevista por causa do meu parceiro levaria a um monte de perguntas que eu não gostaria de responder — Digo, eles já tinham contrato alguém — A mentira desliza com facilidade pelos meus lábios, e me sinto imediatamente culpada. Eu jamais menti para minha mãe.

— Ah querida, que pena! Mas tenho certeza de que você vai encontrar algo logo. — Ela larga a bandeja de muffins em cima da bancada e afaga meu ombro com carinho. -Esses eram pra ser muffins comemorativos do seu primeiro emprego, mas agora podem ser muffins de consolação — Ela sorri de leve pra mim, o que faz com que eu me sinta ainda mais culpada por mentir. Então a culpa é diminuída quando lembro a mim mesma que o verdadeiro culpado é Erick.

—Obrigada mãe — Eu digo estendendo a mão para um muffin fumegante. — O cheiro está delicioso!

— Eu devia brigar com você por comer doce antes do jantar — Ela diz brincando, já que nunca briga comigo por coisa alguma.

— Desculpa — Respondi de boca cheia, ao que ela me dá um tapa de leve no braço

— Agora suba e tome um banho para o jantar, você está toda suada menina! Por acaso veio correndo?

— Err… Exercício — Murmurei, me virando para sair da cozinha, em direção às escadas.

Nossa casa é bastante modesta, como toda casa de ômegas. No andar térreo ficam as minúsculas salas de estar e jantar logo na entrada, e a cozinha de bom tamanho que fica nos fundos. No andar superior, com o teto que é inclinado dos dois lados, ficam o único banheiro da casa, o meu quarto que dá de frente para a rua, e o quarto dos meus pais voltado para o quintal dos fundos.

A casa em si é revestida de madeira amarelo claro, com a moldura das portas e janelas em branco, já meio desgastado, e é ladeada por roseiras com rosas de diversas cores — as flores favoritas de minha mãe. No meio quintal do fundos tem um enorme bordo com um balanço que meu pai fez pra mim quando eu tinha uns 5 anos, e foi onde eu passei a maior parte das minhas tardes até eu virar amiga de Helen e passar a revezar meu tempo entre minha casa e a dela. Depois do quintal tem a floresta, é claro. Toda casa de lobisomem tem que ter fácil acesso para a floresta, para o caso de transformações na lua cheia, ou então uma reunião da matilha no meio da noite.

Tomei um banho demorado, com flashes do dia me atingindo. Ou melhor, flashes de um momento específico do dia: Erick de frente pra mim, lindo, e perfeito, e maravilhoso. O corpo musculoso sem camisa chamando meu olhar, o abdome muito bem definido, com o osso do quadril saliente, o peitoral forte, os braços parecendo protetores como se eu pudesse ficar com ele e jamais temer que algo me ocorresse… O lábio sensual e bem desenhado falando naquela voz sedutora “Parceira”.

Parecia que eu iria me derreter ali mesmo. Pelo menos tive alguma compostura na hora pra sair na frente dele antes que meu corpo me denunciasse. Por mais que meu corpo o desejasse — e como o desejava— eu o odiava demais. E sempre odiaria pelo o que ele me fez. Os sonhos que ele destruiu quando eu tinha apenas 14 anos.

Balancei a cabeça. Precisava a todo o custo esquecê-lo.

Notas finais
E aí? Gostaram? Comentem por favor o que acharam e o que esperam da história! Ah, e não esqueçam de ver o parágrafo extra no capítulo anterior, comentem sobre ele também! Beijinhooos!