Lobo e o gato selvagem

3 Capítulo 3 - As intenções de Hijikata


Notas iniciais
Ainda que o foco da minha história seja o Ogata, dou mais ênfase a minha personagem original, Yuki. Então, esse capítulo não saiu longo por ter adaptado os acontecimentos.

Uma longa perseguição aconteceu após os acontecimentos na casa do taxidermista Edogai. Ogata e Yuki seguiram os rastros deixados por Sugimoto e Shiraishi até a entrada de uma mina localizada nos limites da cidade de Yubari. Lá decidiram que o sniper iria perseguir as duas duplas, Edogai e Tsukishima, Sugimoto e Shiraishi, que pegaram carrinhos e seguiram mina adentro pelos trilhos em uma perseguição digna de histórias de aventura, enquanto Yuki iria contornar e encurrala-los na saída do outro lado.

Depois de algum tempo desde que entraram na mina, um repentino estrondo assustou a todos e o chão tremeu como se houvesse um terremoto. Tudo ao redor ficou polvoroso. Os mineiros que estavam ali fora corriam para todos os lados, uns iam buscar mais ajuda, outros pegavam picaretas para resgatar os sobreviventes.

“Será que você tem sete vidas igual a um gato selvagem, Ogata?”, pensou enquanto apressava o passo para chegar logo à outra saída da mina.

Ao chegar lá, a primeira coisa que chamou a atenção de Yuki foram os dois Ainus que aguardavam próximos a saída da mina. A garota baixinha ao lado do homem barbado tinha os mais belos olhos azuis que já viu em sua vida. Então se lembrou que deveria ser a menina Ainu chamada Asirpa que Hijikata-sama havia falado a respeito. O outro com ela se chamava Kiroranke. Ela também estava nessa caçada ao ouro, porém, com o desejo de utilizar esse tesouro pelo bem de seu povo.

Os pensamentos de Yuki foram interrompidos de repente quando um minerador gritou:

— Alguém está saindo de dentro da mina!

Ao olhar na direção do comentário, Yuki dá um meio sorriso diante da inusitada cena: Ushiyama carregando dois homens como quem carrega duas crianças depois de resgatá-las. Em seu ombro carregava Shiraishi, que tinha o nariz escorrendo bastante, e Sugimoto no ombro direito quase sentado e cansado por ter respirado o gás lá dentro. O judoca carregava os dois sem a menor demonstração de esforço.

Olhou para a entrada da mina com alguma expectativa, mas nenhum sinal de Ogata.

— Aquele cara resgatou duas pessoas sozinho! Uau! – alguém disse.

Yuki não deixou de notar, então, que Asirpa reconheceu Ushiyama e vice-versa. Como não fazia muito tempo desde que se juntou ao grupo do Hijikata, havia coisas que não sabia.

— Oh, olá, mocinha. Já faz algum tempo.

Asirpa tirou alguma coisa retangular do bolso, era Hanpen, um tipo de bolo de peixe originário da era Edo, feito de pasta de peixe, inhame e outros ingredientes que são moldados em um quadrado fino, e ergueu na direção do judoca, os olhos brilhando com certa felicidade em revê-lo.

— Professor pênis… – disse a garota. Isso fez uma gota cair pela cabeça de Yuki.

“O que? Professor pênis? Mas por quê raios…?” Algumas coisas era melhor não saber os detalhes.

— O que faz aqui, Ushiyama? – perguntou Sugimoto enquanto tomava água depois de ter sido colocado no chão.

— Os dois com quem eu vim acabaram se afastando e enquanto os procurava, ocorreu de eu ver vocês andando em um carrinho.

— Quem está com você? – Sugimoto perguntou, de repente, interessado.

Nesse momento, Ogata chegou andando logo atrás do judoca, todo sujo da poeira da mina, passando a mão nos cabelos pretos, ajeitando-os para trás. Sugimoto arregalou os olhos bastante surpresos com a presença do sniper e Shiraishi empalideceu no mesmo instante. Yuki se aproximou do grupo também, revelando sua presença.

— Ei, você é… um dos homens do Tsurumi, não é? – Sugimoto perguntou encarando Ogata, a voz um misto de surpresa e raiva. No entanto, ficou ainda mais surpreso e alarmado ao ver Yuki e então seu rosto ficou sombrio. – Segundo Tenente Hagiwara, o que faz aqui? Está com eles?

— É um prazer conhecê-lo, Sugimoto... Eu, um dos homens de Tsurumi? Bateu a cabeça na guerra, Sugimoto? Devia saber que não faço parte de nenhuma divisão... – disse Yuki encarando Sugimoto friamente, depois direcionando o olhar para Asirpa. — Vejo que as coisas saíram de controle. Pelo visto, vamos precisar levá-los também conosco. Não tente nenhuma gracinha, Sugimoto...

Seus olhos azuis se encontraram com os de Asirpa.

Por mais que fossem da mesma cor, era notável as suas diferenças. O azul dos olhos de Asirpa eram cheios de um brilho e uma energia contagiante que transmitiam uma calorosa sensação de esperança e luz. O azul dos olhos de Yuki eram frios, sem brilho, dotados de uma sutil intensidade assassina. ‘Sutil’ porque, no fundo das orbes azuis de Yuki, havia uma escuridão assustadora a qual tentava esconder.

Yuki sentiu uma nostálgica melancolia. A luz nos olhos daquela menina lembravam a luz dos olhos de um amigo e querido amigo...

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Todos se reuniram de volta na casa de Edogai. Yuki explicou a todos que o taxidermista havia utilizado a pele de alguns dos cadáveres para produzir peles tatuadas falsas sob as ordens de Tsurumi, e que acabou morto durante o incidente na mina. Sua morte foi confirmada por Ogata ao dizer que encontrou seu corpo nos escombros.

— Sinto que já o vi em algum lugar antes… já nos encontramos? – Sugimoto se direcionou a Hijikata que acabara de chegar.

Um clima de tensão se alastrou no local de repente. Yuki sentindo isso, deu um silencioso passo na direção de Sugimoto, posicionando-se entre ele e Hijikata. O olhar observador de Ogata percebeu essa movimentação e ficou em alerta. Shiraishi ficou imediatamente tenso e suando frio. Isso porque eles tinham de fato se visto antes. O problema era esse…

“Oh, merda…” pensou o Rei das Fugas.

— Não, claro que você não viu! – apressou-se em dizer para Sugimoto. – Ele é… Hijikata Toshizou.

Yuki ficou encarando Sugimoto com o olhar afiado e atento depois de vê-lo deslizar o rifle que carregava pelo ombro para se armar. Sua mão segurava o cabo de sua katana. A atmosfera ficou ainda mais pesada. Todos estavam estáticos e atentos ao menor dos movimentos.

— Já faz algum tempo, não é, Shiraishi Yoshitake? – disse Hijikata com sua grave e envelhecida voz. – Você faria a gentileza de me apresentar ao seu amigo?

“Merda, seu velho!” pensou Shiraishi, muito tenso. “Se o Sugimoto descobrir que eu venho passando informações para eles… Será que ele me mataria sem nem mesmo hesitar?”

— Kiroranke… – Sugimoto sem tirar os olhos de Hijikata. – Foi esse velho que veio na sua vila?

— Sim, esse mesmo.

Sugimoto continuou a falar com o velho samurai:

— Tem algo que quero perguntar caso nos encontrássemos… Nopperabou deve ter compartilhado alguma informação somente com você, Hijikata. Se ele confiava muito em você ou apenas os objetivos se coincidiam, mas… Ele veio até você com um plano de armar o povo ainu e iniciar uma guerra pela independência?

Yuki e Ogata estreitaram ainda mais seus olhares ao mesmo tempo. “Você não me contou sobre isso, Hijikata-sama…”

— Me pergunto… – continuou Sugimoto. – Nopperabou é, de fato, um ainu?

Atrás dele Asirpa estava aflita com tudo, não queria que uma confusão se iniciasse. Toda a situação era tensa e complicada. Yuki pensou que se começassem a lutar, a vantagem estava com o seu grupo, por estarem em maior número. Analisou o posicionamento de todos dentro do campo de visão periférico de seus olhos.

— Então já chegou tão longe assim? – Hijikata sorriu sarcástico.

— E você planeja enganar Nopperabou e pegar o ouro dele? – os olhos de Sugimoto eram ferozes ao fazer essa pergunta. – Fazer uso desse ouro para reconstruir a República de Ezo, não é, Hijikata?

— Meu pai-...

Asirpa tenta falar mas é imediatamente interrompida por Hijikata que saca uma pequena parte de sua katana chamando a atenção de todos. Yuki fizera o mesmo com sua espada, mantendo a atenção aos movimentos de Sugimoto, porém ouvira muito bem o que a menina havia dito. Ogata também, pois encarava as costas da menina com curiosidade e surpresa disfarçadas.

— Vamos juntar forças ou deveríamos lutar até a morte aqui e agora? – Hijikata perguntou, encarando Sugimoto. – Faça a sua escolha.

Notas finais
Obrigada por lerem! Espero que tenham gostado. Enfim os dois grupos de reuniram e Tsurumi a essa altura já deve estar em posse das peles... O clima está tenso entre eles, não é? Asirpa, coitada, em meio a uma monte de feras. Até o próximo capítulo!