Os dois voltaram para casa em silêncio, ao chegarem em casa Rebeca estava com algumas dúvidas e tinha que perguntar a Léo.

– Léo? – O jovem a olhou e Rebeca continuou a falar – Aquele cara era um lobisomem não era?

– Sim.

– Ótimo agora me explique aquilo de não tenho o seu cheiro!

Léo ficou surpreso e sem palavras, desviando o olhar Rebeca percebeu algo curioso, Léo estava sem jeito. Ele não sabia o que dizer. Parecia que a pergunta era sobre algum assunto delicado a ser tratado.

– Léo é outra coisa de lobo não é mesmo? – Léo timidamente assentiu, mas se recusava a olhar para ela. – Léo seja o que for me diga.

– Isso... tem a ver com algo muito íntimo Rebeca.

– Íntimo?

– Uhum.

– Léo seja o que for me conte eu tenho que saber. – Léo a olhou nos olhos e Rebeca o encorajou.

– Bom foi você quem quis assim.

– Pode falar.

– Ele quis dizer que como você não me pertence ele poderia dar em cima de você já que você é solteira.

– Como assim não te pertenço? E como ele sabe que eu estou solteira?

– Lembra do cheiro?

– Se refere ao que me explicou quando me contou que a Mih estava grávida?

– Isso mesmo.

– O que tem Léo?

– Você...tem o cheiro do meu irmão! – Aquela revelação chocou Rebeca. Como assim o cheiro do seu irmão? Então algo em Rebeca ainda mostrava a ligação que ela tinha com o seu falecido amado.

– Como assim eu tenho o cheiro dele Léo?

– Lembra quando eu te expliquei que a Mih tem dois cheiros? Um dela e o outro do pai do bebe? E que o cheiro dele está aumentando por causa da gravidez e o dela está diminuindo?

– Sim lembro, você contou que quando o bebe nascer o cheiro do pai iria sumir não é isso?

– Exatamente e no seu caso aconteceu algo parecido.

– Algo parecido? Leo eu não estou grávida.... – Rebeca mordeu os lábios e teve dificuldades em pronunciar a palavra grávida.

Tudo que ela queria além de se casar com Jonathan era ter um filho de seu amado, mas isso infelizmente não era mais possível.

– Por isso eu disse que era algo íntimo.

– Mesmo assim me conte Léo quero saber.

– O seu caso Re é um pouco parecido com da Mih, quando uma mulher tanto humana como loba se relaciona com um lobo ela tem o cheiro dele. É parecido com o caso da Mih da gravidez, mas o cheiro fica por mais tempo para mostrar a outro lobo que a pessoa está com ele.

O cheiro fica muito forte, mas como no seu caso quando o cheiro começa a diminuir é porque o parceiro lobo morreu e por isso que ele sabe que você está solteira.

– Humm...então pelo fato de Jonathan ter morrido o cheiro que eu tinha dele em mim está sumindo?

– Isso mesmo Re.

– Mas Léo eu e você convivemos juntos então por que eu não tenho o seu cheiro?

– É por que... você não dominou o meu “irmão lobo”!

– Dominei o seu irmão lobo?

– Mesmo que moremos juntos. – Léo falava devagar mostrando estar com dificuldades para explicar essa parte a Rebeca. — Um lobisomem é um lobo que se torna homem. Então nossa verdadeira forma é o lobo. Quando um lobo se casa é por que a parte lobo aceitou aquela pessoa. Exemplo Re seu me apaixono pela vamos usar Mih como exemplo, eu posso estar apaixonado por ela, mas se o meu lado lobo não estiver eu logo irei esquece-la, agora quando o lobo também se apaixona a parte humana também irá se apaixonar e por isso eles passam pelo “Ritual da Lua Cheia”, é um tipo de casamento, mas apenas do lado lobo.

– Léo eu fiz esse ritual com o seu irmão?

– Fez...

– Mas quando? Eu não me lembro disso... quer dizer que...eu sou casada alias era casada com o Jonathan?

– Em parte sim você era e ai que vem o cheiro permanente, ele é como uma aliança deixando visível que você está casada com ele, se um lobo tentar algo com você o companheiro ira notar e também irá tirar satisfações.

– Mas quando eu fiz esse ritual com Jonathan? Quando eu casei com ele que eu não me lembro? Me diga Léo!

– Em algum momento o meu irmão não se transformou com a lua cheia não foi? – Rebeca puxou na memória um momento assim.

Ela ficou pensando pelo que pareceram ser exatos cinco minutos até que se lembrou de algo e a jovem ficou surpresa.

– O chalé nas montanhas! – Nesse dia lembrou Rebeca era noite de Lua Cheia, ela achou que iria acorrentar Jonathan em outro lugar já que da última vez o amado quebrou uma das correntes e bateu de cara na grade de prata. Mas algo diferente aconteceu, Jonathan começou a beija-la e Rebeca se entregou e os dois tiveram uma maravilhosa noite de amor.

Não que as outras vezes que Rebeca e Jonathan se relacionaram não foram boas, mas aquela noite foi realmente especial mágica diria Rebeca.

– Então aquela noite nós dois....

– É isso mesmo Re... é o ritual é quando o lobo aceita a sua companheira, é um casamento e logo uma lua de mel e é nesse momento que o lobo deixa o cheiro no companheiro. Sempre que isso acontece em seguida o casal se casa, já que a parte humana quer firmar o matrimonio acho que...meu irmão iria te contar isso depois umas das muitas coisas que tem que ele iria te ensinar.

Rebeca assentiu e começou a chorar, mas não de tristeza e sim e felicidade. Ela pode realizar o seu sonho, se casou com o seu amado mesmo não sabendo na época, Rebeca agora estava feliz por saber que tinha sido esposa de seu amado Jonathan.

***

Na segunda ao entrar no trabalho Rebeca presenciou a mesma cena de sábado. Novamente os carros da imprensa estavam estacionados próximos ao hospital, e novamente ela teve dificuldade em entrar no hospital.

Agora não apenas Rebeca, mas Gabriel e outros colegas estavam preocupados com a volta da imprensa.

– Teve outro ataque ontem. – Comentou um dos Estagiários.

– Outro mendigo? – Perguntou Gabriela.

– Na verdade uma senhora que morava nos limites da cidade, ela tinha uma pequena fazenda e criava galinhas, algumas vacas, ela e os animais foram devorados. Novamente foi um ataque de animal, mas diferente do mendigo esse animal não devorou completamente a mulher, mas ela morreu!

Rebeca mordeu os lábios e agora estava preocupada. Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Léo o informando o que havia acontecido.

Rebeca sabia que Léo agora estava na escola e não poderia responder. Mais tarde por volta das 10:00 ela recebeu a resposta dele dizendo que foram informados na escola e que a polícia estava estuando um possível toque de recolher.

Rebeca chegou em casa, ela e Léo conversaram sobre o assunto dos ataques. Como prometido Léo acompanhou Rebeca até o ponto e quando a jovem entrou no ônibus voltou para casa.

Na faculdade Rebeca foi informada do suposto toque de recolher. Todos na aula estavam nervosos e com medo desse animal que está a solta. Rebeca pegou um ônibus e quando estava próxima de casa mandou uma mensagem para Léo. Assim que desceu no ponto Léo a estava esperando e juntos foram para casa.

No dia seguinte Rebeca escutou sobre outro ataque, dessa fez a três mendigos que estavam dormindo próximos a prefeitura. O prefeito fez um pronunciamento informando que todos os moradores de ruas seriam levados para albergues antes de começar a escurecer. Rebeca ao voltar casa para conversou novamente com Léo que agora mostrava estar muito preocupado.

Ele a acompanhou até o ponto e novamente quando Rebeca estava voltando mandou um sms e Léo a esperava no ponto. Eles começaram a caminhar, mas Léo parou repentinamente a preocupando.

Léo farejava em volta olhando de um lado para o outro desesperado.

– Rebeca corre para casa!

– Mas Léo!

– Corre ago... – Léo foi interrompido e teve o seu corpo jogado no chão.

Tudo foi tão rápido que Rebeca mal pode ver o que aconteceu. Ela só percebeu depois que uma criatura estava ao lado de Léo.

Era um lobo cor de areia com o focinho preto, seus olhos eram amarelos e suas pupilas eram azuis.

Outros dois lobos apareceram ficando um de cada lado de Léo. Um deles tinha o pelo negro com uma listra brancas nas costas que ia do seu focinho até a ponta da calda o fazendo parecer um gambá. Esse lobo tinha os olhos azuis e suas pupilas eram negras.

O outro lobo era um pouco menor que os outros dois, tinha o pelo prateado e os seus olhos eram amarelos e suas pupilas também eram negras.

Léo estava no chão com as mãos erguidas mostrando rendição. Os lobos os cercaram e rangeram os dentes, Rebeca iria correr na direção de Léo, mas alguém a segurou. Ela iria lutar com a pessoa, mas logo parou ao escutar sua voz.

– Rebeca sou eu Oliver fique calma!

– Oliver o que está fazendo aqui?

– Eles querem levar o menino vem eu te levo junto.

– Quem quer levar o Léo e porquê?

– Os outros lobos Rebeca eles acham que ele é o culpado dos ataques!

– O que Léo o culpado?

– Os ataques as pessoas não sabem, mas o culpado é um lobisomem!

Agora tudo fazia os ataques sem solução. Realmente um animal não iria devorar um ser humano e deixar a metade de seu corpo realmente o culpado era um lobo.

– Mas por que culpar logo o Léo?

– Ele é o último lobo que veio para a cidade, e os ataques começaram depois que ele veio.

Rebeca olhou para Léo e voltou a olhar para Oliver. Léo podia ser um lobo, mas de uma coisa ela sabia ele não era o culpado e ela iria fazer de tudo para provar isso.