Uma semana se passou, Léo e Rebeca logo se acostumaram com a nova rotina da capital.

A jovem conseguiu um trabalho no Hospital Veterinário da cidade, Rebeca está no terceiro ano de veterinária na faculdade “Santa Cruz” local aonde conheceu o seu falecido noivo Jonathan, os dois se conheceram no primeiro dia de aula e foi amor à primeira vista. Rebeca iria trabalhar no período da manhã das 07 até as 14 horas, e as 19:30 iria para a faculdade.

Rebeca matriculou Léo no colégio “Vasco da Gama” Léo conseguiu transferência de sua antiga escola e conseguiu dar continuidade no segundo ano do ensino médio.

– Tenho mesmo que usar essa camiseta horrível? – Questionou o lobo.

– A Léo você está lindo com ela. – Disse Rebeca com um sorriso no rosto.

O Colégio “Vasco da Gama” local onde Léo iria estudar era umas das escolas mais conhecidas e mais popular da cidade, e foi criada no início do século passado. É uma escola pública que ensina da pré – escola ao ensino médio e foi o local onde Rebeca estudou.

Léo estava trajando uma calça jeans azul surrada com tênis preto. A camiseta da escola era branca e em seu peito a imagem da cruz de malta estava gravada. Rebeca comprou cinco camisetas para Léo e a camiseta ficava marcada em seu corpo o definindo por completo. As mangas estavam coladas em seus bíceps parecendo um baby look.

– Está bem se você diz que ficou bom então ficou. – Léo havia comprado um caderno de quatrocentas folhas preto com a estampa da Red Noose. Colocou três canetas junto com um lápis, borracha e apontador no bolso. – Já estou pronto para ir.

– Eu também só um momento. – Rebeca pegou uma bolsa que era branca e apareceu na frente de Léo. – E eu como estou?

Rebeca também usava uma calça jeans, mas de cor branca que marcava o seu corpo definindo suas curvas, colocou também uma sandália dourada e uma camisa de manga curta preta. Seus cabelos loiros estavam soltos e usava um óculos quadrado pequeno e metálico.

– Fiu Fiu está gatona doutora. – Comentou Léo sorrindo e recebeu um tapa no braço de Rebeca que estava um pouco corada.

– Bobo. – Dizendo essas palavras os dois voltaram a rir e saíram de casa.

Pegaram o ônibus as 06:40 e seguiam o seu caminho. Rebeca explicava a Léo qual ônibus pegar para voltar para casa e durante o percurso a jovem percebeu os olhares principalmente os femininos para o jovem lobo.

– Exatamente como era como Jonathan. – Pensou ela. – Mas Léo está realmente um gato.

O percurso durou apenas vinte minutos e Léo foi o primeiro a descer.

Ao descer Léo ficou olhando para a escola. O ponto era do outro lado rua e bem à frente do portão que estava aberto e alguns alunos entravam.

Muitos estavam vestidos como ele calça jeans e a camiseta da escola, outros estavam usavam usando a calça da escola que era moletom preta com uma pequena cruz de malta vermelha na perna direita, Léo recusou usar aquela calça disse que não se sentia bem e por isso Rebeca comprou apenas as camisetas para o jovem.

– Muito bem vamos ao primeiro dia!

Léo atravessou o farol e se dirigiu até a porta da escola. A escola era um grande prédio com cinco andares e com paredes brancas. O portão era grande e preto, dentro da escola uma grande escadaria dava acesso ao primeiro corredor. Ao colocar os pés dentro do corredor Léo chamou a atenção de todos, alunos, professores e, até inspetores olhavam para o jovem lobo que tentava se manter calmo. O chão do corredor era vermelho e as paredes eram amarelas.

Uma grande sala era logo vista e olhando para dentro Léo avistou algumas mulheres com roupas sociais conversando com uma outra mulher que usava um terno preto e sapatilhas pretas camisa branca, seu tamanho era médio em torno de um metro a sessenta ou setenta, pele branca, cabelos negros soltos e usava um óculos grandes e redondos.

– Estamos com muitos alunos novos. – Disse uma das mulheres de social. – Muitos alunos novos para me enlouquecer. – Disse a mulher de terno preto.

– Que horror diretora Madalena. – Respondeu outra mulher de social.

– Então a diretora odeia os alunos? Ótimo saber disso. – Pensou Léo que caminhava chegando no final do corredor.

O lobo havia escutado toda a conversa graças a sua audição apurada. Chegando ao final do corredor Léo percebeu que tanto para a direita quanto para a esquerda, haviam mais corredores com mais sala, a sua frente uma outra escadaria levava aos andares de cima. Na parede ao lado da escadaria alguns cartazes indicavam as direções das salas.

– Térreo esquerda e direita pré escola e primeiro ano, segundo e terceiro andar do segundo ano do primário ao nono. Quarto e quinto andar ensino médio. Certo então terei que ir para o quarto ou cinto andar. – Léo caminhou pelas escadas e junto com ele alguns alunos subiam para a sala conversando animadamente. Léo chegou no quarto andar e olhando a parede observou mais indicações. – Quarto andar a esquerda primeiro ano do ensino médio a direita segundo ano de A a F. Eu estou na sala deixa ver. – Léo abriu o seu caderno e olhou o local aonde havia anotado em qual sala o matricularam. – Segundo F então para a direita.

Caminhando pelo corredor Léo percebeu que cada sala tinha uma identificação e sua sala era a última do corredor. Pelo caminho os alunos olhavam curiosos para Léo. Quando chegou a sua sala um pequeno grupo de cinco meninas estavam conversando e interromperam sua conversa com a chegada de Léo e o olharam com curiosidade.

Entrando na sala o jovem lobo entrou olhou em volta e percebeu que algumas pessoas já estavam em seus lugares, não eram muitos alunos e fazendo uma rápida contagem com o Léo, descobriu que na sala haviam cinquenta cadeiras cinquenta e uma contando com a do professor divididas em cinco fileiras de dez cadeiras.

Muitos que estavam chegando passavam por Léo que ficou parado em próximo a entrada e na frente da lousa. Quando o último aluno entrou junto com ele estava um homem vestindo uma calça jeans com sapatos pretos, camisa social azul de manga cumprida que estavam dobradas. Tinha a pele negra com a cabeça raspada e olhos castanhos escuros. O Rapaz estava com alguns livros em mão e Léo conseguiu ver que eram livros de Geografia.

– Você deve Leonardo Pazzoni o aluno novo estou certo? – Disse o professor com a voz grave e Léo apenas assentiu.

– Ótimo sou o professor Ricardo leciono geografia e aqui na fileira do canto a primeira cadeira está livre pode sentar meu jovem. – Assentindo novamente Léo caminhou até o local e sentou-se. As carteiras eram brancas com uma mesa e uma cadeira. Debaixo da mesa existiam um pequeno gradeado permitindo ali ser colocado os cadernos, livros e outros utensílios. O professor deu a Léo um livro de capa vermelha com o globo terrestre em azul e as letras eram branco e diziam “Geografia segundo ano” e a aula começou.

***

Rebeca havia saído mais cedo do trabalho, ela recebeu permissão de sair e para ir a faculdade para levar alguns papéis para serem assinado já que seu trabalho no hospital na verdade era um estágio. Durante o caminho a jovem recebeu ligações de suas amigas e com sorte descobriu que Mirela estava no centro e convidou a amiga para tomar um café na cafeteira “Bom café” local de encontro das meninas desde o ensino médio. Mirela aceitou o convite e as duas marcaram de se encontrarem ao meio dia e meio.

Ao chegar no local Rebeca olhava em volta procurando pela amiga. O Local tinha uma grande vidraça com o corredor cinza e inúmeras mesas brancas e vermelha algumas com estofados marrons. Ao encontrar a sua amiga Rebeca se aproximou da mesa onde Mirela a esperava era próximo a vidraça e com estofado.

Mirela estava trajando um vestido preto com botas de couro da mesma cor, ao seu lado uma bolsa vermelha era visível e sobre a mesa além do café havia também um óculos de sol redondo.

– Eu um pedi um expresso para você sei que você ama. – Disse Mirela e Rebeca sentou na frente da amiga a agradecendo.

– Eu já disse que amo você?

– Sabe que não. – Ao terminar de falar Mirela fez um biquinho.

– Eu Te Amo minha bicudinha. – Rebeca começou a rir e Mirela não resistiu e começou a rir também.

Mirela havia perguntando como havia sido o primeiro dia de trabalho da amiga. Rebeca por sua vez contou que amou o lugar e revelou que parecia um hospital humano com pronto socorro, área de internação e maternidade. Mirela escutava e comentava junto com a amiga até que uma pergunta a calou de repente.

– Mih você está realmente bem?

Mirela ficou em silêncio e abaixou o rosto olhando atentamente para o café.

– Mih eu sei que tem algo de errado por favor me deixe te ajudar?

Mirela mordeu os lábios e logo os relaxou e disse com a voz baixa:

– Eu... to grávida...

Rebeca novamente se surpreendeu. Ouvir a revelação vindo da boca da amiga a surpreendeu mais ainda.

Nem quando Léo a revelou ela havia ficado surpresa como estava agora mas ela sabia o motivo.

Foi a maneira como a qual a amiga havia revelado aquela notícia. A dor pode ser ouvida em sua voz.

– Mih o que está acontecendo amiga?

– O pai Re... ele...ele... – Ela tornou a morder os lábios e agora segurava firme na xícara.

– O que aconteceu com pai? – Perguntou Rebeca com gentileza.

– Ele sumiu!

Novamente Rebeca ficou sem palavras quando conseguiu novamente falar ela tentou falar com calma, mas seus esforços foram em vão.

– Como assim ele sumiu?

– Ele não atende mais o celular e nem na casa dele, e quando eu fui ao local soube que ele havia se mudado e isso foi dois dias depois de eu ter contado a ele que estava gravida.

– A quanto tempo está grávida?

Mirela demorou a responder, e percebendo a hesitação da amiga Rebeca sentou do seu lado e a abraçou forte.

– Mih desculpa se eu estou te pressionado é que não gostei disso dessa atitude desse cara.

– Tudo bem amiga é que...dói sabe? Depois que você foi conhecer a família de Jonathan eu sai com as meninas e, conheci ele. Nos reunimos aqui conversamos, depois nos vimos de novo e ele me passou certa confiança e assim no terceiro encontro a gente...

– Transou? – Completou Rebeca por ela e a amiga assentiu.

– Sim mas ele usou camisinha e depois comecei a me sentir estranha com enjoos, fui ao médico ele pediu exames de HIV e gravides o HIV deu negativo, mas a gravides deu positivo e eu não acreditei e quando contei a ele. Ele ficou louco pelo jeito a camisinha realmente estourou e ele disse que iria dar um jeito que estaria comigo e então depois ele sumiu... – Mirela desabou em lágrimas e Rebeca a abraçou forte e começou a chorar junto com a amiga.

– Mih...eu...eu sinto muito amiga.

– Por que ele fez isso Re? Por que ele sumiu assim? – Disse a amiga com a voz de choro.

– Eu...não sei o porquê. – Disse ela também chorando.

Após alguns minutos as duas se recuperaram e enxugaram suas lágrimas.

– Obrigada por me contar e vamos dar um jeito nisso juntas!

– Obrigada amiga. – Disse Mirela conseguindo finalmente sorrio e Rebeca sorrio em seguida.

A aula havia terminado e Léo saio da escola às pressas. O jovem lobo caminhou até o ponto que ficava do outro lado da avenida depois do farol e passou pela cafeteria, Mirela o avistou pela vidraça e apontou.

– Aquele não é o seu cunhado?

– Léo? – Disse Rebeca e olhou avistando o jovem lobo e bateu na vidraça. Léo parou e olhou curioso, quando avistou Rebeca e Mirela as jovens o chamaram e Léo entrou e se sentou ao lado delas.