Notas iniciais
9
''Sua expectativa de vida se foi Você funcionou a luz na obscuridade... Protetores em seu traseiro Luzes no seu caminho'' System of a Down — Aerials

Eu não queria acreditar no que estava vendo, com apenas 8 anos de idade, tive uma visão completamente traumatizante para qualquer garotinha nessa idade. Havia um homem com expressão de dor e sofrimento pois faltava-lhe a pele da parte superior de sua cabeça. Os olhos com um brilho amaldiçoado. Ele se aproximou, e tocou meu rosto. Fui, instantaneamente, enviada a uma sala.



Havia um homem vestido de branco, aparentemente, um médico. Ele era alto, magro, com a pele clara ao ponto de permitir observar suas veias, olhos verdes e óculos grandes e redondos. Começou a andar em direção à porta, com os olhos fixos nela, dando-me a impressão de não notar minha presença, eu o segui. Depois de dobrar alguns corredores, quase correndo, diminuiu a velocidade, o que me fez pensar estar perto de seu destino. Como esperado, parou em frente à uma porta de ferro, completamente fechada, onde se lia em uma placa:


''paciente: Victórius Farnet

Origem: Berlim — Alemanha

Classificação: esquizofrenia''

Com certa dificuldade, o homem abriu a porta. Apoiado contra a parede e encolhido, havia um rapaz. A sala estava vazia e era revestida com almofada que, outrora, fora branca, mas agora, apresentava um tom amarelado com manchas escuras.

– Levante-se — Disse o médico, sua voz tinha um tom severo e cruel — conseguiu sua tão sonhada liberdade — completou com voz dissimulada depois de uma longa pausada.

Victórius, que não havia movido um musculo desde que a porta fora aberta, levantou a cabeça. Com uma expressão sonhadora em um rosto bastante ferido e repleto de cicatrizes, estranhamente familiar, caminhou, sem pressa, em direção à saída. O médico se virou e caminhou em direção à porta principal, mas desviou do caminho sussurrando algo, à Victórius. Eu os segui novamente.

Chegaram a uma sala, onde havia uma mesa e duas cadeiras ao centro. Victórius se sentou em uma delas, fiquei o observando por algum tempo. Pude notar que estava inquieto e também não havia sentido a minha presença. Victórius também era alto e magro, mas apresentava certa fragilidade, tinha cabelos longos, lisos e dourados. Tinha seus olhos, lindos e penetrantes, fixos em algo que não pude encontrar. De repente algo se move atrás dele. Não havia notado sua presença, era um homem muito forte que, em um movimento suave, tampou a boca e o nariz de Victórius ao mesmo tempo. Minha visão começou a escurecer e meu corpo ficava cada vez mais pesado, até que não pude mais aguenta-lo. Desabei no chão e apaguei.

Quando acordei, estava de pé em frente á uma maca, onde jazia um corpo, com vida. Ao lado, havia uma mesa cheia de objetos cortantes e metálicos. Aproximei-me, pouco a pouco, do corpo. Ele me parecia cada vez mais familiar, estava amarrado contra a com algumas tiras de coro com fivelas na ponta e tinha um tipo de mordaça na boca, era uma bola vermelha com tiras de algum tecido. Aquele era Victórius, só então pude perceber que foi ele que me tocou segundos antes de ser enviada para esse estranho sonho. No seu rosto, não havia expressão alguma, estava de olhos fechados, mas que de mexiam, sugerindo estar prestes a despertar.

Como sugerido, Victórius abriu os olhos e, novamente pareceu não me ver, embora eu estivesse curvada sobre seu corpo. Nesse momento, notei a crescente presença do médico, que só então pude ler seu nome: Marvin Claris, bordado de preto no jaleco.

Marvin se aproximou de Victórius, que entrara em pânico, o observou por alguns segundos e em seguida, começou a dizer:

– você realmente achou que sairia com vida daqui? — eu sentia a indiferença em sua voz, embora cruéis, dava pequenas gargalhadas entre suas palavras. — tão tolo rapaz. Saiba que a sua vida não será tirada em vão. Você contribuirá muito para minha pesquisa sabia?

Sem hesitar, Marvin pegou um pequeno bisturi, que jazia sobre a mesa em meio ao emaranhado de objetos cortantes, e caminhou em direção á cabeça de Victórius, que se debatia muito e tentava gritar, mas só podia se ouvir baixos grunhidos. Ao chegar, levantou o bisturi, como se o oferecesse à alguem e murmurou algumas palavras. Abaixou-o lentamente e começou a fazer um pequeno corte na testa de Victórius que estava bastante agitado, e, aos poucos, foi aumentando até que, finalmente, Marvin deu uma volta completa e desprendeu esse pedaço de carne com longos fios dourados, agora manchados de sangue, do resto do corpo, fazendo com que o crâneo ficasse completamente exposto. Depois de acariciar os fios algumas vezes e o observar durante algum tempo, Cuidadosamente o colocou em uma bacia de plástico. Aquela imagem fez com que eu me sentisse completamente enojada. Marvin continuou seu trabalho pegando um tipo de roda dentada motorizada. Ele a ligou. O som produzido foi forte o bastante para danificar, temporariamente, meus tímpanos. Marvin começou a fazer outro corte semelhante ao anterior, mas que agora, atingia o osso. Em questão de segundos deu, novamente, uma volta completa desprendendo parte do crâneo. Victórius, que em outrora se debatia, acabara se quietando completamente.

Com certa displicência, Marvin agarrou, violentamente, o órgão mais importante do corpo, o cérebro, e o puxou de uma vez.


Voltei e ele não estava lá. Victórius havia sumido junto com a visão, que me deixou intrigada durante muito tempo. Meu nome é Clarice Berseau, tenho 23 anos, uma irmã e um namorado. Moro sozinha em um apartamento pequeno em Wishivile, onde minha irmã pretende comprar uma casa. Talvez seja uma boa ideia, talvez não.


Notas finais
10
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.