Livro

2 Capítulo 2 - Mana


Lort foi para casa correndo (morava realmente em uma casa, não em um apartamento), chegou e subiu as escadas para o seu quarto em 3 pulos, o quarto era sujo, bagunçado, sua cama não estava arrumada, parece que não arrumava-a nunca, tinha algumas meias no chão e em cima da cama (!), uns montes de mangás espalhados pelo quarto, um computador de horrível qualidade cercado de comida velha e formigas e um porta-foto virado para baixo em cima de uma escrivaninha, que parecia ser a única coisa arrumada no quarto. Sentou-se na cadeira de sua escrivaninha e abriu o livro, de dentro saiu o Livro, que logo disse:

-Mancebo, não é necessário abrir-me para que eu dialogue contigo.

-Caralho, você consegue ser um livro mais gay que Crepúsculo! — o livro fez uma cara de desentendimento, mas ignorou os comentários:

-Er... Como eu já ia lhe dizendo, eu posso falar mesmo fechado. — Lort afasta a cadeira da escrivaninha, já que a criança em pé em cima do livro que estava em cima da mesa, deixando-a alta demais para conversar de perto.

-Ok, eu não tenho escolhas a não ser acreditar em você, mas eu preciso de saber o básico sobre você antes de começarmos nosso treinamento. — o livro anuiu com a cabeça -Primeiramente, todos conseguem te ver e escutar?

-Não. — responde o livro.

-Hum, acho que eu tive sorte de não ter ninguém na rua enquanto eu falava com você. Mas então, por que eu posso enxergá-lo?

-Por causa do contato que fiz...

-HÁ! DEATH NOTE! — Lort interrompe a fala do livro.

-Argh, eu não entendo vocês, eu já fui chamado disso tantas vezes nesse século...Continuando minha fala previamente interrompida, foi por causa do contato que fiz com sua cabeça.

-Então quer dizer que você é uma versão mais gay do death note? — o livro da um tapa na testa e decide dar o ultimato:

-Se fizeres mais uma piadinha sobre opções sexuais e death notes eu simplesmente não irei ensinar-lhe mais.

-Ok, foi mal, não pude resistir. Sim, então, as pessoas só te enxergam se você encostar na cabeça da pessoa?

-Sim.

-E qual é a lógica disso?

-Basicamente quando eu o faço, crio uma ligação, uma ponte entre seu cérebro e eu e consigo expressar-me diretamente pra você. O problema é que não posso retirar esta ponte, só você pode fazê-lo. E o único jeito de fazê-lo é morrendo.

-Tá! Muito legal isso. Você não deveria me perguntar antes se eu quero ou não ficar vendo você?

-Não.(!) Mas chega de diálogos irrelevantes, depois tenho mais tempo para esclarecer suas dúvidas, mas agora eu preciso que você entenda o Princípio Fundamental da Mana. — Lort ficou mais sério e atencioso — No século XVI, um cientista francês muito à frente de seu tempo chamado TCHARAM fez uma descoberta que mudaria o mundo, descobriu uma energia singular, que era o curto período de transição entre uma energia e outra, passou à chamá-la de Mana.(não, ele não criou o nome Mana, na época já existia a crença em energia mágica, a Mana, ele só resolveu chamar esta energia que descobriu de Mana) — Lort ajeitou-se na cadeira com um olhar pensativo. — Após tal descoberta passou a fazer experimentos junto à sua equipe sobre esta nova energia. Tudo o que sabiam era: — No livro apareceram escrituras em francês com tradução embaixo que diziam:

1- Toda a energia pode se transformar em Mana. Seja ela mecânica, elétrica, térmica, luminosa, química, etc...

2- A Mana pode se transformar em todos os tipos de energia.

3- A Mana é inerte.

-Mas se ela é inerte, não quer dizer que é impossível interagir com ela? — Antecipou-se Lort.

-Deixe-me acabar, mancebo! Não temos tempo para questionamento agora, preste atenção! Depois de alguns anos de pesquisa, descobriram que a terceira afirmativa não estava certa, existia um jeito de interagir com a Mana, sendo o seu produtor, no caso, o Mago da Mana. — Lort estava extremamente inquieto escutando, ia aprender a fazer magias! Estava em estado de êxtase! — Pois bem, hoje em dia já se sabe da existência de ondas eletromagnéticas, e sabem que cada tipo de onda, seja luz, infravermelho, ou qualquer outra onda, tem uma frequência própria dependente da fonte da energia que move a onda. No caso, a frequência da Mana é nula, isso implica que seu movimento é linear e também é incapaz de penetrar qualquer objeto sólido. O que os Magos fazem é criar essas "linhas eletromagnéticas" para poder controlar a Mana, moldando-a como vem entenderem. Entendeu, mancebo?

-Não! Mas que droga, isso é aula de física ou mágica?!

-Jovem, sinto-lhe informar, mas mágica é apenas física. E não deixa de ser mágica por causa disso.

-Você me chamando de jovem e mancebo já está me dando nos nervos! Você é uma criança!

-Também sinto-lhe informar que não sou uma criança, sou um livro, e possui cerca de 500 anos de idade. — Lort se assusta com a repentina verdade tão insensata, mas que não ousava duvidar. De fato as roupas do livro possuem aspectos antigos, e sua maneira de falar, embora esteja um tanto modificada, lembram um tanto a formalidade da época. — Mas, como já disse e volto a repetir, não temos tempo para isso. Entenda, você viu o avião caindo agora a pouco, certo, mancebo?

-Sim, foi estranho como a explosão foi repentina.

-Pois é, eu estava naquele avião com o meu agora ex-pupilo. Aquela explosão foi provocada por um mago extremamente poderoso, que venho tentado derrotar a séculos.

-Mas como você pode ter certeza?

-Podemos sentir a Mana dele. Ele nos achou, e isso resultou na morte do meu pupilo.

-Tá, mas que mago é esse? O que ele queria com o seu pupilo? Por qual motivo não temos tempo?

-Calma, mancebo. Primeiro, eu não sei quem é o mago. Segundo, ele quer a mim. Terceiro... — o livro coça a cabeça, como se procura-se uma maneira simples de se explicar. — Bem, recorda-se do que lhe disse sobre o que aconteceu quando eu caí na sua cabeça?

-Sim, sim, criou-se uma conexão entre meu cérebro e você.

-Pois é, então... Esse mago... Ele também tem essa conexão comigo. — O livro parecia um tanto receoso de dizer o que procedia.

-Ok... E o que isso significa?

-Significa que este mago pode mandar sua mana através deste "link" e te achar me usando como um intermediário entre os dois "link"s. E acho que és esperto o bastante para saber o que acontecerá a você quando ele o achar, certo? — Lort engoliu seco, começou a tremer de medo e a se desesperar.

-O QUÊ?! — Lort levantou-se da cadeira bruscamente indo em direção do Livro — COMO ASSIM?! O QUE QUE EU FAÇO?! ME AJUDA, LIVRO! — Lort faz uma tentativa em vão de sacudir os ombros do Livro, sua mão apenas atravessou a imagem da criança que o livro tinha.

-Não se desespe...

-NÃO ME DIGA PRA NÃO DESESPERAR! EU VOU MORRER POR SUA CAUSA! — Interrompeu a tentativa do livro de acalmá-lo.

-MANCEBO! — A voz do livro conseguia ultrapassar facilmente a casa dos 200 decibéis, conseguindo facilmente calar Lort e chamar sua atenção de volta. O estranho é que este grito não fez com que o ouvido de Lort doesse, "Talvez por não ser realmente um som..." pensou Lort. — A última coisa que deves fazer agora é desesperar-se, e não morrerás, não se me ouvir.

Lort tentou se acalmar. Respirou fundo e resolveu escutar o Livro.

Continua?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.