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13 Preparando a Festa
Notas iniciais
Os jovens se reuniram de novo junto ao tronco da árvore para acabar de arrumar as coisas dentro da mochila, aproveitando para comerem e beberem antes.
Eles já estavam se virando para voltar para o acampamento, quando Kym os interrompeu.
—Só pra deixar claro— falou ela, cerrando os olhos e apontando o dedo indicador para Aang e Kyro, que encolheram levemente com a ameaça— Vamos ter uma revanche!
Os garotos se olharam e Aang deu de ombros, sorrindo e dizendo:
—Claro!
Ela continuou encarando-os por mais alguns segundos, trocando a mira de um para outro, tentando descobrir se estavam falando sério.
O caminho de volta foi mais divertido. Como já conheciam o caminho, puderam se concentrar melhor em conversar. E assim fizeram, rindo e discutindo sobre diversos assuntos.
Num certo momento, Aang começou a falar sobre a Nação do Fogo.
—A capital é um dos lugares mais bonitos que já visitei. Os prédios são muito altos, e tem palácios e outras construções reais pra todos os lados. E eles fazem comidas muito gostosas que nunca tinha visto... — ele parou de falar, percebendo que Rinzen estava ficando pra trás, parada. Ela estava com um olhar sério, que varria seu campo de visão de um lado para o outro sem parar. — Rinzen... o que foi?
Ela virou-se para ele. Estava com o rosto marcado de tensão. Isso fez Aang e os outros pararem também.
—Rinzen, está tudo bem com você— perguntou Kym olhando com desconfiança pra amiga.
—Shh! — disse, levantando o dedo pedindo silêncio, e sussurrou— Eu...acho que... vocês não ouviram?
Aang aguçou os ouvidos, enquanto vasculhava com a visão ao redor. Tudo o que conseguiu captar foram alguns sons normais da mata, como de animais aqui e ali se movendo, do ar zunindo ao passar pelas árvores ou do que mais a floresta tivesse de vivo. Com os olhos, a única coisa que conseguiu ver foi alguns pequenos animais observando-os ao longe, como que tentando descobrir o que estavam fazendo ali, invadindo seus habitats.
Ele virou-se para ela, encontrando seu olhar, ainda carregado de tensão, e agora com ansiedade para saber o que o garoto estava pensando.
Ele ainda tentou mais uma vez se concentrar, dessa vez com ainda maior intensidade, mas não percebeu nada de anormal.
—Não... eu não ouvi nada— sussurrou de volta o jovem dominador, e o resto concordou com Aang.
—Achei ter ouvido alguma coisa... alguém— ela fez uma pausa, engolindo seco, e desfazendo o olhar nervoso— Talvez esteja imaginando coisas por causa do cansaço.
Ela sorriu e todos concordaram e voltaram a andar, mas ele sabia que ela não estava certa do que acabara de falar. E ela sabia com ainda mais convicção que tinha ouvido passos e vozes atrás dela, que não fora só sua imaginação.
Ela sentiu algo no seu bolso pulsar de leve, e colocou a mão dentro do bolso, tirando os últimos pensamentos da cabeça. Quando levantou a mão, estava segurando o colar que Aang e ela acharam na cachoeira.
O colar parecia ter pequena pedras dentro de uma maior, e essas menores pedras pareciam ser feitas de pequenas ligações metálicas em forma de fios finos e brilhantes. Eles pareciam estar todos em movimento, enrolando-se uns nos outros e desenrolando-se em seguida.
Rinzen sentia sua pulsação ficar mais forte com a pedra entre seus dedos. Ela girou a pedra, sentindo os vértices passando.
De uma forma que ela na conseguia explicar, aquela pedra parecia estar cheia de poder.
Antes de guardar a pedra no bolso, ela deu uma olhada para os amigos à frente, que continuavam andando e conversando animadamente, totalmente à parte daquele mistério que ela carregava.
Rinzen continuou a viagem sem comentar nada com ninguém, sempre com aquela sensação de estar sendo observada.
Eles chegaram no acampamento quando o Sol já estava começando a se pôr.
Passando pelo acampamento inteiro até chegar ala que estavam, viram alguns grupos de dominadores sentados de fora conversando, preparando fogueiras, e até mesmo algumas barracas maiores onde parecia que teriam festas.
Quando finalmente chegaram à ala, eles se sentaram à mesa de madeira comprida que havia perto das cinzas da fogueira.
—Uau, essa viagem foi bem cansativa— falou Kyro, se jogando na mesa.
—Com certeza, mas valeu a pena— completou Aang com um sorriso bobo, sentando ao seu lado— A viagem foi ótima.
Kym, que estava do outro lado da mesa, se inclinou pra frente.
—Sabe, eu estive pensando enquanto vínhamos pra cá— disse devagar— que, como nas outras alas, a gente podia fazer uma fogueira e ficar conversando, o que acham?
—Boa ideia— respondeu Rinzen— e podíamos pedir algumas comidas para os monges.
—Verdade, o monge Gyatso me disse antes que traria algumas coisas bem interessantes— falou Aang, animado.
Todos concordaram e entraram cada dupla para sua cabana para descansarem um pouco antes de procurarem Gyatso e começarem a arrumar as coisas.
Depois de quase uma hora, Aang e Kyro voltaram para a mesa central da ala, onde as garotas já estavam os esperando.
Depois de conversarem, decidiram que Aang e Kyro iriam atrás de Gyatso, enquanto as garotas começariam a acender a fogueira e arrumar a mesa. O dia já estava acabando, enquanto uma lua cheia entrava no céu.
Quando Kym voltou carregando alguns galhos secos, que os monges disponibilizaram para todos, e Rinzen já estava ascendendo o fogo, as duas foram surpreendidas por duas risadas infantis atrás delas.
Ao se virarem, viram Sonam e o outro aprendiz do Templo do Sul, vindo juntos, lado a lado, e rindo com tanta intensidade que mal conseguiam ficar em pé.
—Ah, olá, Sonam, como vai? — perguntou Rinzen, com um sorriso no rosto. Os garotos pararam na sua frente, ainda rindo um pouco.
—Estou bem, e vocês? — Rinzen respondeu-o, e ele comentou— Caramba, vocês ficaram o dia inteiro fora, o que fizeram de tão legal por lá?
— Nós achamos uma cachoeira muito legal e ficamos lá a tarde inteira— respondeu a garota, relembrando na sua cabeça a guerra d’água— E vocês, o que fizeram o dia todo?
—Eu e Tyler fomos juntos até a cabana principal, onde as aprendizes do Temple do Leste fizeram uma apresentação muito legal com dominação de correntes de ar, vocês iriam gostar— ao comentar sobre a apresentação, seus olhos brilharam— Ah, e amanhã de manhã, os aprendizes do Templo do Norte vão fazer uma apresentação também, e todos foram convidados.
Kym se aproximou dos garotos, usando uma das mãos para cumprimentar os garotos e a outra pra tirar uma mecha ruiva que entrara na frente de seus olhos.
—Pode deixar, nós vamos estar lá amanhã, vou falar com os garotos— a garota falou, enquanto passava os dedos pelos cabelos ruivos, distraidamente.
—Ah, é mesmo, cadê eles? Eu queria falar com meu irmão.
—Eles foram pegar umas comidas especiais com o monge Gyatso. Nós vamos fazer uma festa— disse ela, sorrindo, e apontando com o braço a fogueira que já estava acesa.
—Legal, vou me trocar e já volto pra ajudar vocês— falou Sonam, correndo para dentro da cabana, seguido pelo calado Tyler.
Quando eles entraram, as garotas ouviram novamente outras duas risadas vindas da entrada da ala, desta vez não tão infantis.
Eram Aang e Kyro, que já voltaram. Aang trazia algumas sacolas cheias, enquanto Kyro trazia um galão de uma bebida azul claro, que borbulhava e parecia ter um brilho especial. Kym, que estava à frente, perguntou:
—E então... o que trouxeram de legal? Alguma especiaria da Tribo da Água, ou alguma bolota queimada da Nação do Fogo?
—Os dois... — respondeu Aang, e os dois garotos se olharam, rindo. — E muito mais!
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