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11 A Cachoeira
Notas iniciais
Boa leitura!
Aquele cheiro suave e gostoso de amora que estavam sentindo estava sendo substituído por um cheiro mais marcante e doce. Enquanto seguiam o rio, com alguns metros de distância da margem, o terreno começava a ficar levemente mais íngreme.
Aang seguiu o rio com os olhos. Já fazia mais de uma hora que deixaram aquele ponto da pedra onde pararam, e mesmo assim ainda não conseguia ver ou ouvir nenhuma cachoeira.
Ao seu lado, Rinzen também estava apreensiva, já eram quase nove horas, duas horas de caminhada e nada ainda. Já sentia fome de novo, mas continuou andando sem comentar nada.
Mais à frente, Aang percebeu, o terreno subia bastante, enquanto o rio corria bem abaixo do nível da terra, formando um grande desfiladeiro dos lados do rio.
A visão de mais um morro desanimou Rinzen.
—Ei, gente. Acho melhor fazermos uma pausa.
—Ótima ideia— falou Kym, com grande alívio na voz.
Os garotos concordaram, e juntos eles se encaminharam para um tronco caído bem à frente. Tiraram novamente comida e água, e sentaram-se pra descansar.
—Boa hora pra descansar, estava com fome já— falou Kyro, relaxando do cansaço.
Todos estavam distraídos, comendo e bebendo, pensando na mesma coisa: será que existe mesmo uma cachoeira ali?
A pergunta pairou no ar por algum tempo, até que Rinzen se levantou. Já tinha acabado de comer seus pães.
—Acho que vou dar uma volta enquanto terminam— falou ela, e recebeu um olhar curioso de Kyro— Sabe, pra ver se consigo ver alguma coisa. Ei Aang— voltou a falar, vendo que Aang também já tinha acabado de comer— quer vim também?
—Hm, claro! Vamos.
Ela concordou e sorriu, ficando levemente corada.
Os dois caminharam juntos, um do lado do outro, subindo pelo morro que estava à frente. Demoraram pouco tempo pra subir, e na verdade, fora mais fácil de subir do que os dois pensaram.
Aí, só então, conseguiram ver alguma coisa.
Mais rio. Nenhuma cachoeira.
O rio corria pelo derradeiro para a direita à perder de vista. Talvez ele faria uma curva em algum lugar, talvez seguiria reto. Não dava pra saber.
Rinzen sentiu o olhar de Aang sobre ela. Claro, ele queria saber o que fariam agora. Ela estava pensando, e pensando... tinha que ter alguma solução.
Mas não sabia. E eles já tinham andado bastante, ela não poderia exigir mais. O melhor era, infelizmente, voltar.
—Acho que é melhor a gente voltar— falou ela, virando-se para Aang, que ainda estava olhando pra ela— Não vamos encontrar nada por aqui.
—Mas andamos tanto pra desistir agora?
—Eu sei, mas... olhe à sua frente! Não tem nada mais do que o rio. E só.
Aang abaixou a cabeça, e concordou com um movimento de cabeça quase invisível. E sem acrescentarem nada, os dois deram meia volta e começaram a fazer o caminho de volta até onde os amigos estavam esperando.
Rinzen olhou à sua volta. Apesar de tudo, gostava daquele lugar. Ela sentia o vento passar pelo seu rosto e seguir rebatendo nas árvores, a umidade do rio deixando o ar mais gostoso. E o cheiro...
O cheiro?!?!
Tinha alguma coisa estranha. Não era o mesmo que se lembrava, que sentira antes. Tinha algo... novo.
Ela olhou à sua volta. O que ela sentia agora parecia a mistura de rosas e doces, um cheiro tão encantador que a fazia sorrir. Mas de onde ele vinha?
Ao seu lado, Aang também estava sentindo o cheiro novo, e tentando com ansiedade descobrir de onde vinha.
Ele apontou para o lado contrário ao rio. Havia algo diferente nas plantas para lá. A longa distância nenhum dos dois conseguiram identificar, mas parecia ser algo vermelho... ou roxo.
Eles se olharam novamente, agora com um sorriso começando a desbotar, assim como a possibilidade que criavam de ter algo para verem.
Eles foram correndo, e alcançaram o lugar em poucos segundos.
Eles pararam, contemplando a beleza, totalmente sem ar.
As manchas roxas eram, na verdade, um grande campo preenchido por pequenas flores da mesma cor. Eram impressionantes e estonteantes, hipnotizando os observadores.
Rinzen se abaixou, agarrando uma flor que estava mais perto. Tirou-a cuidadosamente da terra e levantou novamente.
—Aang, esta é a Rosa Noturna— disse ela, com um brilho diferente nos olhos— Essas flores são muito especiais, dizem que elas são os melhores ingredientes para curativos, além da beleza diferente que só pode ser encontrado aqui.
—Elas são... muito bonitas.
—Uma pena não termos ela no nosso Templo. O cheiro delas é fantástico.
Ela parou por um instante de olhar para a flor em suas mãos, e ficou pensativa.
—Mas... isso é muito estranho, Aang— falou ela, ainda distraída, com olhar distante e franzido— Os monges me falaram que seria fácil de encontrar a cachoeira, justo porque ela era rondada por um campo de Rosas Noturnas, o que significa que... — falou ela, parando de falar e aguçando sua audição. Havia um chiado. Lá no fundo. Algo que parecia o som da água caindo... da cachoeira! — A cachoeira está em algum lugar por aqui!
Os dois cruzaram o campo, continuando descendo o morro, e de repente, bem ali, na frente deles, havia uma grande pedra marcando o limite da encosta do morro contrária ao rio. Em cima da pedra, os dois conseguiram ver. Lá estava, logo à frente. A cachoeira. Barulhenta e límpida, com um grande lago à frente.
Finalmente.
Rinzen sentiu um sentimento de felicidade como nunca sentira antes.
—Você encontrou! — disse Aang, sorrindo e virando para a garota, que retribuiu o olhar.
—Não... nós encontramos— os dois desviaram o olhar e coraram— Precisamos chamar os outros, vamos!
—Sim, vamos voltar.
Os dois correram novamente de volta, sentindo toda a animação esvaindo enquanto corriam, sem nem sentir o cansaço ou desconforto.
Eles estavam no mesmo lugar, acabando de arrumar as coisas de volta nas mochilas. Kym foi quem viu os dois primeiro.
—Caramba, vocês demoraram demais! — falou a garota, ignorando os dois— Já estávamos acabando de arrumar tudo e vocês estavam sumidos ainda e...
—Achamos— interrompeu-a Aang.
Ela parou de falar. Seu olhar, que estava carrancudo, passou para surpreso.
—O... o que?
—A cachoeira— falou Rinzen— Nós achamos a cachoeira. Ela está muito perto, do outro lado do morro.
—Mas... o rio continua subindo para a direita.
—Eu não sei, talvez ele faz uma curva e volta pra cá. Só sei que a cachoeira está ali.
Kym até mesmo forçou um pequeno sorriso, e acenou concordando.
—Ué, então vamos pra lá logo! — falou Kyro, se levantando animado.
Todos concordaram e partiram para o caminho da cachoeira, correndo com grande vontade.
Rinzen ainda sentia o recém alívio no seu corpo. Aquele cheiro, aquele ar, aquela terra macia sob seus pés, tudo a fazia sentir-se especial ali. E agora aquele campo fantástico, aquelas flores magníficas, e claro: a cachoeira.
É, afinal de contas o Dia de Exploração estava sendo incrível!
E ainda estava só no começo...
Notas finais
Beijão e até sábado!
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