Livre-me da Dor

1 Capítulo Único


Eu estava deitada num chão duro e frio. Me sentia congelada ali. Percebi que tinha apenas um sentido. Não podia ver, ouvir, falar. Apenas sentia que eu estava ali, eu apenas existia. Eu era apenas um corpo congelado no chão, sem visão, audição nem voz. Me sentia como um inútil corpo a beira-morte, só que sem dor. Uma morte sem dor...? Ou eu já havia morrido?

Não me lembrava do que tinha acontecido antes. Nada. Apenas um branco, como uma enorme caixa vazia.

Eu sentia o frio do chão. Percebi que havia alguém se aproximando de mim. Algo em mim começara a dizer: “Frio... Tão... Frio...”

O alguém não disse nada. Eu senti ele me observando. “Está... Tão frio...”

Eu me sentia estúpida. Eu queria sair dali. Queria desaparecer. Eu continuava ouvindo uma voz dentro de mim, como se minha alma estivesse falando algo. “Eu... Quero sair...”

Eu queria ir embora, pedir para o alguém a sair de minha frente. Era como se o alguém estivesse bloqueando minha passagem para a morte. É, eu não estava morta, mas minha alma implorava para sair de meu corpo. “Deixe-me... ir embora...”

Queria gritar. Mas eu não tinha mais essa oportunidade. Começara a doer... E muito. “Eu quero ir... Me deixe ir...”

“Eu quero ir embora,

Quero desaparecer,

Abandonar a dor, a tristeza,

Os sentimentos humanos”

Minha alma gritava para sair de meu corpo. Eu tentava deixa — lá ir, doía muito. Mas, ela não conseguia. Algo estava errado.

“As memórias,

Quero abandoná-las com meu corpo.

Deixe-me ir,

Eu quero ir embora”

“Saia logo” Eu implorava. “Saia... Vamos...”. A voz estava cada vez mais nítida. Mas... Não era a apenas a voz de minha alma, havia outra. Uma voz rouca e deprimida.

“Eu quero ir...” Implorava minha alma. “Me deixe ir... Por favor...”

“Saia desse corpo...” Murmurava a voz rouca. “Seu tempo acabou. Você tem que soltar sua alma de seu corpo.”

“Eu não consigo!” Tentei dizer a voz rouca, mas lembrei que não tenho mais fala. Mas ela pareceu me entender.

“Seife-me desse corpo sem vida...

Minhas horas acabaram...

Não me deixe sozinha aqui...”

“Eu irei lhe livrar disso.” Murmurou a voz rouca. “Apenas faça sua alma relaxar.”

Embora eu tentasse, a alma continuava a gritar desesperadamente. Perguntei em meio a gritaria de minha alma: “Afinal, quem é você...? O que quer comigo?”

“Não quero ficar preso aqui para sempre,

Nessa prisão de carne morta e fria,

Sem sentidos, enterrado aqui...

Livre-me da dor”

Notas finais
Mereço reviews...? (Digam que sim :D)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!