Livre Arbítrio: Eu Escolho Você.
39 Capítulo 39
O ginásio estava explodindo em gritos e palmas. Tudo a minha volta girava, meu corpo estava entorpecido, esgotado. Daniel ainda estava entre Gabbe e eu, e Cam a mantinha presa em segurança. Essa cena me deixou muito desconfortável, ela parecia um animal que precisava ser contido, eu não estava gostando do rumo dos fatos, não queria o ódio dela, eu não precisava de mais inimigos.
- Cam, solte-a, por favor. – pedi.Daniel se virou em minha direção e, com os olhos, começou a me avaliar, certamente estava se certificando se eu estava bem.- Ah! – Gabbe debochou um pouco exaltada – Eu tinha me esquecido que você tem dois cachorrinhos agora, ao invés de apenas um.Minhas sobrancelhas arquearam e eu não soube o que dizer. O comentário dela foi totalmente... eu nem sei o que foi.Bom, aí as coisas ficaram feias porque Cam não gostou nem um pouquinho. Quando dei por mim, havia tido uma inversão nos papéis, era Daniel quem estava atrás dele, segurando-o, impedindo-o de atacá-la.- Repete. – Cam se dirigiu a Gabbe, ordenando-a, desafiador.Eu, no lugar dela, teria ficado com medo daquele olhar. Ele era intimidante quando queria ser. Mas Gabbe pareceu não se importar com ele, ela se virou pra mim e disse algo em uma língua estranha antes de sair.- Cameron – Daniel disse ainda contendo o demônio, que acompanhava com os olhos a loira se distanciar graciosamente.Ele pereceu relaxar um pouco e Daniel desfez seu aperto. Eles estavam lado a lado me olhando. Minhas pernas bambearam, mas não foi por estar enfraquecida pela luta... Um segundo constrangedor passou antes de eu corar e abaixar a cabeça, desviando meu olhar de ambos. Merda de mania idiota!Tudo foi tão rápido. As pessoas ainda vibravam, completamente alheias ao que estava acontecendo – exceto os anjos, é claro. Foi aí que vi Arriane se aproximar de nós.- Caramba! Você arrasou, Luce. Deixou Gabbe totalmente puta da vida agora! – ela disse sorrindo, propositalmente quebrando o clima chato que se formou. Eu a encarei agradecida e um pequeno sorriso se formou em meus lábios.- Muito bem, Price. – Ravena me disse quando também se aproximou de nós. – Vamos prosseguir com as lutas, Daniel. – ela disse firme, agilizando o processo.- Claro. – ele respondeu prontamente e se virou para assumir seu lugar de origem. Cam ajeitou os cabelos e se virou na direção oposta a de Gabbe.- Daniel... – eu chamei repentinamente, fazendo-o parar para me encarar.- É... eu quero pedir permissão pra me retirar da aula... – eu disse sentindo minhas bochechas esquentarem novamente, só que dessa vez eu permaneci encarando-o.- Podemos saber o motivo? – Ravena, que estava ao lado dele e que também se voltou pra mim, perguntou.Eu olhava apenas pra ele. Por um instante eu esqueci totalmente de tudo e me perdi no violeta profundo de seus olhos. Eu sentia tanto... era tão ruim ficar longe dele. Isso me deixava fraca, triste. Meu mundo estava incompleto desde quando nossa relação começou a balançar; EU estava incompleta. Ficar perto dele, mesmo que nessa situação, era bom e ruim ao mesmo tempo, mas era com isso que eu devia me contentar.- Price... – Ravena insistiu.Eu sacudi a cabeça e me apressei em responder:- É que... eu tenho ainda duas provas finais a tarde e gostaria de me recuperar da batalha antes de fazê-las. – meu olhar nunca deixou o dele.- Você está dispensada. – Daniel respondeu ainda me olhando de um jeito estranho, diferente. Era como se ele quisesse me abraçar e me afastar ao mesmo tempo... era horrível! E“dispensada”?? Será que ele não poderia ter usado outra palavra, tipo,” liberada” ou simplesmente responder que sim? Eu me senti ainda pior com isso.Tentei dizer um “obrigada”, que ficou travado junto ao nó da minha garganta, então eu acenei rapidamente, me virei e saí em direção ao vestiário feminino....As duas últimas provas foram tranqüilas. Bom, eu tive sorte de ser duas disciplinas que eu me saía bem... me concentrar, no entanto, foi extremamente complicado. Eu fui pro meu quarto logo depois de fazer um lanche no restaurante, onde vários nephilins me cumprimentaram pela performance de mais cedo. Cada cumprimento deles era uma facada na lembrança que eu tinha de Gabbe me encarando e do ódio que ela sentia por mim... Quer dizer, ódio não, eu ainda não consigo pensar em anjos – caídos ou não – odiando alguém... eu lembrei do sentimento negativo que ela nutre por mim... melhor assim.Eram cinco horas em ponto quando me joguei na cama, literalmente. Meu corpo estava pesado e minha cabeça doía um pouco. Tentei relaxar inspirando e expirando lentamente. Nem dois minutos depois eu ouvi uma batida de leve na porta.Levantei fazendo o maior esforço do mundo e fui me arrastando para abrir a porta. Só podia ser Shelby querendo saber das novidades — que ela sabia...- Shelby, por favor... – comecei falando antes mesmo de ver quem era, mas meu coração quase parou quando vi meu anjo loiro me encarando.Ele estava parado na porta, com as mãos nos bolsos. Minhas pernas bambearam instantaneamente.
- Daniel? – perguntei idiotamente segurando-me na porta para não cair.- Eu posso entrar? – ele perguntou duvidoso.- É... claro. – respondi dando um passo pro lado e abrindo caminho. Minha mente avaliou minha aparência enquanto ele passava por mim. Eu registrei a legging branca e a camiseta rosa choque que vestia, que juntos com os cabelos molhados me faziam estar apresentável – mais ou menos. Era uma coisa boa o sistema de aquecimento ser tão bom, nós podíamos usar roupas mais confortáveis dentro dos quartos.Eu fechei a porta depois que ele passou e inalei profundamente seu perfume que me atingiu como ar fresco. Era um cheiro meio cítrico, clean, levemente amadeirado, totalmente único de Daniel. Era meu cheiro favorito. Fechei meus olhos para senti-lo melhor.- Você está bem? – ele perguntou se virando pra mim e me tirando do transe que sua presença me levava. Ele se referia ao meu estado físico, provavelmente.- Sim... um pouco dolorida e com dor de cabeça, mas bem. – falei andando em direção à cama. Pensei que se estivesse sentada meu nervosismo pudesse ser disfarçado.Ele se encaminhou até a janela, ainda com as mãos nos bolsos e em silêncio. Eu não estava costumada a isso com ele, esse silêncio, essa distância.- Você lutou bem hoje. – ele falou sem me encarar, olhando para um ponto fixo muito longe do meu quarto.- Eu... sinceramente... nem sei como consegui ir tão longe. – desabafei, relaxando as mãos sobre minhas pernas.- Você sabe que Gabrielle é melhor do eu aquilo, não sabe? – ele se virou pra mim e um pouco de seu cabelo bagunçado, que estava maior que o de costume, caiu na testa... perfeito...- Eu sei... ela estava com muita raiva de mim pra poder lutar direito.- Eu não quero que você pense que por ter se saído bem hoje pode relaxar, Luce. O que te espera lá fora é perigoso, tem objetivo, tem foco, não vai ser assim como foi com Gabrielle.Seu tom era quase como se ele estivesse me chamando a atenção. Eu franzi a testa.- Eu não vou sair por aí desafiando banidos, se é o que quer saber. – falei amarrando a cara.- Ótimo... – foi tudo que ouvi dele.Nos encaramos por um longo tempo e muita coisa estava errada. Ele estava tão afastado de mim, tão na defensiva e profissional.- Era só com isso que você estava preocupado, com a segurança do fragmento sagrado que eu carrego?Minha voz saiu mais fria do que pensei, mas era exatamente o que eu estava sentindo.Ele se surpreendeu com minha pergunta – ou com o tom que usei – e respondeu:- Você sabe que não é isso.- Ah, não? – perguntei enquanto me levantei e andei em sua direção. – Então vai me dizer que se preocupa comigo por que me ama?- Você sabe que sim.- Eu sei? – perguntei histérica, levando as mãos à cabeça –Então por que você está agindo assim, por que estamos tão distantes? O que está acontecendo? Foi porque eu aceitei aquele convite idiota do Cam pra conhecer melhor meu passado, é isso?Ele caminhou para o lado que eu tinha vindo, se afastando.- Por que eu vejo que você precisa de um tempo pra assimilar tudo, pra pensar, pra decidir o que você quer, só isso.- Decidir o que eu quero? Mas que merda é essa? – perguntei já desesperada. Eu nunca fui de usar palavrões ou xingamentos, mas essa era uma situação desesperadora.- Luce, você sabe o que eu estou sentindo? – ele se estourou – Sabe o que eu sinto toda vez que vejo Cameron ao seu lado?Ele se reaproximou rapidamente e ficamos os dois de pé, exaltados, no centro do meu quarto.- Eu entendo que você deve estar com ciúmes, mas foi você mesmo quem me disse que isso era uma questão de tempo, de controle, que era conseqüência por eu estar absorvendo tudo isso...- Exatamente! Mas te contar a verdade não torna as coisas mais fáceis pra mim!Eu espirei forte e pus as mãos nos quadris. As palavras dele cortaram as minhas.- Mas você não está me ajudando em nada, sabia? – falei repreendendo-o – Ficar se afastando de mim, ficar me evitando... isso só piora tudo, Daniel!- Mas não é isso o que você quer, tempo pra pensar? – ele perguntou meio irônico.- Não! Eu não quero tempo, eu não quero distância, eu quero você! Eu amo você e não quero ficar sofrendo com sua ausência, com seu desprezo. Isso só me confunde mais, você não vê? Eu preciso de você comigo e não longe de mim!Eu estava dando voz ao meu coração, Daniel era quem eu queria por perto sempre, quem eu amaria sempre. Sem ele, eu não estava completa. Cam me confunde e mexe muito comigo sempre que estamos perto um do outro, mas Daniel não precisava estar presente fisicamente pra despertar meus sentimentos. Era diferente.- Eu sinto muito, Luce, mas está sendo demais pra mim. – ele falou de um jeito derrotado, cansado. – Você não faz idéia do quanto eu estou me controlando o quanto essa situação está me deixando louco! Eu não quero fazer uma besteira contra ele ou tratar você de forma inadequada... por isso eu me afastei um pouco...- Daniel... – eu me aproximei dele e toque delicadamente seu peito. Meu coração parecia que ía sair pela boca quando senti o calor de seu corpo em minhas mãos. – Não fala assim... é como... como se nosso amor estivesse morrendo...Eu não contive mais minhas lágrimas, que caíram silenciosas e quentes por meu rosto.- Eu disse a você que meu amor por você é eterno, ele nunca vai morrer meu anjo... – ele falou tão docemente, tão franco. As mãos dele apertaram as minhas nossos dedos se entrelaçaram.- O meu também não, Daniel... eu posso não ser imortal como você, mas eu sempre, sempre vou te amar. – falei abraçando-o apertado.Ele me envolveu em seus braços fortes, apoiou a cabeça na minha e disse:- Me desculpa meu anjo... Você é a única que tem o poder de me atingir, de me enfraquecer, sempre você meu amor. Eu quero que saiba que o que eu sinto por você é puro e forte demais,Lucinda e que eu nunca vou ser capaz de deixar de amá-la. Mas está sendo muito difícil pra mim, está exigindo muito controle da minha parte pra que eu não desvie do meu caminho, daquilo que eu escolhi seguir... Nós dois sabemos que Cameron não vai desistir de você... só você pode afastá-lo.- Mas sem você por perto tudo fica mais difícil...- Eu sei, mais se eu me aproximar demais, não sei se vou poder me conter da próxima vez que enfrentá-lo... e eu sei que isso magoaria você em vários sentidos... não quero isso.- Você quer dizer que poderia matá-lo? É isso? – perguntei olhando pra cima na tentativa de ver seu rosto perfeito.- Eu estou dizendo que estou tentando evitar o pior, mas quando se trata do meu ciúme por você eu não sei se agüento... Tem muita coisa em jogo...Nós nos encaramos assim abraçados por um tempo. Ele começou a carinhar meu rosto com ambas as mãos e eu fechei os olhos para apreciar.- Os banidos estão prestes a nos atacar... eu não posso perder você... – eu o ouvi dizer muito tempo depois.Abri os olhos e me deparei com um tom muito mais suave de violeta em seus olhos, bem longe daquele com traços vermelhos que me assustam.- Vai descansar agora meu anjo... – ele disse me beijando a testa – Depois do baile de amanhã os nephilins vão embora e tudo pode acontecer... temos que estar preparados.- Eu sei... – falei arrastado. Eu sabia exatamente do perigo que estávamos correndo.- Minha alma pertence a você. – ele disse antes de me beijar suavemente nos lábios.Seu beijo foi como o céu, pena que durou pouco. Cedo demais ele se virou em direção a porta para sair.- Eu amo você, Daniel. – falei antes de vê-lo passar pelo portal. Ele sorriu e acenou antes de sair de vista....Passei as próximas horas na internet, vendo as notícias e respondendo infindáveis emails da minha família. Fazia muitos dias que eu não mandava notícias a eles. Eu menti, como sempre, dizendo que eu estava muito atarefada, com muitas aulas extras e em semana de provas. Eu sentia tanto a falta deles... Deixei algumas músicas baixando no meu laptop e troquei de roupa. De volta ao velho shortinho de cotton com camiseta...Eu tentei dormir, mas não consegui. Meu corpo pedia cama, mas minha mente estava a mil por hora. Pensei no que Daniel me disse a pouco, no que ele deve estar sentindo com tudo isso... será que ele seria mesmo capaz de matar Cam por minha causa? E como será que eu reagiria a isso? Só em pensar em vê-lo morto meu coração se apertava. Eu definitivamente tinha sentimentos fortes por Cam, que eram físicos e um pouco além disso também. Minha visita ao tempo em que era Margarett – EU! – era feliz com ele... pensar nas coisas que ele me contou...
Eu não sabia de mais nada, só sabia que estar longe de Daniel me matava aos poucos, mas que eu também não conseguia pensar em perder Cam.O relógio da escrivaninha acusou 22:00h e eu me revirei debaixo do edredom macio, tentando achar a posição certa pra dormir, ou tentar. Levantei inquieta e resolvi por uma música lenta e calma de fundo. Eu adorava dormir ouvindo aquelas músicas românticas antigas e clássicas, que qualquer um conhecia.Sintonizei uma das rádios online que tocavam esse estilo e, logo depois de ajustar a música a um volume agradável, eu ouvi uma batida leve na porta.- Ai meu Deus, quem dever agora... – falei alto comigo mesma – coisa que fazia freqüentemente...Abri a porta colocando apenas a cabeça pra fora, de jeito nenhum alguém além de Daniel me veria naqueles trajes...- Cameron? – perguntei alto demais.- Ah, não – ele disse resmungando já abrindo caminho e entrando no meu quarto – Eu prefiro quando você me chama... WOW!Cam soltou essa exclamação assim que me viu. Ele abriu um sorriso malicioso e parou no meio do quarto, enquanto eu fiquei colada na porta igual uma idiota.- O que você está fazendo aqui? – perguntei baixando o tom de voz e fechando imediatamente a porta. Meu coração acelerado.- Vim te trazer uma coisa... mas se soubesse que encontraria você tão... a vontade eu teria me vestido de acordo. – ele falou tranquilamente enquanto deixava uma caixa linda de tamanho médio em cima da minha cama.- Você tá maluco? Já imaginou o que poderia acontecer se Daniel visse você aqui? – Onde será que ele estava com a cabeça??Cam relaxou e disse se aproximando:- Fica tranqüila, ninguém me viu entrar.Soltei forte a respiração. Imagens de Daniel cortando Cam em pedacinhos com a espada dourada ainda reviravam minha cabeça.- Mas é bom saber que se preocupa comigo, minha linda... – ele falou já bem próximo e com aquele sorriso torto que anjos sabiam fazer e que me enlouquecia.- Deixa de falar besteira! – eu disse desviando dele e andando depressa pro outro lado, perto da janela – Me diz logo o que você quer, eu preciso dormir.- Eu já disse, vim te trazer uma coisa.Ele andou até a escrivaninha e pegou a caixa com o lindo embrulho vermelho e estendeu em minha direção.- E eu posso saber o que é? – perguntei fingindo nenhum interesse.Ele sorriu de banda.- É o vestido pra você me acompanhar amanhã no baile.- Ah! Muito engraçado. – falei pegando o pacote e jogando-o sobre a cama. Cruzei os braços.- O que é engraçado? Eu comprar um vestido pra você?– ele falou ainda com aquele sorriso pra mim. Parecia estar se divertindo.- Não. – respondi prontamente – Você achar que eu vou com você amanhã. Isso é engraçado.Ele riu alto e conseguiu ficar ainda mais lindo fazendo isso. Eu percebi que quando estávamos a sós ele ria bastante, mas de um jeito diferente, mais leve do que ele fazia quando era com outras pessoas e ele ficava ainda mais gato. Isso me fez sentir bem.- Mas até onde eu sei você e o loirinho estão meio brigados, não?- Não, nós estamos muito bem, obrigada. – respondi com a cara um pouquinho amarrada... acho que isso me denunciou.Ele riu mais.- Você continua mentindo tão mal, minha linda.Ele se apoiou na escrivaninha, meio que sentando nela. Cruzou os braços morenos e definidos e ficou me observando. Dois segundos depois eu estava começando a corar e, pra disfarçar, virei um pouco a cabeça pro lado, ajeitando meu curto cabelo pra trás da orelha.O silêncio foi substituído pela bela voz da Whitney que vinha do computador atrás dele:“Don't make me close one more door”Não me faça fechar mais uma porta “I don't wanna hurt anymore”Eu não quero mais esse sofrimento “Stay in my arms if you dare” Fique em meus braços se você tem coragem“Or must I imagine you there?” Ou devo eu imaginar você aí?“Don't walk away from me” Não fuja para longe de mim“I Have Nothing” Eu não tenho Nada,“Nothing” Nada,“Nothing, if I don't have you” (you-oo, you-oo, you)Nada, Se eu não tenho você.Eu não podia agüentar mais aquele olhar, aquele clima. Eu estava prestes a fazer uma loucura.Como se ele pudesse ler meus pensamentos, Cam se aproximou de mim rapidamente, ainda em silêncio. Qualquer traço de zombaria ou arrogância que ele sempre mantinha não estavam em seu rosto, havia outra coisa lá, uma que eu não queria nem pensar.Ele se inclinou pra me beijar, eu pensei, mas sua boca parou no meio do caminho.- Me acompanha amanhã. – a voz dele estava tão direfente... ele estava realmente me pedindo para acompanhá-lo.- Não. – Minha voz fraca e nada determinada saiu com dificuldade.- Lucinda Price, você me daria a honra de me acompanhar amanhã? – ele perguntou ainda mais perto. Seu cheiro me invadiu, sua boca me hipnotizou. Mas, ao mesmo tempo, me veio a doce lembrança de um anjo loiro ajoelhado no meio da rua me fazendo o mesmo pedido.- Não – um sussurro saiu de mim – Desculpe. –acrescentei sem pensar, ainda num sopro de voz.Minha respiração estava acelerada e eu rezei pra que ele não tentasse nada... seria quase impossível dizer não a qualquer coisa que ele me pedisse. Eu tinha que manter Daniel nos meus pensamentos, no meu coração, era a única forma de evitá-lo.Ele me olhou por alguns instantes, respirou fundo e se afastou, voltando sua expressão pro mesmo jeito Cam de ser. Um alívio instantâneo dominou meu corpo. Eu consegui! Pela primeira vez eu tinha resistido a ele! Nem acredito!Minha comemoração interna durou apenas quinze segundos, pois ele veio pra cima de mim como um raio e me beijou. Eu tentei não corresponder no princípio, mas o corpo deleenvolveu o meu de um jeito que não dava pra resistir... não dava pra fazer nada além de senti-lo. O beijo foi profundo, intenso, como sempre era entre nós.Me afastei bruscamente quando senti que minha excitação correspondia a dele. Eu precisava de ar, precisava respirar longe dele, longe do calor e do perfume que ele emanava. Cruzei o quarto em disparada e parei em frente a porta do banheiro, ofegante.- Você ainda vai dizer que não? – ele perguntou me olhando com o verde intenso de seus olhos perfeitos.- Você não existe, sabia! – explodi – Eu já cansei de pedir pra você parar mas você parece que é surdo! – ele riu alto nessa hora – Você não tem medo do que Daniel pode fazer com você?Eu estava desesperada, lutando por controle, pela segurança dele e ele nada. Mais que merda!- Fazer comigo? Por que você acha que ele pode me machucar? – ele perguntou divertido, passando as mãos pelo cabelo bagunçado.- Por que ele é mais forte e melhor e mais foda que você. – falei de propósito com um tom de “não é óbvio” – Ele te mataria em uma luta de verdade.Ele pensou um pouco, sem deixar de perder a pose ou o sorriso e respondeu:- Você provavelmente está certa, mas tem uma coisa em que somos diferentes.- Ah, é? E o que é? – perguntei pondo as mãos nos quadris, meu sangue ainda fervia.- Eu sou muito melhor na cama do que ele.Arregalei os olhos e minha boca abriu, mas nenhum som atrevido saiu dela. Eu cruzei o quarto rapidamente indo em direção a porta.- Fora! – eu disse a ela abrindo a porta e apontando o corredor com o outro braço. Aquilo já tinha passado dos limites.Ele riu e atendeu minha ordem dessa vez, fazendo um rápido carinho em meu queixo com os dedos quando cruzou por mim. Antes de ir, porém, ele disse:- O vestido vai caber perfeitamente e quando você estiver em frente ao espelho pensando se vai experimentá-lo ou não, você vai perceber que ficaria muito melhor comigo ao seu lado do que ele.Eu bati a porta com toda a força que restava em mim e escorreguei até o chão. Como eu poderia dormir agora?
Notas finais
Dorme com os anjos, Luce... hauhauhauahu
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