Daniel me deixou em meu quarto, que estava quente e convidativo.

- Eu queria ter levado você pra jantar comigo. – ele falou ainda abraçado comigo, assim que entramos em meu quarto.

Eu acariciei seu rosto lindo e baguncei ainda mais seu cabelo loiro.

- Humm... vestido, jantar... o que você está pretendendo com tudo isso, Sr. Grigori? – perguntei maliciosa, passando meus dedos por seu nariz e boca.

Ele sorriu.

- Conquistar você, é claro. – Daniel respondeu me trazendo para mais perto para me beijar.

Seu beijo foi tranqüilo e doce e uma paz sem fim me invadiu. Eu estava com a sensação de ter voltado pra casa. Ele era o único capaz de me fazer esquecer as tensões e os problemas. Sempre ele.

- Bom – ele continuou – podemos providenciar algo pra comer, se quiser.

Estreitei os olhos... eu ia dizer a ele o que eu queria “comer”...

- Providenciar? – foi tudo que minha ousadia permitiu dizer. Droga.

- Preparar, na verdade. – ele respondeu com o olhar travesso.

Ele me abraçou rapidamente e voou comigo de volta pra noite fria. Em questão de segundos estávamos em frente ao prédio que ficava o restaurante de Shoreline e estava completamente deserto àquela altura.

- Você não vai fazer o que eu acho que vai fazer, não é? – perguntei sorrindo desconfiada enquanto andávamos de mãos dadas para dentro do prédio.

- Se você está pensando que eu vou preparar algo pra você comer, acertou. – ele respondeu contente e tranqüilo.

- Ok, isso é muito estranho pra mim... – falei sorrindo.

Paramos em frente ao refeitório apagado e vazio. Ele se virou para me encarar e sua feição era de desafio.

- Você duvida das minhas capacidades culinárias? – Daniel perguntou me pegando pela cintura e me trazendo pra perto.

- Eu acho que já não duvido de mais nada... – respondi sorrindo. Sua boca estava me hipnotizando.

- Você não sabe do que eu sou capaz pra fazer você feliz. – ele disse num tom um pouco mais sério. Os olhos violetas me fitando.

Soltei a respiração. Ele sempre dizia coisas que faziam meu coração saltitar e aquele olhar se prendeu no meu.

Nos beijamos tão intensamente que eu achei que fosse ter um treco. Eu não sei, mas algo havia se aprofundado entre nós — se é que isso era possível! Talvez, todas as mudanças que estavam acontecendo comigo em função de descobrir a verdade estivesse me afetando em todos os níveis, de todas as maneiras. Eu estava me sentindo mais instável, é verdade, além de mais violenta e agressiva, mas ao mesmo tempo, eu estava mais confiante, ou me sentindo mais poderosa, sei lá. Eu estava pensando e fazendo coisas que normalmente não faria, era meio instinto mesmo.

Eu estava com tanta vontade de Daniel que dessa vez fui eu quem o imprensou contra a parede. Esqueci completamente do jantar. Minhas mãos o apertavam e o arranhavam nos lugares mais sensíveis e eu ficava extasiada quando sentia ele se arrepiar ao meu toque. Daniel inverteu nossos papéis, em um movimento brusco e veloz. Senti minhas costas baterem contra a parede em que ele estava, mas eu estava excitada demais pra sentir dor. Ele me beijava de um jeito tão profundo, que eu nunca pensei que pudesse ser beijada. Era tudo misturado: paixão, amor, desejo, ciúmes, possessão. Nossos corpos estavam tão conectados quanto nossas almas. Ele pressionou minha cabeça contra a parede, apoiando as duas mãos em meu rosto. Com os dedões ele desenhava o contorno dos meus lábios e deixei gemidos baixinhos escaparem quando ele passeou com o nariz levemente pelo contorno do meu pescoço. Ele estava me prendendo contra a parede enquanto me torturava com o nariz e a boca passeando em meu rosto suavemente, enquanto lambia e sugava meus lábios sem, no entanto, me deixar beijá-lo. Ele me torturava do melhor jeito possível.

- Daniel... – deixei escapar como um lamento, eu não agüentava mais aquela tortura.

Ele me agarrou subitamente e quando percebi, estávamos meio que flutuando, meio que andando, meio que sei lá, eu só sabia que eu estava agarrada a ele e que meu corpo pedia mais.

Quando dei por mim estávamos entrando em um lugar familiar. Era a sala de dança – meu Deus, como eu tinha ido parar no outro prédio? Eu não sabia por que estávamos justo ali naquela sala, onde eu tinha vivido momentos intensos com um outro anjo caído, mas estávamos ali. Bom, sinceramente, eu sabia exatamente porque Daniel me levou pra lá, mas isso não interessava agora.

Ele trancou a porta depois que entramos e me deixou ali por alguns segundos. A luz da sala estava desligada, mas a claridade vinda da iluminação externa ao prédio entrava pelas janelas e trazia luz o suficiente para eu enxergar mais do que apenas contornos. O clima lá dentro estava muito agradável, mas o clima em mim estava quente. Onde será que Daniel tinha ido?

Então eu ouvi o equipamento de som ser ativado e em poucos minutos ele estava de volta e, junto com ele, o som de “Hate that I Love you” atingiu meus ouvidos. Sorri.

Daniel se aproximou de mim. Minha mão deslizou para sua camisa e lentamente eu desabotoei o segundo botão – o primeiro já estava aberto. Passei para o terceiro e o quarto. Isso foi o suficiente para expor seu peito forte e atlético. Senti meu toque arrepiar sua pele e Daniel me beijou profundamente.

Minhas mãos deslizaram de seu peito para suas costas – ai como eu amava aquelas costas musculosas! A resposta dele foi imediata e ele acabou por tirar seu blusão rapidamente. Ver aquele torso nu e seus braços fortes me envolvendo me fizeram formigar, ainda mais à meia luz.

Daniel me rodeou lentamente e parou atrás de mim. Eu podia vê-lo através dos espelhos da sala de dança, ver sua forma musculosa e imponente atrás de mim. Senti o calor de seu corpo bem próximo, sua respiração em meu pescoço. Ele me rodeou com os braços e foi abrindo o zíper do meu casaco devagar. Minhas mãos acariciando as dele. Ele retirou meu casaco e depois se encaminhou para minha blusa. Ainda atrás de mim, ele levantou minha camisa de uma forma lenta e gradual e suas mãos esquentavam minha pele onde tocavam.

Minha blusa jazia no chão e Daniel finalmente me abraçou, seu corpo pressionado em minhas costas, suas mãos apertavam gentilmente meus seios.

Com um passo pra frente, ele me apoiou no espelho, com seu corpo me pressionando por trás. Minha pele se arrepiou ao contato com o espelho gelado em meus seios e minha barriga nua. Minha respiração embaçando o espelho em meu rosto. Ele foi traçando um caminho lento com seu nariz por meu pescoço, novamente, e minha cabeça tombou pro outro lado, enquanto minha respiração acelerava. Fechei os olhos, queria apenas senti-lo. Sua boca caminhava lentamente em meu pescoço me deixando ainda mais excitada.

- Você é linda demais, Lucinda. Eu não consigo me controlar. – ele sussurrou em meu ouvido.

Eu me virei para encará-lo. Ele acariciava meu rosto com as mãos e seus olhos me enviavam ondas de desejo. Minhas mãos pararam em seu peito nu.

- Você me deixou louco de ciúmes, sabia. – ele falou com a voz rouca se inclinando para me beijar.

Eu não consegui responder. Ele acariciava meus seios e minha nuca simultaneamente, enquanto me olhava daquele jeito... Arfei. Meu corpo queimava em lugares estratégicos. Minhas unhas o arranharam nas costas e ele encostou seu corpo excitado contra o meu.

- E o que você vai fazer a respeito? – perguntei provocante em seu ouvido, enquanto minha mão deslizou para seu abdômen definido. O corpo dele me enlouquecia.

Daniel sorriu de banda, inclinando a cabeça. Seu semblante era o de um amante que acabou de ter o aval que necessitava. Eu queria que ele mostrasse pro meu corpo que somente ele existia pra mim, que qualquer outra necessidade era absurda. E ele o fez.

E eu que esperava ter um jantar, acabei tendo um banquete.

...

Cam estava parado sobre a imensa pedra tombada na areia. Ele contemplava o horizonte e parecia inerte em seus pensamentos, mas tenho absoluta certeza de que me ouviu chegar.

Ele permaneceu parado e eu subi na pedra para alcançá-lo. Quando estava exatamente atrás dele, eu cruzei os braços e esperei. Depois da noite que tive com Daniel e com nosso relacionamento normal novamente, eu fiquei me questionando se deveria vir ao encontro que Cam havia proposto e quase desisti, mas no último momento a lembrança de suas palavras me fez vir até ele.

Alguns segundos se passaram até que Cam esticou os braços pra frente e, quase que instantaneamente, eu senti a presença dos anunciadores, ou de pelo menos um. Uma sombra castanho-escura, quase negra, enorme e densa, subiu deslizando na pedra abaixo de nós. Ela se movia como um líquido que desafiava as leis da física e parou exatamente em frente a ele. Sem realizar nenhum outro movimento o anunciador simplesmente se aglomerou em um ponto, formando uma bola de sombra e veio parar nas mãos de Cam, como um cachorrinho adestrado. Ele, habilmente, moldou a sombra para formar uma espécie de tela, uma técnica que eu já sabia no que ia dar. Então ele esticou “tela” até que ela ficasse na espessura de um palmo e quase do tamanho dele. Era como um risco grosso e negro no ar a nossa frente. Ele apoiou então suas mãos nas bordas da figura e abriu. Uma espécie de porta se formou, estável e sem fim.

Cam abaixou os braços, virou a cabeça para me encarar e estendeu uma de suas mãos.

Respirei fundo e a segurei firme. Por mais que eu quisesse me afastar dele, por mais chateada que eu estivesse, não poderia recusar a isso, e ele sabia.

Cam foi na frente, me guiando através da escuridão, através do meu passado e eu não fazia idéia do que esperar.

Notas finais
Gente, o que será q Cam vai mostrar pra Luce??? Review???