Livre Arbítrio: Eu Escolho Você.
27 Capítulo 27
Notas iniciais
- Eu preciso de um tempo... pra pensar em tudo isso, pra absorver toda essa informação. – falei para Daniel, enquanto colocava os fios que se soltaram do meu rabo-de-cavalo para trás da orelha.
- Eu entendo,Luce, não vou pressionar você com nada. – ele respondeu se aproximando de mim. – Eu não quero que você esqueça, nunca, que eu amo você demais.
Minha respiração começou a acelerar e eu percebi que sua proximidade estava começando a me afetar agora. Sua voz foi um sussurro doce em meus ouvidos.
Cruzei os braços sobre o peito, tentando mantê-lo afastado indiretamente, mas ele se aproximou ainda mais. Minhas costas encontraram a pedra fria e suas asas me cercavam. Eu não tinha como afastá-lo, meu corpo estava cedendo. Ele levou as mãos habilidosas e quentes para meu rosto, seu corpo a centímetros do meu.
- Lucinda... – sua voz rouca penetrando em mim, derrubando minhas barreiras. Onde minha raiva e mágoa estavam se escondendo?
- Daniel, eu não posso. – falei fechando os olhos, rezando para que ele não me beijasse, porque se isso acontecesse, eu não teria como impedir a mim mesma de me entregar ao seu amor.
Ele parou tão próximo de mim que podia sentir seu hálito doce e maravilhoso em meu rosto. Suas mãos em minha nuca. Sua respiração balançando os revoltos fios de meu cabelo que teimaram em não ficar atrás da orelha.
Daniel não me beijou, ele me respeitava demais pra isso. Mas ficamos naquela proximidade durante alguns momentos. Eu apenas ouvia o mar intenso através da pedra atrás de mim e sentia Daniel a minha frente, toda sua presença, todo seu calor.
- Eu preciso ir. – minha fraca voz finalmente deu sinal de vida.
Ele levantou o rosto, beijou lentamente minha testa e voou para longe de mim, deixando-me só com o frio cortante e meus pensamentos confusos.
Depois que Daniel me deixou na praia eu não consegui ficar por muito tempo. A tarde caía e a temperatura também. Fui me encaminhando de volta a Shoreline, enquanto imagens de um filme que não existia passavam pela minha cabeça. Eu realmente estava no meio de uma guerra, uma guerra na qual o destino de todos os anjos e demônios estava em jogo e da qual eu poderia não sobreviver.
Eu me senti, de repente, com um peso enorme nas costas. Tudo estava misturado, todos os sentimentos juntos aflorando ao mesmo tempo... eu ainda sentia mágoa por Daniel ter me escondido tudo e isso também se estendeu a Arriane, quem eu considero tanto. O que tinha havido com Miles ainda martelava em mim e, pra completar, ficar sabendo sobre Cam só me confundia mais. A raiva que eu sentia dele antes sobre a morte de Penn, de repente, tinha se tornado em algo estranho.Eu estava sentindo algo parecido com gratidão por ele ter me contado a verdade quando eu pedi, e isso minha mente não conseguia compreender.
Quando dei por mim, eu estava passando por trás prédio onde ficavam os dormitórios dos alunos e uma idéia me animou. Eu precisava espairecer, tentar esquecer um puco tudo isso, tirar o peso que sentia nos ombros, e eu só via um jeito pra esquecer de tudo – mesmo que por alguns momentos.
Entrei correndo no prédio e fui para meu quarto, ignorando os olhares curiosos e intermitentes dos nephilins que estavam ali. Eu tirei meu casaco encharcado assim que entrei e o depositei na cadeira da escrivaninha. Tirei a blusa e pus um top de lycra e, por cima, um casaco moletom de corrida. Troquei os tênis por sapatilhas pretas. Peguei meu MP4 que estava conectado ao notebook desligado na mesa e saí voando pra fora novamente. Eu precisava fazer a única coisa que seria capaz de aliviar minha mente, dançar.
Eu sabia que havia uma sala de dança ao lado da de musculação, mas eu nunca tinha entrado de fato nela. Todas as dependências de Shoreline ficavam a disposição dos alunos: o refeitório, a piscina, a sala de musculação, a sauna, a biblioteca, o laboratório de informática, enfim, nos momentos livres nós podíamos usar tudo o que quiséssemos. E eu sabia que seria o mesmo para a sala de dança.
Cheguei lá em poucos minutos, não só pela necessidade que eu sentia de dançar, mas também por causa do frio. Corri o máximo que pude. A sala de dança era ampla e tinha aquele cheiro maravilhoso de madeira e energia. Eu entrei a acendi as luzes, era realmente impressionante a infra-estrutura de Shoreline, tão diferente de Sword&Cross – nem me lembre!! Eu fechei a porta e fui para a saleta de som. Era tudo muito moderno e parecia que quase não tinha sido usado. Eu realmente não me lembro de ter visto atividade aqui desde que cheguei nesse lugar. Liguei o computador, conectei meu MP4 e liguei o equipamento de som. Coloquei as músicas da playlist em ordem aleatória para tocar e me encaminhei para o centro do salão. O som ambiente era perfeito, e eu abusei do volume, pois sabia que a sala era a prova de som e ninguém seria incomodado.
Mesmo as minhas sapatilhas sendo confortáveis eu resolvi tirá-las, sempre preferia dançar assim. Eu freqüentei aulas de dança durante toda minha vida, era apaixonada por isso. Até que tudo começou a mudar e o acidente com meu primeiro quase-namorado, me fez parar em Swod&Cross.
Os treinamentos de batalha acabaram por me fazer muito bem na questão de flexibilidade e precisão de movimentos. Pra dizer a verdade, eu acho que minha vida passada de guerreira foi quem me levou pro caminho da dança, agora eu entendo porque sempre tive tanta facilidade com isso. Eu era realmente boa.
Comecei um rápido alongamento, ao som de “Airplenes” do Paramore. Logo eu percebi que a sala era climatizada e meu moletom tornou-se desnecessário, ficou jogado num canto distante. Eu me olhava por inteiro nos espelhos que cobriam as paredes e respirava fundo enquanto alongava os músculos. Eu até que parecia bem. Meu corpo estava bom, em forma, e meu rosto não estava tão mal quanto eu pensei que estaria. Prendi novamente meu curto cabelo negro e lamentei não ter trazido grampos extras para travar os fios rebeldes.
Quando o som “Down on me” do 50cent começou eu me entreguei. O ritmo que eu mais adorava dançar era o Hip Hop/ Black, porque era animado e, ao mesmo tempo, tinha uma batida sensual. Eu comecei encaixando na música uns passos antigos que eu sabia, coreografia de outras músicas e logo encaixei uns novos, que me vinham a mente. Enquanto eu dançava, tudo era a música, meu corpo, meus movimentos. Todo o resto não importava.
“Just a little bit” continuou a mesma levada e eu fui junto. Meus movimentos vinham de dentro pra fora, eu sentia a música fluindo em mim e eu estava totalmente envolvida. Meus cabelos se soltaram, mas foi muito melhor, completava o jeito sensual que a música pedia. Eu estava feliz, pois minha mente não pensava mais em anjos, demônios, guerra e morte.
O Hip Hop deu lugar ao som Pop e alegre da Shakira e eu ri feliz quando comecei a dançar “Loka, loka, loka♪♫”. Eu rodopiava e rebolava como nos velhos tempos em que dançava e estava sendo maravilhoso... eu me senti tão bem e sexy, que um pensamento vibrou no mais íntimo de meu cérebro: eu me vi dançando pra Daniel. Sacudi a cabeça para espantar isso pra longe. Hoje, não pensaria mais nele.
Até que eu vi um movimento perto da porta e meu coração disparou. Cam estava parado me observando.
Senti meu rosto corar imediatamente. Há quanto tempo ele estava ali me vendo dançar daquele jeito?
- Não pare, por favor. – ele falou com um sorriso no rosto – e pela primeira vez não era de deboche. Suas asas não estavam à vista.
- Há quanto tempo você está aqui? – perguntei sem graça, tirando o cabelo do rosto. Minha voz não escondeu meu desespero.
- Tempo o suficiente pra ver que você dança muito bem. – ele respondeu no velho jeito Cam de ser.
Eu fiquei sem ação e o modo como ele olhou – realmente olhou – pra mim, me fizeram ficar pior. Eu sabia que estava descalça, com uma calça apertada de helanca e um top minúsculo – se arrependimento matasse! Cruzei os braços em volta da minha barriga nua e disfarcei.
- O que você faz aqui?
Ao invés de responder, ele andou lentamente em minha direção.
- Eu vim ver se estava bem. Pelo tempo em que você e Daniel estiveram sumidos eu presumi que, ou ele te agarrou ou te contou toda a verdade dessa vez. Achei que poderia estar confusa, fui atrás de você e te vi entrando aqui.
- E você fala com a cara mais lavada que me seguiu?! – perguntei indo em direção ao meu casaco, perto do espelho.
Ele se limitou a dar de ombros e seus olhos fuzilaram o moletom que peguei para cobrir meu corpo – apesar do calor que sentia depois de toda aquela dança!
“Imma Be” começou com seu ritmo envolvente, mas apesar de meu corpo querer muito continuar a dançar, a presença de Cam me inibiu.
- Eu não queria atrapalhar você. – ele falou
- Eu já estava indo embora, de qualquer jeito. – falei sem pensar em outra desculpa melhor. A presença dele estava me deixando confusa.
Então ele começou a sacudir o corpo lentamente, dançando, entrando no ritmo da música. Seus passos eram sensuais e lentos, nada exagerados. Eu estava olhando e... olhando. Como sempre ele vestia uma blusa preta de manga, com jeans também pretos e tênis combinando. A camisa ficava levemente apertada devido aos seus músculos atléticos.
Cruzei os braços e o encarei curiosa.
- Podemos dançar juntos, se quiser. – ele falou ainda dançando atraentemente, vindo em minha direção, aqueles olhos verdes me invadindo.
- Ah, tá! – disfarcei encostando no espelho único que cobria a parede – Vai me dizer agora que você dança também?
Ele riu.
- Por quê? Você acha que eu não sei ou não posso? – ele se aproximou mais. Droga.
- Anjos não deveriam apenas tocar harpa, trombeta, sei lá? – perguntei tirando sarro, eu queria mesmo era que ele parasse de dançar daquele jeito.
Ele riu ainda mais alto.
- Mas você esqueceu que eu não sou mais um anjo?
Ele estava a menos de um metro de mim e o raio da música não acabava! Porque eu estava me sentindo uma delinqüente?
- É verdade. Esse é um bom motivo pra eu me afastar, então. – falei dando um passo para o lado.
Cam pegou meu braço e sua mão logo escorregou para a minha. Ele chegou mais perto, fechando o espaço entre nós quase que totalmente.
Meu corpo estava imprensado contra o espelho atrás de mim e minha mão livre em seu abdômen limitou seu avanço final.
- Cam, por favor...
- Dança comigo – ele falou ignorando completamente meu comentário. – ele estava tão próximo e sua voz era tão decidida, era quase uma ordem – quase.
- Eu... não posso. – eu odiei ouvir minha voz tão fraca.
- Por quê? Tem alguém te impedindo ou você está com medo de mim?
Soltei um falso riso.
- Medo de você? Fala sério. – ainda tentava me soltar.
Ele também sorriu, talvez porque tenha percebido uma nota de nervosismo na minha voz.
- Pois eu acho que você tem medo de mim.
- Mas eu não tenho. Eu sei que você não vai me machucar. – falei rebelde. Sua proximidade persistia.
- Mas o que você teme não é isso.
- Ah, não? – perguntei.
- Não.
- Então me diga.
- Você tem medo da atração que sente por mim. – ele falou me olhando diretamente.
- Sabe, você é muito convencido. – disse com uma expressão de negação pra ele.
- E você é uma péssima mentirosa. – ele disse com um sorriso torto.
Eu não consegui responder de imediato e Cam aproveitou minha hesitação para tentar me beijar... tentar. Bem na hora H a porta da sala se abriu.
- Eu não sabia que você tinha bom gosto, Luce. – disse uma voz masculina grossa e zombeteira. – Bom, para música, pelo menos.
Era Roland. E ele disse a segunda parte olhando diretamente para Cam. Arriane vinha logo atrás.
Dei um pulo para o lado, para o mais longe possível de Cam. Depois do susto, uma onda de alívio e vergonha veio até mim.
- Luce! Até que enfim você estreou essa sala! – Arriane exclamou.
Eles adentraram o ambiente e a música finalmente mudou para “Do it like this”, também do Black Eyed Peas.
- Então... você dançava mesmo, Luce?
Roland perguntou se aproximando de nós.
- Dançava, não. Eu danço. – respondi me refazendo. Finalmente afastei-me de Cam.
- Isso é o que veremos. – ele anunciou.
- Nem tente, Ro – Cam começou, apoiando-se no espelho de onde saí. – Ela é boa.
- Tá bom. – Roland disse rindo desdenhosamente.
- Isso me soou como um desafio, né Luce? – Arriane perguntou sorrindo, postando-se ao lado de Cam.
Eu arregalei os olhos. Roland me desafiando para um duelo de dança? O que estava acontecendo afinal? Anjos caídos eram estranhos.
- Você aceita? – Roland perguntou sorridente.
- Mostra pra ele, Luce! – Arriane falou entusiasmada.
Eu encarei os imortais a minha frente. Roland estalava os dedos, sorrindo. Nem pensei duas vezes.
- Manda a ver. – falei me afastando um pouco.
Roland retirou o casaco e o jogou no chão. Logo em seguida, começou a dançar ao ritmo de Black Eyed Peas. Ele era bom. Vestia um jeans largo com camiseta preta – demônios sempre vestiam preto, vai entender. – e um tênis caríssimo.
Seus movimentos eram precisos e ele conhecia a música o suficiente para improvisar no timming perfeito. Ele explorou os passos mais rápidos e sua agilidade acima da média o faziam genial. Era um grande dançarino.
Mas eu também era muito boa.
Quando a música foi para a segunda parte, eu comecei. Fiquei de frente para ele e minha performance foi magnífica. Meus passos rápidos não tinham a mesma agilidade dos dele, mas eu dei um toque sensual à dança, misturando vários tipos de rebolados. Meu casaco saiu de forma magistral durante a dança e eu consegui encaixar esse mini-strip-tease durante a música. Eu o provoquei e ele parou de dançar para me observar.
Quando a música terminou, Arriane bateu palmas fervorosamente e Cam falou sorrindo:
- Eu avisei. Ela acabou com você!
Roland sorriu.
- É, você é boa. Vou ter minha revanche outro dia. – ele falou se encaminhando para a saída.
Arriane ainda dando pulinhos de alegria e batendo palminhas se aproximou de mim.
- Menina, arrasou!
- Obrigada. – falei. De repente, uma pontinha de tristeza atravessou meu coração por falar com ela. Acho que ela percebeu.
- Você quer comer alguma coisa, a gente podia fazer um lanche enquanto você me conta sobre seus anos de dança, o que acha? – ela perguntou esperançosa.
- Não, obrigada. – respondi meio sem graça. Eu não queria nada que me fizesse lembrar daquela história toda.
- OK, hã... a gente pode fazer outra coisa, então. – ela disse sorrindo.
- Eu acho melhor não, Arriane. – eu falei virando em sua direção. – Eu acho que preciso pensar em muita coisa e não estou no clima hoje, desculpe.
- Ah!... hãã... OK! – ela respondeu meio sem saber o que fazer. Eu nunca recusava nada a ela, mas hoje, eu simplesmente não queria.
Ela olhou pra mim e depois pra Cam, que continuava no mesmo lugar, apoiado no espelho. Eu vi a desconfiança em seu olhar.
- Eu vou andando, então... – ela disse se virando em direção a porta que Roland já tinha saído – se você mudar de idéia... – ela acrescentou tronando a me encarar e deixando um sorriso fraco, nada típico dela, no ar.
Ela se foi e eu fiquei em silencio, olhando para Cam.
- Eu... boa noite. – falei pra ele me encaminhando para apanhar meu casaco no chão.
Cam foi mais rápido, pegou o moletom na minha frente e estendeu-o para mim.
Agradeci apenas com um aceno e o peguei. Mas antes de vesti-lo, Cam interveio.
- Você sabe qual é o meu maior pecado, Luce? – Cam perguntou de forma direta, me pegando desprevenida.
- Qual? – perguntei.
- Inveja. – ele respondeu enquanto me puxava para perto de si. Seu aperto era firme em minha cintura, a voz rouca e seus olhos mais verdes que nunca.
Soltei o casaco e minhas mãos pararam em seu peito, travando-o.
- Cam, por favor, eu já pedi pra você não fazer isso. – falei um pouco desesperada. Eu sabia que se ele forçasse, conseguiria me beijar. Eu só não conseguia decidir se isso era uma coisa ruim ou péssima.
- Você não sabe a inveja que eu tenho de Daniel. – ele continuou, no mesmo tom e na mesma posição. Mas, pelo menos, ele me ouviu e não prosseguiu com o beijo.
Soltei um riso nervoso, minhas mãos empurrando em vão seu peito musculoso.
- Isso é ridículo, Cam. O tempo de vocês já passou, não?
Ele franziu a testa.
- Do que você tá falando? – ele perguntou.
- Da sua inveja ridícula por Daniel, ser o príncipe das Dominações só fez tudo piorar pra ele e você ainda sente...
Cam me interrompeu, o tom grave.
- Você acha que eu tinha inveja da posição dele? Eu não estava falando disso.
- Então de quê? – perguntei confusa. Do que ele estava falando?
- De você, Lucinda. VOCÊ é o que eu invejo nele. – e acrescentou – Eu estou apaixonado por você.
Minha boca abriu, tipo, literalmente. Eu já tinha me acostumado com ele me cercando e tudo mais, mas tudo era um jogo de interesses. Bom, era o que eu julgava, antes de ouvi-lo dizer estas palavras. Ele me parecia muito sério.
- Cam, hoje não. Eu não estou com cabeça pra provocação, tá? – eu mandei – Eu passei por muito hoje e não...
Cam me interrompeu novamente.
- Eu não estou brincando. Só queria que soubesse a verdade porque eu não vou esconder nada de você, muito menos como me sinto. – ele falava com uma determinação que me calou. O desespero me bateu. Eu estava acreditando nele.
Suas mãos ainda pressionavam meus quadris e a distância entre nós foi ficando cada vez menor.
Ele retirou uma de suas mãos do meu corpo e levou para minha nuca, amassando meus cabelos levemente suados pela dança. Eu sabia onde nós íamos parar, mas o que me incomodava era o fato de eu não saber se queria isso ou não. Eu só podia estar louca! Daniel era o homem que eu amava e sempre amaria, mas depois de tudo o que aconteceu, eu estava confusa e Cam sempre conseguia despertar em mim um interesse diferente.
Quando nossos lábios se tocaram eu falei num sussurro:
- Eu amo Daniel.
Minha respiração estava acelerada e a única coisa que eu podia esperar era que essa frase o impedisse de prosseguir, porque eu não conseguiria. Ele hesitou apenas um pouco, o suficiente para responder:
- Eu sei... e é isso o que eu mais invejo nele.
E me beijou.
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