E então foi assim. Por uma semana e meia, viajamos eu, Apache e Rebel pela estrada. Os enxames só ocorrem em cidades grandes, e pequenos bandos são vistos nas menores. Achar zumbis na estrada era raridade, mas devíamos tomar cuidado. Sempre vivi em fazendas.

Sempre fui apegado a esse tipo de coisa. Animais, plantas, ar livre. Talvez porque não conhecia mais nada. Lembro-me de que lia em revistas sobre coisas como Nova York, ou até mesmo Los Angeles. Mas isso nunca me interessou. Sempre preferi o campo, e as cidades menores.

Com os suprimentos necessários, viajei por um tempo em cima de Apache, e às vezes, revezava em Rebel, parando à noite para dormir. Têm sido tempos difíceis esses, porém necessários. Me ensinam a ser homem, a lutar pela vida. Parando sempre em lanchonetes abandonadas, procuro por alimento que tenha sido deixado para trás. Isso, claro, quando não há ZUMBIS deixados para trás.

Eis que viajando hoje, num certo ponto de uma estrada, me deparei com uma parada que não parecia tão afetada. Dentro, um casal sentado no balcão. Ingenuamente, chamei pelos dois, e, como já era de se esperar, os dois viraram. Eram zumbis. Um homem, com uma roupa de policial, e uma mulher usando um vestido comum. "Certo, Brady" pensei comigo mesmo, com uma das facas que pus na mochila na mão, fui até o pai primeiro, e o finalizei com um corte profundo em sua cabeça, morte rápida.

Uma pena eu não ter visto a mulher chegando, fui derrubado com violência por ela, que me imobilizou e subiu em cima de mim. Era o fim, com a faca no chão e sem forças para pegar a Winchester ou a Magnum, morreria assim.

Foi quando escutei um som alto vindo de cima. O corpo da mulher caiu ao meu lado. Quando olhei para cima lá estava uma menina. Olhos lacrimejando, blusa na cintura e camiseta coberta por sangue. Em sua mão estava uma semi-automática que rapidamente identifiquei como sendo uma Glock. Preso à cintura, havia um cassetete de policial. "Você está bem?", perguntei. Ela nada dizia e estava totalmente imóvel. "Belo tiro", disse para que o silêncio fosse quebrado.

Levantei-me. Quando olhei para coldre na cintura do policial, vi que estava vazio. Assim como a área em que o cassetete ficaria. "Ah, não", eu disse com pesar. Os olhos dela se encheram de lágrimas enquanto ela segurava a mão da mulher que, uma vez, fora a sua mãe. Ela ajoelhou-se perante os dois e se desabou em prantos por dez minutos. "Eu sinto muito, de verdade, eu sei como isso dói". Eu disse, tentando consolá-la. "Sou Jenny", disse ela com voz chorosa. "Jenny Williams". "Bradley Hatfield", respondi. "Mas pode ser Brady. Vamos dar a eles uma morte digna, não se preocupe".

Levamos então seus corpos ao lado de fora. A menina que não parava de chorar estava abaladíssima. Não era pra menos. Se não fosse o preparo que tive, ficaria pior com meu tio. Aqueles eram os pais dela e Doyle era o meu pai. Ainda que de criação, era o meu pai. Eu sentia a mesma dor, mas não queria deixar transparecer assim.

Os colocamos um do lado do outro, de mãos dadas. Ela pôs uma flor no peito da mãe e uma no do pai. Escrevi em uma folha de caderno "Aqui jaz Robert e Sheila Williams. Pai e Mãe amados", e então posicionei na farda do policial. Deixei Jenny ali, e voltei para dentro para recolher os suprimentos da lanchonete.

"Ei!" gritei um tempo depois, saindo da lanchonete. "Achei isso", disse entregando um dos hambúrgueres, obviamente frios, para ela. "Tem certeza que é seguro comer isso?" ela perguntou, "é com certeza mais seguro do que morrer de fome, certo?" Respondi com um tom sarcástico, "Pode apostar".

Ajudei Jenny a subir em Rebel. "Sabe andar em um desses?" perguntei a ela. "Andei em pôneis em uma fazenda quando menor", disse a menina em tom embaraçoso, "mas não, nada parecido com isso". Soltei algumas gargalhadas e disse "dá no mesmo. Não se preocupe, ele vai seguir meu caminho. Apenas tente não cair", finalizei rindo para a garota que fez o mesmo.

"Nunca viajaria com estranhos iguais a você dessa maneira, mas acho que não tenho escolha", disse a garota. "Salvou minha vida, lhe devo uma. Só não acostume. Sabe realmente atirar ou aquilo foi sorte pura?" perguntei a ela. "Sorte puríssima", respondeu. "Transformemos então sua sorte em habilidade. Vai precisar se quiser viver por aqui, Jenny".

"Não se preocupe", recrutou. "Eu e o Snowflake aqui nos daremos muito bem". "Snowflake?" perguntei antes de perceber que se tratava do cavalo, "Ah. É Rebel o nome dele", respondi em tom sério. "Certo", disse a garota, "e para onde iremos eu, você, seu cavalo e Snowflake?" olhei para ela de modo sério, mas entendendo sua brincadeira. "Quem me dera saber" respondi dando uma encostada na lateral de Apache, fazendo ele ir depressa e seguir a galope por aquela estrada vazia. Rebel repetiu o movimento e a garota sentiu o tranco, assustando-se e praguejando.

"Isso é pelo Snowflake", respondi. Seguimos em frente mais uma vez sem olhar para trás naquela estrada longínqua, seja lá para onde ela nos levaria.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.