Living With Love - Interativa
2 Chegada
Notas iniciais
Pov Kiyara
Estava em meu quarto terminando de escrever uma partitura, bem complicada, mas nada impossível. Quando sou interrompida bruscamente pela porta de meu quarto sendo aberta, pelo meu pai.
– Kiyara, por que ainda não arrumou suas coisas?- Ele me perguntou, se referindo aquela idéia estúpida de me mandar para uma casa morar com um bando de seres inferiores.
– Porque eu não vou?- Respondi, como se fosse óbvio, aliás, era óbvio.
– Mas é claro que você vai!- Papai aumentou a voz.
– Não, não e não!- Escondi meu rosto com o travesseiro. Infantil eu sei, mas estou em uma situação extrema.
Ouço papai suspirar e percebo que ele se aproxima.
– Escute querida, isso não é uma decisão só minha. Os meus amigos vieram aqui e nós ficamos discutindo isso por muito tempo. Não faço isso por mim, mas sim por você.- Ótimo, agora ele vai querer dar uma de paizão. Comigo isso já não cola mais!
– Nem vem, você não irá me convencer tão fácilmente!
– Kiyara, não seja tola, posso fazer você parar naquela mansão em questão de segundos.- Tsc, odeio admitir, mas é a pura verdade. Meu pai é muito mais forte que eu e o que ele quis dizer com esa frase foi: "Se você não quer ir por bem, você vai por mal".
– Parece que eu não tenho escolha...
– Acertou na mosca. Agora vá arrumar suas malas que eu vou chamar a sua mãe para ajudá-la, e para vigiá-la, caso tente escapar pela janela.- Tsc, isso é o que eu mais odeio em meu pai, ele me conhece melhor do que eu mesma! Parece que realmente não tenho escolha.
Mesmo que contragosto, peguei minha enorme mala e comecei a colocar minhas roupas nela, de qualquer jeito mesmo, não estou nem um pouco afim de ir para aquele lugar.
Logo sinto a presença de minha mãe, que agora se encontrava recostada no arco da porta do meu quarto.
– Mãe...- Falo manhosa na intenção de tentar derreter seu coração... não, pera...
– Nada disso. Se seu pai disse, não tenho que discordar, aliás, eu até apoiei essa idéia...
– Não acredito! O mundo conspira contra mim, não é possível...- E mais uma vez, me jogo em minha cama, enfiando a cabeça no travesseiro.
– Chega de drama, Kiyara, termine de arrumar sua mala que já está atrasada!- Maravilhoso, até minha própia mãe resolveu me largar numa casa com seres inferiores. Mereço...
Terminei de arrumar as benditas malas e eu e meu pai nos tranformamos em morcegos, para viajar mais rápido, em questão de alguns minutos chegamos em frente á uma bela mansão, em volta de uma verdadeira floresta. Paramos bem em frente, e eu voltei á minha forma humana, com a maior cara de bosta que alguém pode ter.
– Bem, chegamos filha, eu tenho que ir agora. Se cuide.- Se despediu de mim, ainda não estou aceditando que eles tiveram a capacidade de fazer isso comigo, mas okay. E ele sumiu.
– Olá garotos.- Uma voz surgiu de repente. Me virei para procurar seu dono e dei de cara com um homem de cabelos azuis bem longos, olhos também azuis, sendo um coberto por uma franja, sorrindo para a gente, pelo cheiro, tudo indica que é um humano.- Eu sou Edgar Valtinas e fui contratado para guiá-los por essa mansão.
Eu me pergunto o que nossos pais tem na cabeça para deixarem um humano apresentar uma mansão para um bando de selvagens feito eles, ele pode morrer agora.
Adentramos o casarão, e uau! É lindo por dentro! Pelo menos um ambiente confortável meu pai foi capaz de me dar.
– Aqui é a sala de estar onde vocês podem...
– Não precisa nos dizer o que já sabemos.- Uma voz feminina se pronunciou em nosso meio. Eu disse, um bando de selvagens! Não fiz questão de me virar para ver quem era.
– Acontece, senhorita, que eu fui contratado justamente para isso. Peço que colabore e deixe-me terminar meu trabalho.- Eu queria rir da cara dela, mas me segurei. Silêncio.- Obrigada.
Jurei que ia ver aquela cabeça rolar, mas felizmente, ou infelizmente isso não aconteceu. Continuamos andando.
– Aqui é a cozinha. Cada parte do armário contém o que cada um de vocês necessita para se alimentar e os cozinheiros já foram notificados de suas preferências.- Okay, confesso que gostei disso.
Subimos uma grande escada, onde haviam inúmeras portas, muitas mesmo.
– Aqui ficam os quartos. Cada um foi arrumado ao gosto de vocês, que seus pais nos disseram, os nomes de vocês estão escritos nas portas, procurem o seu e descansem em seguida. Peço que estejam na sala de estar daqui uma hora.- E saiu. Fui procurar o meu bendito quarto, assim que o encontrei, entrei, fechei a porta com tudo e me joguei na cama.
Não posso continuar aqui, não quero continuar aqui. Meus pais me disseram que preciso "melhorar minha interação social com espécies diferentes pois isso vai contribuir para um futuro próspero e livre de conflitos". Falando sinceramente, nunca tinha ouvido tanta baboseira em uma frase só como ouvi nessa, mas, eles são meus pais e sabem o que é o melhor para mim, e quando eles falam isso, acabou a discussão.
Lembrei da partitura que tinha que terminar de escrever, da mala que tinha que arrumar, do meu cabelo que nem penteei hoje... só de pensar nisso me dá vontade de dormir, e foi o que eu fiz.
...
Acordei alguns minutos depois e fitei o relógio, já era hora de ir para a sala de estar. Levantei quase morrendo (não, pera...) e caminhei lentamente até o local. Todos já se encontravam lá e estavam brigando entre si, fazendo a maior algazarra e me deixando muitíssimo irritada. Não suporto barulhos. E nada do tal Edgar para botar ordem nessa joça. Decidi tomar uma atitude.
– EI, VOCÊS!- Gritei com toda minha força, subindo em um pequeno banco. Todos se calaram e se viraram para me observar. Minha cara não estava das melhores mas mesmo assim mantive a postura.- Olha, eu sei que vocês me odeiam, e saibam que esse sentimento é recíproco. Mas, não podemos tentar nos matar senão sofremos as consequências, concordam?- E por incrível que pareça, eles concordaram.- Então acho que o podemos fazer, é tentar pelo menos fingir que estamos vivendo em paz, assim sairemos daqui mais rápido. Seria bom começarmos nos apresentando.- Eu disse. Uma garota de cabelos castanhos, lisos e longos, batendo na cintura e olhos negros como a noite (que chegaram a me dar um leve arrepio, porém, eu nunca admitiria isso.) e pele bem pálida levantou a mão.- Diga.
– Quem você acha que é para chegar aqui achando que pode por ordem em tudo e em todos?- Ela disse na maior arrogância possível, não era de se esperar menos de alguém como ela. Apesar de querer muito virar minha mão na cara dela, me limitei apenas á dar-lhe uma resposta.
– Eu acho, ou melhor, eu tenho certeza, que sou a filha do Conde Drácula, de uma raça muito superior á sua, e se não se importa, por mais que eu possa me arrepender depois, estou tentando estabelecer uma relação pacífica entre as pessoas aqui, apesar de pessoas como você não queiram colaborar.- Respondi.
– O que disse?- Ela queria partir para cima de mim, porém, um cara, com o cabelo trançado e amarrado e estranhos óculos, muito suspeitos, segurou a selvagem pelo pulso, a mesma se aquietou.
– Ei, ei, pessoal... sem discussões, vamos fazer o que a vampira falou.- Um garoto que surgiu do além, de cabelos brancos, num penteado que eu nunca vi na minha vida, e olhos acinzentados, mais puxados para o azul, e pele pálida.- Começem a se apresentar, qualquer um.
Um garoto de cabelos castanhos, pele meio bronzeada e uma faixa laranja incrívelmente cafona em sua testa, se levanta com um sorriso de tamanho sem igual.
– Sou Endou Mamoru, da família de lobisomens, é um prazer conhece-los!- Alguns retrubuiram o sorriso, e os mais selvagens viraram a cara.
– Okay... já que é assim, sou Matsukaze Rirako!- E do nada, tipo, do nada mesmo, A GAROTA LANÇOU UM FOGO DE ARTIFÍCIO NO MEIO DA SALA! NO MEIO DA SALA!!!- Filha do... Senhor do Fogo, hehehe.- E depois de quase nos encendiar, ela coçou a nuca como um sinal de constrangimento. Eu quase cai do meu adorado banquinho, mas quase mesmo. Reparei em sua aparência, ela tinha cabelos de um vermelho vivo, pele pálida e olhos verdes (Eu: Foi o que eu vi na imagem XD).
– Okay, okay... próximo!- Eu disse. Demorou um pouco para alguém se candidatar, então uma menina de cabelos brancos, lisos e longos até a cintura, pele branquinha e olhos verdes se levanta.
– E-eu sou Angel Aimer Tsubasa, s-sou filha do Cupido. É um prazer conhece-los.- Reparei que ela não sabia para onde olhava e sua voz tremia um pouco, além da coloração de suas bochechas estar meio rosada. Ela era fofa.
– Yoo, Hikari Kenzou, linhagem das fadas!- A garota, que me parecia bem calma, de longos cabelos negros e olhos azuis. Não gosto de pessoas muito calmas.
– Muito bem, que gostaria de ser o próxim...- Antes de eu conseguir terminar de falar, outra garota me interrompeu. Odeio isso. Ela tinha cabelos negros, olhos vermelhos e pele branca, que usava uma... gravata de caveira? Okay né...
– Hideochi Ayume, sou uma Shinigami.- Sua voz era firme, bem séria... mas depois ela sorriu. Estranho? Sim, muito, tenho medo de pessoas assim.
Bem, o resto dos garotos não me interessou muito saber, já que com certeza não me darei bem com esse tipo de gente. Decidi me apresentar.
– Oe, me chamo Kiyara, sou filha do Conde Drácula e...
– Pouco importa.- A mesma garota selvagem que me desafiou antes disse. Ai, que raiva! Odeio que me atrapalhem!
– Se quer tanto se apresentar, vá em frente.- Fiz um gesto como se estivesse dando passagem para ela.
– Grr.. hunf, sou Thainan Yoshida.- Ah, o nome da selvagem é Thainan... bom saber.
– Como eu ia dizendo, eu sou Kiyar...
– Me chamo Suzuno Fuusuke, minha mãe é a Ice Queen e...- Eu já disse que odeio ser interrompida? Não? Pois é, eu ODEIO!
– Com licença, eu estou falando!- Disse ao garoto que me olhou feio.
– Você já se apresentou, todos aqui já sabem quem você é, Kiyara.- Senti uma veia pulsar em minha testa. Me virei para encarar a criatura, que tinhas cabelos loiros, quase brancos, e grandes olhos roxos, pele branca e lábios rosados. Arqueei a sobrancelha, como um gesto para que ela se apresentase. E parece que ela entendeu.- Sou Suzuno Hoshina Utau, da família de magos.- Nossa, essa menina parece ter uma calma... Espera, Suzuno? Ela é irmã daquele garoto de cabelo estranho? Não... eles não se parecem nem um pouco... deve ser uma prima ou coisa assim.
– Okay então, Utau... mais alguém?- Me dei conta de que algumas pessoas ainda permaneciam caladas.
– Me chamo Yasmin Atsuki. Da Wolf's Foster de lobos brancos.- Diz uma garota de cabelos e olhos negros, pele branca.
– Hai, hai... isso vai demorar...- Murmuro para mim mesma.
– Ora, ora, vejo que já temos um progesso...- Eu conheço essa voz... é o tal do Edgar!! Ai, que filho de uma... boa mãe... deixar minha ilustre pessoa sozinha com um bando de animais á ponto de ser assasinada... onde já se viu uma coisa dessas...- Bem, agora que todos se conhecem, que tal uma atividade prática!?
– Não, obrigada.- Não foi ensaiado, mas todos nós falamos em unissono, seguindo seu rumo. Eu fui para o quarto, com a intenção de dormir até a hora do jantar.
– Nossa, garotos, como vocês estão desanimados! Vamos l.. espera aí, quem fez isso no teto?- Disse apontando o enorme estrago que aquela garota, Rirako, se não me engano, tinha feito.
...
Acordei com um barulho infernal da porra de um sino ecoando pelos meus ouvidos.
Já sem paciência, desci as escadas e vi que a maioria da manada já se encontrava por lá.
– Qual é a do sino, hein tio?- Perguntei ainda indignada para o Tio Edgar.
– Ora, querida, precisamos de uma maneira prática e eficaz para acordar todos vocês de uma vez. E o sino foi a opção mais barata.
– Sacanagem...- Ouço alguém dizer, acho que era o tal do Nagumo Haruya.
– Continuando.- Disse o Tio Edgar ignorando a pessoa.- Esse sino indica a hora do jantar. Como vocêd já conhecem, vamos á sala de jantar, vocês farão as refeições juntos. Sigam-me.
Ótimo, eu estou faminta. E seguimos o Tio Edgar. Chegamos na bendita sala onde todos os pratos estavam tampados com bandejas e tinham plaquinhas com o nome de cada um de nós. Procurei meu nome e me sentei, no cantinho da mesa, como eu gosto.
Abri minha bandeja, e vi um saquinho vermelho e um cálice. Que diabos é isso?Oh sim, entendi...
Reparei que ao meu lado, tinha uma garota de cabelos azulados, em maria-chiquinhas, olhos cor-de-mel e pele clara. Se não me engano se chama Kira Ran. Não gosto de ficar em silêncio, mas também não gosto de puxar assunto. Ela possuia um sorriso sádico enquanto cortava sei lá o que estava comendo. Já em minha frente, a Yasmin, se não me engano dilacerava a carne que comia, devorando tudo com uma expressão de puro prazer. Assustador.
Depois da refeição, Tio Edgar disse para irmos para o lado de fora da casa, pois faríamos uma atividade dinâmica.
...
Depois de escovar os dentes, vesti uma roupa qualquer e desci as escadas rumo ao lado de fora. Parece que fui uma das primeiras á chegar, haviam duas garotas e um garoto lá presentes.
– Olá.- Disse me aproximando.
– Oi!- Uma garota sorriu para mim.- Ela tinha cabelos ruivos, pele branquinha e, seus olhos tinham cores diferentes. Um era cinzento e o outro era verde escuro.- Sou Mioko, é um prazer! Kiyara, não?
– Sim... é... um... prazer.- Confesso que disse aquelas palavras com um pouco — muita — dificuldade, mas ela parece ser.... legal, diferente daquela selvagem da Thainan.
– Sou Madoka Fujimoto! É um prazer!- Nossa, como eu sou idiota! Me esqueci completamente da outra garota..
– Prazer...- Eu disse. A garota tinha longos e lisos cabelos azulados e olhos também azuis. Ela estava com os pés na água, sorrindo timidamente.
– Obrigada, estou muito bem.- Arqueei as sobracelhas e encarei o garoto de cabelo de alface. Um inimigo de longa data. (Eu: Longa mesmo... hehehe)
– Acontece que eu não perguntei, Midorikawa Ryuuji.- Eu falei, dando o típico sorrisinho sínico.
– Continua chata, Kiyara...
– Digo o mesmo, Ryuuji...- Comecei á encará-lo, e ele também me encarava.
– Tenso...- Disse Madoka á Mioko, que concordou.
– Yoo, minna!!- Parei de encarar o cabelo-de-alface para encarar o garoto-da-faixa-laranja-super-cafona, que estava animado como sempre.
Atrás dele e de toda a cambada, Tio Edgar andava calmamente, com um sorrisinho nos lábios. Esse cara ainda vai aprontar.
Fale com o autor