Living With Bieber
1 Capítulo 1 - The Mishap
Notas iniciais
Bom, acho que grande parte de vocês não deve saber o significado de "Mishap", mas significa "Contratempo", ou seja, este é o capítulo de mais ou menos a descrição da Kendell, a personagem principal. Também é retratado o acidente que ela sofre com sua família, onde perde todos.
Eu normalmente vou utilizar as notas pra contar um pouco do meu dia, e hoje eu queria falar sobre uma decepção que eu tive: Estava tudo bem desde o começo do dia, eu conversei com uma amiga minha tranquilamente, mas de repente, eu fui falar com ela, e ela me ignorou, sem ao menos eu ter feito nada. Fui escrever uma coisa no quadro-negro da escola, e ela saiu de perto de mim. Eu não esperava isso, porque eu gosto muito dela, e não sei o que a levou a ter essas atitudes comigo. Fiquei muito tempo tentando entender o porquê disso, mas não consegui descobrir. Estou bastante triste, porque a pior coisa pra mim é ser ignorada ou ficar sozinha, tenho um medo terrível disso.
Bom, espero que gostem desse primeiro capítulo, obrigado por lerem, e aqui vai.
Oi, me chamo Kendell. Tenho 17 anos, bem, na verdade hoje é meu aniversário de 18 anos. Sou uma menina comum, tenho o cabelo castanho, com as pontas azuladas. Meus olhos são grandes, chamativos devido à sua cor e características: ele é azul-maré com o contorno bem preto. Como várias pessoas me perguntam: “É lente? Não, não é”. Uso roupas comuns, como a da maioria das meninas aqui do Brasil, a não ser algumas roupas que ganho dos meus parentes (todos eles moram no Canadá). Assim como eu, minhas irmãs (ambas são mais velhas) e meus pais nasceram lá, onde morei até meus 10 anos.
Hoje é meu aniversário, como já falei. Agora é 1:00 da madrugada, e minha família está viajando até o Hopi-Hari. Eu nunca fui até lá, e meus colegas dizem que é muito bacana, então meus pais decidiram que minha “festa” será comemorada lá.
Todos estávamos rindo, e nos divertindo. Estava chovendo, a pista escorregadia, e com grande neblina. Estava concentrada na música do meu iPod, quando ouço uma freada muito brusca, sinto todos se segurando no carro, quando vejo que estamos descendo ribanceira abaixo. Minha vista escurece, e em seguida eu desmaio.
“Pi-pi-pi-pi-pi”. Acordo com a vista embaçada, tudo gira, e quando consigo identificar onde estou, me deparo com meu pior pesadelo. Estou em um cama de hospital.
- Kendell! Meu Deus! Finalmente você acordou! – Era minha tia, estava sentada em uma poltrona com os olhos encharcados de lágrimas.
- Tia? O que aconteceu? O que estou fazendo aqui? – Perguntei a abraçando, e com a voz rouca e fraca.
- Bom, é uma situação complicada, talvez não devesse te falar, mas faz parte da sua vida.
- Fala tia! – Eu tinha o inglês fluente, não como o de uma naturalizada canadense, mas sim como o de alguém que viveu sua infância no Canadá.
- Seus pais, eles... eles...
- Fala! Eles morreram não é? – Ela acenou com a cabeça, e meus olhos encheram de água – Cadê minhas irmãs? Sou só eu, tia? E agora, o que eu faço?
- Sim, é só você querida! É só você! – Ela falou me abraçando. Nós duas estávamos abraçadas chorando. Meu mundo estava desabando, talvez morresse ali mesmo, mas sei que deveria ficar forte – Bom, o doutor já está vindo! – Ela falou limpando suas lágrimas, e em seguida as minhas. Logo o doutor entra no quarto.
- Olá! Vejo que a senhorita... Kendell, acordou! – Ele falou eu sorri falso.
- Quando vou ser liberada doutor? Tenho trauma de hospital.
- É, quando te trazíamos pra cá, você gritava que não queria ficar aqui. Mas, com a autorização de um familiar, agora está aqui. Conseguimos lhe salvar de uma possível morte. Sua tíbia atravessou a pele, e sangrava muito. Mas com a chegada dos enfermeiros, graças à Deus, temos uma sobrevivente! – “Mas quanto à liberação?” tia Taliza perguntou –Sua recuperação foi boa. Sua pele possuía boa cicatrização. E se cuidar-se, poderá ser liberada amanhã mesmo. Mas, se me prometer que vai se cuidar lá no Canadá, e vai ter um acompanhamento médico!?
- Vou sim, doutor! – Falei e minha tia sorriu concordando.
Eu e minha tia ficamos conversando sobre tudo lá no Canadá. Ela disse que meu tio já estava providenciando a arrumação do meu quarto, de acordo com as fotos que ela via de mim. Ela estava realmente muito entusiasmada comigo morando com eles, já que ela era estéril (não pode ter filhos). O médico ficou conosco contando sobre a cirurgia e sobre os cuidados que eu deveria ter em questão à ela. Depois eu comecei a cochilar, e o médico percebeu meu cansaço, e pediu pra enfermeira trazer comida pra nós duas. Comemos, e eu logo dormi.
Acordei no outro dia, com minha tia entrando no quarto.
- Oi – Falei meio triste. Mais um dia entre vários que estão por vir, sem meus pais.
- Olá! Olha, eu fui na sua casa, e peguei suas coisas, achei melhor que eu pegasse tudo, pra você evitar que... – Ela pensou em uma palavra, mas não conseguiu, e eu falei que já havia entendido.
- Você pegou as fotos no meu mural, meu notebook, tudo mesmo?
- Sim! Tudo mesmo, menos os móveis, é claro! Olha, achei que você fosse gostar de ver essa imagem... – Ela falou me mostrando uma foto dos meus pais e das minhas irmãs. Meus olhos lacrimejavam, mas eu estava disposta à não chorar. Eu tinha que enfrentar tudo isso, eram obstáculos eternos, machucados que nunca se curariam, mas que eu precisava enfrentar – Bom! Você recebe alta, ham... – Nesse momento o médico entrou no quarto.
- Bom dia... Ótima notícia, você recebe alta hoje mesmo! – Confesso que me espantei com a rapidez com que poderia sair do hospital, mas eu estava muito feliz.
O médico me ajudou a sair da cama, me explicou sobre os medicamentos, e novamente reforçou sobre os cuidados. Me entregou toda a papelada à respeito da minha saúde atual, pra caso eu precise lá no Canadá. Vesti um shorts, já que com aquele gesso que cobria minha perna praticamente toda, era impossível de se usar calça, coloquei uma blusa simples, apenas com uma “Hello-Kitty” zumbi. Sim, eu amo zumbis. Vesti somente em um pé, o que não estava quebrado, um Nike roxo, preto e branco. Minha tia me entregou duas muletas, e lá vou eu, pulando feito um Saci-Pererê (ok, nem estava tão parecido assim). Fui até a farmácia do hospital, peguei meus remédios, e fui em direção ao táxi. Colocamos nossas coisas no porta-malas, e fomos em direção ao aeroporto. No caminho aquela vista, olhando tudo o que eu teria visto se meus pais estivessem vivos. A família feliz, em direção ao tão desejado parque. A saudade batia a cada instante, e aquilo me machucava demais. Lágrimas escorriam, enquanto minha tia me abraçava, confortando uma filha sem mãe.
Fale com o autor