Notas iniciais
Vocês provavelmente vão notar o quanto meu estilo de escrita mudou e evoluiu através dos capítulos (quase um ano envolvida nesse projeto!) mas espero que não seja um problema ^^

Tudo começou... bom, na verdade eu não sei como tudo começou. Simplesmente aconteceu. De uma hora para outra, todas as cidades de todos os estados de todos paises estavam em estado de alerta. Uma nova infecção havia surgido, ninguém sabe como, e estava se espalhando rápido, muito rápido. Tal infecção era fatal e contagiosa, "os mortos devem ser incinerados" eles diziam... Pura besteira, eles só não queriam que ninguém descobrisse se não queimassem os mortos. Eles deixariam de ser mortos e atacariam qualquer um que estivesse por perto. Não adiantou. Pouco tempo depois todos descobriram, mas já era um pouco tarde. Tudo isso aconteceu a cerca de 3 anos atrás, mas eu ainda me lembro muito bem. Todos lembramos. As lembranças nos assombram todas as noites.

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Eu acordo de repente. Abro meus olhos e vejo John me encarando.

— O que foi? — digo, sonolenta.

— É o seu turno na vigia...

— Ah não... — eu enfio a cara no travesseiro de novo — Que horas são?

— 1h30

—Mas a troca de guarda é só as 3h! — eu me viro pra ele — Porque me acordar agora?

— Para te avisar que a Clare está sem sono e vai ficar no seu lugar.

— Hm, valeu. Mas agora quem não vai mais conseguir domir sou eu...

— Ah, desculpa... Quer que eu fique aqui com você?

— Pode ser — sorrio e me sento, ficando de frente para ele — Sabe, eu sinto falta dos velhos tempos...

— Todos sentimos.

— Eu faria qualquer coisa por um Big Mac — digo.

— Ou por uma pizza — ele ri.

— Ou talvez... — eu olho nos olhos dele e termino a frase, minha voz como um sussuro que só nós dois podemos ouvir — Um beijo...

Ele me olha, sério.

— Você ainda pensa nisso, não é?

— Sim, e você sabe. Eu não tenho porque esquecer. Isso me dá esperanças...

— De ficarmos juntos?

— De conseguir aguentar viver neste mundo, cercada de gente morta. Me faz ter esperanças de que um dia nó sejamos mais que amigos, que alguém ache a cura e tudo isso acabe. Eu sei, parece impossivel. Mas eu sempre fui de me iludir com sonhos impossiveis.

Nós ficamos quietos por algum tempo, o silêncio pairando no ar, nos esmagando com as lembranças do passado, fazendo os minutos se arrastarem.
Então, finalmente, ele fala.

— Você tem que esquecer isso Jess. Essas lembranças só te machucam, e eu não quero que você se machuque. Eu te amo, sim, você sabe disso. Mas como amigo. Só isso. — ele me dá um abraço e se levanta para ir embora, mas eu seguro seu pulso.

Ele se vira e eu digo:

— Eu não consigo esquecer John. Eu não quero me machucar, mas eu não sei me defender de mim mesma, eu preciso de ajuda. Da sua ajuda. Você me prometeu lembra? Você prometeu que iria me proteger, me ajudar e estar sempre ao meu lado. Mas você sempre me abandona quando eu mais preciso.

— Me perdoe Jess. Eu tentei te ajudar, mas não consigo. Você tem problemas além do meu limite de compreensão.

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Eu acordo de novo. Já é de manhã e o sol já nasceu. Eu lavo meu rosto troco de roupa e vou falar com o Capitão Richmond (o "líder" do nosso grupo).

— Bom dia senhor — ele era do exercito, se a gente não chama ele de senhor tem que pagar 20 flexões...

— Bom dia Jessie! 7h48 huh? É um bom horário pra quem dormiu igual uma pedra mesmo sendo A SUA NOITE DE PATRULHA!! — ele parecia irritado.

— Mas a Clare ficou no meu lugar senhor!

— Eu sei, mas eu deveria ter sido avisado préviamente! Agora, vá junto com o Jeff e arranje um jantar bem gordo pra gente!

— Entendido. — eu dou um aceno de cabeça para ele e vou até a cabana de mantimentos encontrar com Jeff.

Eu olho a minha volta. Nosso grupo é composto por cerca de 30 pessoas, todos sobreviventes. Temos duas crianças, um garotinho de 5 anos e a irmã dele, de sete. Depois deles, eu sou a mais nova, com 15 anos. Meus amigos tem 16. O adulto mais velho, capitão Richmond, tem 47. Todos temos idades razoáveis, com excessão dos dois pequenos, e sabemos nos virar. Eramos de vários grupos pequenos, separados, mas nos encontramos e nos unimos. Eu, Clare, Elisabeth, John, Ellie, Mabel, Henry, Lindsay, Rachel e Jeff já nos conheciamos, estavamos de férias juntos na Califórnia quando a infecção começou a se espalhar. Encontramos esse grupo depois de uns 8 meses vagando pelo país.
De repente Jeff me chama e me tira de meus pensamentos.

— Uh, oi Jeff. O que foi?

— Eu pedi se você levou bronca do Richmond. Tava pensando no que pra estar tão distraída em? — ele ri.

— Sim eu levei bronca, e ao contrário de você, eu não fico pensando besteira.

— Opa opa, peraí. Pode parar, você sabe que eu sou santo puro e imaculado.

— Aham, aquelas revistas que você pegou escondido na cidade dizem o contrário...

— Eu já te disse que eu não peguei revista nenhuma!

— Para de mentir que eu te vi escondendo elas no mochila Jeff! — e rio e pego um rifle, minha faca e munição extra — Vamos logo, antes que o Richmond venha reclamar com a gente!

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Eu e Jeff já estavamos posicionados no meio da mata.
Aquela area era toda era livre de Zumbis, os animais podiam entrar, mas não os Zs. Um pequeno riacho corria pelo meio daquela area. Sempre que um animal grande o bastante para alimentar a todos no que geralmente era a unica refeição decente do mês, duas pessoas iam até lá para pega-lo. Geralmente quem ia era Jeff (ótima mira) junto com um dos adultos (força) ou um de nós, adolescentes (agilidade). Dessa vez, fui eu. Estavamos animados. A muito tempo não tinhamos mais de uma caça. Desta vez tivemos sorte. Um casal de cervos, muito bem alimentados por sinal, estava vivendo ali a um bom tempo. A fêmea estava prenha. É triste, mas ninguém tem tempo pra denunciar maus tratos aos animais. Nós queremos uma porção decente de carne no prato. Assim que achamos os animais, começamos nos preparar para uma morte rápida e silenciosa. Eu fiquei montando guarda, garantindo que nenhum Z estava por perto, enquanto Jeff pegava suas magnificas, silenciosas e mortais companheiras de batalha: pequenas "moedas" afiadas, cobertas de pequenas agulhas com veneno. Como ele usa isso? Simples, com o bom e velho bodoque. Isso mesmo, bodoque, estilingue, não importa o nome que você dê. Eu sei, é incrivel. Ele precisa mirar bem no olho do cervo, para garantir a morte. Mas eu estou com um mau pressentimento sobre isso hoje.

— Ãhn, Jeff? — eu sussuro para não assustar os cervos.

— O que foi?? — ele responde sussurando também.

— Que tal usar o arco hoje?

— O que? Porque?

— São dois. Além do mais, ela está prenha, se você a envenenar, o filhote vai se transformar e devora-la de dentro para fora!

— Uh, certo. Bem pensado. — ele pega o arco e me entrega.

— Mas o que você...

— Você mesma disse, eles são dois. Se matarmos um alertaremos o outro. Eu atiro no macho e você acerta a pata traseira da fêmea em 3, 2, 1.

Com uma sincronia perfeita, nós atiramos. Eles caem, primeiro o macho e depois a fêmea. Tudo acontece em uma fração de segundo e nós corremos até eles.

— Procedimento padrão? — pergunto para Jeff.

— Não sei, vamos ver o que fazer com ela... — ele diz enquanto crava uma faca no crânio do macho, por precaução.

— Certo, tive uma ideia. Nós temos que matar o filhote antes dela, então... — de repente eu sou interrompida, quando ela começa a parir o pequeno. — Okay, mais fácil de matar.

Conseguimos matar a fêmea e o filhote e arrastar os três até onde os estoques de comida são guardados. Voltamos para a Casa e fomos recebidos com aplausos. Ah, como eu amo isso.

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O resto dia acabou sendo bem divertido. Todos estavam felizes por causa da caça maravilhosa e eu recebi tipo, uns 400 elogios. É bom ser importante, para variar.
Na verdade teve uma parte não muito divertida: plantar batatas no sol escaldante em pleno meio dia. Eu odeio batatas por causa dessas coisas. Clare e Lindsay me ajudaram então pelo menos o serviço foi mais rápido.
Depois todos fomos para o lago (sim nós temos um lago, nosso acampamento fica dentro de uma fazenda, que tinha um terreno enorme, todo cercado, com criação de animais e um lindo lago refrescante), e a noite fizemos uma grande fogueira.
Seria mais divertido com marshmallows, mas nós não temos mais marshmallows. Alguém arranjou um violão e Ellie tocou algumas musicas que um dia já tinham significado muito pra nós, tranmitido nosso sentimentos em palavras, mas que agora são apenas... palavras em uma melodia. Nossas vidas mudaram muito, assim como nossos sentimentos.
Eu adoro dias assim, eles me lembram os velhos tempos. Bom, na verdade não exatamente. Onde eu nasci não faziamos fogueiras com marshmallows e normalmente nadavamos em piscinas, não lagos. Mas ainda assim é bom. Para falar a verdade eu acho que as minhas maiores experiencias com isso foram nos filmes da Disney...
De repente Jeff pede o violão para Ellie, e toca algumas notas. Para todos os outros é só aquilo, algumas notas, mas não para mim. Não depois de te-las ouvido tantas e tantas vezes. Viro para ele, surpresa.

— Sério? — olho em seus olhos.

— Sério. — responde ele, e então ele continua a tocar.

Todos me olham, curiosos, e então eu canto. Como já havia feito tantas outras vezes, as palavras vindo automáticamente e fluindo demeus lábios com naturalidade. Esta musica não era uma qualquer. Ela ainda significa muitopara mim. É a minha musica.

"We have meet
A long ago
And you were always here
Right at my side

And i know we are just friends
But at the end
I hope we could be more

Oh every night
I'll try to reach sky
And touch the stars

And i'll try to shout
Out loud your name
So i could remember
The time when this began

So the gods will hear
Our sweet melody
And they will know
How pretty is
The love i feel

And i hope u don't forget me
Cause you always on my mind
And until my last breath
I wanna stay with you

We will keep going
On this old sweet road
That we are following
Since the first day

The years are passing
Faster and faster
And we don't change
Nothing at all"

E então Jeff canta o refrão comigo.

"And i really miss
Your arms aroud me
When i cry

And really miss
Your laugh
And your smile

We all sad an serious
On this big grey world
But on the old times
Your were always happy

And i was happy too
Cause i were with you..."

Neste ponto eu paro, minha voz sumindo. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu me levanto.

— Me d-desculpem... Eu não posso... — e então saio correndo para a escuridão, em direção aos alojamentos.

Os alojamentos são os nossos quartos aqui. Como eu disse, a antiga fazenda em que nós vivemos é grande, e tem uma casa proporcional. Ela fica quase no meio do terreno e tem cerca de 10 quartos. Os outros cômodos já não são mais muito uteis, a geladeira parou de funcionar, as torneiras e os vasos sanitarios não tem mais água, nem os chuveiros, o gás do fogão acabou faz tempo, não temos eletricidade (obvio). Mas ainda assim é bom. Temos bastante espaço...

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Jeff entra em meu quarto alguns minutos depois e me encontra encolhida em um canto, ainda chorando. Ele senta ao meu lado e passa a mão em meus cabelos.

— O que houve Jess?

— Eu vi ele...

— E..

— E ele estava se agarando com aquela vadia da Mackenzie!

— Mas, fofa, você sabia que eles estão juntos... E ele já ficou com outras antes.

— Tá, mas ele nunca ficou se esfregando com outra garota na minha frente. Parecia que iam se engolir.

— Vem cá linda. — ele me puxou mais para perto e me abraçou. — Vai ficar tudo bem. Você supera...