Living
37 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
A decoração era singela e harmoniosa. Havia um tapete vermelho que se estendia até o altar, várias fileiras de cadeiras de metal branca haviam sido colocadas de ambos os lados do tapete. Um arco de lírios brancos envolvia a cena principal: Lorena com um vestido longo e branco, adornado com pérolas tinha seu olhar encantado sobre Nathan, o qual trajava um terno cinza escuro e gravata, com a calça social combinando. Eles pareciam apaixonados, como sempre se mostraram e eu assistia a tudo feliz por meu amigo ter encontrado a felicidade de alguma forma. Um sim foi ouvido e eles se beijaram selando a união.
Uma mão apertou a minha e virei-me para olhar Elliot, sentado ao meu lado na primeira fileira, lindo em seu blazer escuro sobre a camisa social branca. Sorri em resposta para mostrar-lhe que estava tudo bem.
A verdade era que Elliot ainda era meio inseguro quando o assunto era Nathan, ele achava que eu estava chateada com o casamento. De alguma forma, nesses dois anos de namoro, eu não conseguira convencê-lo de que havia superado meu sentimento por Nathan e estava completamente apaixonada por ele.
Os noivos foram aplaudidos e caminharam pelo tapete vermelho em direção ao salão onde aconteceria a festa. Todos os convidados os seguiram, mas eu permaneci sentada e Elliot, mesmo confuso, fez o mesmo.
Quando não havia mais ninguém no jardim onde ocorrera a cerimônia, eu me virei para Elliot.
— Algum problema? – ele perguntou, os olhos verdes fitando-me atentamente.
— Nenhum. Pelo menos não comigo. – esclareci. – Já você parece ter um problema. – falei.
Ele revirou os olhos e sorriu.
— Você não perde nada, não é? – era claramente uma pergunta retórica. Ele suspirou e voltou a ficar sério. – Eu só estava imaginando se você não estaria de certa forma chateada com o casamento. Se, por acaso, você ainda sente alguma coisa por ele.
Eu ri. Ri de verdade, gargalhando alto, com vontade, enquanto ele me encarava com o cenho franzido.
— Qual é a graça?
— Você. – expliquei.
— Por quê?
— Elliot, fazem dois anos que assumimos um compromisso um com o outro. Pensei que estivesse claro que eu não amo Nathan dessa forma, não mais. Por que eu amo você.
Ele nada disse por alguns segundos, apenas manteve olhar no meu.
— Não que eu duvide do que sente por mim, é que... Entende que por alguns momentos passa pela minha cabeça que você ainda o ama, mesmo contra a minha vontade. – ele soltou minha mão e a passou pelos cabelos.
— E eu ainda o amo, Elliot. – seus olhos arregalaram-se e notei sua respiração mais rápida. – Mas como um irmão. Como o amigo que ele sempre foi. Completamente diferente da forma que eu amo você. – expliquei. – Há tempos eu superei sentimento que nutri por ele desde a minha adolescência e aprendi a amá-lo da forma certa. E você me ajudou com isso.
Ele mordeu o lábio inferior e sorriu.
— Tudo bem. Me desculpe. – pediu.
— Não precisa se desculpar. Confesso que já senti ciúmes de você algumas vezes também. – admiti.
— O quê? – seus olhos estavam brilhando, agora. – Isso é sério ou só está dizendo para eu me sentir melhor?
— Eu nunca digo nada para ninguém se sentir melhor, só falo a verdade. – lembrei-lhe.
— Certo, mas quando? Não me lembro de ter reparado em nada assim antes.
— É que eu disfarço bem. – pus-me de pé, para irmos até a festa.
— Prometo que vou ficar mais atento a partir de agora. – comentou, levantando-se também e pegando minha mão.
Mal havíamos entrado no salão e Lorena e Nathan vieram nos cumprimentar.
— Vocês estão aí! – exclamou ela. – Pensamos que tivessem desistido de participar da festa.
— Não mesmo. – falei, abraçando-a e repetindo o gesto com Nathan logo após. – Está tudo lindo. – completei, fazendo ambos sorrirem.
— Nathan acompanhou tudo de perto, até me ajudou a escolher a decoração. – contou Lorena, fazendo Nate revirar os olhos.
— Isso é verídico? – brinquei. – Quem diria, Nathan Walker escolhendo a decoração do casamento. – Todos rimos.
— E quem diria, Sarah Bennet andando de mãos dadas com um cara. – revidou. – Não pensei que fosse viver para ver isso.
Fingi-me ofendida.
— Pensou que eu seria a tia solteirona dos seus filhos? – indaguei, arqueando as sobrancelhas.
— Não. Eu só nunca pensei que você pudesse ser... romântica.
Elliot riu.
— Ah, ela não pode. – falou ele. E eu dei um tapa em seu braço, fazendo todos rirem ainda mais. – Só em ocasiões especiais. – completou.
Após mais algumas piadas, eles nos deixaram à sós e caminhamos até a mesa em que Josh, Taylor e Kath conversavam animadamente. Senti-me melancólica, tinha que admitir. Havia tantas lembranças nos rostos daquelas pessoas, antigos companheiros de batalhas que tive vontade de chorar. Tio Jerry, Kiara e tantos outros se foram para que pudéssemos estar aqui agora. E então meus olhos se desviaram para o centro do salão, onde Nate e Lorena dançavam a famosa primeira valsa; o sorriso sincero nos lábios de ambos me deu esperanças. Nada estava acabado. Após tudo, nós aprendemos a viver a vida mais intensamente. Aprendemos a não desperdiçar nenhum segundo, pois não sabíamos quando tudo viria a desmoronar.
Diante disso, espantei todos os pensamentos dolorosos e concentrei-me em aproveitar o momento também. Por ora, cercada pelas pessoas que eu amava, eu sentia que nada poderia dar errado.
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