Living
25 Bônus 5
Notas iniciais
Bônus 5
Elliot
Um amálgama de raiva e desespero me dominava fazendo adrenalina pura correr por minhas veias. Eu ainda custava a acreditar no que havia ocorrido à pouco, custava a aceitar. Sarah havia nos prendido aqui dentro do porão e correra de encontro ao ataque. Passei as mãos nos cabelos tentando canalizar o excesso de preocupação. Aquela garota me deixaria louco! Suspirei. A culpa é completamente sua, Elliot! Quem mandou deixar-se apaixonar por uma garota tão letal e autossuficiente como Sarah Bennet?
– Da próxima vez, vou escolher uma mulher mais maleável. – murmurei e Ian, o garoto que eu havia visto chorando sobre o corpo da garota ruiva morta, me olhou com curiosidade. – Desculpe-me. – falei voltando a olhar para a porta, esperando o momento em que Sarah iria passar por ela; se é que conseguiria sair viva dessa. Estremeci. Bom, se ela saísse viva, eu mesmo daria um jeito de mata-la, só por me deixar nessa aflição.
– Você está bem...? – perguntou cautelosamente o garoto. Ele devia pensar que eu era louco.
– Acho que não. – suspirei mais uma vez. – Quando chegamos ao ponto de falar sozinho, é sinal de que estamos em uma situação crítica.
– Estou vendo. – apesar da situação, Ian riu.
– Sarah ainda vai me matar, escreve o que estou dizendo.
– Mas por que ela o quer proteger. Não deveria ser ao contrário? – ele me lançou um olhar indagador, com uma das sobrancelhas loiras arqueadas.
– Tecnicamente sim. Mas Sarah não é nada tradicional. – respondi. Não queria explicar-lhe todos os motivos reais. Não queria contar-lhe que eu não possuía mais meus poderes... será que ele acreditaria se eu contasse?
– Percebi. – ele riu. – Mas temos que admitir que ela é uma mulher e tanto...
– Ei! – repreendi-o. – Mais respeito, por favor. Ela já tem dono.
– Estão juntos? – perguntou, rindo da minha reação. Sorri. Era bom vê-lo rir, era um contraste e tanto com a dor que ele demonstrara ao ver o corpo inerte de Kiara.
– Não tecnicamente. – admiti. — Mas vou dar um jeito nisso logo. – garanti à ele.
– Certo. – ele concordou e suspirou, seu sorriso sumindo novamente.
– Dói, não é? – perguntei sem pensar.
Ian mordeu o lábio inferior e assentiu. Notei algumas lagrimas em seus olhos, as quais ele limpou disfarçadamente.
– Mas sabe qual é a pior parte? – ele perguntou e eu neguei com um gesto, incentivando-o a continuar. – A pior parte é que ela morreu por minha culpa. Ela queria me tirar da mira da primeira bomba. Eu deveria estar morto agora. – ele engoliu em seco. – Aquela garota... Aquela ruiva baixinha ... era como uma irmã caçula para mim. Eu amava aquela garota! Era a única pessoa que eu amava verdadeiramente aqui.
– Eu sei, é difícil. Não posso dizer que conheço o sentimento, mas sei que é difícil. – eu coloque a mão em seu ombro para confortá-lo. – Não sei quanto tempo vou ficar por aqui, ou se algum de nós vai sobreviver à isso, — eu ri. – mas saiba que pode contar comigo. Eu simpatizei contigo garoto. – ele sorriu minimamente e revirou os olhos castanhos.
– Obrigada.
Voltamos a ficar em silêncio, mas nada ficou silencioso na verdade. O porão estava um caos: pessoas gritavam, choravam, lamentavam e olhavam para porta, preocupados tal como Jerry e eu.
Não sei quanto tempo se passou – uma hora, talvez? – mas ouvimos um baque, uma batida na porta do alçapão. Sarah. Meu coração pulou em expectativa. Ela voltara. Será que conseguira salvar os outros? Porém, ao invés de ouvirmos o som da porta sendo destrancadas, ouvimos outra batida. Ou havia alguém tentando invadir o porão ou Sarah havia perdido a chave; mas a segunda opção era muito pouco provável.
– Eles estão tentando entrar. – ouvi alguém dizer.
– Fiquem calmos. – Jerry falou mais alto que o burburinho de vozes. – Vamos permanecer juntos. – outra batida, desta vez mais forte. Eles estavam tentando arrobar, eu tinha certeza. – Bem, vou precisar de voluntários. De preferencia os membros mais antigos da Academia. Eles querem lutar e preciso que fiquem na linha frente.
– Eu vou. – escutei a voz de Katherine, a irmã de Kiara, se pronunciar ao meu lado. Ela se levantou, limpando as lágrimas dos olhos e foi até Jerry.
– Tem certeza Katherine? – perguntou o senhor grisalho.
– Não tenho nada a perder, Jerry . E é o mínimo que posso fazer.
Jerry a lançou um olhar condescendente à ela e se voltou para os outros novamente. Josh já estava de pé também e caminhava até ele e Katherine, para a qual ele lançou um sorriso cúmplice. Outras pessoas se levantaram: uma garota negra de cabelos negros e cacheados, um garoto alto e forte de cabelos escuros, uma garota incrivelmente branca com cabelos castanhos e olhos azuis, uma garota loira de aproximadamente quinze anos aparentemente indefesa.
– Tem certeza de que quer se arriscar Jess? – Jerry perguntou à ela, a qual assentiu e se posicionou ao lado de Josh. Após ela, mais dois garotos se levantaram: um era negro com os cabelos raspados e braços extremamente musculosos e o outro era mais baixo e mais esguio com a pele bronzeada e os olhos e cabelos negros. Ao todo, haviam oito pessoas na “linha de frente”.
– Ótimo. – falou Jerry com um olhar triste. – Agradeço o sacrifício que estão fazendo e quero que saibam...
Antes que ele pudesse concluir a frase, ouvimos um som que indicava que a fechadura havia sido quebrada. O silêncio reinou pelo próximo minuto e então, um pé apareceu na escada. Depois outro. Estes estavam cobertos por botas de caminhada marrons surradas. Os pés desceram o próximo degrau e outro par de pés surgiu no primeiro degrau, estes calçando sapatilhas cor de marfim. Pouco a pouco os invasores foram descendo as escadas, ambos armados. O primeiro intruso parou, deixando a garota passar na frente, antes que seu rosto fosse visível. Ela tinha longos cabelos louros da cor exata dos de Sarah, os quais estavam presos em uma trança que ia até sua cintura. Usava uma calça jeans suja na altura dos joelhos e uma blusa rosa florida e tinha feições impressionantemente angelicais. Pareceria um anjo, se não fosse pela longa arma negra a qual ela segurava na frente do corpo e o sorriso assassino que pendia nos lábios finos. Os componentes da linha de frente hesitaram. Ora, eles estavam com as mãos limpas e ela tinha uma arma. Uma bela arma, tinha de admitir – uma AR-15, talvez? Mas logo minha atenção foi desviada da arma da garota, pois o outro invasor mostrou o rosto. Ele também portava uma arma, tal como a da garota, mas não foi isso que me chamou a atenção. Eu o conhecia. Mas pelo jeito, não foi somente eu quem se surpreendeu com as feições familiares dele.
– Joshua? – a voz de Josh se propagou e então ouvi tiro.
Fale com o autor