Living

9 Bônus 1


Notas iniciais
Para me redimir pela demora do capítulo anterior e de outros também, arrumei um tempinho para escrever e estou postando esse bônus para vocês, espero que apreciem. Boa Leitura!

Bônus

Josh

– Fique tranquilo Jerry, vou cuidar bem do jatinho. — tranquilizei-o pela milésima vez. Eu obviamente já havia conversado com ele sobre usar o avião e, mesmo ele tendo concordado facilmente no início, agora parecia um pouco relutante, enquanto tirava a chave do bolso e me entregava.

– Sabe que se não soubesse pilotá-lo, jamais o entregaria a você, não sabe?

– Sei sim, e relaxa sei me cuidar... E sei cuidar dele também. — acrescentei, referindo-me ao jatinho militar.

Jerry sorriu um pouco e colocou uma mão em meu ombro.

– Eu sei, Josh. — ele suspirou e retirou a mão, dando-me um abraço rápido. — Se cuida. Sabe que é como um filho para mim.

– Sei, e fico feliz com isso. Mas você deve relaxar um pouco. Dorothea esta morta, ninguém vai ferir ninguém por enquanto.

– Espero que sim. — disse, embora mal acreditasse em suas próprias palavras. Ou talvez só estivesse pensando em Sarah, temendo por ela. E eu me senti um monstro por ocultar dele onde eu realmente iria.

– Bom, eu vou indo então. — declarei afim de sair dali o mais rápido possível, na esperança de que a culpa diminuísse. Jerry me lançou um sorriso de despedida antes que eu me virasse e saísse de sua casa, fechando a porta atrás de mim.

Mal havia decido o último degrau de entrada quando alguém veio em minha direção.

– Por que está mentindo para o Jerry? — perguntou Taylor, quando estava próxima o suficiente para que ninguém nos ouvisse, pois havia um grupo de adolescentes saindo da biblioteca e passando próximo a onde estávamos. — Aliás, — acrescentou. — por que está mentindo para tudo o mundo?

Taylor estava aparentemente irritada. Os olhos esverdeados semicerrados sob as sobrancelhas ruivas. Seus cabelos hoje estavam soltos, o que, embora eu tenha gostado, estranhei, uma vez que ela vivia com eles presos. Trajava roupas comuns — jeans, uma blusa preta regata e tênis.

– Você fica linda com os cabelos soltos. — soltei sem pensa, distraído enquanto estendia a mão e acariciava suas madeixas avermelhadas que mais pareciam seda sob meus dedos. Taylor se mostrou entorpecida por alguns segundos, porém, logo pareceu voltar a si e se afastar.

– Pare, Josh. — ela respirou fundo. — Para onde está indo?

– Eu já disse, eu...

– Não venha mentir para mim. — interrompeu-me.

Eu repirei fundo e a puxei pela mão até um canto mais afastado, atrás da biblioteca, onde não havia ninguém.

– Está dificultando as coisas, Taylor.

– Estou? — perguntou, irônica. — Acho que a verdade é o mínimo que eu mereço...

– Para onde acha que eu vou? — a interrompi-a, franzindo o cenho.

– Não sei. Diga você. — rebateu.

Notei que ela ficava ainda mais atraente irritada assim, e senti uma vontade louca de beijá-la. Taylor e eu não estávamos exatamente juntos, nós éramos amigos. Mas amigos que podiam se beijar quando tivessem vontade. E, como no momento era o que eu tinha vontade de fazer, dei um passo em sua direção e toquei seus lábio com os meus. Ela resistiu no início, ficando tensa imediatamente sem corresponder-me. Porem, quando minhas mãos foram para a sua cintura e eu a puxei para mim, chocando seu corpo contra o meu; seu autocontrole pareceu esvair-se e senti seus braços em torno do meu pescoço. Então, apesar das circunstâncias, nos entregamos ao beijo, nossas bocas se movendo em sincronia; eu a sentia suspirar entre um roçar de lábios e outro, e seus dedos enroscaram em meus cabelos e ficamos assim por um longo momento.

– Eu vou com você. – disse Taylor assim que a deixei respirar.

Não respondi. Não disse nada, apenas voltei a beijá-la, abrindo seus lábios com os meus, aprofundando nosso beijo.

– Você nem ao menos sabe para onde vou. – sussurrei de volta.

– Não importa. – disse por sua vez, abaixando olhar e corando.

Eu sorri. Taylor era tão adorável, que as vezes me pegava pensando como seria se realmente estivéssemos juntos. Namorando ou algo do tipo. Mas eu tinha medo de me apaixonar novamente. Eu me apaixonara uma vez, por Chloe, e sofrera miseravelmente com isso. Não queria que acontecesse de novo.

– Taylor...

– Não importa. – repetiu, agora com mais convicção. – Eu vou. Só facilitaria se me disse onde vamos.

Eu suspirei. Não teria como impedi-la. E para ser sincero, eu não queria impedi-la; eu queria sua companhia.

– Vem cá. – chamei e ela se aproximou um pouco,o suficiente para que pudesse falar em seu ouvido. – Chicago. – senti-a estremecer um pouco. – É para lá que vamos.

– E posso saber... – sua voz falhou. – o que vamos fazer lá?

– Ver Sarah.

Taylor se afastou de mim e arregalou os olhos.

– Você a encontrou? Como? – perguntou parecendo extremamente curiosa.

– Encontrou quem? – perguntou uma voz ao longe.

Rapidamente, separei-me de Taylor e me virei para olhar quem era. Nate estava parado no canto oposto ao nosso, a expressão curiosa e desconfiada.

–Nada, Nathan. – respondi rapidamente. A última pessoa que poderia saber para onde eu iria era Nathan. Porém ele não pareceu se convencer, lançando-me um olhar desconfiado. Eu dei de ombros.

Seus olhos semicerraram e notei que eles ficavam mais escuros, algo sutil, porém significativo.

– Está usando seu dom comigo? – perguntei ofendido. Ele quase nunca o fazia, só em casos extremos. O que significava que ele achava que eu estava fazendo algo que não devia.

– E ela está me bloqueando. – ele apontou o queixo na direção da Taylor. – O que estão me escondendo?

– Acho que tem certas coisas que você não deve saber Nathan. – disse Taylor baixinho, parecendo envergonhada – Coisas íntimas... não devem ser ditas assim... e você não pode invadir a mente das pessoas e obrigá-las a falar. — e então percebi o que ela estava fazendo. Ela estava atuando. Fingindo que falávamos sobre algo tão íntimo que não lhe dizia respeito.

Ele franziu o cenho por um segundo.

– Perdoe-me, Taylor. – ele cerrou a mandíbula. – Não queria invadir sua... privacidade dessa forma.

– Tudo bem. – ele deu-lhe um sorriso doce e ele se virou e saiu sem dizer nada.

Taylor e eu nos encaramos por um breve segundo e então soltamos a respiração, aliviados. Ele claramente não havia acreditado, porém isso nos daria um tempo; tempo suficiente para seguirmos viagem.

Notas finais
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