Livin' On A Prayer
13 Save me
Notas iniciais
09/08/2012
— Estou perdido. Bem, acho que você mais do que ninguém sabe disso, não é mesmo? — Sasuke suspirou enquanto encarava uma lápide. — Quando foi que minha vida ficou tão fodida assim? Desculpa; palavra inapropriada. — Ele então suspirou e pousou suas mãos em seu rosto. — Mas não há outra forma de resumir minha atual situação em uma palavra sem ser essa. — O Uchiha retirou as mãos de sua face após secar algumas lágrimas e então sentou-se no gramado. — Um longo abraço seu viria a calhar neste momento, mas como você já não está mais aqui. — Ele murmurou enquanto abraçava os próprios joelhos. — Então, por onde eu começo? Algum tempo atrás eu tive a brilhante ideia de começar uma banda com o Naruto. Eu sei, que ideia estúpida! Mas sei lá, algumas coisas estranhas aconteceram e você sabe como eu sempre fui meio supersticioso, então eu dei o braço a torcer e decidi tentar. Ok, eu sei que você já está a par disso, mas eu preciso recapitular para que você entenda o que aconteceu, porque eu tenho quase certeza de que eu nunca te contei o restante. — Sasuke parou momentaneamente para olhar a seu redor e garantir que não havia mais ninguém por ali antes de continuar a falar sozinho. — A gente acabou encontrando uns caras para tocar com a nossa banda. Eles são até suportáveis e sabem o que estão fazendo, mas... Deus do Céu, como eu queria que nós nunca tivéssemos nos conhecido! Acho que pelo menos assim eu não teria que me arrastar para trabalhar mesmo me sentido morto por dentro. Por que eu tenho que trabalhar tanto assim? É porque nosso primeiro show como banda foi uma catástrofe; bêbados mais violência mais depredação igual a dívidas. — Ele então se aquietou por um momento e olhou para os céus negros começando a despejar sobre si uma chuva fina. — Ótimo, era tudo o que eu precisava neste momento. Acho que é impossível eu ficar mais miserável do que agora. — Sasuke respirou fundo meio frustrado antes de sibilar. — Eu ainda não aprendi, não é? Se a vida me ensinou alguma coisa é que sempre é possível piorar. Sempre! Dia após dia eu acho que perderei todos com que me importo prematuramente. Droga! — O Uchiha esbravejou ao esmurrar a grama molhada. — Calma? Como você pode me pedir calma neste momento? Eu estou despedaçado. Cada dia é um martírio para mim. Sabe o quão difícil está sendo sair da cama ultimamente? Pior, sabe o quão angustiante é subir todas as semanas no palco e fingir que estou feliz? Fingir que eu sou um jovem normal a procura de um amor não correspondido, quando na verdade eu o tive, não o valorizei e agora nunca mais poderei vivê-lo... —Ele se emudeceu após perceber que estava se exaltando. — Patético. —Ele se censurou ao lembrar de que estava só naquele cemitério deserto. Por causa disso, Sasuke calou-se durante um bom tempo enquanto sentia as gotículas de água atingirem sua fronte. — Enfim, depois do primeiro show nós contraímos uma dívida monumental, porque de certa forma incitamos a cambada de bêbados ali presentes a destruírem o bar. Depois disso que começou a rotina de trabalho intenso. Noites afim servindo pessoas frescas em eventos fúteis e horas intermináveis de ensaios. Nunca pensei que eu ficaria estressado por causa da música, quero dizer, desde pequeno ela foi meu porto-seguro; aquele hobby que me fazia espairecer quando a pressão sobre meus ombros aumentava. Mas a Vida... Oh Vida. Me mostrou mais uma vez de que nada que eu tenho como certo pode ser mantido. — O jovem mais uma vez arfou com vigor tentando se acalmar. Em seguida tentou da melhor maneira possível ajeitar seus cabelos rebeldes desgrenhados pela chuva e o vento. — Deus, se você realmente existir me mande um sinal de que as coisas vão melhorar. Uma mensagem, alguém, um mínimo indicativo. Sei lá, pode ser qualquer coisa. — Sasuke suplicava enquanto seus olhos vermelhos se defrontavam com as nuvens. — Ótimo. Obrigado, seu sádico filho da puta! — O Uchiha blasfemou ao perceber que depois de sua prece a chuva se intensificou e o silêncio da paisagem fúnebre fora contado por trovões que antes não se faziam presentes. — Além de meus pais, a Karin e de certa forma o Itachi também, você vem agora caçoar de mim? Por quê? Se não for ajudar, por favor, não atrapalhe. Ou melhor, volte a não existir! — Ele bradou com todo ar em seus pulmões, porém de nada adiantou, pois os estrondos das luzes que dilaceravam o horizonte o suprimiam. Aflito, o Uchiha simplesmente começou a gargalhar enquanto suas lágrimas eram carregadas pela chuva. Sua sanidade parecia o ter abandonado naquele momento de ruína. — Puta que pariu! Não consigo mais. Desisto. Já não tenho forças mais para nada. Um raio bem que poderia me atingir agora, assim, ao menos eu iria estar ao lado de vocês mais uma vez. Eu juro que ou eu mato alguém ou eu me mato se tiver que me vestir que nem um palhaço mais uma vez para entreter aquela plateia de idiotas. Acho que é por isso que eu passei a odiar a música. Metade das férias já se passaram e eu já fui Cry-Baby, John Bender, James Bond, Indiana Jones, Neo e o Joker. Mas a única pessoa que eu não consegui ser foi... — Sasuke foi interrompido pelo toque de seu celular. Ao fitar o visor, ele pode ver o nome de Naruto piscando. Contudo ele ignorou o aparelho e em seguida o colocou de volta no bolso. — Já que Deus não quer me ajudar, por favor, mãe, pai me mandem algo. Eu sempre contei com vocês mesmo depois que vocês se foram e eu nunca fui decepcionado. Por favor. — As lamúrias do Uchiha foram novamente interrompidas pelo toque de seu celular e novamente o nome de seu amigo o chamava através daquela tela. — Eu sei! O ensaio. Já vou. Já vou! — Ele resmungou recusando a ligação mais uma vez, porém antes de guardar seu celular, o jovem observou que já era a décima sétima ligação perdida que recebera do Uzumaki. — Porra, me deixa em paz por um segundo. Tudo que eu não preciso agora é escutar suas bobagens. — Ele então se levantou e em seguida esfregou com aspereza sua mão sobre seu nariz limpando a coriza. Seus olhos se fecharam e tanto sua respiração quanto aspiração tornaram-se mais profundas buscando paz. Todavia, ao tentar se concentrar, mais uma vez seu foco fora roubado pelo vibrar em seu bolso. Ele ficou relutante em pegar o aparelho, porém o toque era persistente. Por isso, ainda contra sua vontade Sasuke segurou o telefone em suas mãos mais uma vez. Porém para sua surpresa, o nome que aparecia no visor desta vez era o de Jiraya. — Alô, está tudo bem, Jiraya? — O Uchiha perguntou ainda surpreso com a ligação. Ele já esperava por mais uma tragédia; por um breve momento, pensara que Itachi poderia ter se acidentado. — É só você Naruto. — Ele respondeu com um misto de alívio e frustração. — Não brinca comigo. É sério? — Ele perguntou com a voz incrédula, porém com a seriedade de um velho que já passara por muitas batalhas. Um milésimo de segundo se passou depois que ele perguntara e apenas isso, e Sasuke já desligara seu celular. Seus olhos não estavam apenas marejados, eles transbordavam mais do que a tempestade que o castigava. Novamente ele começara a rir, porém era o renascimento da esperança e não mais o auge do desespero. — Obrigado. Mãe, muito obrigado. A senhora e o pai são definitivamente meus anjos da guarda. — Ele agradeceu repousando a mão no jazigo de seus pais. — Obrigado por me escutar mais uma vez.
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