Live While We are Young
4 O visitante
Notas iniciais
‘’Oi, é Harry. Como você tá ? Fiquei preocupado’’
Meu coração bateu mais forte de alegria e de certa forma desapontado. Eu ainda tinha esperanças de que toda aquela notícia sobre meu irmão fosse apenas um terrível pesadelo, mas pelo visto tudo tinha sido muito real, o que me fez sentir impotente só pelo fato de não poder fazer nada para ajuda-lo. Sentei-me na cama para responder a mensagem e ainda meio sonolenta escrevi:
‘’Ei, estou bem dentro do possível, obrigada pela preocupação”
“Queria dar uma volta hoje. Ta livre?”
Pensei bem antes de responder o sms, eu não sabia se devia sair com ele. Deixei minha fã bem trancada dentro de mim, porque nesse momento eu precisava de muito autocontrole e com ela a solta com certeza não iria ter. Eu estava muito abalada com tudo que estava acontecendo e estava destruída por dentro, com certeza não ia ser uma boa companhia pra ninguém, nem pra mim mesma. Então respondi:
“To sim, mas to no clima pra sair :\\” Lógico que eu sabia que ele ia me convidar pra sair com ele, na verdade já tinha convidado quando perguntou se eu estava livre, mas não estava pronta pra isso agora. Mais especificamente: Hoje.
“Pensei que você pudesse vir comigo, passo pra te buscar daqui a 40 minutos ok?”
Se esse convite acontecesse há dois dias eu estaria dando pulos de alegria, mas tudo havia mudado. Não vou negar que o convite mexeu comigo, mas eu realmente não queria sair, pra mim, não existia nada mais valioso que minha família, e não era justo meu irmão estar sofrendo no Brasil enquanto eu me divertia aqui com Harry.
“Eu realmente gostaria de sair com você, mas não posso. Meu humor não esta dos melhores, e não to com cabeça pra me divertir, ainda estou muito preocupada com meu irmão. Sinto muito.” – escrevi.
“Entendo, mas você não acha que te faria bem espairecer um pouco? Prometo melhorar o seu humor” Respondeu ele de certa forma insistindo. Mas sair hoje com certeza não estava nos meus planos. Eu ia apenas ficar em casa, assistir algum filme e descansar. Por um segundo pensei em convida-lo para me acompanhar, mas essa ideia sumiu da minha cabeça no momento seguinte.
“Harry, muito obrigada, de coração, mas realmente ainda não estou pronta pra sair. Vou ficar em casa mesmo e assisti algum filme por aqui”.
“Tudo bem então, se você prefere assim... mas caso precise de um ‘amigo’, você tem meu numero. É só ligar.” Eu de certa forma não entendi as aspas na palavra amigo, mas ignorei e agradeci.
Levantei da cama indo para o chuveiro, tomei um banho bastante demorado, e me vesti da maneira mais confortável possível. Uma calça de moletom, e uma blusinha baby look que eu tinha comprado em NY que tinha escrito: Love 1D.Meu cabelo estava preso como um rabo de cavalo, e meu olhar um pouco abatido transmitia a tristeza que eu sentia em meu olhos. Fui em direção à cozinha pra preparar algo pra comer, eu estava super faminta mas acabei almoçando um frango com arroz e salada que estava na geladeira. Não foi a melhor das refeições, mas enganou meu estomago por algum tempo. Sentei no sofá cama que tinha na minha sala e peguei meu celular pra ligar para minha mãe, perguntei como andavam as coisas, falei com Tavinho e assim que desliguei a ligação de minha mãe, liguei pra Sam pra explicar o
motivo pelo qual eu havia sumido ontem.
“Sam?” – eu disse assim que ela atendeu.
“Nossa, você ta viva? Posso saber o que aconteceu ontem à noite?” – Perguntou ela extremamente brava.
“Po, amiga, nem te conto. To destruída aqui...” – E então comecei a contar a ela tudo o que havia ocorrido, desde meu encontro casual com Harry, até a noticia sobre meu irmão. Sobre o “encontro” ela até debochou de mim, não acreditou, mas a respeito da parte ruim da história, ela pareceu se importar bastante, e se ofereceu pra passar a tarde comigo, mas mais uma vez eu recusei, queria ficar sozinha. Ficamos conversando por alguns minutos, e assim que desliguei, não demorou muito para que eu caísse no sono. E como não temos noção de tempo quando dormimos, na hora que despertei eram 5 p.m., e foi com o barulho do interfone que acordei. Quando atendi o porteiro, Mr Phill, disse que Harry estava na portaria querendo subir. Mas como assim? O que ele estaria fazendo aqui? Eu não poderia dizer que ele não ia subir, seria uma falta de educação enorme. Então falei pra deixa-lo entrar.
Corri para o espelho grande do meu quarto para olhar meu estado, que não era um dos melhores, soltei os cabelos, e quando fui trocar de camisa, ele bateu na porta. Coloquei um casaquinho por cima fechando o zíper da frente enquanto corria para atendê-lo.
- Oi, o que você ta fazendo aqui? –
Perguntei surpresa, enquanto olhava pra ele, acho que estava tão evidente que eu não esperava por aquela visita que ele deu uma leve gargalhada.
- Eu vim ver você, já que recusou meu convite de dar uma volta. – Disse ele após me dar um beijo no rosto.
Não pude esconder a alegria de ver Harry Styles na minha casa, mas de qualquer forma aquele não era um dia muito apropriado. Dei espaço na porta para que ele pudesse entrar, e assim ele fez.
- Não repare nas minhas roupas, não esperava receber visitas. – comentei olhando pra mim mesma.
Harry riu, e caminhou até minha sala, pegando alguns dvds que estavam na mesinha de centro, enquanto falava:
- Que isso, você ta linda. Mas e seu irmão, tem noticias dele?
O sorrisinho sem graça que estava no meu rosto por ele dizer que eu era linda logo sumiu, e então sentei no sofá
cama de cabeça baixa.
- Bem... Ele está no hospital. Vai começar a quimioterapia semana que vem.
Deixei uma lágrima escorrer pelos meus olhos, e senti Harry sentando ao meu lado, levantando meu queixo e enxugando a lágrima que tinha caído.
- Não se preocupe, vai dar tudo certo. Você não pode se trancar em casa e simplesmente esquecer-se do mundo. Você precisa ficar bem, seu irmão conta com você. Se abater agora não vai adiantar nada, sei que está preocupada e é normal, estranho seria se você não tivesse, mas não pode se afundar numa depressão. A gente se conhece a pouco tempo, há menos de 24 horas pra falar a verdade – ele riu e continuou – mas isso não significa que eu não me importe com você. Não sei explicar, mas criei uma
ligação muito forte contigo.
As palavras dele me confortaram e agradeci aquilo tudo com um abraço bem apertado, deixando cair mais duas lágrimas pela minha face, dessa vez de felicidade, por ter alguém tão especial me apoiando. Afastei-me dele e tomei os dvds das suas mãos tentando escolher algum.
- Bom, já que você veio ate aqui, é justo que façamos algo legal. – disse
- É sim, eu mereço uma recompensa por ter levado um fora hoje mais cedo – comentou ele rindo pra mim, e separando dois dvds.
- Não foi um fora, foi apenas uma indisposição da minha parte – falei erguendo as sobrancelhas. Ele riu.
- Aqui, vamos assistir essa comédia. – afirmou, já se levantando e indo em direção à tv e ao aparelho de dvd. – você já assistiu esse? Espero que não.
- Não, não. Uma amiga minha que me emprestou mais nunca tive tempo de assistir. Vou fazer uma pipoca enquanto você coloca ai.
Caminhei ate a cozinha pegando a panela e os ingredientes pra preparar a pipoca. Harry já havia colocado o filme e ela ainda não estava pronta.
- Esperai, dá pause. Eu ainda não terminei aqui.
Ele levantou do sofá e veio na minha direção perguntando se eu precisava de ajuda.
- Pega algumas bebidas ai na geladeira, que vou colocar isso aqui em uma tigela.
Ele assentiu abrindo a geladeira e pegando duas garrafinhas de refrigerante, o que eu estranhei, já que lá dentro também haviam algumas bebidas alcoólicas. Mas ele estava certo, não era uma ocasião pra ficar bêbado. Peguei a tigela cheia de pipoca e o segui em direção a sala. Nos sentamos no sofá e começamos a assistir o filme.
Como o sofá cama estava aberto, nós estávamos sentados com as penas esticadas e não demorou muito para eu sentir Harry encostando seus cachinhos no meu ombro. Tentei disfarçar o sorriso, mas acho que ele percebeu, o que o fez aproximar seu corpo ainda mais do meu.
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