Little Wonder
1 Prologo - Pequena Maravilha
"Little Wonder"
Em Wonder City, a esperança é rara. A Cidade Maravilha já não está em seu auge há muito tempo.
O ar, fétido e tóxico, é sufocado pela poluição. Como se mãos gordas trêmulas apertassem sua garganta.
Pela manhã, os Cidadãos se dopam com pílulas para dor e mal humor, os não-cidadãos com a esperança de um dia melhor.
O brilho dos neons e dos hologramas de bonecas, ocultam a decadência de uma Terra moribunda, devastada pelas mudanças climáticas e controlada por megacorporações implacáveis.
Em Wonder City o céu é constantemente coberto por micro partículas de areia do deserto serrano, fuligem e produtos químicos.
E o chão, coberto de carne humana, viva ou morta… Não-cidadãos em busca de um respiro, em busca de um esquema bom.
Mas a vida, mesmo em Wonder City, é notável também pelos milagres, pelos momentos inesperados, pelas descobertas de pequenas maravilhas.
E pelos sacrifícios…
Nesse cenário sombrio, Agnes e Kael, realizarão um último trabalho no WC do Hemisfério sul
A missão parecia simples, embora perigosa: explodir um prédio pertencente a uma megacorporação que escondia segredos valiosos.
O contrato veio de um espião Marxiano, um homem que oferecia uma fortuna em troca de silêncio e eficiência. Para Agnes e Kael, isso seria o suficiente para garantir uma vida tranquila fora da Terra.
Para eles, e “L.W.”… Uma pequena maravilha que surgiriu em suas vidas, uma maravilha que é tratada como um profundo segredo. Pois os recrutadores de cidadãos estão à espreita.
A esta nova missão de vida, Agnes e Karl se referem apenas como L.W. pelo menos até conseguirem escapar das entranhas da cidade abandonada pelo Cristo.
O plano é juntar dinheiro suficiente para escapar de Wonder City e dar à criança um futuro em uma colônia espacial, onde o ar é filtrado e o espaço seria maior que o apartamento de 2m por 2m em uma wonder city Ultra populosa..
Talvez, conseguissem comprar pra LW até uma cidadania.
Eles sabiam que estavam esperando um filho, uma pequena maravilha que chamavam carinhosamente de "Little Wonder" (L.W.). Esse bebê significava tudo para eles – uma chance de começar de novo, longe do caos urbano.
A ideia de criar Little Wonder em um lugar livre das lutas diárias e da violência era a única coisa que importava agora.
Na noite da missão, a cidade parecia mais hostil do que o habitual. O ar estava pesado, o clima instável, e as ruas vazias de vida, exceto pelas sombras dos drones e sentinelas mecânicas. "Clima desagradável..", Kael comentou, tentando disfarçar sua ansiedade com humor, enquanto ajustava os dispositivos detonadores sob a supervisão atenta de Agnes, a especialista.
Enquanto o tempo corria, algo parecia errado. Os sistemas de segurança do prédio ativaram-se antes da hora, e a dupla percebeu que haviam sido traídos. O espião marciano não queria apenas destruir o edifício – ele armou uma armadilha, querendo eliminar testemunhas. Agora, Agnes e Kael estavam encurralados.
"Marte, nação feliz, sente-se no meu karma", Kael murmurou com um sorriso amargo, ao perceber que essa seria sua última missão.
Quando os inimigos invadiram o prédio, a situação se tornou desesperadora. Agnes lutava para encontrar uma saída, mas não havia tempo. Os explosivos estavam armados, e eles estavam presos entre a morte certa e uma chance mínima de fuga. Foi então que Kael tomou sua decisão. "Tão longe, tão longe", ele disse, com os olhos fixos em Agnes, cheio de amor e resignação.
Kael empurrou Agnes do terraço, dentro da unica cápsula de fuga corporativa.
Ele sabia que, se alguém pudesse sobreviver e proteger sua "pequena maravilha", seria ela. Enquanto a cápsula acelerava para longe da zona de perigo, a explosão atrás deles iluminou o céu da cidade –
Agnes era uma especialista em explosivos e demolição, ela mesma posicionou cada uma das cargas, e sabia quê o prédio e seu amado, não existiam mais.
Agnes observou as cinzas vermelhas pairarem sobre Wonder City, enquanto as lágrimas rolavam por seu rosto.
Agnes, agora, estaria "tão longe" de tudo que conhecia. A vida de edgerunner, os perigos diários, e, mais doloroso que tudo, de Kael. Tudo o que restava era o amor por sua filha, sua pequena maravilha, e a promessa que ela havia feito a si mesma: construir uma vida melhor, em algum lugar seguro, longe da decadência e da violência.
Enquanto a espaçonave rumava para as estrelas, a cidade ficou para trás, e com ela, seu passado.
L.W. é seu futuro.
Fale com o autor