Minhas pernas estavam moles feito gelatinas, por isso tive que sustentar meu peso encostando-me em uma das paredes da sala, na qual a televisão estava apoiada. O olhar do lobisomem percorria cada detalhe da casa vazia, que apenas nós dois nos encontrávamos, em busca de palavras. Talvez ele estivesse planejando formas de me matar, ou então era paranoia minha, mas não haviam outros motivos para que Derek Hale viesse até a minha casa a essa hora da noite. Não sabia exatamente o que havia acontecido, mas se Lydia tivesse dito algo eu com certeza a mataria.

Senti meu celular vibrar no bolso e dei uma olhada para Derek antes de atender. Ele ainda mantinha o olhar na parede vazia. Levei o aparelho até a orelha já sabendo de quem se tratava.

Não fui eu— a voz disse do outro lado da linha – Eu juro que não fui eu.

Suspirei reprimindo um sorriso.

— Pode me dizer o que exatamente você não fez? – perguntei.

Derek está ai?— olhei para o homem a poucos passos de distancia, ele ouvia cada palavra dita na conversa, mas não importava o quão baixo falássemos, sua audição o privilegiaria.

— Sim.

Malia deixou escapar, mas ela nem fazia ideia de que...

— Eu preciso deligar – disse, antes que Lydia acabasse a frase com uma besteira.

Posso ir para a sua casa depois, se quiser— falou.

— Nos vemos amanhã, Lydia.

Ela suspirou contrariada.

— Tudo bem, então até amanhã.

Voltei a colocar o aparelho eletrônico no bolso da calça jeans encarando Derek novamente. Ele ainda permanecia no mesmo lugar e parecia prestes a dizer algo. Meu coração batia descompassadamente e sabia que ele estava ouvindo.

— Tem algo à me dizer? – perguntou, com sua voz grave.

Tremi piscando lentamente, não sabia como dizer a ele da minha descoberta, era muito mais fácil contar à outras pessoas do que a ele. Derek sentou no sofá escuro atrás de si, sabendo que teríamos uma longa conversa, mas eu não sabia por onde começar. Respirei fundo, tentando em vão controlar minha respiração e meus batimentos.

—Talvez – respondi em um sussurro.

Ele desviou o olhar de suas mãos unidas e encarou o meu rosto, fazendo-me estremecer.

— Allison, o que Malia disse... – ele não sabia como terminar a frase, eu também não saberia.

A porta se abriu em um rompante dando espaço ao meu pai entrando na sala de estar com uma cara nada boa, me assustei com o barulho, fazendo com que desencostasse da parede. O Argent mais velho largou duas sacolas em cima da mesa e veio ao meu encontro, certificando-se de que eu estava bem. Não importava quantas vezes dissesse que havia dormido com Derek porque queria, e que ele não era o único culpado por isso, jamais acreditariam.

— Acho que não deveria estar aqui – meu pai disse, ficando ao meu lado.

— Na verdade, acho que estou atrasado – Derek retrucou – Eu e Allison precisamos conversar.

— Não agora.

Toda aquela discussãozinha sem sentido deles estava deixando-me estressada. Era nítido que Derek e eu tínhamos que conversar, e estávamos mais que atrasados em relação a isso, mas também ele não tinha o direito de afrontar meu pai dessa maneira, não em sua própria casa. Bufei cruzando os braços e atraindo as atenções para mim.

— Pai, eu e ele precisamos conversar – falei, pausadamente.

Sem dizer mais nenhuma palavra ele subiu as escadas com uma cara não muito boa, lançando um ultimo olhar para Derek, que sorria com ironia. Odiava admitir, mas aquele era o meu sorriso favorito.

— Para com isso – avisei, apontando em sua direção. Ele levantou as mãos para o ar, em sinal de rendição. – O que você realmente quer saber?

— O que Malia disse é verdade? – perguntou – Allison, você está gravida?