Little Love
5 Dormindo no Ninho do Corvo
Notas iniciais
Já havia escurecido e os chapéus de palhas estavam reunidos na costumeira cozinha usada para as refeições e reuniões do bando, o único que não estava presente era Sanji; embora ele escutasse completamente tudo do consultório de Chopper que não era muito longe dali.
Após o médico ter acordado Brook, e ter constatado que Sanji havia somente sofrido uma pequena torção, e não uma lesão grave, havia recomendado para que o cozinheiro ficasse de repouso durante um dia inteiro, não que fosse necessário, mas Chopper preferiu fazer Sanji acreditar que era para evitar maiores complicações.
Nami então convocou todos na cozinha para dar o esperado sermão direcionado claramente para Zoro e Luffy, que segundo ela, foram os que estragaram o plano. O sermão é claro não atingiu seu objetivo, pois Zoro estava mais preocupado com a pessoa que estava a uma parede ao lado, e Luffy... Bom Luffy nem sequer notou que era direcionado para ele, estando mais interessado no cheiro que a comida de Robin fazia no aposento.
– Vamos então para o nosso maior problema! A Bonney. – Nami enfim concluiu, fazendo Zoro prestar atenção pela primeira vez na conversa, e fazendo com que Franky acordasse Usopp, que havia pegado no sono com todo o falatório de antes. – Rayleigh deu esse Eternal Pose para Franky, ele irá nos ajudar no nosso objetivo que é a Ilha Malpaga. Segundo Shakky...
Ao Nami citar aquele nome Brook teve reações múltiplas. Primeiro levantou-se rapidamente da cadeira que estava ficando petrificado em seguida. Depois um jato de sangue (?) saiu do buraco de suas narinas, e ele prontamente caiu para trás.
– BROOK! – Chopper gritou correndo até o esqueleto. – Um médico! Um médico! Ah... Eu sou médico.
– Estou SUPER curioso para saber o que aconteceu para ele ficar assim... – Franky disse malicioso piscando para Usopp, fazendo Robin tampar uma frigideira na parte de trás da cabeça de Franky por ela estar na área da cozinha.
Nami resolveu continuar para não prolongar mais aquilo.
– Levará três dias exatos parar chegarmos, e como a ilha é conhecida por suas festas típicas, provavelmente pegaremos uma quando desembarcarmos. – Concluiu olhando para os outros.
– FESTA? – Luffy exclamou olhando Nami, totalmente animado agora. – SUGOI! – Nami apontou pra Luffy.
– Exatamente como eu esperava, estou alertando vocês agora para não ter esse tipo de reação depois! – Nami continuou. – Agora eu pessoalmente vou me certificar que Luffy siga o plano!
O animo de Luffy foi embora tão rápido quanto veio, e ele fez um biquinho típico de tedio.
– E qual seria o plano? – Franky perguntou querendo acabar logo com aquilo. O calombo vermelho na sua cabeça causado por Robin agora latejava fortemente.
– Como estamos procurando a Jewelry teremos que participar da suposta “festa” que estiver acontecendo. – Luffy se animou de novo. – Porém, nós vamos estar disfarçados para não chamar muita atenção. Se correr boatos que nós fomos vistos lá, Bonney provavelmente irá dar no pé, e ai sim as chances de achá-la vão ser mínimas! Entendem a gravidade da situação?
– Então você basicamente quer que nós, após desembarquemos na cidade, nos juntemos com os cidadãos na festa, para procurarmos Bonney? – Usopp perguntou fazendo Nami concordar. – Uh... Esse com certeza é um plano fácil de executar. A não ser é claro, pelo fato de que Luffy chama mais atenção do que um okama com melancia na cabeça!
Nami infelizmente teve que concordar com Usopp, teria que pensar em algo realmente genial para fazer Luffy se comportar, ficando perto de si.
– O jantar está pronto! – Robin anunciou fazendo Luffy comemorar, e todos esquecerem o assunto de antes. Pelo menos há àquela hora.
Logo, todos estavam satisfeitos, a não ser, é claro, Luffy que sempre possuía um apetite insaciável. Franky então puxara Brook (que já havia sido reanimado por Chopper) para fora da cozinha, dizendo que eles teriam uma conversa de Homem para Homem, ou melhor, de Cyborg para Esqueleto.
Nami decidiu que iria tomar um banho quente para relaxar, pois havia sido um dia exaustivo. Enquanto Usopp puxava Luffy e Chopper para fora do navio alegando que iria contar todos os perigos que correu nesses dois anos que estiveram separados.
Zoro se levantou segurando seu prato, colocando-o na cozinha, e em seguida pegou outro, se servindo novamente. Robin observou tudo quieta. Era estranho mais até o silêncio da morena incomodava Zoro, ela parecia saber de tudo, sem ao menos perguntar, e conseguia dizer tudo, sem ao menos falar. Era assustador.
– O que foi? – Zoro perguntou seco, aquele olhar estava o tirando do sério.
– Deveria levar suco de laranja também. – Somente comentou com um sorrisinho, no qual Zoro fez careta, pegando o copo de suco em seguida. – Bom... Vou para o quarto. – Robin piscou para Zoro, e saiu ainda com o sorriso no rosto.
O espadachim colocou tudo que estava ali na bandeja, e estava indignado. Como ela sabia? Andou batendo os pés com força até a porta do consultório, e prontamente o abriu também com os pés, pelo fato de estar segurando a bandeja de comida.
Sanji, que até minutos antes, estava encarando o teto deitado na cama, deu um pulo de susto assim que viu o espadachim entrando no aposento.
– Trouxe seu jantar... – Zoro rapidamente mudou a expressão de rabugenta para sem graça, nunca imaginara fazer coisas daquele tipo, ainda mais para Sanji.
– Oh! Arigatou. – foi tudo que conseguiu dizer ao olhar Zoro se sentar na beirada da cama com a bandeja.
– De boa... – Zoro respondeu colocando a bandeja no colo de Sanji que se sentava apropriadamente para comer. – Como está seu pé?
– Não dói como antes, na verdade só senti na hora. – Sanji respondeu olhando o seu pé enfaixado. – Acho que Chopper está exagerando...
– Você não tem que achar nada! Chopper é médico, e quer seu melhor, então o obedeça! – Zoro respondeu o repreendendo. Sabia que Sanji também era teimoso, sair andando por ai com o pé machucado é uma coisa que ele faria também. Sanji decidiu não falar nada, iriam começar a discutir sem chegar a nenhum acordo. Começou a cutucar a comida com a colher sem muita fome aparente. – Tsc... – Zoro se inclinou mais para a cama, tirando a colher da mão de Sanji, e pegando também o seu prato. Encheu a colher de comida e olhou para o cozinheiro que estava sem entender nada – Vai abre a boca.
– O QUE? – Sanji exclamou arregalando os olhos. Zoro ia lhe dar comida na boca? Era aquilo mesmo que ele estava pensando? Impossível! O verdadeiro Zoro havia sido raptado por alienígenas, Sanji tinha certeza. – QUEM É VOCÊ, E O QUE VOCÊ FEZ COM O MARIMO?
Zoro corou, era mesmo idiotice tudo naquela cena, mas ele estava com vontade de fazer, e sempre fazia o que queria certo? Não tinha que dar explicações para aquilo.
– Apenas abra a sua maldita boca cook. – Disse entre dentes, antes de ver Sanji soltar uma risada fazendo-o ficar ainda mais rubro.
– Eu machuquei meu pé, mas minhas mãos ainda estão boas ma... – Assim que abriu a boca para falar “marimo”, Zoro enfiou a comida em sua boca. Sanji então percebeu que aquilo tudo estava sendo vergonhoso para Zoro, e ele já tinha ido longe demais.
Mastigou calmamente a comida enquanto o espadachim abaixava a cabeça e olhava para o prato, enchendo a colher mais uma vez.
Sanji estava fascinado, nunca havia recebido comida na boca, Zeff era sempre um cabeça dura, rígido demais para dar Sanji pequenos mimos como aquele. Estava achando aquilo muito fofo, o que era bem estranho. O cabeça de musgo não era tão animal como pensava.
Quando Zoro levantou a cabeça para levar a segunda colherada na boca de Sanji, o loirinho já estava com a boca aberta, dizendo o “AH” enquanto esperava a comida. Sanji parecia não querer esconder a felicidade de aquilo estar acontecendo, e isso de certa forma deixava Zoro feliz também, embora sentisse a vontade de pular no primeiro buraco que encontrasse.
Logo o prato estava vazio e o silêncio se fez presente, Zoro passou a recolher os utensílios para a bandeja de forma rápida, e já ia caminhar para a saída sem dizer uma palavra.
– Oe Zoro... Valeu mesmo. – Sanji disse antes do espadachim se retirar, e este virou, o encarando da porta.
– Boa noite Sanji. – respondeu antes de praticamente correr para a cozinha.
Aquilo era ridículo, Zoro havia enfrentado os mais terríveis piratas, havia desafiado o maior espadachim de todos, e ainda conseguira o treinamento do mesmo. Mas só de ver Sanji, já sentia uma vontade enorme de correr, o pânico tomava seu corpo e ele não sabia como reagir, ou sequer pensava direito, só fazia o que queria fazer, e ai em seguida vinha o constrangimento e a repreensão. Talvez seu corpo estivesse o alertando que ele estava se aproximando demais, e aquilo era perigoso. É era isso que estava acontecendo.
Subiu para o ninho do corvo com o intuito de treinar. Além de precisar acostumar com o peso de suas katanas, o treino iria ajudá-lo a se distrair para não pensar nas coisas estranhas que estavam acontecendo.
No consultório, Chopper e Luffy haviam acabado de deixar Sanji sozinho novamente para que o mesmo descansasse. Sanji virou-se se aconchegando e abriu os olhos encarando a parede, pensado em como havia sido o seu dia. Sorriu constatando que em todas as partes que mais gostou, Zoro estava presente. Fechou os olhos novamente mexendo constantemente na ponta do seu travesseiro.
Estava escuro e frio; abraçou o próprio corpo, enquanto forçava os olhos para enxergar alguém, gritou por ajuda, e percebeu que havia voltado a seu estado normal. Barulhos de passos começaram a se aproximar. Ficou com medo. Perguntou quem era, e o barulho parou. Nada... Ninguém... Começou então, a correr sem uma direção específica, e viu uma luz ao longe, mudou de direção para lá, e quando se aproximou notou uma figura conhecida sentada. Era Zoro, também na sua forma adulta, sorriu ao perceber que ambos haviam voltado ao normal, andou até o outro, chamando-o. E este apenas o olhou indiferente, aquilo o incomodou. Tentou puxar um assunto, e novamente Zoro não lhe dá atenção, e ainda o chamara de imbecil. O que estava acontecendo? O espadachim mesmo lhe respondeu essa pergunta, dizendo que agora que haviam voltado ao normal não tinha que ficar fingindo que eram amiguinhos. Era tudo mentira então? Sanji ficou furioso e prontamente tentou o atingir um chute na cara, ambos ficaram brigando por algum tempo até Zoro se afastar desistindo da luta que estava de pé igual. Dizendo que não havia tempo a perder com um inútil de sobrancelhas estranhas como Sanji, afastou-se sem olhar para trás, se misturando a escuridão.
– ZOROOO! – Sanji gritou se sentando na cama. Estava tão suado que seus cabelos grudavam na testa, deitou-se novamente se dando conta que tivera um pesadelo, e fora dos bons. Mordeu os lábios considerando o que aquilo significaria.
O sonho não era totalmente errado, Sanji sabia que Zoro não era tão ignorante assim (talvez só um pouco) ele podia muito bem querer se afastar e fazer com que as coisas se tornassem igual eram antes. O que era ruim, já que o cozinheiro estava apreciando o novo tipo de “amizade” que estavam tendo.
Colocou seu cobertor para o lado, se levantando da cama. Passou pela cozinha mancando um pouco, e se deparou com o navio silencioso. Era fato que todos estavam dormindo. Aquilo parecia muito Déjà vu, ele sozinho no Sunny à noite, procurando por Zoro.
Avistou a luz do ninho do corvo acesa e decidiu-se subir até lá.
– 1598...1599...1600 – Zoro que já havia acostumado com o peso de suas katanas, agora movimentava com os dois braços um peso 3 vezes maior do que seu tamanho atual. – 1601... – escutou um barulho e olhou atento para a entrada do corvo. Não esperou muito até que a cabeça de Sanji estivesse a vista.
– Baka! – Zoro exclamou alto, jogando o peso no chão, antes de correr até o loiro o ajudando a subir devido seu pé machucado. – Eu não disse pra você obedecer?!
– Desde quando eu faço as coisas que você fala marimo? – Sanji riu de canto enquanto passava o braço no ombro suado do outro. – Estava treinando?
– Yeah... – Zoro respondeu andando com Sanji até o estofado que haviam caído no dia anterior. — Não vou ser tão inútil da próxima vez que encontrarmos a marinha... e você... – engoliu seco. – Você não vai se machucar.
Sanji riu gostosamente.
– Baka! Eu sei me defender! – bateu o dedo na testa de Zoro antes de se sentar no estofado. O de cabelos esverdeados fez o mesmo. – Além do mais você não vai querer me proteger sempre né? Você não é um guarda costas ou algo assim.
Zoro estranhou o assunto e continuou quieto.
– O que acha que vai acontecer? – Sanji continuou encarando o nakama que agora estava ao seu lado. – Você sabe... Quando a gente voltar ao normal.
– Em que sentido você tá falando? – Zoro perguntou com aquelas benditas sensações voltando, oh merda de novo não.
– Nós não estaríamos aqui se estivéssemos “normais” Zoro. O que eu quero dizer, é que... A gente tem passado mais tempo juntos... Sem discutir... E eu descobri que você sabe conversar além de rosnar. – Sanji riu e Zoro revirou os olhos.
– E eu descobri que você não é apenas aquele idiota da voz irritante, como você faz com as meninas. – Zoro contra atacou e Sanji ficou ofendido.
– HEY ! – falou indignado antes dos dois rirem juntos.
O silêncio novamente aconteceu só que agora não era torturante e sim confortante. Zoro bocejou sem perceber, afinal, aquilo era um hábito seu.
– Vai dormir aqui hoje? – Sanji mudou de assunto, mau se dando conta que ele mesmo deixara de ter uma resposta do que falavam antes.
Zoro deu ombros.
– Talvez... – Considerou a ideia, aquele estofado era realmente confortável.
– Hum... Posso... Posso ficar aqui também? – Sanji perguntou rápido e vermelho, sua cara estava pegando fogo.
– Você diz... Dormir comigo? – Zoro perguntou corando rapidamente também ao imaginar Sanji dormindo consigo.
– Eu sei que é estranho mais... É horrível dormir na “enfermaria”. – Sanji explicou o motivo e um sorriso sacana surgiu no rosto de Zoro.
– Admita que você está com medo de ficar sozinho cook! – Empurrou o menor fazendo este cair deitado no estofado, ao contrário do que pensava Sanji não se levantou.
Estava mesmo com medo de ficar sozinho, não sozinho em relação a todos, estava com medo de quando aquilo acabasse, iria ficar sem o Zoro.
– Talvez eu esteja... – Sanji admitiu e observou Zoro deitar de bruços ao seu lado, virou-se de lado de frente para ele, o dando mais espaço.
Zoro riu, bagunçando os cabelos de Sanji com a mão, aproveitando assim para olhar “aqueles olhos” novamente de perto.
– Você já foi mais durão cook. – Somente disse enquanto encara o azul dos olhos do outro.
Sanji não respondeu, aproximou-se mais de Zoro se aconchegando para dormir. Ergueu a mão esquerda e dedilhou a ponta da orelha de Zoro que estremeceu passando de vermelho para roxo.
– O que... O que você está fazendo? – Zoro gaguejou se afastando um pouco como se tivesse tomado um choque.
– Tenho mania de ficar mexendo em algo para dormir. – Sanji disse baixo, colocando a mão na lateral do rosto de Zoro, de novo o puxando pra perto, para depois voltar a mexer na ponta da orelha do espadachim, dedilhando calmamente o dedo pelos brincos que estavam ali. Viu o espadachim abrir a boca para falar algo – Não fala nada vai...
– Só ia dizer que isso dá sono. – Se explicou antes de levantar sua mão esquerda também para levantar a franja do cozinheiro e ter a oportunidade de ter aquela visão novamente.
Depois disso nada mais foi dito. Ambos adormeceram se observando, sem se preocupar o que realmente aquilo podia significar. Sem se preocupar no sentimento que surgia em ambos os corações.
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