Little Life
2 O Começo
Notas iniciais
Perplexa e sem palavras resumia o momento. Nem Marcelo e muito menos Larissa tinham o que dizer, ela estava sem acreditar no que seu amigo havia acabo de lhe contar.
– Você gosta do Reynaldo!?
– Fala baixo sua louca, quer que todo mundo aqui escute? Diz Marcelo tenso de mais para continuar uma palavra sequer.
A tensão de ambos faz com que nenhuma palavra pule de seus lábios, Larissa está com o olhar fixado no rosto de seu amigo sem saber o que dizer, os pensamentos dela estão em conflito por não querer acreditar na confissão de seu grande amigo. Ela corta o silêncio de modo que a conversa se encerre ali até a hora certa de se falar sobre isso novamente.
– Tio, preciso ir para a escola agora, e você também, meu ônibus já está na plataforma e o seu chega logo logo, melhor irmos e conversamos sobre isso uma outra hora, até lá ... não ... não conte isso para mais ninguém.
– Tudo bem... Diz Marcelo em meio a um suspiro. — Mas me promete que não irá contar a ninguém mesmo? Por favor?
– Claro que não vou contar seu idiota! Agora eu tenho que ir. O som da voz de Larissa se mistura ao barulho do terminal e cada um segue para suas plataformas a espera do ônibus.
A tarde se passou e na mente de Marcelo tudo estava rodando, as lembranças os sentimentos, tudo estava estranho para ele, nada parecia certo e a única pessoa que ele queria que o ajudasse e compreendesse era Reynaldo, mas ele sabia que isso não era uma boa ideia, contar tudo isso poderia afastar os dois e ele não queria distância.
Já em casa Marcelo deitado na cama pensa em toda essa situação, tentando entender o motivo disso ou quando isso começou... Ele não aceita sentir isso por um outro garoto, além do mais sendo seu melhor amigo. Horas deitado e sem solução alguma, é o que aconteceu com ele. O fim de semana chega e o retiro da igreja dos garotos vem junto.
– Tudo certo? Diz a mãe de Marcelo parada na porta do quarto enquanto ele terminar de arrumar suas coisas para o retiro.
– Sim. Tudo certo! Marcelo sorri para sua mãe.
– Você sabe que eu não queria que você fosse sozinho, não sabe?
– Sei mãe, mas vou ficar bem pode ficar tranquila.
– Renata me disse que Reynaldo também vai sozinho, vocês dois tratem de cuidar um do outro! Diz a mãe enquanto da uma olhada na mala de Marcelo.
– Ele vai sozinho? Que bom, não vou ser o único!
– Vai tomar seu café, o ônibus vai sair da igreja em 30 minutos e você não vai querer ficar para trás não é mesmo? Risos tímidos são soltos no ar.
– Já vou, só preciso arrumar mais algumas coisas mãe!
– Te espero na cozinha...
De malas prontas para a viagem Marcelo vai para a igreja de onde sairá o ônibus que os levará ao sítio. Durante a viagem Marcelo e Reynaldo conversam sobre assuntos diversos e dão boas gargalhadas. Chegando no sítio os dois como todos ali vão direto ao alojamento para escolher suas camas e guardar suas malas, os dois pegam camas uma ao lado da outra e logo depois vão conhecer o local. Chega o horário do almoço e todos se servem e sentam-se nas grandes mesas acomodadas em um salão com vista para a mata e um pequeno rio que corta o sítio, o som dos pássaros, do vento e da água são poucos sufocados pelo som de colheres e garfos batendo nos pratos.
A tarde fica livre para fazer o que preferirem. Marcelo vai para a cama ler um livro e descansar a viagem, Reynaldo e outros vão para a quadra jogar futebol. Em meio a sua leitura Marcelo começa a pensar em Reynaldo, e pensa qual seria a reação do amigo se descobrisse isso tudo, por pensar em diversas hipóteses e nenhuma dela serem boas aos seus olhos ele fica triste por um tempo e acaba dormindo.
Cutucões acordam o garoto que aparentemente estava abatido, Reynaldo estava sentado na cama em que Marcelo estava dormindo; Ele veio chamar o amigo para mostrar uma coisa que ele havia " descoberto ".
– Não é bonito? Pergunta Reynaldo a Marcelo. Os dois estavam sentados no murro da quadra que dava para o rio que passava pelo sítio.
– É ... é lindo, como viu isso? Diz Marcelo de cabeça baixa por ainda estar chateado.
– É que sem querer eu chutei a bola forte de mais e ela caiu ali, perto daquele galho caído, está vendo?
– Um pouco longe para um chute seu não é mesmo? Os dois dão risadas juntos.
– Cara, mais tarde eu quero te contar uma coisa... Diz Reynaldo com um sorriso meio tímido no rosto
– Pode ser agora se você quiser, já não tem mais ninguém aqui.
– Não ... Reynaldo pula do murro para o chão da quadra. — Mais tarde eu te falo.
– Tudo bem então senhor misterioso. Marcelo dá um empurrão em Reynaldo e os dois correm em direção aos alojamentos.
O sol nasce e já é sábado, todos vão para o salão tomar café da manhã, menos Marcelo, ele ficou a noite imaginando o que Reynaldo teria para contar a ele, e pensou também em contar o que estava sentindo para seu amigo. Chegando no salão ele pegou um pão e uma maçã e se sentou do lado de Reynaldo que já estava em seu terceiro pão com café.
– Bom dia, ontem você nem me contou o que disse que iria me contar...
– Verdade, mas não era nada de mais, na verdade eu até esqueci o que era. Reynaldo dá algumas risadas sozinho.
– Deixa pra lá então... Marcelo começa a comer o pão e todos os pensamentos sobre Reynaldo e esse sentimento que ele se negava a sentir vinheram como uma explosão. Ele começou a ter uma vontade de chorar e segurou com toda a força as lágrimas que tomaram seus olhos.
– Você está bem cara? Pergunta Reynaldo um pouco sem entender
– To, eu só .. só uma irritação no olho mesmo, to tranquilo...
– Tudo bem, vou pegar suco, você quer? Pergunta Reynaldo sem acreditar muito na desculpa
– Quero sim, de manga se tiver.
Reynaldo se levanta e vai atrás do suco, Marcelo continua comendo o pão bem devagar e continua em um conflito com ele mesmo. As pessoas começam a sair do salão e Reynaldo volta com o suco, se senta novamente do lado de seu amigo e começa a conversar com as outras pessoas da mesa. Para disfarçar o nervosismo Marcelo pega o celular, e como impulso abre o bloco de notas e digita a seguinte frase "Eu gosto de você" e fixa o olhar naquele pequeno texto, Reynaldo percebe que ele está olhando de mais o celular.
– O que tem de tão interessante ai ?
– Nada que você queira ver. As palavras de Marcelo soam rude a todos que ainda estavam sentados na mesma mesa.
– Nossa tudo bem, desculpa cara.
– Não, não precisa pedir desculpas eu que sou um idiota. Marcelo se levanta da mesa e vai para os alojamentos. Reynaldo se levanta e vai atrás dele para entender o que havia acontecido.
– Cara! o que foi aquilo!?
– Nada, só me deixa aqui um pouco, depois eu peço desculpas a eles e a você também. Responde Marcelo dando de ombros.
– Espera Marcelo, o que foi que aconteceu ? o que foi que você estava olhando no celular?
– Nada que você queira ver, sério.
– Agora eu quero ver, sério me dá. Marcelo para de andar e continua de costas para Reynaldo, o celular está na mão dele. Reynaldo pega o celular da mão de Marcelo e lê a mensagem.
– Pra quem é isso?
Reynaldo não tem uma resposta .
– Eu vou te perguntar de novo, pra quem é isso?
Marcelo se vira devagar e já com lágrimas escorrendo por seu rosto, e diz: Você. É pra você.
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