Little Joanna
2 Tudo novo.
Perdido.
Era exatamente assim que me sentia na escola, naquela cidade, naquela casa.
Nunca quis tanto, estar em outro lugar, com minhas músicas, minha bateria, meus amigos... Meu mundo.
- Booom diiiiiia claaasse. Este é Haaarry, e vai ser seu novo coleeega. Se apresente a turma queriiido. — Mulher infernal, foi a única coisa que me veio a cabeça.
- Oi, meu nome é Harry, e... É isso.
Fui me sentar e deixei a mulher com cara de pateta próxima ao quadro negro.
- Pooois beeem, vamos começaaar... – Mania ridícula de alongar as vogais, e uma felicidade que chega a ser insuportável. Este sou eu já analisando a escola.
Minha cabeça já estava explodindo quando lembrei de meu óculos na mochila.
Abaixei-me para pegar quando longos cabelos vermelhos e enormes olhos azuis saltaram na minha frente.
- Mas ei Harry, aposto que tem bem mais coisas sobre você do que só seu nome.
- Até tem sabe, mas acho que isso não te importa.
O sorriso sumiu dos lábios da garota, e eu só ouvi um ‘estúpido’ sendo sussurrado antes que ela saísse dali.
- Mas que merda hein cara, Joanna só queria ser legal, ela sempre faz isso com o pessoal novo.
- Ta, e quem é VOCÊ? – Babaca, pensei, mas quis ser estúpido com mais alguém, no meu primeiro dia de aula.
- Thomas, o melhor amigo da ruiva. – E EU COM ISSO?
- Legal.
- Tuuuuurma, atençãão na aaaaula. – Oi mulher chata.
Durante o intervalo sai com Louise e Penny, minhas baquetas, e fui ‘explorar’ o local, se é que me entende.
Encontrei várias garotas bonitas, mas nenhuma tirava Joanna da minha cabeça.
- Blábláblá coisa pra saber, blábláblá eu sou a Joanna.
- Ta falando sozinho cara?
- Pô Thomas, qual é a tua? – Levei um susto mesmo, odeio que escutem quando falo sozinho.
- A minha são as palhetas. E as tuas, pelo que vejo baquetas.
- Sim, esta é Penny, e esta aqui Louise. Tu toca alguma coisa?
- Guitarra, violão... Essas coisas. Mas porque tu usa essas munhequeiras loucas ae?
- Tendinite! Meus pulsos me matam se eu toco por mais de meia hora.
- E continua tocando?
- Qual é... Bateria é minha única paixão. Única. – Enquanto falava com Tom, vi Joanna passando com algumas meninas. – Cara... Ta a fim de montar uma banda?
- Eu tenho uma... E hoje só pode ser seu dia de sorte. Nosso baterista mudou de cidade. Topa ensaiar hoje à tarde na casa do baixista?
- Aaaaaaah cara, sabia que isso aqui não seria tão ruim. – Pulei no pescoço do loiro, e parecia que a escola toda me olhava. Não, eu não sou gay.
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