Little Hell
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Capítulo 8
"You're no good for me
Baby you're no good for me
You're no good for me
But baby I want you, I want you, I want you"
Reyna dirigiu-se para o fundo da biblioteca, para o lugar de costume. Ela se surpreendeu ao ver Piper já quieta e estudando. Calmamente, a morena tomou um lugar ao lado da adolescente e tentou chamar sua atenção.
– Piper? – Reyna a chama. Piper sai de seu transe e tira os fones, encarando a outra com certa curiosidade.
– Bom dia. Café? – A garota ofereceu à outra um copo com a bebida quente.
– Você pode beber café aqui? – Reyna pergunta incrédula. Afinal, elas estavam numa biblioteca.
– Sou bem persuasiva quando quero. – Piper dá de ombros.
– Percebe-se. – Reyna diz e toma um lugar próximo à adolescente. A morena decide não tocar no assunto do telefonema da noite passada, entretanto, ao ver Piper ali, tão displicente, Reyna se lembra da conversa e começa a se sentir incomodada.
– Algum problema? – Piper pergunta ao perceber que Reyna estava um pouco aérea e nem tinha tirado os livros da mochila. – Eu tenho hora, sabe?
– Er.. Desculpe-me. – Reyna resmunga e se repreende. Não era do feitio dela perder a compostura por conta de uma adolescente qualquer. – Onde estávamos?
– Augusto. Início do Império. – Piper foi categórica. Se ela havia percebido o desconforto de Reyna, não deu sinal. – À propósito, obrigada por ontem. Você me salvou.
– Do que está falando? – Imediatamente, as memórias de Reyna voam para o momento em que emprestou seu casaco a Piper no dia anterior, mas preferiu não dizer nada.
– O idiota do meu professor. – Piper meio que rosna, dando um gole no café. – Ele me fez umas perguntas ontem, tentando me constranger. Bom, não deu certo. Graças a você.
– O que ele perguntou? – Reyna tenta não parecer envergonhada e espera que seu rosto não esteja corado naquele instante, mesmo que ela o estivesse sentindo queimar.
– O que tínhamos acabado de estudar. Egito. Augusto.
– Fico feliz que as aulas estejam dando bons resultados. – Reyna diz simplesmente. Talvez ela estivesse vendo demais nas atitudes de Piper e isso não era bom.
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Havia algo estranho. Piper podia sentir. Reyna estava diferente. Bom, ela continuava arrogante e, às vezes, um pouco grossa. Mas não era só isso. A morena parecia... Extremamente desconfortável na sua presença. Piper notou que ela mal tocara o café.
– Coloquei muito açúcar? – Piper pergunta de supetão, cortando a explicação de Reyna.
– O quê? – A morena a olha confusa e Piper lança um olhar ao copo de café praticamente intocado.
– Seu café. Você nem o bebeu direito. Errei no açúcar? – E, sutilmente, Piper vê um leve rubor correr as bochechas de Reyna.
– Er.. Não. Está ótimo. – Reyna diz, desviando seu olhar para o livro.
– Coloquei muito café então?
– Não. – Reyna resmunga, mas Piper consegue sentir uma leve insegurança na voz da outra. – Está ótimo, Piper. Obrigada.
– Mas você mal o tocou! – Piper segura a mão de Reyna e faz a outra a encarar. Ela viu a morena estreitar os olhos, num claro sinal de ameaça.
– Certamente, o motivo de sua aula não é o café, srta McLean. – Reyna a encara friamente e retira sua mão da de Piper.
A adolescente estava prestes a retrucar quando viu Drew se dirigir alegremente – alegre até demais, diria Piper – à mesa em que as garotas estavam.
– O que quer, Drew? – Piper a pergunta azedamente. A outra garota a ignora, pousando seu olhar de pura luxúria em Reyna.
– Não tenho nada a tratar com você, McLean. Mas sim com Reyna.
– Oh, que surpresa! Você sabe o nome dela! – Piper se levanta e cruza os braços para Drew. – Cai fora, Drew! Reyna está ocupada.
– É. E com a pessoa errada. – A garota provoca Piper e a garota tem uma vontade imensa de pular naquelazinha. É quando Reyna intervém.
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Reyna acompanhou, impassível, à discussão das garotas. Elas estavam praticamente gritando dentro da biblioteca. Por sorte, o local estava vazio aquela hora, mas isso não as livrou de tomar uma advertência da bibliotecária. Foi quando Reyna decidiu intervir.
– Meninas... – As duas viraram-se para a morena. Ela pôde ver a raiva nos olhos negros de Drew e caleidoscópicos de Piper. Reyna engoliu seco. Era a primeira vez em muito tempo que se sentia ameaçada. – Acho melhor vocês se acalmarem.
A contragosto, viu Piper lhe obedecer e voltar a se sentar na cadeira a seu lado. A garota se predispôs a encarar a prateleira de livros do outro lado, evitando olhar para Drew ou Reyna. Uma atitude infantil, Reyna não pôde deixar de reparar.
– Então! – Drew diz, claramente mais animada pelo fato de ter conseguido atenção. Reyna viu um brilho lascivo percorrer os olhos e se sentiu ainda mais embaraçada. – Daqui a duas semanas, teremos um baile de boas vindas. É uma espécie de tradição do colégio.
– Baile? – Reyna a pergunta já sabendo que a resposta provavelmente não a agradaria.
– Sim. E eu gostaria que você me acompanhasse e....
Antes que Drew terminasse de formalizar o convite, Piper se levanta novamente e encara a colega de classe.
– Reyna não vai com você! – A garota explode e, mais uma vez, Reyna se vê obrigada a tentar acalmar as duas. Ela estava cansada daquilo.
– Ora, o que a impede? – Drew retruca, praticamente colando o rosto ao de Piper.
– Ela já aceitou ir comigo!
Okay. Essa pegou Reyna completamente de surpresa. Ela nem sabia que havia um baile e Piper estava ali, categoricamente, afirmando que Reyna seria seu par. O curioso é que a morena se sentia sem forças para rebater a adolescente. Ela realmente era bem persuasiva quando queria.
– Mentira! – Drew gritou e aquela foi a deixa para a bibliotecária expulsá-las do local.
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Já do lado de fora, Piper continuava encarando Drew furiosamente. Agora era com Reyna. A garota se perguntou o que dera nela para agir de maneira tão efervescente. Se Reyna a desmentisse, ela daria uma vitória a Drew. Mas se Reyna confirmasse, isso significaria que ela teria de ir ao baile com a morena. Sem querer, Piper McLean se colocara numa enrascada.
– Então? – Drew desviou seu olhar de Piper para Reyna. – É verdade que McLean te convidou?
Piper fez o máximo que pôde para parecer impassível. Por um segundo, extremamente longo, ela trocou olhares com Reyna. E esperou que a morena a entendesse.
– S- Sim. – Reyna disse e Piper sentiu um peso lhe ser tirado dos ombros. Ela viu Drew bufar e se afastar furiosamente.
– Obrigada. – Piper diz, após um tempo de silêncio constrangedor.
– De nada. – Reyna se escora num banco, finalmente parecendo processar tudo que acabara de acontecer. – Então, sou sua companhia para um baile?
– Er.. Não! – Piper se desespera. Só agora ela se dera conta do que havia feito. – Olha, sinto muito! Se você não quiser. Era só pra tirar Drew da sua cola.
– Eu acho que poderia lidar muito bem com uma adolescente, senhorita McLean. – Sem querer, Piper se irritou. A fala de Reyna lhe tirando do sério sem aparente explicação.
– Você precisa ser sempre assim, tão grossa? – Piper viu a surpresa correr pelo rosto de Reyna e percebeu os olhos castanhos da pretora a ameaçarem. A adolescente prendeu a respiração por um instante. Ela tinha certeza que Reyna iria lhe bater.
– Certo. Obrigada. – Piper estranhou as palavras que saíram. Ela não deixou de notar que a morena as dissera de forma irônica, mas não iria discutir. Reyna a tirava do sério, ela sabia, mas não iria demonstrar – Bom, Piper, tenho que ir.
– Tchau. – Piper a respondeu secamente e observou, irritada, a morena se afastar.
Só enquanto retornava à sala de aula é que Piper se deu conta de que havia esquecido de entregar a blusa de frio à outra. E a constatação desse fato a irritou ainda mais.
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