Notas iniciais
Os personagens da saga Crepúsculo irão aparecer a partir dos próximos capítulos... Esse capítulo é mais para explicar algumas coisas da história. PS: os vampiros daqui não brilham. Quem leu ou já assistiu a série Diários do Vampiro sabe que o Estefan e o Damon não viram cinzas no Sol por causa do anel... Aqui é bem parecido, mas eles usam um colar.

P.D.V. Billie Joe :

Tínhamos acabado de sair da sala de reuniões. Fechamos bons acordos e negociamos ações da empresa para os Pritchard. Eu e Mike fingíamos ser irmãos, os ‘Armstrongs’, e raramente aparecíamos aqui na empresa, e quando aparecíamos, os humanos estranhavam um pouco. Sempre os mesmos rostos de surpresa e , segundo Mike, sempre os mesmos pensamentos. Pele branca e fria, beleza inumana... e até o lápis de olho que eu usava. Mike dava boas gargalhadas ao relembrar a cara dos humanos quando analisavam meu visual “despojado”, embora nas reuniões da empresa eu fosse obrigado por ele a usar terno. Estávamos no século 21, mas o preconceito e a hipocrisia sempre estariam presente nas cabeças deles. Malditos humanos. Ou não.

Fui até o banheiro. Não que nossa espécie precisasse usá-lo para as mesmas finalidades que os humanos. Não precisávamos de nada, a não ser caçar. Humanos. Sangue. Mais uma vez me odiei ao ver aqueles olhos vermelhos refletidos no espelho e mais uma vez me perguntei quando aquilo iria acabar. A resposta eu já sabia: nunca. Tudo começara desde aquele maldito dia, daquela maldita viagem. A memória humana não era clara, mas me lembro o ano da transformação. 1940, quando eu viajara com Mike até o Texas. Éramos melhores amigos. Acho que ainda somos. Lá estourou a guerra dos vampiros “recém-criados” e de seus criadores, que mantinham grandes clãs dos mesmos. O vampiro que transformou me transformou, junto de Mike, provavelmente foi atacado. Por sorte, Peter e Charlotte, dois vampiros já experientes, nos encontraram e nos aconselharam a procurar os Volturi.

O som da porta sendo aberta tirou-me de meus devaneios. Era Mike.

— Billie? Você está bem? – perguntou Mike, que já estava ao meu lado, trocando suas lentes de contato, enquanto eu fazia a mesma coisa. Apesar disso, o vermelho de nossos olhos já estava escuro. O que indica que precisamos caçar logo. O que indica que haverá mais humanos mortos.

Ele pôs a mão em meu rosto. Poderia ler os pensamentos com um simples toque. O dom idêntico ao de Aro. Por um momento Mike baixou a cabeça e em um gesto inesperado, abraçou-me e murmurou um “desculpe” em meu ouvido. Ele sentia-se culpado por ter me levado naquela viagem.

— Hey Mikey, não é culpa sua. Não vale a pena se lamentar pelo que já passou. Afinal é o que somos, não é? – Falei, e acariciei seu rosto com as mãos, numa tentativa de reconfortá-lo. Ele não afastou o rosto como eu esperava. Ele me encarou nos olhos e alguns segundos depois um pequeno sorriso brotou em seu rosto. Eu sabia que ele sorriria, apenas eu poderia chamá-lo de Mikey. O meu Mikey, meu melhor amigo.

— Presos eternamente num corpo de 25 anos. – Seu sorriso agora era sarcástico.

— Acho que não temos mais nada para fazer aqui, não é? Melhor irmos embora. – Eu disse e Mike concordou.

Fui avisado de que teríamos que voltar novamente amanhã. Haveria uma reunião com alguns investidores que chegaram na cidade. Os Cullen.

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Dividíamos um apartamento no centro de New York, embora houvesse várias outras casas a nossa disposição. Não poderíamos levantar suspeitas. Estava bastante ensolarado hoje, então se saíssemos durante o dia, teríamos que usar o colar. Parecia simples e, por alguma razão, a preciosa pedra esverdeada que era usada como pingente impedia que nossa pele refletisse ao sol. Um presente dado pelos Volturi, já que servimos a guarda por 10 anos, até que a guerra acabasse. Tínhamos dons que eles consideravam raros, já que Mike podia ler os pensamentos com um toque e eu poderia criar uma barreira física, contra ataques.

Agora estávamos condenados a eternidade... e ao tédio.

Eu trocava os canais da televisão impacientemente a cada minuto. Nada divertido em 47 canais. Enquanto isso, Mike finalizava seu “castelinho” de cartas... do tamanho da geladeira. Nas sete décadas que se passaram ele não amadurecera nada, continuava o mesmo “crianção”. Fui até lá em uma fração de segundos e derrubei as cartas. Mike me olhou com raiva antes de gritar:

— Billie Joe Armstrong, eu te mato, seu fodido!

Confesso que nunca vi Mike com tanta raiva, e confesso também que nunca o vi correr tanto. Eu havia saído pela janela do apartamento, rápido demais para olhos humanos verem. Provavelmente nenhum humano veria. Já era tarde para eles. Cerca de duas horas da madrugada. Nossa espécie não precisava dormir. Felizmente, havia um bosque atrás dali, onde corri até a floresta. Maldito Demetri, que tentou ensinar Mike a rastrear outros vampiros pelo cheiro. Ele me achou e agora estava correndo atrás de mim. Em uma cena que seria quase cômica, se ele não estivesse querendo arrancar minha cabeça.

Em outra fração de segundos ele conseguiu agarrar minhas mãos e segurou-me contra uma grande árvore da floresta. Sua boca foi até meu pescoço e os dentes afiados roçaram minha pele. Ele faria mesmo isso por causa de uma brincadeira?

— Mike... d-desculpe, foi só uma brincadeira... – Agora eu tentava me explicar, quase gaguejando.

Mas de repente Mike soltou minhas mãos e explodiu em gargalhadas. Não sei quem era o mais idiota; eu ou ele?

— Ah, Billie, parece que você nem sabe brincar! Foi divertido, assuma. – Ele disse, ainda risonho. Filho da mãe.

Agora foi a minha vez de fazer a mesma coisa. Mas ao invés de ter vontade de dilacerar seu pescoço, seus olhos prenderam minha atenção. Seu rosto estava hesitante, como se desejasse falar algo.

— Billie, eu... – mas ele parou no meio da frase, apenas envolveu meu pescoço com suas mãos e aproximou nossos rostos, e surpreendeu-me ao encostar seus lábios nos meus. Mesmo tendo a pele fria, eles pareceram igualmente quentes. Minha mente me mandava parar, mas meu corpo desejava muito mais. Interrompi o tímido beijo.

— Mike... por favor, me dê um tempo... – Pedi.

— Um tempo, Billie? – Ele perguntou. Seu rosto tinha uma expressão como se compreendesse meu pedido.

— Sim Mikey, um tempo. Vá para casa. Te encontro amanhã, na empresa, para a reunião com os Cullen. – Eu disse.

Ele assentiu e apenas voltou para casa. Eu queria apenas correr e me livrar de todos esses pensamentos... Fui para o subúrbio da cidade. Não seria uma má idéia caçar aqui. Se fosse para caçar humanos, que sejam monstros como eu. Não precisei andar muito para ver um cara armado tentado roubar uma mulher. Agora, ordenei para minha mente e me concentrei apenas na caçada. Mas enquanto eu corria até lá um cheiro chamou minha atenção. Um cheiro tão doce que em 70 anos de existência eu nunca imaginei encontrar em um humano. Meus instintos comandavam meu corpo e corriam até o que prometia aliviar minha sede. “Pare!”, tentei gritar para mim mesmo e abracei-me numa tentativa de segurar meus músculos. Aos poucos recuperei o foco e minha consciência. Percebi que estava num beco escuro e mal iluminado e que havia um humano lá. Minha garganta ardeu com o cheiro e tive que prender minha respiração. A pessoa que estava lá parecia chorar e soluçava, me aproximei cautelosamente, mas a pequena garota não percebeu minha presença.

Notas finais
Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.