Little Brother
1 Little Brother
Notas iniciais
Eu apareci aqui só pra não falar que eu estava sumida.
Bem, não quero me enrolar muito aqui.
Eu repentinamente senti vontade de escrever algo do gênero, uma coisa mais suave, mas não menos 'melzinho'. Espero que vocês gostem.
Não tenho mesmo o que falar aqui!
Estou atrasada para as outras fics, mas eu resolvo isso no fim de semana (ou antes, não se preocupem). (:
Tem musiquinha, sim, e acho quase obrigatório ler com ela : http://www.aimini.net/view/?fid=ZOQP9zkqbHEbjanSF9q1
Enfim, acho que é só isso mesmo.
Enjoy! ♥
Eu realmente nunca tinha parado pra pensar nisso verdadeiramente. Podia cogitar, sim, mas bem distante, num tempo bem mais a frente, não necessariamente agora. Não neste exato momento, amanhã, daqui a algumas horas. Você sabe, não é? Sabe no quão desligado eu sou pra essas coisas, por mais pessimista, que eu seja. Nunca pensei, e talvez eu nem devesse pensar, porque isso já começa a machucar um pouco aqui dentro do meu coração ( é eu disse, coração).
Sempre fui tão fechado e tão frio, tão distante de qualquer sentimento... Na frente das outras pessoas, câmeras, seja o que for. Mas você, meu pequeno irmãozinho, meu garoto, minha metade, meu gêmeo. Você sempre me conheceu tão bem, tão melhor do que eu mesmo. Sempre aturando meu mau humor matinal, sempre me vendo de cara amassada nos dias que milagrosamente acordava mais cedo... Você, o ser que eu mais prezo, o ser que mais me importa em todo esse mundo, e pelo qual faria qualquer loucura, você, me conhece tão perfeitamente, que às vezes me assusta. Mas é aquele assustar bom, aquele assustar de uma festa surpresa, um assustar gostoso... Porque eu sei que, sou tão importante, e tão bem cuidado, por alguém como você.
Eu realmente te amo. Amo você mais do que tudo e você sabe, mesmo que eu não diga com tanta frequência (ou simplesmente nem diga). Te amo loucamente, como nunca vou amar alguém, ou devotar tanto sentimento, quanto eu tenho por você. Eu realmente... Eu realmente faria qualquer coisa por você... Eu fico assim, repetindo umas mesmas frases, porque, é difícil expressar esses tipos de sensações com palavras. Sabe que sou péssimo até mesmo com nossas canções... E estou realmente estranhando essa minha repentina vontade de falar um pouco desse nosso laço de sangue.
Amo você.
Eu posso repetir essa mesma sentença algumas (muitas) vezes, porque eu temo que você possa não se lembrar dessas palavras saindo da minha boca (faz quanto tempo que não te digo isso?). Eu nunca fui assim tão sentimental e sensível como você é, tão naturalmente, e eu, eu ando meio enferrujado até mesmo pra escrever algo que preste. Minha letra deve estar horrível, e nem sei se você vai entender alguma coisa verdadeiramente. Meu alemão está bem arranhado, nem temos como praticar mais... Sabe que nunca fui muito bom com gramática também... Mas o importante mesmo é que você leia isso, que leia atentamente minhas palavras de amor (que eu talvez não volte a fazer outra vez).
Eu... Estava pensando aqui, por alguns minutos, com a caneta na mão, me lembrando do que se passou. Nunca mais tocamos aquela nossa canção, nem nunca mais falamos sobre isso, também. Eu nunca devo ter te falado sobre isso, mas, eu não olhava pra você porque estava ocupado demais, ou desatento, confesso que algumas vezes estava mesmo, mas era cansaço, e modo automático, mas... É, você não deve estar entendendo, estou meio perdido no que escrever... Sou péssimo com essas coisas... Mas voltando à nossa canção, sobre a noite, as noites que estive perdido... Eu tinha vergonha... Tinha receio e medo de olhar pra você, de esquecer de tudo, do violão nos meus braços, dos acordes, da melodia toda... Tinha medo de ficar perdido em sua voz, e nos seus olhos tão semelhantes, e tão mais expressivos que os meus... Porque, eu sou um chorão, bem no fundo, eu sou um poço sem fim de emoção, mas não sei expressar, ou sei, mas meio bruto, grosso e ácido. Simplesmente, não te olhava, porque as suas palavras, e o jeito que você deixou cada sentimento, cada linha da canção, de um jeito que só nós entendêssemos, que eu me perdia algumas vezes... Na nossa infância e nos dias que éramos mais ‘irmãos gêmeos’... Eu, realmente, gosto dela... Você se lembra dela toda, de cada palavra que escreveu? E do jeito que fechava os olhos, dos seus dedos se movendo, daquela emoção toda que mostrávamos, e que agora... Se perdeu...? Aquela mágica toda, foi sumindo tão... Lentamente, com o passar dos anos. Confesso que me esqueci de algumas notas, mas devíamos praticar... Nem que seja só pra nós dois, só uma coisa gêmea e nossa... Porque assim, se eu me perder... Você vai entender, se eu deixar de tocar e ficar te olhando cantar. Realmente, gosto da ‘nossa’ música.
Irmãozinho... Eu tenho sonhado muito com você, então consequentemente, se aquela nossa ligação não tiver enferrujada, você está sonhando comigo também? Faz um tempo, um bom tempo, que não nos sentamos realmente, e não conversamos mais como antes... Mas eu tenho saudade. Eu tenho saudade dos velhos tempos, e de como éramos mais unidos, e mais cúmplices. Eu tenho saudade mesmo, pode rir, me chamar de bobo, ou coisa mais agressiva... Estou escrevendo exatamente por isso, por nossa falta de dialogo, nossa falta de tempo... E eu sei que, se isso tudo fosse falado, nós tagarelaríamos a noite toda. Somos falantes e desde sempre (você é mais, não tente negar isso).
Gosto de te ouvir falar, gosto da sua voz, das suas expressões exageradas, e gosto do jeito infantil que você senta no sofá, tão encolhido, mas tão grande e espaçoso (sou muito detalhista ao te observar algumas vezes). Eu gosto de te ouvir, porque eu sei que, tem vezes (a maioria delas) que eu nem preciso abrir minha boca, porque você fala exatamente o que penso. Eu gosto disso... Na verdade, é o que mais gosto nessa nossa ‘gemealidade’. Esse fato de completarmos um ao outro. E você é tão contrário em tudo que sou, que me irrita... Mas me irrita gostosamente.
Mas eu escrevi, e escrevi e não cheguei ao ponto que está dito nas minhas primeiras linhas tortas (sou tão perfeccionista com isso, sabe bem). O fato é: eu andei me perguntando, um dia desses em que eu estava entediado, e você estava descansando no seu quarto, os nossos cães fizeram greve da minha humilde pessoa (todos dormindo embolados um nos outros, tão meigos), e eu fiquei, completamente... Sozinho no quintal dos fundos.
Solidão é uma palavra pesada e forte ( e dói).
E eu sai pra caminhar um pouco. E eu nunca fiquei assim, assim tão completamente sem ninguém, com essa sensação no peito (me assustou), nem nas vezes em que realmente me afastava, pra aliviar a cabeça das coisas... Nem quando eu saia pra dar umas voltas de carro por ai, de dirigir pra pensar na vida, ouvindo uma das suas músicas melosas no rádio (que eu deixava, porque eu gostava também. Confesso que gosto da maioria das músicas que ouve, você não deveria saber disso... Foda-se, agora sabe... Está rindo que eu sei, seu magrelo).
Então...
Eu me senti sozinho de um jeito muito estranho. E você deve saber, que quando se está sem nada pra fazer, a mente da gente começa a pensar em coisas bem loucas, e nesse dia, eu pensei... Pensei no que seria de mim, no que seria desse cara chato que sou, gostoso, porém chato (você sabe mais do que ninguém): e se ele não estivesse mais aqui? O que eu faria se ele morresse? O que eu faria sem meu garotinho alto e doido, sem meu gemeozinho teimoso?
Eu pensei merda. Eu pensei em tanta merda... Devaneei pra caralho! Paranóico como sou às vezes.
E, eu vi, que... Seria daquele jeito. Seria vazio do mesmo jeito que eu estava, ali sentado na beira da praia, sem ninguém, sem nada, apenas com aquela imensidão do mar... E eu fui vendo o pior... E se toda aquela imensidão fosse, todos os anos que eu aguentaria sem você... Um grande oceano frio e sem vida. Azul e frio. E eu chorei. Sabe, eu chorei bastante (já nem me lembrava mais como era sentir lágrimas no rosto), e você nem deve ter percebido. Você percebeu meus olhos avermelhados?! Então... Eu corri, desajeitado e estranho nas minhas calças, afundando o tênis na areia da praia. Corri pra nossa casa, abri a porta do seu quarto, imaginando não te encontrar ali. Mas você estava (suspirei aliviado, é claro). Dormindo, espalhado pela cama, todo bonitinho, e descabelado. Coradinho, e meigo, mesmo com a barba por fazer a três dias. Era uma criança num corpo de um homem de um metro e noventa (vai se gabar dos seus três ou quatro centímetros a mais, que eu sei). Eu disse que te amava, mesmo sabendo que você estava no seu décimo terceiro sono. Mas eu falei repetidas vezes. E ainda lhe dei uma bagunçada no cabelo e um beijo na bochecha. Eu fiquei estranho o dia todo, e você comentou isso comigo, disse que estava te assustando, e eu disse que não era nada, pra não encher meu lindo saco de bolinhas duras.
Eu fiquei bem triste durante aquele dia, porque você não entendeu meu comportamento. E sabe, eu fiquei de olho em você o tempo todo, pensando, pensando mil vezes na mesma frase: ‘me abraça e diz que nunca vai se esquecer do seu irmãozão’. Eu mentalizei isso feito um idiota, como naqueles filmes em que um dos gêmeos pensa em uma coisa, e o outro ouve. Mas você não ouviu. Nem parou pra falar comigo, você só me xingou por ter tomado todo o café, e saiu todo bravinho (é por isso que odeio suas tardes de cochilo, seu mal humorado!). Eu fiquei carente de você.
Foram oito dias depois (eu contei), que você, finalmente me deu aquele abraço que eu havia mentalizado. Estava vendo TV, e você me abraçou deixando um beijo no meu rosto, sem palavras nem nada, e foi tão repentino. E eu gostei. Gostei da sua atenção comigo. Eu te xinguei de meloso, mas foi só um jeito de te repreender por ter demorado tanto. Agora você sabe... Que eu quero mais abraços, que quero mais da sua companhia comigo. Você vê, vê como eu sou, né... Eu te chamei de meloso, mas eu queria aquele carinho, e eu te repreendi, e isso te afasta ( isso foi ironia, ela fica quase invisível em palavras escritas)... Mas saiba que, quando eu falar que você está de melação de cueca comigo, que quando eu dizer que não tenho dinheiro pra te emprestar quando me falar ‘amo você, Tom’, é porque quero que você repita isso. Eu disse mesmo que era um poço de emoções, mas disse que também sou ignorante. Então, acho que você já deve saber, o que fazer assim que terminar essa carta. Eu quero apenas, que você, me olhe, ou me de um daqueles seus sorrisos gigantes, que me abrace, ou simplesmente diga ‘seu bobo!’ que eu vou saber que é apenas uma demonstração desajeitada com o seu irmão mais velho (dez minutos é muito tempo, não adianta revirar os olhos).
Eu amo você, Bill, e nunca quero te perder. Nunca quero ver você longe de mim. Quero ter sempre essa proximidade, essa cumplicidade, fazer sua felicidade, ter seus braços amigos, ter sempre meu pequeno irmão do lado (pro que der e vier). Quero sempre olhar orgulhoso pra você, e pro quão precioso e único possa ser. Eu te admiro tanto, tanto meu irmão (só não falo muito, porque vai se achar demais, e eu sou o gêmeo fodão)... Eu queria ser assim um pouco mais amoroso com você... Mas, se fosse, não seria eu não é mesmo... Então, eu vejo um lado bom nesse meu jeito estranho... Porque eu sei que você vai vir me irritar com todo esse seu sentimentalismo e amor, me atentar e me irritar , me sufocar de carinho, pra me ver bravo. Porque é assim que somos... Atração e repulsa, como imãs, pólos diferentes. Mas você me completa assim... Me completa porque você é o melhor irmão do mundo...! Meu pequeno e falante gêmeo que gosta de cartas, você tem toda essa palavra com a letra ‘A’ da minha parte, pra sempre.
Tom
PS: Vem me abraçar? (:
PS2: Você está chorando, né? Você sempre chora com essas coisas, mesmo eu não escrevendo coisas bonitas como você faz.
Notas finais
(:
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