Lithium
4 XIX
Notas iniciais
Quando adentraram o cinema, ambos foram alvos de olhares curiosos já que ninguém conhecia a identidade heróica de Peter, mas estavam interessados em Rowan e no garoto desconhecido que a acompanhava.
Passaram direto pela fila dos ingressos, o garoto havia já havia reservado duas cadeiras online, no entanto, a fila da pipoca estava enorme e depois de quase meia hora em pé, finalmente conseguiram efetuar seus pedidos. Rowan carregava um balde cheio de pipoca salgada, um copo de 700ml de Coca-Cola e um saquinho de M&M’s.
— O senhor Stark vai me matar, não deveria ter comprado o doce para você. — Peter comentou aflito, passando pelas portas duplas da sala do cinema.
— Oh, Peter, pare com isso, ele não vai descobrir sobre o doce e, mesmo que descubra, não fará nada. — a garota riu diante o medo do amigo, sentou-se em seu respectivo lugar e se acomodou. — Agora me diga, qual é a história desse filme?
— Você não viu o trailer que eu te mandei? Rowan, sacanagem! — o garoto protestou, fazendo um bico nos lábios sem ao menos perceber.
— Não fique chateado comigo, Parker, eu não tive tempo, juro. — defendeu-se, levantando as mãos num sinal de rendição. — As provas estão acabando comigo, não achei que seria tão difícil.
— Bem-vinda ao mundo real. — Peter deu um sorrisinho e antes que pudesse falar alguma coisa, a enorme tela se acendeu e os trailers começaram a rodar.
[ … ]
Quando o filme acabou, querendo prevenir alguns assédios vindos de papparazzis, Rowan e Peter decidiram sair escondidos com a ajuda de alguns seguranças do shopping, tentando ao máximo não chamar a atenção de mais ninguém.
Apesar de ter gostado da história do filme, a jovem Stark ficou indignada com o final dos protagonistas — que não terminaram juntos —, mas decidiu compartilhar sua angústia com Wanda, ela entendia daquelas coisas mais que qualquer um.
Peter a deixou na Torre por volta das vinte e duas horas, tendo extrapolado meia hora do horário combinado por Tony. Caso seu pai estivesse esperando-a, dormiria só depois de ouvir um belo sermão, porém, estava mais preocupada com o Parker, o coitado não tinha culpa alguma já que ela resolveu ir ao banheiro várias vezes e não deixou de olhar algumas vitrines de lojas de marcas caríssimas. Era uma adolescente como todas as outras, tirando seus poderes e sua família, claro.
— Obrigada por ter me convidado, Peter, há anos que não vou ao cinema. — virou-se para o garoto e sorriu, observando a fumaça gelada que flutuava com sua respiração.
— Não precisa agradecer, Rowan, confesso que não sou muito chegado a cinema e tal, mas hoje foi muito divertido. — ele balançou os ombros e esfregou as mãos uma na outra, demonstrando um certo nervosismo.
— Bem, eu tenho que subir, tenho que me preparar para minha viagem! — disse com animação.
— Oh, sim, esqueci que viajará com seu pai em poucos dias. — Peter soltou um suspiro e mudou o peso do corpo para a perna esquerda. — Bem, boa viagem e … aproveite esse tempo com seu pai. Sei que o Sr. Stark não é a melhor pessoa do mundo, mas tenho que reconhecer que ele é esforçado e tem um bom coração. — disse com sinceridade, encarando os olhos amendoados dela.
— Eu sei, Peter. — a morena sorriu e deu um carinhoso abraço no amigo, cujas bochechas coraram na mesma hora. — Boa noite, Pete. — falou antes de adentrar as portas duplas de vidro blindado da Torre.
— Boa noite, Ro. — o rapaz sussurrou para si mesmo, observando as costas da garota sumir por entre o enorme saguão principal.
[ … ]
Após contar sobre o encontro com Peter para Wanda e Visão, a jovem Stark dirigiu-se para o quarto e trocou a roupa pesada por um pijama colorido, deitando-se na cama em seguida e apagando as luzes com apenas um gesto de mãos.
Ao contrário do que pensou, não conseguiu dormir assim que fechou os olhos, sua mente estava longe, divagando sobre a viagem que faria com o pai. Ainda não sabia muitos detalhes para onde e com quem mais iria, mas algo dentro de si, como uma força invisível — que poderia ser seus poderes ou apenas um sexto sentido —, dizia-lhe que algo grande aconteceria com ela, só não sabia se seria coisa boa ou ruim.
Os dias se passaram como um flash diante de seus olhos, a sexta-feira havia chegado e faltavam poucos minutos para o jatinho particular de Anthony Stark decolar para um rumo desconhecido. Pelo menos desconhecido para Rowan.
— Não vai me dizer para onde vamos? — ela indagou ajeitando o cinto de segurança do assento de couro marfim do luxuoso jato. — Essa ansiedade está me matando! — confessou, pegando um cacho de uva em uma vasilha de cristal que estava em cima da mesinha compacta a sua frente.
— Já que não irá parar de me perguntar, estamos indo para Viena, conferência da ONU e muitos líderes e filantropos importantes estarão lá. — o pai respondeu de uma vez, surpreendendo a garota.
— Uma reunião da ONU? Na Áustria? — ela sorriu animada. — É muito melhor do que eu pensei!
— E no que você pensou? — ele arqueou uma das sobrancelhas, achando graça de toda a animação da mais nova.
— Tudo menos isso! — exclamou e ajeitou-se na poltrona de couro, cruzando as pernas longas sem quebrar o contato visual com Tony.
[ … ]
Assim que o jatinho Stark pousou em solo austríaco, pai e filha foram recepcionados por alguns políticos locais e por Natasha Romanoff, uma das pessoas favoritas de Rowan no mundo inteiro.
— Nat! — a morena saiu correndo em direção à ruiva. — Tony não comentou que você estaria aqui.
— Por quê não estou surpresa? — Natasha abraçou a garota com carinho, observando o quanto ela havia mudado nos últimos dois anos.
Rowan era apenas uma criança aos seus olhos quando toda a confusão com Ultron aconteceu, exatos dois anos atrás. Logo após o despertar dos poderes da jovem garota, Tony achou melhor trancá-la na Torre dos Vingadores sem contato com o mundo exterior, como havia feito com Wanda e Visão.
— Devo dizer que você está aqui é uma surpresa e tanto, o que houve entre vocês dois? — a russa falou ironicamente, lançando um olhar ácido para Tony, que apenas soltou um suspiro de puro cansaço.
— Natasha, por favor, guarde suas ironias para mais tarde. — o homem ignorou o olhar feio da companheira de equipe e cumprimentou as outras pessoas ali presentes, apresentando-as para sua filha.
— Nós vamos direto para a conferência? — Rowan perguntou enquanto seguia Natasha e Tony pelo longo corredor espelhado do prédio onde ocorreria a tal reunião.
— Sim, querida, seu pai já fez o favor de atrasar quase duas horas, e ainda temos aquele encontro com o príncipe T’challa. — ela olhou significativamente para Anthony.
— Merda, esqueci completamente disso.
— Eu já esquematizei tudo, Stark, é só manter a boca fechada. — Natasha disse com seriedade e saiu andando na frente.
Rowan ficou calada durante todo o caminho até a sala onde ocorreria o encontro entre o pai, Nat e o príncipe T’challa, ela nunca tinha sequer ouvido algo dele, mas escutando a conversa dos mais velhos descobriu que ele era o futuro rei de um país chamado Wakanda, localizado no continente africano.
Assim que chegaram na sala designada, um homem alto e negro, com vestes de cores discretas, estava sentado numa das poltronas de couro. Ele se levantou e cumprimentou Natasha e Tony, cordialmente, e direcionou seu olhar para a jovem, que sentiu as bochechas esquentarem com a intensidade dos olhos escuros sobre ela.
— Príncipe T’challa, está é minha filha, Rowan. — ouviu a voz de seu pai e acordou de seu transe, sorrindo totalmente sem graça.
— É um prazer, príncipe. — disse com timidez, tentando não encarar os olhos pretos do homem a sua frente.
— O prazer é todo meu, senhorita.
[ ... ]
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