Lithium
7 Father's Daughter
Notas iniciais

Ela sorriu e agradeceu quando Steve ergueu um tipo de uniforme para ela, que, ao contrário do que Wanda usava, era completamente negro com poucos detalhes em vermelho. As calças de couro ficaram um pouco apertadas mas lhe serviram bem, a blusa de mangas longas também de couro salientaram seus seios medianos e ajustaram suas costas e ombros, deixando-a com uma postura mais altiva e intimidante. Deixou os cabelos soltos e penteou-os com os dedos, calçou os coturnos brutos e amarrou os cadarços bem firmes, afinal, não queria que acontecesse qualquer imprevisto com aquele novo figurino.
Foi instruída por Clint a não ficar aparente logo de cara, já que eles não tinham certeza se aconteceria um conflito ou se Steve conseguiria levar Tony na conversa, porém, talvez se Tony a visse do lado errado da história, pudesse ficar com raiva e ser ainda mais impulsivo do que era. Rowan já esperava ficar de background, mas não ousou reclamar ou contestar o que Clint havia lhe dito, já que ele tinha toda a razão.
O caminho até o aeroporto foi silencioso e tenso, Natasha estava sentada ao seu lado, nos últimos bancos da velha van que Scott Lang dirigia. Os outros estavam espalhados pelos demais bancos, cada um imerso em seus próprios pensamentos. O nervosismo voltou a atacar seu coração e lhe dar calafrios, mas o olhar apoiador e reconfortante de Natasha a fez relaxar. Não seria a primeira vez que usaria seus poderes e, como já tinha um manejo bom — julgava ter —, poderia relaxar e apenas fazer o que sabia.
O Homem-Formiga estacionou a van e foi o primeiro a saltar dela, seguido de Sam, Steve e o Soldado Invernal. Clint fez um sinal com as mãos para Natasha, que virou-se para Rowan com um sorriso e disse:
— Vai dar tudo certo, só concentre-se e tente não perder o controle. — a ruiva falou e saltou na van, deixando-a sozinha com Clint.
— Lembre-se de como se controlou quando eu cheguei de surpresa na Torre, você sabe que poderia ter me matado ali mesmo. — o Gavião sorriu de lado, dando uns leves tapinhas nos ombros da jovem. — Quando eu assobiar, você aparece, ok?
— Sim, hm, combinado. — respondeu rapidamente, balançando a cabeça e sentindo a adrenalina tomar conta de suas veias.
Clint saiu e fechou a porta da van, deixando-a sozinha. Rowan respirou fundo três vezes, tentando acalmar a adrenalina intensa que corria dentro de seus nervos usando a meditação. Fechou os olhos e concentrou seus pensamentos no Éter, tendo uma bela e clara visão da Joia do Infinito que habitava seu corpo e sua alma. A pequena pedra vermelha pulsava e brilhava, a cada pulsação, Rowan sentia suas artérias sendo preenchidas por algo que ela não sabia identificar. Poder, talvez. O formigamento desta vez não só estava em seus dedos, mas tomava conta de suas mãos e braços, logo avançando para mais áreas do corpo. Estava totalmente imersa, sabia que alguma coisa estava acontecendo lá fora, conseguia sentir a presença de cada um ali. Wanda, Natasha, Steve, Clint, Tony e Peter. O assobio foi ouvido e seu estado de transe foi dissipado, abriu os olhos e sentiu o corpo completamente disposto e vibrante. Olhou para os braços e observou a aura vermelha presente envolta deles, mas estava mais escura.
Com apenas um gesto com a mão, Rowan arrancou toda a lateral do veículo, abrindo uma enorme cratera por onde passou, sem tocar os pés no chão. Toda aquela ação pareceu em câmera lenta aos seus olhos que, quando Steve olhou para ela, assustou-se ao ver que estavam inteiramente negros. Ela encarou os seus adversários, seu pai e seu melhor amigo estavam entre eles, mas ali não estava apenas a Rowan, havia outro ser imaterial habitando sua alma naquele momento.
— Rowan? O que você está fazendo aqui? — era visível a irritação e surpresa de Tony. Ele usava sua armadura e estava à frente de todos os outros. — Eu disse para o Visão ficar de olho em você!
— Nós não podíamos deixá-la trancada naquela Torre como você sempre fez, Tony. A garota teve uma escolha e a fez, está aqui por vontade própria. — Clint falou, ajeitando o arco nas mãos, apontando-o para Tony.
O Homem de Ferro respirou fundo antes da máscara tampar sua face e a armadura subir no ar, avançando contra o time do Capitão, sendo seguido pelos outros. Uma pessoa que usava uma armadura no formato de uma pantera negra avançou contra o Soldado Invernal, pegando-o de surpresa. Rowan conseguia sentir familiariadade com aquela pessoa, mas não conseguiu reconhecê-la de imediato. Num momento de distração, foi pega de surpresa por Peter, que prendeu seus braços rente ao corpo com sua teia.
— Rowan, você sabe que eu jamais te machucaria, por favor, não faça nada! — o rapaz gritou pela distância que estavam um do outro, alarmado.
A jovem não disse nada, apenas focou os olhos negros nas teias que a prendiam e logo elas derreteram, escorrendo como líquido por seus braços. Levantou a cabeça e encarou Peter, que estava de pé em cima de um container vermelho. Em sua mente, Rowan materializou pequenas vigas de madeira e aço, e as lançou sobre o rapaz, mas não na intenção de machucá-lo, mas, sim, de atrasá-lo. Ela viu quando Peter se assustou com sua reação imediata e correu por cima do container para tomar impulso e fugir, desviando das vigas.
— Rowan, pode me ajudar aqui? — o grito veio de Clint, que lutava com a tal pantera negra e parecia com muita dificuldade, já que seus ataques eram facilmente defendidos.
A garota finalmente pôs os pés no chão e correu na direção da pantera, pegando-a de surpresa e lhe desferindo um chute na lateral de seu abdômen, concentrando muita energia. A pantera caiu longe, mas levantou-se rapidamente, voltando a investir numa luta corpo a corpo com Rowan que, mesmo sem habilidade nenhuma naquele quesito, seguiu com vantagem por conta de seus poderes e, quando as garras roçaram em seu rosto, agarrou o braço da armadura negra e então conseguiu ter acesso total da mente daquela pessoa, reconhecendo-a de imediato.
— Príncipe T’challa? — indagou retoricamente, arqueando as sobrancelhas. Numa fração de segundos, Clint apareceu por trás de T’challa e o golpeou na cabeça com uma de suas flechas de choque, deixando o Pantera Negra atordoado.
— Faça aquela coisa que você fez com Visão, Rowan! Rápido! — o Gavião Arqueiro gritou, afastando-se.
Depois de hesitar por alguns segundos, Rowan agarrou a cabeça de T’challa ainda sob a proteção da armadura e concentrou seu poder ali, criando uma visão na mente do príncipe que talvez seria dolorosa demais. Ela se apressou e seguiu Clint para onde acontecia o confronto entre Máquina de Combate e Sam, ela saltou na direção do Falcão e fez um escudo com as mãos, protegendo-o dos pequenos mísseis de Rhodes. Dessa vez materializou uma armadura muito semelhante ao Patriota e ordenou que eles lutassem até que tudo aquilo acabasse. Sam a agradeceu e seguiu o Soldado Invernal, que estava sendo perseguido por Peter. Ela iria atrás dele, mas Wanda apareceu em seu caminho, seus olhos castanhos estavam tempestuosos e impassíveis, e Rowan sentiu um calafrio percorrer sua espinha por temer os poderes da sokoviana, mas suas ações seguintes a deixaram completamente surpresa após ver Wanda caída no chão, incrédula. Rowan tinha pensado em Pietro, e ali estava ele, encarando a irmã gêmea tão profundamente. Sabia que tinha jogado baixo, mas não estava com tempo e nem vontade de enfrentar Wanda, não quando sabia que iria perder e os outros precisavam de sua ajuda.
De longe viu seu pai ocupado com Natasha e Steve, T’challa ainda estava sob efeito do Éter, assim como Wanda, mas Rhodes já havia derrotado sua cópia e agora lutava contra Clint. Ela decidiu então ir atrás de Peter, encontrando-o dentro do aeroporto com o Soldado e Sam, e parecia estar na vantagem. Ela viu quando Bucky levantou o braço para dar um soco em Parker, mas foi impedido pelo mesmo, porém, Sam foi mais rápido e chutou a cabeça do Homem-Aranha, jogando-o longe.
— Peter! — ela gritou, indo até o amigo que estava caído no chão, quase se levantando. — Fique quieto, a pancada foi forte. — recomendou, sentindo seu corpo relaxar.
— De que lado essa garota está? — ouviu Bucky praguejar, encarando a cena dos dois jovens ao chão.
— Ele é meu melhor amigo. — respondeu rapidamente, tirando a máscara de Peter e vendo um corte em sua testa. — Vocês está bem?
— Seus olhos … voltaram ao normal. — o rapaz sorriu de lado, meio zonzo. — Eu estou bem, com certeza. — ele levantou o tronco com a ajuda de Rowan, que o abraçou fortemente. — Ai! — exclamou de dor, suas costelas provavelmente estavam fraturadas.
— Vocês dois, vão! Os outros estão precisando de vocês mais do que de mim, eu vou ficar com ele. — a Stark voltou-se para Sam e Bucky, que a encararam em confusão mas não disseram nada, apenas correram de volta para onde acontecia o confronto. — Acho que já chega por hoje. — ela olhou para o amigo, que apenas concordou com a cabeça.
— Já chega sim.
[ … ]
Rowan estava na cama do quarto de hotel, vendo Peter urrar de dor enquanto ela curava as costelas quebradas e fechava o corte na testa dele ao mesmo tempo. O garoto estava em camisa, esparramado na cama com a menina em cima de si, cuidando de seus ferimentos. Ele estava visivelmente sem graça, mas Rowan parecia muito à vontade com aquele momento.
— Sabe, eu fiquei pensando em você o tempo inteiro desde que vim para cá. — Peter começou, olhando para a menina, que sorriu e sentiu as bochechas esquentarem.
— O que você está dizendo? — a Stark, visivelmente sem graça, apenas balançou a cabeça e voltou a se concentrar nos ferimentos do amigo.
Peter se desvencilhou dos braços de Rowan e ficou sentado de frente para ela, hesitando sobre o que falaria naquele momento.
— Rowan eu … sei que não faz tanto tempo assim que nos conhecemos mas … eu gosto de você, estou apaixonado por você. E tenho estado desde do dia do cinema. — declarou, encarando os olhos castanhos brilhantes dela. — Eu sei que a gente acabou de sair de uma guerra e que provavelmente você ficará de castigo para toda sua vida e … — ele foi interrompido quando a morena agarrou seu rosto e o beijou. Peter fechou os olhos, permitindo-se aproveitar aquele momento de surpresa.
— Eu não sei o que te dizer, Peter. — Rowan falou quando se afastaram, sentindo os lábios dormentes. — Mas acho que sinto a mesma coisa. O que fazemos agora? — indagou, extremamente confusa.
— Você quer namorar comigo? — o rapaz perguntou de repente, surpreendendo a menina.
— Namorar? — ponderou, pensando em mil e uma coisas ao mesmo tempo. — Se meu pai não me colocar de castigo para sempre e nem matar você, eu aceito sim. — sorriu, voltando a beijar o, agora, namorado.
— Eu não tinha pensado em seu pai. — Peter disse preocupado. — Mas acho que vamos ficar bem.
— Sim, nós vamos.
[ ... ]
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