O grupo andava em direção à uma lanchonete. Lucy e Amanda seguiam a frente das outras garotas. Laila parecia acanhada, mesmo as outras duas tentando ajudar ela a se soltar. Aproveitando a distração de Laila, Amanda vira para Lucy com um rosto repreensivo.

— Ei, Lucy, você não acha que foi longe demais lá atrás? Você não precisava ter sido tão incisiva...

— Eu não fui incisiva. Eu fui clara e objetiva, só isso. Você sabe melhor que ninguém que não podemos ignorar uma Lader que age por conta própria.

— Eu entendo a sua preocupação, mas a garota claramente está passando por um momento difícil... só acho que você deveria ser mais compreensiva.

Lucy coça a nuca com um ar de incômodo.

— Talvez eu tenha passado um pouco do ponto...

— Foi seu lado "Lightning" falando de novo?

— Não abusa, garota!

Amanda ri. Enquanto isso as meninas atrás das duas conversavam; Lily parecia animada falando sobre um programa que ela gostava.

— E aí o cavaleiro azul desceu com tudo e atacou o cavaleiro vermelho!

— Lily, eu acho que a Laila não está muito interessada nos Guerreiros de Safira.

Laila fazia uma expressão neutra, enquanto encarava as costas de Lucy. Kate percebeu a inquietação em cima dela e, como uma forma de empatia, coloca gentilmente sua mão sobre o ombro da garota, fazendo-a virar seu rosto para o de Kate.

— Você parece um pouco tensa, está tudo bem?

— Sim. — Ela responde de forma seca, abaixando a cabeça e desviando o olhar.

— Você não deveria levar a Mestra tão a sério. — Lily fica com um ar mais polido, chamando a atenção das duas. — Ela só... ela estava preocupada. Escuta, ela tem passado por uns momentos difíceis ultimamente. A nossa organização perdeu duas pessoas importantes, e eu tenho certeza de que isso tem perturbado muito ela. A Liz virou uma Lader praticamente na mesma época que ela, e era como uma irmã para a Mestra. E a Ayla já era Lader desde antes de ela entrar, o que faz dela praticamente uma mentora para a Mestra Lucy, quase como ela é para a gente. Fora isso, a antiga Lader Umbra tinha uma relação um pouco mais forte do que as duas...

— O que quer dizer?

— Eu não me lembro muito dela, já que ela morreu enquanto eu era bem nova ainda..., mas a Mestra e a antiga Umbra eram muito amigas. A Umbra morreu nos braços da Mestra Lucy.

— Entendo.

— Mas... Não leve isso muito a sério. Tenho certeza de que a Mestra Lucy já superou essas coisas, mas mesmo assim... ela deve sentir alguma carga de responsabilidade em cima dela agora. Existe um histórico de Laders que abandonaram o caminho e seguiram fazendo coisas pelo seu próprio desejo egoísta. Nenhuma delas foi muito longe, já que o amuleto sempre as rejeitava, mas, de qualquer forma, é papel da organização tomar conta desse tipo de coisa. Entende?

— Tudo bem, Lily, eu entendo o que você está dizendo. Eu não estou brava com ela por causa disso, de qualquer forma...

— Então por que seria?

— Motivo nenhum, de verdade. É só que... ela me lembra de uma pessoa que eu conheço. Esse sentimento que ela me passou quando estávamos negociando mais cedo me fez perceber isso.

Os dois grupos estavam um pouco distantes um do outro. Enquanto falavam, Lucy para com a mão na cabeça e se vira de lado, com um rosto envergonhado, olhando para as três garotas atrás delas.

— Ei, Laila... eu...

As duas se olham, mas Lucy parecia meio evasiva. As meninas param e Laila fita a mulher com curiosidade.

— Algum problema?

Lucy falava em um tom baixo enquanto seu rosto ficava vermelho.

— Me desculpe... se eu pareci um pouco...

— Eu não consigo te ouvir.

— Eu pedi desculpas! — Ela fecha os olhos e suspira, tomando uma pose mais confiante e olhando nos olhos de Laila. — Me desculpa se eu pareci um pouco incisiva mais cedo. Eu não queria que você se juntasse a gente de forma forçada. Se você não quiser se juntar a nós eu entendo, de verdade. Eu realmente não posso ignorar se você usar o amuleto de forma errada, mas eu não acho que será com violência que vamos conseguir resolver esse problema, se ele surgir.

— Você tem razão sobre isso.

Elas assentem com meio sorrisos e então elas voltam a andar. Se de um lado parecia que Lucy havia sido incisiva demais, do ponto de vista de Laila ela agora parecia algo mais familiar. Aquela sensação que a garota experimentava era tão nostálgica que quase a fez voltar no tempo. Sua boca se mexeu sozinha, deixando seus pensamentos escaparem por um momento.

— Eu queria que as coisas tivessem continuado assim...

Kate e Lily ouviram o sussurro da garota, mas ao invés de questioná-la sobre isso as duas se entreolharam e decidiram ignorar a frase.

"Não é da nossa conta..." Pensava Kate enquanto fitava Lily; a garota sorri em complacência e assente com a cabeça.

Algumas horas se passaram, e elas se reuniram no quarto do hotel. As cinco já haviam almoçado naquele ponto. Lucy estende um grande mapa da cidade em cima de uma das camas e começa a discutir um plano de ação. Ficara entendido entre elas que iriam se separar para buscar informações sobre possíveis movimentos da Alcateia. De qualquer forma, por mais que elas estivessem planejando parar os planos do grupo, elas não tinham quaisquer informações que pudessem auxiliá-las. Estavam tão perdidas quanto possível.

Laila passara algumas informações para o grupo, sobre a Alcateia. Eles eram divididos em pequenas facções. A casa principal era denominada "cabeça feroz", e era um grupo influente em Myura; sua influência se estendia de forma a, até mesmo, controlar o lado político da cidade, os policiais e mesmo a mídia. Porém a cabeça não costumava se meter muito nos assuntos da Alcateia de forma direta, até para garantir que sua ligação com o grupo não fosse descoberta. Até alguns anos atrás, a Alcateia não passava de um grupo de ladrões e mercenários, mas eles se recusavam a fazer trabalhos de assassinato ou coisas do tipo, mas nos últimos anos ela têm mudado bastante essa postura, e muito disso é culpa da liderança da cabeça. Fora a cabeça, existia o "corpo do lobo", que era o grupo da qual Laila fazia parte. Eles eram controlados por Robert e tinham o objetivo de mover o resto das facções.

— Mas para quem disse que não revelaria nada sobre a cabeça, você nos disse bastante. — Dizia Lily de forma jocosa.

Mas Laila sabia que mesmo com essa informação elas não poderiam fazer muita coisa. Acontece que a "cabeça feroz" já não tinha muita influência sobre o "corpo do lobo". A organização estava em crise e se dissolvendo, tudo por causa de Robert, que começou a agir por conta própria em algum ponto.

No fim das contas, se tinha algo que o grupo podia fazer naquele momento era esperar o corpo se mover.

— E quem é a cabeça que é especial para você? — Perguntava Kate, de forma cuidadosa.

— Zaira. — Responde Laila. — Mais conhecida como "Cigana" dentro da organização. Ela foi a pessoa que fundou a Alcateia. Porém ela já está velha, e não tem muita influência nos atos da Alcateia no geral.

— O que ela faz dentro da organização? — Pergunta Lucy.

— Atualmente, ela é o tesouro mais valioso de Robert. Como ela é a pessoa que fazia a intermediação entre a cabeça e o corpo no passado, eles gostam de se referir a ela as vezes como o "Pescoço do Lobo".

— Faz todo o sentido...

— A Cigana tem uma habilidade de prever certos acontecimentos sem muitos detalhes. Ela tem algumas visões que permitem a Alcateia seguir com seus planos sem serem pegos.

— E foi por isso que você disse que o ataque ao Shopping acabou saindo como planejado para eles?

— Sim. Eu imagino que, se ela tivesse previsto sobre tudo o que aconteceu, eles teriam se preparado melhor. E como eu disse, quem realizou a operação foi um grupo pequeno de dentro da Alcateia.

Lucy fica pensativa.

— Um teste então..., mas para quem?

Laila hesita.

— Provavelmente para mim.

Amanda toma a palavra e pergunta.

— Mas você não disse que deixou a Alcateia?

— Sim, mas Robert ainda tem grandes expectativas em cima de mim. E ele sabia que eu não iria abandonar a Cigana. Mas tem outra pessoa que ele queria testar, eu imagino...

— Quem seria?

— Aquela mulher dos cabelos coloridos, talvez. A organização deles veio até a Alcateia oferecendo ajuda em troca de cobaias para seus experimentos. No começo Robert não estava muito confiante com a oferta, mas logo ela se mostrou capaz de dar conta do recado. O problema é que, mesmo assim, Robert ainda acreditava que eles não eram tão confiáveis. Se a Cigana previu o que iria acontecer no Shopping, imagino que ele tenha visto a oportunidade como uma forma de se livrar dela e ainda usar vocês como desculpa para o plano ter dado errado...

— Mas isso é tudo especulação, certo?

— Sim. De qualquer forma, o grupo que vocês estão atrás não sabe sobre a Cigana, então mesmo que seja só uma especulação, ela tem uma base sólida.

— Um teste de lealdade... — Pensava Lucy. — Imagino que ele esteja esperando o grupo entrar em contato de novo com eles.

— Pela forma que ele falou comigo aquele dia, ele parecia preocupado com eles botarem a culpa em cima da Alcateia para o plano ter falhado. Mas eu sei que eles não sabem sobre todos esses detalhes que revelei a vocês.

— Ele estava apenas tentando te enganar então.

— Sim, basicamente.

Lucy encara o telefone de Laila em cima da cama.

— E ele disse que te ligaria durante a semana, certo? O fato de ele não ter restringido seus movimentos, e não ter te intimidado a ficar de bico fechado...

— Isso é óbvio, ele esperava que eu acabasse encontrando vocês e revelasse tudo isso.

— Então estamos jogando o jogo dele.

Laila assente.

— Então o teste ainda está rolando.

...

A mulher dos cabelos coloridos esperava impaciente na frente do portão. Ela parecia inquieta olhando o relógio de pulso a todo momento. Um homem se aproxima dela com um ar calmo.

— Está atrasado!

— Me desculpe sobre isso. Ainda não me acostumei com esse novo receptáculo.

O homem vestia um terno todo branco que cobria todo o corpo e usava uma máscara de plástico que cobria todo o rosto. Na máscara um rosto feminino com pequenas pinturas exóticas nas bochechas.

— Eu tenho muita coisa a ser feita. Seria interessante se você não se atrasasse sempre assim.

— Prometo que não acontecerá novamente.

— Bom. Lembre-se que eu estou no comando da operação.

— Não se preocupe, eu consigo obedecer a ordens simples.

A mulher sorri e circunda o homem.

— Perfeito. Continue assim e eu posso acabar me apaixonando por você.

— Isso seria conveniente. Nós precisamos ter uma homogenia perfeita.

— "A dupla da criação visual", o que acha?

— Prefiro "O casal da criação visual"

— Oh eu gostei disso! — Diz ela aos risos.

Eles então são interrompidos por uma fumaça que aparece próximo a eles.

— Vocês dois! Devo lembrá-los que estão em missão! Não fiquem perdendo tempo aí com conversa fiada!

Os dois olham para o mágico com risos.

— Você diz isso...

— Mas nem foi capaz de criar uma homogenia ainda.

— E claramente ainda não percebeu.

— Que a nossa arte já se completa sem muito esforço.

— Nós somos perfeitos um para o outro.

O homem sorri admirado.

— Vocês acabaram de se encontrar e já conseguiram essa homogenia? Estão até completando as frases um do outro!

— Talvez se deva a natureza de nossa arte. — Responde os dois de forma uníssona.

— Maravilhoso! Esplendoroso! M'Lady ficara muito feliz com isso! Acho que não serei necessário aqui hoje... então se me dão licença...

O homem desaparece em meio a fumaça novamente. Os dois se dirigem para um prédio no meio da cidade, o mesmo que a garota visitara no dia anterior. Os seguranças do lugar rapidamente cercaram os dois; a mulher, em resposta a atitude, começa a rir.

— Eu realmente não esperava por isso.

Robert aparece fazendo gestos para seus homens se afastarem.

— Tudo bem, pessoal, podem deixar comigo. Olha só pra você, está viva!

— Pois é, não graças ao seus homens.

— Ah, veja bem, meio curioso a forma como as coisas saíram, não é?

— Devo dizer, Robert, estou desapontada com você. Imaginei que poderia contar com seus homens para...

— Espera um pouco aí! Foi você quem disse que cuidaria das "meninas super poderosas".

— É verdade...

— E, também, você deixou claro que tomaria essa operação por conta própria. Então quem deveria estar bravo aqui sou eu; afinal, você me fez perder bons homens ontem.

A mulher fecha os olhos e coloca a mão sobre o queixo, pensativa.

— Sim... é verdade. Me desculpe por isso.

Robert coloca as mãos no bolso e encara a figura ao lado da moça.

— E quem é esse daí?

— Ah, esse é meu novo namorado!

— Na... morado?

— Sim! Ele vai nos ajudar com os próximos passos.

Ele solta uma interjeição de desconfiança, encarando-o com certa repulsa. O homem de terno branco se curva em respeito à Robert sem dizer uma palavra sequer.

— "Próximos passos" você diz... E então o que tem em mente?

— Bom, vocês não nos pagaram com cobaias boas o suficiente..., mas levando em conta o que aconteceu ontem, nossa chefe diz para não se preocuparem. Estamos quites. O próximo passo, no entanto, será algo bom para nós dois.

— Bom, estou ouvindo.

A mulher sorri e continua.

— Queremos aqueles amuletos delas para nós. E para isso vamos criar uma pequena confusão...

...

O grupo se separou. As cinco garotas se espalharam pela cidade em busca de informações. Laila tinha uma habilidade natural em se esgueirar entre a população sem ser percebida; em pouco tempo, ela chegou até um dos pontos mais importantes de informações da Alcateia: a praça do amanhecer. O lugar era palco de grandes lojas e bares, locais de entretenimento e uma grande quantidade de pessoas diariamente que perambulavam por lá, em busca de prazer ou, como Laila, informação. Mas apesar de seu talento nato na arte da furtividade, ela estava entrando na toca dos lobos naquele momento, e sua intenção era ser vista, mas era óbvio que ela estava preparada para aquilo. Subitamente o celular dela começa a vibrar, e ela esperava por isso.

— Demorou ligar.

— E você atendeu rápido.

— E então, o que você quer?

— Você é bastante corajosa de andar pela praça assim, despreocupada...

— Eu sei que você não me quer morta, ainda. E, além do mais, você estava demorando entrar em contato.

O homem ri.

— Você parece diferente. O que teria acontecido? A propósito, eu já estava pensando em ligar...

— Pare de enrolar e fale logo o que quer.

— Tudo bem. Você já deve ter se encontrado com aquelas mulheres, estou certo?

— Não vou ficar dando voltas. Sim, eu me encontrei com elas.

Ele solta uma interjeição de surpresa.

— Não vai nem tentar me ludibriar? Espero que não se arrependa depois, você sabe como eu costumo jogar.

— Se vai ficar enrolando, pelo menos me fala, como está a Cigana?

— Ela está bem aqui, com uma arma apontada na cabeça dela. Você sabe, por precaução.

— Isso me deixa mais aliviada.

Ele fica surpreso com a reação da garota e começa a dar risadas.

— Você é mesmo interessante, Laila. Eu não esperava essa reação de você! Tudo bem. Eu vou te dar sua liberdade em troca desse último serviço, e como um bônus, se fizer tudo direito eu até solto a Cigana. O que me diz?

— Estou ouvindo.

— Boa menina. Eu vou ser direto; quero que se livre de uma pessoa para mim.

— Se livrar? Está me pedindo para fazer um trabalho de assassinato? Você sabe que eu não sou uma assassina!

— Eu sei, mas não é um assassinato. Quem eu quero que você mate não é um ser humano, se é que me entende.

Laila faz um breve silêncio e segura o celular com mais força.

— Está querendo se livrar daquela mulher dos cabelos coloridos?

— Bingo. Você sabe, o grupo deles tem me dado trabalho. No começo eu achei que ia ser uma boa jogada ficar com eles, mas eles estão me fazendo perder mais dinheiro que ganhar. Você até saiu da Alcateia.

— Então é isso, você quer que eu pegue a ajuda daquelas mulheres e me livre dela para você.

— Sim, bem simples, certo? Vou falar para ela que é uma emboscada, que eu armei para vocês encontrarem ela em um certo lugar; o resto é com você. Se fizer tudo certinho, além de me tirar do seu pé, eu liberto a Cigana também.

— Posso perguntar uma coisa?

— O que foi?

— Por que está fazendo isso?

— Por quê? Já disse, eles me faze...

— Não foi isso que perguntei. Não vou duvidar de sua palavra em um acordo tão sério. É óbvio para mim que fazendo isso você se livra das suspeitas sobre seu envolvimento nessa traição, então não me admira que tenha escolhido esse método para se livrar dela. O que quero saber é: Por que você soltaria a Cigana também? Ela é sua maior fonte de renda atualmente.

— Acontece que... ela tem se recusado em fazer as previsões para mim.

— O que?

— É como eu disse. A Cigana já não é mais útil. Mas independente disso...

Ele fica em silêncio. Laila fica em dúvida quanto ao que o homem ia dizer, mas ela dá de ombros.

— De qualquer forma, eu posso confiar mesmo em você quanto a isso, certo?

— Você quem acabou de dizer que não duvidaria da minha palavra.

Laila fecha os olhos e fica pensativa.

— Vou confiar então.

— Vou te passar o endereço e mais informações por mensagem. Só se lembre, se você falhar dessa vez, eu vou fazer questão de pessoalmente te matar.

— Vou ter isso em mente.

O homem fica levemente hesitante e Laila percebe isso.

— Escuta, — continuou o homem, — o que vai fazer depois que a Alcateia cair? Você está querendo derrubar ela, certo?

— Não pensei tão longe ainda.

— Entendo. Os últimos trabalhos que nós temos feito para a cabeça tem me deixado irritado, sabe. Eu acabei conseguindo juntar uma boa grana, mas...

— Robert, você também sente falta dela, não é?

O homem fica em silêncio.

— Faça o seu trabalho direitinho, Laila.

Logo após dizer isso ele desliga, deixando Laila pensativa.

O homem, sentado em sua mesa, abre a gaveta e pega uma pequena caixa de madeira, colocando-a em cima da mesa. Ele fita a caixa com certo receio, abrindo-a logo em seguida. Uma voz ressoou em sua mente; algo que alguém dissera a ele há muito tempo.

"Se algum dia se arrepender de ter assumido a Alcateia, pode contar comigo para fugir com você. Mas se no dia que isso chegar eu já não estiver por perto, então eu só posso implorar."

"Implorar pelo que?"

"Para que não seja tarde demais."

"Eu não entendo o que quer dizer."

Ele pega o conteúdo da caixa, a fecha e a guarda novamente na gaveta.

— Naquela época eu não entendia, mas acho que agora estou começando a entender.

...

A noite cai. As meninas se reúnem em uma praça vazia nos arredores da cidade, próximo do local que Robert dissera para Laila.

— Então esse é o plano; — dizia Lucy — nós vamos nos dividir em três grupos. Laila vai se encontrar com a mulher com todos os nossos amuletos em mãos. Eu e Amanda vamos investigar os arredores para garantir a segurança, enquanto isso Lily e Kate vão ficar de tocaia para dar suporte a Laila, caso ela precise. Se algo acontecer, chamamos nossos amuletos e vamos para a ação.

Amanda ajeita seus óculos e fica pensativa.

— Não vou dizer que esse é um plano ruim..., mas claramente é simples demais. Fora que isso tudo pode ser uma armadilha para nos pegar.

— Amanda tem razão, — Diz Kate, — não tem como saber se aquele homem estava dizendo a verdade.

— Robert costuma jogar sujo; isso é fato. Mas quando se trata de negociações ele não costuma dar para trás. De fato, ele pode só estar mentindo, e tentando nos pegar desprevenidas, mas...

— Você confia nele?

— Não sei dizer. Ele parecia estranho no telefone... alguma coisa na voz dele parecia diferente.

Elas ficam pensativas, encarando o nada. Amanda fecha os olhos e começa a pensar em voz alta.

— Me pergunto se deveríamos estar jogando o jogo dele desse jeito...

— Não se preocupe, Amanda. Nosso plano vai garantir alguma segurança para gente.

— Será que vai mesmo, Lucy?

Elas hesitam um pouco. Laila fita as garotas e faz um rosto de determinação.

— Essa vai ser uma aposta perigosa... se não tomarmos cuidado será nossa última batalha. Então antes de irmos quero que me prometam uma coisa... duas se possível.

— O que seria?

— Primeiro, se possível, salvem a Cigana para mim. Se eu falhar ela vai estar em sérios problemas. Por favor, façam isso por mim. A segunda coisa é que quero que fiquem com meu amuleto. Se as coisas saírem muito erradas, quero que recuperem seus amuletos e me abandonem.

— Fora de cogitação. — Responde Kate de imediato.

— Não tente bancar a heroína, Kate. Isso não é um jogo. Se ela pegar todos os amuletos vai ser ruim não só para nós...

— Eu sei disso, mas não vou abandonar você assim.

— A Kate tem razão, Laila. — Diz Lily com um sorriso. — Se você quer salvar a Cigana, faça por conta própria; não jogue suas responsabilidades para cima da gente.

— Vocês estão prestando a atenção? Se vocês morrerem, quem vai lidar com esses caras?

— Se nós não os derrotarmos agora, não seremos capazes de derrotar depois também.

— Lucy, Amanda, vocês são mais sensatas que elas, certo? Diz para elas!

A mulher fica hesitante, cruzando os braços e fechando os olhos pensativa. Amanda desvia o olhar para o chão, sem saber o que dizer. Lucy encara as garotas e começa a falar.

— Se seguirmos a lógica, essa é a melhor estratégia no momento. Mas se fizermos isso vamos estar, literalmente, só te levando para a morte. Qual seria o propósito de todo esse momento?

— Lucy tem razão. Se formos considerar "a melhor estratégia", deveríamos simplesmente ignorar a dica de Robert e seguir investigando mais.

Elas ficam pensativas e em silêncio.

— Vocês não estão só sendo um pouco pessimistas demais? — Pergunta Kate de forma inocente. — Tenho certeza de que nós cinco damos conta daquela mulher; ela não tem chance com a gente, certo? Da última vez, a Lucy acabou ficando em desvantagem, mas tenho certeza de que se a situação fosse diferente ela teria conseguido lutar melhor contra aquela mulher.

— Na mensagem que ele mandou, ele disse que teria um outro oponente também. Nós não sabemos a força nem a habilidade dele ainda.

— Mesmo assim, são cinco contra dois; tenho certeza de que se montarmos uma boa estratégia podemos lidar com eles.

— Bom, ele disse que a Alcateia não vai interferir dessa vez, e disse que isso foi um pedido da própria Pintora.

Elas se entreolham em silêncio por alguns instantes e Lucy finalmente faz a pergunta.

— E então, com tudo isso em mente... Nós vamos arriscar ir até lá?

Laila encara o seu amuleto com um rosto sério e determinado. Ela aperta o objeto com sua mão com bastante força e volta seus olhos para as amigas.

— Sim. Vou dar esse voto de confiança para essa informação. Mesmo tendo vindo de Robert, alguma coisa dentro de mim me diz para acreditar.

Sua mente parecia levá-la à um passado que parecia distante. Era como se não fosse ela mesma quem estivesse sentindo todas aquelas coisas, mas uma Laila muito diferente, que não estava mais presente.

...

No centro da cidade, no entanto, o homem da qual elas falavam permanecia parado na frente de um grande quadro de linho. A pintura naquela tela remetia à uma bela paisagem de um campo florido, cercado de montanhas. Ao olhar para ele, o homem podia sentir uma certa paz, quase como se ele saísse de si e entrasse dentro do quadro, imaginando coisas que um dia talvez tivessem acontecido, mas Robert já não tinha certeza se eram mesmo verdade. Ele pegava o cigarro com a boca e dava uma leve tragada enquanto admirava a obra. No canto inferior direito uma pequena assinatura chamava a atenção dele; enquanto ele sentia-se triste em encará-la, uma voz toma sua atenção, vinda de trás dele.

— A culpa já está te consumindo, não estou certa?

Ele se vira, pegando o cigarro em seus lábios e soltando a fumaça pelo seu nariz.

— Você vem até aqui sem nem hesitar, não é à toa que já foi a líder dessa organização.

— Eu não tenho medo de você, Robert. Eu te conheço desde que você era um moleque levado que batia carteiras nos subúrbios da cidade.

Ele olha para o maço em seus dedos e fica pensativo. O homem, depois de pensar um pouco, responde a pergunta dela.

— Como este objeto; quanto mais eu penso sobre, mais rápido ela me consome. Deixando isso de lado, o que fez com os guardas que te vigiavam?

— Eu estava cansada de ficar me lamentando naquele quarto, eles não me deixavam sair... foi inevitável.

— Você os matou?

Ela dá um peteleco na testa do homem, assustando-o.

— Com quem você pensa que está falando? Sou uma ladra, não uma assassina. Só apaguei eles.

Ele fica hesitante por alguns segundos, mas rapidamente volta a si, tossindo levemente.

— Você deveria parar de fumar, isso faz mal a sua saúde.

— Cuida da sua vida.

A mulher anda até o quadro e fica de frente para ele, segurando seu pulso atrás do quadril.

— E então, se decidiu para onde vai agora? Eles não devem demorar derrubar essa organização.

— Eu juntei dinheiro o suficiente para viver o resto da minha vida sem me preocupar com mais nada. Estou bem cansado disso tudo, para falar a verdade.

— Você não está fazendo nada errado, Robert. Se tem alguém que errou fui eu. Eu fui muito complacente com tudo que você fez. Mas fico feliz que esteja dando a volta por cima ao ponto de até mesmo desfazer a Alcateia.

— Do que está falando, sua velha gaga? Eu não estou desfazendo a Alcateia.

— Vai continuar com essa atuação mesmo?

Ele suspira e joga o cigarro no chão, pisando nele e apagando-o.

— Você tem razão, não há por que eu continuar fingindo me importar. Tudo que eu tinha foi tirado de mim em menos de um ano. Se eu não tivesse sido tão idiota, as coisas nunca teriam ficado assim.

Os dois começam a ouvir um barulho de passos apressados pelo corredor; ao virar seus olhos em direção ao barulho eles veem um capanga, desesperado, se aproximando correndo.

— Chefe! Más notícias! A Cigana fu... — Ele para de falar ao ver a mulher o encarando ao lado do chefe.

— O que foi? Veio correndo até aqui só para me informar isso?

— Na verdade não, nós também estamos sendo atacados!

— Foi mais rápido do que eu pensei. E então, Zaira, está feliz? Você ganhou no fim da contas, como sempre. Tudo pela sua menina, certo?

— Ela não é minha menina, Robert.

— O que, vai dizer que ela é minha menina nessa altura do campeonato?

— Não. Ela não é minha nem sua, você sabe disso.

Zaira volta a olhar para a assinatura no quadro da parede. A letra era estilosa e harmoniosa, escrita com uma cor vívida de um vermelho sangue: Zefira Mayuri.

— "Nossa menina", não é?

— Sim.

O homem parado perto dos dois parecia aflito, ele começa a gritar.

— Chefe, não está prestando atenção! Nós vamos ser presos! Eles descobriram tudo! Alguém revelou informações cruciais sobre a organização, um dossiê completo!

— Eu sei disso, não se preocupe.

— Mas...

— Se está tão preocupado em ser preso, o que está fazendo aqui ainda? Se eu fosse você estaria correndo para bem longe agora.

O homem fica com um rosto confuso e assustado, ele começa a correr para além do corredor, desaparecendo sobre o som de confusão que já era audível a esse ponto.

— Vai se entregar?

— Nem ferrando. Não estou tão arrependido a esse ponto. Vem comigo.

Robert e Zaira começam a andar para o lado oposto de onde o homem fugira. Eles adentravam ainda mais o prédio, até chegar em uma porta dupla no ponto mais alto do prédio. Assim que Robert abriu a porta, com a chave que pegara mais cedo, a poeira de dentro do lugar saiu e se elevou pela sala. O lugar estava tão sujo quanto um prédio abandonado. Dentro da sala, vários móveis jaziam cobertos em panos brancos, e o lugar parecia totalmente com um quarto assombrado.

— Eu não entro aqui há um tempo.

— É bem claro isso. E então, por que me trouxe aqui?

— Você sabe onde estamos, certo?

— Era o quarto de Zefira, certo?

— Sim. Ela tinha me dado uma coisa uma vez, usando a habilidade dela.

— Entendo.

— Ela disse para eu usar quando fosse necessário. Bom, é a hora.

Ele começa a mexer em alguns dos móveis a procura do objeto. Ele chega até uma caixa de papelão no fundo da sala, e rapidamente a abre. Dentro um grande quadro, do tamanho de uma pessoa. No quadro havia uma pintura nos mesmos traços da que Robert encarava mais cedo.

— Não tem problema? Vai ser consumido assim que for usado.

— Está tudo bem, ela me deu isso com esse objetivo mesmo.

— Nós dois vamos conseguir usar?

— Sim. Ela me garantiu isso.

Ele coloca o quadro sobre o chão, gentilmente, e se afasta um pouco, estendendo sua mão sobre o objeto e fechando os olhos. Um brilho começa a surgir e uma luz começa a se formar em cima do quadro, como uma grande moldura brilhante, e a mesma pintura dentro do quadro se materializa no ar dentro dessa moldura.

— Te garantiu? Você diz como se ela soubesse que isso um dia fosse acontecer.

— Zefira era esperta, você sabe melhor que ninguém disso. Ela sabia que, se eu continuasse com a Alcateia, uma hora ou outra algo assim aconteceria. Ela se preocupava com a família, também.

— Comigo?

— Acha mesmo que vou te abandonar depois de tudo isso? Zefira me mataria se eu maltratasse a mãe dela a esse ponto.

— Você diz isso logo depois de me deixar trancada dentro de um quarto.

Ele estende a mão para Zaira, que gentilmente aceita a oferta. Os dois andam para dentro da pintura mágica acima do objeto e desaparecem para dentro dela. Em poucos segundos, a luz desaparece, e o quadro entra em combustão instantânea, queimando-se rapidamente. O fogo começa a consumir o ambiente, se espalhando por toda a sala.

...

As meninas se preparavam para entrar em suas posições. Ambas chegaram ao local juntas, e depois de repassarem o papel de cada uma, elas se separaram. Amanda e Lucy se dirigiram para o fundo do lugar, de forma discreta e com bastante cuidado para não serem vistas por ninguém. O local era uma grande área aberta, cheia de containers e galpões; aquilo parecia ser algum tipo de distribuidora. Naturalmente, esse tipo de lugar geralmente é vigiado e bastante ativo, mesmo durante a noite, mas por alguma razão ele parecia vazio. Isso acabou criando um gatilho em Lucy de preocupação; ela parecia incomodada com o fato de não ver ninguém trabalhando no lugar. Laila dissera que, provavelmente, tinha sido coisa da Alcateia, pois eles manipulam grande parte da cidade, então eles podem ter preparado tudo para este momento.

Laila, Kate e Lily partiram para o galpão onde seria realizado a troca dos amuletos; naturalmente, Kate e Lily seguiam de forma cuidadosa a sua amiga, e mantinham-se a uma distância considerável dela.

Lucy faz um sinal para Amanda, fazendo-a parar instintivamente.

— Sentiu alguma coisa, Lucy?

— Não. Esse lugar parece morto. Eu não sinto ou vejo nada de estranho...

— Por que paramos então?

— Não acha isso estranho, Amanda? Eu não paro de pensar sobre como que aqueles caras seriam tão descuidados.

— Sim. Eles devem ter alguma coisa em mente, uma rota de fuga pelo menos, para se as coisas dessem errado.

— Não, eles não precisam de uma rota de fuga. Eles podem usar aquele cara da cartola para fugirem, se precisarem. O que me preocupa é o fato de eu não sentir magia ou mesmo corrupção pelo ambiente... Lembra do shopping? Eu me lembro de sentir magia naquela pintura antes. Eu imaginei que ela fosse deixar várias daquelas coisas espalhadas por aí, mas não parece o caso.

— É por isso que você tinha nos separado das outras? Você queria garantir que as pinturas dela não atrapalhassem?

— Algo assim. Lembre-se, eles podem controlar a corrupção também. Então imaginei que poderia haver algum foco por aqui.

Amanda começa a olhar em volta, pensativa; é quando um logo de uma empresa chama a sua atenção. Pintado em um dos containers do local, o logo era bem chamativo, pois era famoso no mundo inteiro.

— ARPA? O que esse container faz aqui?

Associação Restrita de Pesquisa Autônoma, ou mais comumente conhecida como ARPA; essa era uma das empresas mais conhecidas do mundo. Trabalhando com diversas áreas diferentes da indústria, como medicina, tecnologia e até mesmo produtos domésticos; o conglomerado era mundialmente famoso por sua qualidade e perfeição. Porém, algo em específico dava uma fama maior a estes: eles não respondiam a nenhum país ou organização política. Apesar de sua fama, muitas vezes o grupo era associado ao lado mais obscuro da indústria. De forma anárquica, eles distribuíam seus produtos para quem pagasse. Por ser uma empresa anônima, o grupo se mantém quase que nas sombras, vendendo seus produtos à diversos países e figuras políticas importantes, mas ninguém sabia onde realmente sua sede ficava. Muitos consideravam o grupo como um grupo criminoso. Mas uma coisa era certa, se você contratasse seus serviços, você receberia o produto, independente de quem você fosse.

Tanto Lucy quanto Amanda sabiam desses detalhes, e claro que todo o mundo sabia também. Lucy, no entanto, tinha uma boa ideia do que talvez teria ali dentro.

— Provavelmente são armas.

— Então esse lugar todo pertence mesmo a Alcateia? Que loucura...

— Parece que estamos mexendo com pessoas bem maiores do que pensávamos... se a Alcateia tem um poder tão absurdo a ponto de fazer negócios com a ARPA, então pode ser que a própria Laila não saiba do poder real dela.

— Devemos nos preocupar, Lucy?

Ela fica pensativa. A mulher coloca as duas mãos sobre o container e fecha seus olhos. Naquele ponto, Lucy acabara aprendendo a usar melhor a habilidade que descobriu no shopping. Seus sentidos eram aguçados por magia, permitindo-a "enxergar" coisas antes ocultas. Seu raio de visão se estendia por quase um quilômetro, fazendo uma corona elétrica suave que não podia ser sentida por ninguém, apenas por ela. Com isso ela não enxergava apenas o ambiente em que estava, mas também podia ver através de paredes. Mas mesmo usando essa habilidade...

— Estranho... eu não consigo enxergar o que há dentro deste container.

— Acha que eles podem ter algum mecanismo antimagia?

— Bom, isso não é impossível... um grupo tão grande como esse, eu duvido que eles não tenham pessoas especializadas em magia.

— Então vamos fuçar da maneira antiga.

Amanda vai até a porta do container e começa a abrir os lacres. As duas puxam a porta dupla e veem vagarosamente a luz exterior adentrar e iluminar o lugar. Elas veem vários caixotes empilhados. As duas entram e começam a abrir as caixas, de forma cuidadosa. Amanda acha uma caixa cheia de estacas estranhas, como dardos. Lucy abre uma outra caixa maior que continha peças separadas de algum aparelho estranho.

— Amanda, você reconhece isso?

A garota se aproxima de Lucy e imediatamente percebe o que era aquele objeto.

— É o mesmo objeto que eles usaram no shopping, aquele scanner.

— O que é isso na sua mão?

— Eu não sei...

Lucy vai até uma caixa menor e a abre, revelando várias pistolas e metralhadoras com aspecto estranho.

— Parecem armas de brinquedo... — Comenta Amanda.

— Não sei por que, mas posso te garantir que não são.

Em outra caixa, elas encontraram vários aparelhos médicos e instrumentos de laboratório.

— Por que a Alcateia precisaria de todas essas coisas?

— Eles não precisam.

— Como assim, Lucy?

— Esse lugar não é da Alcateia. Esse lugar é deles.

— Do Artista?

— Sim. O Larry me disse que a polícia daqui recentemente têm encontrado coisas estranhas... aposto que eles são mesmo os responsáveis.

Enquanto isso, Laila entrava cautelosamente no galpão. Kate e Lily a seguiam sem levantar suspeitas.

A garota logo viu a silhueta da mulher no centro do galpão, com as costas iluminadas por dois holofotes, um a sua esquerda e outro a sua direita.

— Finalmente nos encontramos novamente, ratinha.

— Você está sozinha? Achei que teria outra pessoa com você. Foi o que Robert me disse.

— Ah, fala do meu namorado? Ele está andando por aí.

Laila começa a pensar sobre o plano de Lucy.

"Ela tinha razão, eles vão mesmo tentar conseguir alguma vantagem espacial."

— E então, está com os amuletos?

— Sim.

Ela pega os objetos de seu bolso, revelando-os para a mulher.

— E o que planeja fazer com eles? Assim que elas perceberem que sumiram, elas vão chamar eles de volta.

— Você tem razão. Mas não se preocupe com isso, nós não vamos deixá-los voltarem para elas.

De repente as portas do galpão se fecham. Laila olha assustada para trás e começa a se afastar da mulher, que permanecia parada. subitamente as luzes dos holofotes se apagam e tudo fica em silêncio. Kate e Lily, que estavam nos arredores, se juntam a Laila, a fim de protegê-la.

— O que está acontecendo?

Lily coloca a mão sobre o comunicador em seu ouvido e começa a chamar por sua mestra.

— Mestra! Hora do plano B! Mestra? Ela não responde.

Kate faz uma bola de fogo com sua mão e aponta para a direção da mulher, a fim de iluminá-la; é então que as três entendem.

— Uma estátua?

Uma escultura perfeita da mulher permanecia parada ali, fitando-as.

Enquanto isso, Lucy e Amanda se esquivavam de um golpe que destruíra o container onde estavam. Era uma mão gigante, do tamanho de uma pessoa. A criatura que atacara tinha um aspecto humanoide e era feita de pedras, uma perfeita estatua que se movia sozinha. Em seu ombro direito, um homem de terno branco usando uma máscara; em seu ombro esquerdo, a mulher de cabelos coloridos, que fitava as duas com risadas.

— Amanda!

— Eu sei!

As duas tentam chamar seus amuletos, mas é em vão. Os objetos não apareciam.

— Eu realmente não pensei que vocês fossem tão estúpidas a ponto de cair em uma armadilha tão simples! Mas parece que eu me enganei perfeitamente!

No meio de sua fala, no entanto, ela escuta um barulho ensurdecedor vindo do galpão principal. Ambos olham para a direção do lugar e o gigante rapidamente estende sua mão, defendendo a porta que veio voando em sua direção. As três garotas saem ilesas do local. Kate permanecia com suas mãos estendidas em direção à porta do lugar, com um rosto sério e concentrado.

— Mas... como? Como vocês conseguiram destruir a porta do galpão?! Deveria ser impossível, mesmo usando magia!

— Garotas, os amuletos! — Grita Lily.

Amanda e Lucy rapidamente chamam seus amuletos de volta, imediatamente se transformando.

Lily e Laila começam a correr em direção a elas, mas Kate permanecia parada com suas mão estendidas. É então que Lily para de correr e olha para trás, apenas para ver Kate desmaiando e caindo de bruços no chão.