Lion's Curse

3 Devemos começar?


Notas iniciais
Bem, graças as comentários que me estimularam tipo MUITO decidi postar a segunda parte do capítulo anterior. Acabar logo coma tensão e mostrar o primeiro encontro deles. Enfim, este tempo recorde de postagens, espero que gostem e perdoem meus erros ortográficos. Agradeço imensamente todo carinho, apoio e comentários. Dedicado a todos vocês, está aí, mais um capítulo de Lion's Curse.

" Você acha que seu mundo está a salvo?
Isso é uma ilusão.
Uma mentira reconfortante dita para te proteger.
Aproveite estes momentos finais de paz...

[...]

Então, devemos começar? "

— Khan — Star Trek | Into The Darkness |—

Shaka

É muito comum vermos imagens de Durga na Índia. Estão por todo o lugar. Ela é uma das grandes adoradas até hoje, mesmo sobre nossa nação que se transformou na "Nova Índia"; Para ser exato a "Nova Índia" sem castas e com templos abandonados teve seu começo há 50 anos.

Comumente vista montada sobre um tigre e raramente vista sobre um leão. Sabem a diferença? Tigre representa seu poder de ser destrutiva e cruel. Seu poder de ser castigadora e assassina. Seu poder de ser bestial. O leão? Significa uma trindade harmoniosa entre poder, justiça e proteção. Em outras palavras: Se um dia fosse ver ela face a face, preferiria muito mais vê-la montada em um leão estendendo a mim um de seus braços com uma lótus do que montada em um tigre brandindo contra mim sua gada. Acho que o quesito nacionalismo aliado ao patriotismo ajudaram a banir as imagens de Durga com um animal estrangeiro para transformá-la na deusa poderosa montada no animal que nos representa em tantas lendas.

Minha cabeça se concentrava nisso enquanto meus pés desbravavam a mata em uma trilha desconhecida seguindo o rastro do meu leão. Sabe, gosto de manter a mente focada em algo, assim meu cérebro não processa meus músculos queimando e retraindo exigindo algum descanso. Isso ajuda também a afastar a voz de minha sanidade que começava a gritar do outro lado do abismo chamado "Aiolia" onde se encontravam meus sentimentos. Lá junto a sanidade estava de mãos dadas sua irmã gêmea, razão. Ambas gritavam toda via suas vozes morriam antes de alçar o outro lado onde além de minhas emoções estava também a força motora de meu corpo. O abismo tinha se abrido em um abalo sísmico chamado "A fuga do meu leão".

9,8 na escala de minha mente.

Quase me dividia por completo entre ir atrás da insanidade ou ficar com sanidade. Por sorte se sair vivo desta acho que consigo fazer as duas andarem juntas e de mãos dadas novamente e, claro, deixando a insanidade sempre bem calada.

Meu pé direito ficou preso em uma raiz e a física fez seu trabalho jogando meu corpo contra o chão. Meus cabelos — presos por um rabo de cavalo — ficaram engatados em algum lugar. A queda doeu por estes dois motivos. O impacto direto do rosto no chão e o puxão brusco nos meus cabelos rasgando a fita que prendia meus fios loiros. Meus cabelos chicotearam minhas costas e caíram de encontro a lama fria.

Levei as mãos a areia e vegetação rasteira e dei impulso ao meu corpo. Me levantei um perna de cada vez. Sentia o gosto de ferro na boca e o sangue pingava das minhas sobrancelhas manchando minhas bochechas. Mãos raladas e joelhos injuriados. Meu tornozelo doía, mas nada que considerasse além de um contusão; Cuspi o sangue e olhei a trilha a dentro. Eu devia deixá-lo seguir seu caminho. Eu devia ir até Sísifo. Quem eu achava que era? David Salmone? Indiana Jones? Bear Grylls?

Não! — minha mente gritou.

Eu não domava leões como David. Não tinha chicote ou a habilidade de Indiana e muito menos era um sobrevivente como Bear. Eu não era a prova de tudo. Olhei para trás e fitei as luzes ao longe penetrando por algumas frestas entre troncos. Eu iria voltar! Tinha até mesmo perdido o rastro do rei da savana.

Estava dando a volta quando pensei ter visto pela minha visão periférica a sombra de um homem correr por entre as árvores. Um alto e de corpo forte. Meu corpo gelou. Sísifo? As suas pegadas continuaram e ele saiu do amontoado de bambus e árvores em um pulo. Não era um homem, era meu leão.

Ele parou alguns metros de distância e me fitou intensamente novamente. Sorri e caminhei, alguns passos apenas, e ele voltou a correr em disparada na minha frente.

Instigado como um ser humano idiota que tanto xingamos nos filmes de terror, eu o segui. Fui pegando velocidade conforme ele ia se esgueirando entre as árvores. Mangueiras e outras de espécies que aposto que nem mesmo pensavam existir na Índia, todas entremeadas com bambus e junco. Apertei meu passo gritando seu nome.

Algumas vezes ele olhava para trás, outras apenas apertava seu passo como se quisesse me despistar; Contudo se eu detinha meus passos ele imediatamente parava os seus. Olhei-o com raiva.

— Olha só! Não estou aqui para brincar, está me entendendo? — gritei em meu pior e mais ameaçador tom de voz, mas ele só continuou. — Zombando de mim, Aiolia? Achei que éramos amigos!

Apelei para o sentimental, mas isso só os fez olhar por uns minutos para mim e continuar sem pique — pega estúpido.

A tempestade piorava tudo. Visibilidade se tornava precária entre as nuvens fortes e só conseguia visualizar corretamente o caminho com a ajuda dos clarões. Meus pés esbarravam em todo tipo de coisa e uma delas tive quase certeza ser uma cobra rei. Se parei para verificar? Não parei e nunca pararia.

A certa altura quando enfim eu já não podia ter mais visão de luzes ou cidade ele parou dando as minhas pernas o merecido descanso após 20 minutos de corrida. Corrida pelo lado ele, passos tropegas e rápidos de mais pelo meu. A velocidade com que meu cérebro processava as coisas era nauseante e ele pareceu compreender que eu tinha alcançado um limite.

Aproximou-se com cautela e encostou o focinho molhado nos meus ombros. Eu empurrei sua cara para longe.

— Nem vem! Estou perdido, cansado e com fome!Não vou te perdoar tão cedo! — adverti e recebi um resmungo ranzinza pelo lado dele. — E não resmungue, você sabe que...

Então ele colocou a pata na minha cara como se exigisse silêncio. Estava pronto para retrucar e falar poucas e boas, contudo me calei ao notar ele empertigar seu corpo em uma postura ereta e olhar fixamente entre as árvores. Soube no mesmo momento: Estávamos sendo caçados. Seus olhos rodaram e varreram a floresta, sua respiração de leão se tornava rápida e, empurrando com ambas minhas patas, meu corpo contra o chão compreendi sua ordem. Me abaixei entre as raízes e tapei os ouvidos.

Um rugido ensaudecedor brotou de seus potentes pulmões. Ele virou o rosto para o lado e da bocarra coberta de dentes escancarada em um carranca mortal ele fez outro rugido botar. Ainda mais alto. As vibrações penetravam minha pele e tremiam meus órgãos. Ele saltou e ouvi o começo de uma briga entre vida e morte. Ergui os olhos bem a tempo de notar os felinos rolando pelo chão. Partiram floresta a dentro. Tigre e leão em um embate mortal.

Seus rugidos espantavam as aves de seus poleiros que saíam grasnando e no céu o espetáculo agourento se formava. As nuvens choravam sobre nós e os trovões eram impetuosos. Os arbustos moveram apenas um pouco e meu corpo me impeliu a começara a correr por minha vida. Desta vez minha motricidade estava em comando de minha razão e sanidade.

Ela me impelia a ir cada vez mais rápido como se a própria morte viesse me seguindo logo atrás. E vinha. Na única vez que olhei notei os pelos rajados e a velocidade medonha de meu caçador.

Continuei e, sem calcular o que viria pela frente, cai rolando um barranco completo a baixo. Meu corpo girava e batia em pedras e raízes. Por mais que usasse minhas unhas para tentas firmar em alguma coisa tudo que eu conseguia era quebrá-las e sentir mais dor. O tigre caiu comigo e rolava bem a minha frente soltando rugidos nada contentadores.

Bati com força contra uma pedra. O cheiro de sangue era forte e nauseante. Meu corpo se recusava a dar qualquer passo, mas minha cabeça lutava contra meus limites. O tigre estava ali também.

Ergui meu corpo e o animal já se punha sobre suas quatro poderosas patas. Se eu não estivesse tão preocupado em sobreviver, até teria notado que chegamos a uma ruína abandonada feita de pedra e coberta de líquen e musgo. Notaria que minhas unhas sangravam e havia uma farpa gigante atravessando meu antebraço. Comecei a dar passos para trás subindo as escadas do templo abandonado e o felino andava com calma. Me analisava, avaliava se eu já estava ferido o bastante e se ele — com o restante de energia que ainda tinha, afinal também estava bem machucado com a queda — me mataria sem nenhum esforço considerável.

Que irônico. Meu guarda costas, leão, tinha saído em batalha com um tigre, contudo não parecia que aquele era o único tigre me caçando. Ele deu um passo e rugiu. Regredi dois passos caindo sentado no pátio de pedra. Gritei de dor. Todo meu corpo doía.

Uma flecha passou zunindo por meu ouvido e acertou gloriosamente a pata do animal. O tigre grunhiu de dor olhando a própria pata e olhou desafiador para cima de onde me encontrava. Segui o olhar vislumbrei Sísifo. Era Sísifo?

Usava elmo e uma armadura tangencialmente grega. Peitoral protetor, uma espécie de bota até os joelhos e sobre as costas das mão subindo até o cotovelo uma carapaça dura. Na cintura uma espada, na mão o arco e nas costas a aljava. Pulou para o chão e, assim que tomou minha frente tirou o elmo e lançou-o no chão. Puxou outra flecha e apontou diretamente para o animal como se o desafiasse. O arqueiro se postou na minha frente e ouvi sua voz.

— Está muito ferido? — Indagou.

Bingo!

Sísifo.

O que ele fazia naquela fantasia de guerreiro retrô?

— Não mortalmente. — falei tentando fazer graça.

Ele suspirou aliviado.

— Graças ao meu Zeus! Se você morre, Aiolia me come no café da manhã e por Era! Ele come mesmo. — disse aliviando a postura quando o animal já bem ferido admite sua derrota e corre para a mata mancando.

— Não compreendi... — murmurei e ele sorriu oferecendo a mim a sua mão. Achei que era para pega-la e me por de pé, porém assim que ele segurou meu pulso puxou de uma só vez o galho enterrado em meu antebraço arrancando um grito de dor da minha garganta.

— Perdão, mas é mais fácil quando fazemos sem avisar. Dói menos. — ele informa e se ajoelha, rasgando um pedaço da minha túnica e enrolando em meu braço.

Ele se portava como um guerreiro experiente fazendo-me questionar quais a possíveis guerras ele serviu. Fez um torniquete e sorriu para mim.

— Prontinho. Quase novinho em folha. — disse e engoli meu veneno ao notar que ele estava se esforçando para ser bom e gentil.

Não merecia minha acidez.

— Quase inteiro. — murmurei — Quando notou que ele tinha fugido e minha falta?

Ele desviou o olhar para o chão sem um lugar específico, retraindo o maxilar e mordendo o lábio inferior.

— Bem.... — começou — Eu o soltei...

Olhei-o incrédulo. Ele soltou? Ele deixou um animal perigoso solto? Por que? Qual motivo? Que ele ganharia com isso?

Antes que pudesse bombardear seu ser com minhas perguntas e interjeições de reclamação o leão entrou no meu campo de visão. Engoli em seco.

Ele mancava e tinha seu flanco dilacerado por mordidas e arranhões. Sua juba pingava sangue e uma pata parecia estar quebrada. Ele parou e me fitou calmamente correndo seus olhos por meu corpo analisando para ver se eu estava inteiro. Quase pude ver a lista passar por seus olhos "Cabeça, confere. Ombros, confere. Joelhos, confere. Pés, confere"; Havia um arranhão sério que vinha de sua juba e cortava seu rosto na transversal, alcançando seu focinho. O sangue pingava livremente pela sua boca.

Corri até ele imediatamente deslizando sobre meus joelhos sobre a grama baixa e as pedrinhas bem a tempo se ele deixar sua cabeça cair em meu colo. Toquei todo seu rosto e acariciei a juba. Ele grunhiu triste e meus olhos se encheram de lágrimas.

Eu não queria perdê-lo.

— Não! Não! Não! NÃO! — gritei agarrando sua juba e deitando sobre a mesma chorando alto.

A juba lentamente sumiu como fumaça e meu rosto caiu de encontro a um pescoço. Forte e bronzeado. Toda a pele era assim. Forte e bronzeada. Ergui o rosto e tomei distancia do homem desmaiado ali.

Foi neste instante que meu destino me encontrou. Foi como se tudo que vivi antes fosse um teatro para aquele momento. Senti a ponta de meu destino se unindo ao daquele homem ali. Aquele homem coberto de machucados que eu tinha enxotado do meu colo.

Ele abriu os olhos e reconheci os olhos do meu leão, era o Aiolia ali. Como? Por que? Desde que quando eu tinha perdido o controle sob meu destino? Quando tudo tinha se embaralhado tanto.

— Aiolia... — murmurei e o homem rolou ficando de barriga para baixo se apoiando nos braços de músculos insinuantes sorrindo para mim enquanto se punha de quatro.

— Shaka... — ele murmurou estendo a mão para mim e exibindo a bela fileira de dentes reluzentes. Eu via o leão nele. Vendo a dúvida em meus olhos ele se ajoelhou e tocou o próprio peito — Shaka sou eu.... Aiolia...

Corri os olhos dele para Sísifo e depois para ele. Seus ferimentos pareciam bem. Como uma cicatriz por baixo de todo sangue. Suas roupas consistiam em uma calça de linho e uma blusa já gasta em um corte em V com um cadarço entrelaçado ali. Parecia um dos guerreiros em pinturas. Lembravam a Grécia antiga.

Ele tomou minha mão, e eu nem mesmo notara quando ele cobriu o espaço entre nós, e colocou sobre seu peito quente fitando profundamente. O mesmo olhar do leão. Aquele olhar que me lia como um livro aberto.

— Shaka sou eu! Sou seu leão. Sou eu... Aiolia...

"

" Estou cativada pelo feitiço de seu deleite e de seus olhos pacíficos.
Mas por que estou rodeada pelas sombras deste lugar, esta noite?

Estamos no meio desta selva.

[...]

E você, quem é você? De onde veio? Para onde foi meu tigre?
Ele sorri com seu sorriso branco:

Eu sou ele. "

— Kelseys Lament ( A Maldição do Tigre ) Por Vonabell

"

Notas finais
Recomendação de música da vez: https://www.youtube.com/watch?v=8jkqD_1-z50
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.