Linstead - Escolhas
3 Capítulo 03
Notas iniciais
Jay ainda estava desnorteado com o beijo que Erin lhe deu horas antes. Queria ter ido direto para seu apartamento com ela, mas Voigth o esperava na delegacia. Não tinha ninguém no escritória além dele e Voigth, que estava sentado atrás de sua mesa o encarando entrar.
– Feche a porta. — se acomoddando mais na cadeira. — E sente-se.
Pela cara de poucos amigos, o dia dele também não tinha sido dos melhores. Jay se acomodou na cadeira e esperou.
– Sei que a Erin está em seu apartamento.
– Não acho que essa é uma conversa que devemos ter, Hank.
– Minhas regras... — não conseguindo terminar, pois Jay levantou batendo na mesa.
– Eu sei quais são suas regras, não preciso que me lembre disso.
– Jay.
– Tem algo pra me dizer que eu ainda não saiba Voigth?
Hank o encarou e parecia travar uma batalha com si mesmo. Ele levantou e se aproximou da janela, a rua estava calma, somente algumas viaturas estavam estacionadas na porta da delegacia.
– Você não tem nem ideia do que tive que fazer para tirar a Erin da vida que ela tinha se enfiado. Meus métodos não são os mais corretos, mas por ela eu faria qualquer coisa.
– Nunca tive duvidas disso.
– Mas eu também presenciei todos os caras que passaram na vida dela e mesmo com minhas regras ela nunca lutou por eles. Ela sempre acatou aquilo que eu impus sem contestar.
Jay começava a entender onde ele queria chegar, mas não o interrompeu, deixou que ele continuasse a falar.
– Não me importo de que meus agentes se relacionem, não é da minha conta o que eles fazem fora daqui desde que não prejudique minha unidade. Só que essas regras precisaram ser feitas para que eu soubesse quem realmente faria diferença na vida da Erin, ela nunca agiu desse modo antes, Jay. Por ninguém.
– E você quer que eu me sinta especial por ela estar assim mesmo não estando comigo
– Não, quero que você tenha paciência e a faça entender que só depende dela que minhas regras caiam por terra.
– Como assim?
– Quero que ela diga o que quer, não aceito imposições, quero ouvir da boca dela que o relacionamento de vocês é sério.
Por mais que aquilo soasse um absurdo, Jay observou o tom de imposição que Hank usava. Era como se ele estivesse desafiando a própria filha a bater de frente com ele.
– Acho que você perdeu a noção de certo e errado, Hank. Como um pai pode querer colocar a própria filha nesse tipo de conflito?
Sem ter mais estomago para ouvir nada, ele levantou e seguiu até a porta, mas antes de sair ele se virou para Voight, que o encarava.
– Eu amo sua filha, coisa que eu nunca disse pra ela. Se um dia a gente ficar junto é porque ela sente o mesmo que eu, mas não espere que eu peça para ela escolher entre nós dois ou coloca-la em meio a um conflito que só a faria ficar ainda pior.
Assim que fechou a porta, Jay teve voltando de voltar e dar um soco na cara dele, mas não adiantaria descontar sua frustração agora. No fundo ele também queria que Erin assumisse o que sentia por ele e lutasse por isso, mas jamais teria coragem de coloca-la contra a parede como Hank queria.
–-
Erin estava deitada na cama de Jay a algumas horas, desde que chegou ela não conseguiu fazer nada além de ficar ali, relembrando como tinha sido feliz pelos poucos meses que estiveram juntos.
Ouviu o barulho da porta da sala abrir e isso fez com que seu coração desse um pulo, nunca sentiu o que sentia com ele, sempre manteve os pés no chão por ter levado uma vida difícil e cheia de conflito. Muitas vezes passando a imagem de ser muito forte e até mesmo fria, mas ninguém sabia o que ela realmente carregava em eu coração.
– Erin?
– Estou aqui.
Ela sentou na cama e esperou que ele parasse na porta, alguma coisa na feição dele a preocupou, a fazendo levantar e indo até ele.
– O que aconteceu?
– Nada, só estou cansado. — fazendo carinho no rosto dela.
– O que o Hank queria?
A hesitação dele fez com que ela confirmasse que o que o preocupava tinha a ver com seu pai.
– Olha, hoje eu só quero aproveitar que você está aqui, ok? Não quero falar do seu pai, nem de nada envolvendo a inteligencia.
– Tem certeza?
– Tenho. — a puxando para si e a abraçando. — Eu quero fingir que nada mais existe a não ser nós dois, pode ser? — afastando o rosto e a encarando.
– Nunca fui esse tipo de garota que fica suspirando pelo carinha que gosta, mas você fez com que as coisas mudassem Jay. E sim, eu aceito ignorar o mundo e aproveitar a noite com você.
Assim como da primeira vez que estiveram juntos, ele se aproximou pressionando o corpo contra o dela, a prensando no batente da porta.
– Perdi as contas de quantas vezes eu imaginei você sem roupa enquanto estava na inteligencia. — colocando seu cabelo pra trás e deixando o pescoço livre.
– Ah é? — respirando fundo ao sentir os dedos dele descendo de seu pescoço até o decote de sua blusa.
– Não somente sem roupa, mas imaginei como seria fazer amor com você na mesa da sala de café, na minha mesa, na sua mesa. — beijando seu rosto e fazendo o mesmo caminho dos dedos com os lábios.
Erin tentou ignorar o modo como ele falou "fazer amor", mas seu coração acelerou com aquela palavra de quatro letras.
– Mas sabe o que eu mais queria?
– O que? — fechando os olhos para que ele não percebesse o quanto ela estava balançada.
– Te pegar em cima da mesa do Voight.
Jay precisou segurar o riso quando ela abriu os olhos o encarando sem acreditar no que ele acabou de confessar.
– Tá de sacanagem. — dando um tapa no braço dele.
– Não, digamos que seria como uma vingança por todo esse tempo que ele tem atormentado minha vida.
– Entendi. — deslizando as mãos por baixo da camisa dele. — Deixemos em aberto essa opção, quem sabe um dia a gente consiga desligar todas as câmeras de segurança e despachar todo mundo. Me vingaria com você sem reclamar. — tirando a camisa dele e jogando em algum canto do quarto.
– Então teremos outras noites de luxuria? — voltando a pressiona-la contra o batente.
– No que depender de mim, sim.
Aquela promessa poderia ser somente por causa do momento, mas Jay não se importava. Estar com ela era muito mais do que Jay esperava, porque desde que ela terminou o envolvimento que tinham ele achou que nunca mais teriam nada.
– Erin. — tomando seus lábios e saciando a saudade que sentiam.
– Jay.
Sem pensar duas vezes ele enlaçou sua cintura e a carregou até sua cama. As palavras que disse para Voight repetiam em sua mente e a vontade de dizer que a amava era grande, mas não disse nada. Porque sabia que assim que dissesse o "eu te amo" ela iria embora, porque apesar de todo sentimento que compartilhavam, ela não estava pronta, não ainda.
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