Notas iniciais
Todo dia eu me pergunto por que tô fazendo isso, e eu não sei. O capítulo anterior teve uma vibe mais light por causa do Miguel que é uma pessoa impossivelmente feliz. Acho que esse tá um pouco mais [sisudo] sério. Palavra do dia 19 é: besante (por que eu tô fazendo isso mesmo?)

Um besante antigo presente na decoração do consultório do psiquiatra detinha toda a atenção de Daniel. Não que ele soubesse algo sobre a origem daquele objeto ou mesmo sobre o fato de o médico ser um colecionador, queria apenas se manter concentrado em qualquer coisa.

— Você não poderia me hipnotizar e me fazer esquecer tudo? — Dan propôs e recebeu um pequeno sorriso em resposta.

— Por que você acha que esquecer seria uma solução?

O garoto deu de ombros. Não desgostava completamente de Dr. Alberto, mas não sentia que aquilo fosse levá-lo a algum lugar. Preferia pegar a prescrição para os remédios e ir embora.

— E se em vez de esquecer, eu te ajudasse a lembrar?

— Não...

— Se você me contasse como tudo aconteceu?

— Você sabe o que aconteceu. — Dan engoliu em seco, sentido um bolo se formar no estômago.

— Sei o que seu pai me contou, mas nunca ouvi a sua versão desse dia, o que me leva a crer que ninguém mais a ouviu. Falou sobre isso com o Benji alguma vez, por exemplo?

— Não.

— E por que não, Daniel?

— Não consigo.

— Você pode tentar.

Ainda olhando a moeda, retornou para o último dia que passara com a mãe.

Notas finais
:( Vocês acham que essa abordagem do médico faz sentido?