Linhas Cruzadas
1 Entre Rebeldias e Regras
Nami nunca seguiu regras.
Não as da sociedade, nem as da universidade particular Grand Line, muito menos as do seu próprio coração.
Com seus cabelos alaranjados presos num coque alto, piercings estrategicamente posicionados e um cigarro eletrônico brilhando em azul-claro entre os dedos, ela parecia uma tempestade prestes a explodir em pleno campus. Era impossível não notá-la — e era exatamente assim que ela gostava.
Seus dias passavam entre os becos da faculdade, festas clandestinas em apartamentos abafados e, ocasionalmente, as aulas de Economia, onde fazia questão de corrigir os professores — quando aparecia. Até que um tropeço do destino bagunçou tudo.
Primeiro, Monkey D. Luffy: o cara do time de basquete que a irritava e encantava com igual intensidade.
Sorriso fácil, calças folgadas, energia transbordando. Ele não sabia seguir uma linha lógica numa conversa, mas sempre encontrava um jeito de fazê-la sorrir quando mais precisava.
— “Ei, Nami! Quer vir no treino hoje? A quadra tá sem graça sem você espiando das arquibancadas.”
— “Você tem algum problema?”
— “Tenho vários. Mas o maior é que eu gosto de você.”
Ela riu, nervosa. Ninguém nunca disse isso olhando direto nos olhos.
Mas então, chegou ele.
Eustass Kid, o aluno transferido do outro lado do oceano. Piercings nos lábios, olhar afiado e uma aura de perigo que fez o campus tremer. Ele não precisava dizer nada para dominar um ambiente — bastava existir.
O primeiro encontro foi num debate de Ciências Políticas, onde ele discordou de todos, inclusive do professor.
No segundo, estavam se beijando encostados numa parede da biblioteca abandonada.
— “Você quer confusão?” ele sussurrou, com a voz rouca.
— “Confusão sou eu,” Nami respondeu.
Ela os queria por razões diferentes.
Luffy era luz, a promessa de uma vida menos torta. Um sorriso que dizia “tudo vai dar certo”.
Kid era caos. Ela se via nele — quebrada, cheia de cicatrizes. Era o tipo de ligação que machuca… e vicia.
O problema?
Eles também a queriam.
E não sabiam dividir.
Durante o festival de primavera, as tensões explodiram. Luffy a puxou pela mão em frente à roda gigante.
— “Nami, escolhe. Agora.”
Kid apareceu atrás dela, com o olhar vermelho como fogo.
— “Ou ele, ou eu.”
Ela se virou, coração disparado. Queria gritar, correr, sumir.
Mas Nami apenas sorriu com aquele sorriso de canto, misterioso e ousado.
Deu dois passos para trás, ficando entre os dois.
— “Quem disse que eu tenho que escolher?”
Silêncio.
Ela acendeu o cigarro eletrônico e se afastou, deixando-os ali, parados, perdidos, apaixonados.
Nami era fogo demais para caber em apenas um coração.
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