Linhas Cruzadas.
4 Prelúdio.
Notas iniciais
"An angel's smile is what you sell..."
Eu estava no banco do carona enquanto observava John dirigir até o prédio da Argus que ficava em Central City, minha cabeça doía como o inferno e eu ainda podia sentir o ardor das feridas em meu corpo, a sensação de ressaca presente junto com as lembranças dos meus fantasmas. Roy e Sarah me encontraram desmaiado no terraço das indústrias Rogers, eu tinha sido drogado por uma espécie incomum de alucinógeno enquanto era espancado, por fim, eles acabaram fugindo.
̶ Oliver, você parece... Atropelado. – começar o dia com os gracejos irônicos de Amanda Waller só me deixava mais ácido.
̶ Da próxima vez que me der um caso, tenha certeza de que eu não vá terminar drogado no terraço de um prédio.
̶ Você é um profissional Oliver, haja como tal. – a rudeza presente em suas palavras me deixando irritado. – Mas eu não te chamei aqui para falar sobre suas habilidades profissionais.
̶ E o que você quer, Waller? – rangi os dentes sentindo minha paciência ir para o espaço com passagem só de ida.
̶ Tenho um novo caso para você. – jogou a pasta com as informações sobre a mesa.
̶ Amanda, estamos com o caso da máfia portuguesa e ele é mais complicado do que esperávamos. – argumentei sabendo que ela não se importaria. – Você quer que eu pegue um caso sem encerrar outro?
̶ Não haja como se fosse a primeira vez que troco sua equipe de caso, Queen, além do que, não precisa se preocupar, eu passarei a máfia portuguesa para outra equipe resolver.
̶ Não é tão simples assim, você sabe que eu gosto de resolver meus casos por completo.
̶ E eu vou te dizer o que eu gosto. – ela se debruçou sobre a mesa. – Eu gosto que meus empregados me obedeçam e se eu disse que você e sua equipe vão pegar o caso, vocês vão pegar o caso, agora mande os outros entrar.
Amanda Waller era uma filha da mãe desgraçada que só podia estar querendo me enlouquecer com a ideia idiota de abortar uma missão na metade. Desgraçada seja.
̶ E então, Amanda, o que tem para nós? – John perguntou sentando ao lado de Sarah.
̶ Não é um caso novo, o que provavelmente facilite algumas coisas para vocês. — alertou.
̶ Então estamos falando de um caso arquivado? – Sarah quis saber.
̶ Na verdade nem chegamos a arquivá-lo, Lance. Eu estou falando do caso beta³.
̶ Como assim? Você disse que tinha encerrado o caso.
̶ Eu menti Oliver. – a desgraçada parecia tranquila com tudo.
̶ Não, eu lembro bem de quando eu insisti para deixar o caso em aberto e você garantiu que o arquivaria por falta de provas. Você enganou a toda minha equipe, Amanda?
̶ Na verdade o único enganado foi você, Oliver, Sarah e John como seus amigos que são, concordaram com a ideia.
̶ Que ideia? Do que ela está falando? – olhei os dois que possuíam olhares culpados.
̶ Oliver, você estava envolvido demais, precisávamos afastar você ou nada acabaria bem. Lembra-se de como você estava agindo por impulso?
̶ Não justifica, Sarah. – eu me sentia traído. – Vocês mentiram para mim mesmo sabendo minha vontade em resolver essa missão.
̶ Oliver... – John tentou chamar minha atenção.
̶ Não John, eu não vou ouvir nada agora.
̶ Como eu ia dizendo. – Amanda parecia apreciar tudo aquilo. – Temos novas pistas e eu quero vocês no caso.
̶ Por que? Você mesma disse que eu estava envolvido demais para trabalhar nesse caso, o que te fez mudar de ideia?
̶ Agora eu acho que você esteja pronto e não sejamos hipócritas, sua equipe é a melhor em disfarces e discrição.
— Agora somos bons? Você não pensou isso quando decidiu me tomar o caso, aliás, é só que você sabe fazer, Amanda? Passar minha equipe de caso em caso se tornou sua nova forma de diversão?
̶ Oliver, eu adoraria entrar nessa discussão com você, mas não tenho tempo para suas birras. Então voe escolhe: ou para de agir como uma criança mimada e pega o caso, ou o passarei para outra equipe. E ai?
̶ Quais são as novas pistas? – baixei a guarda já pegando o arquivo sobre a mesa.
̶ Deputado Adam Donner. – sorriu convencida.
̶ Espera ai, aquele gato que vive saindo nos jornais como o bom samaritano de Star?
̶ Deixa o Ray te ouvir falando assim, Sarah. – John zombou.
̶ Que lugar é esse de onde ele está saindo? – perguntei apontando a foto no arquivo.
̶ Uma antiga fábrica próximo a saída de Star. – Waller logo abriu um anexo em seu monitor. –Donner foi visto saindo dessa fabrica dois dias seguidos.
̶ E por que isso faz dele suspeito de algo?
̶ A questão aqui é que essa fábrica foi a mesma em que encontramos aquelas garotas a dois anos atrás.
As memórias voltando a mim lembro-me de ter visto uma delas sangrar muito enquanto reclamava de dor.
̶ Então vamos nos preparar para ir até lá dar uma olhada. – levantei já me preparando para sair dali.
̶ Só mais uma coisa, Queen. – esperei para que Amanda terminasse. – Você terá mais um agente em sua equipe.
̶ Eu não preciso de mais agentes, você mesma disse isso, esqueceu?
̶ Dessa vez eu preciso discordar. Esse caso vai exigir muita discrição, estamos lidando com suspeitas.
̶ Minha equipe sempre foi o mais discreta possível.
̶ Eu sei e por isso mesmo estou enviando esse agente, considere como um especialista cibernético para sua equipe.
̶ Para isso temos Ray. – tentei persuadir.
̶ Não tente me convencer, Oliver, agente Smoak estará em sua equipe e isso não está em questão.
̶ Ótimo. – bati a porta com uma força desnecessária.
̶ Oliver. – Sarah quase trotava devido à velocidade de minhas passadas.
̶ Agora não, Sarah. – sim, eu estava irritado por ela ter mentido para mim. Sarah era como uma irmã, a única que conhecia todos os meus demônios afundo e saber que ela participou dessa mentira me deixou furioso.
̶ Por favor, me escute, Ollie eu só queria te ajudar. Eu...
̶ A G O R A N Ã O. – senti a fúria sair em cada letra. – Preciso ficar sozinho.
̶ Onde estão as garotas? – observei o homem se contorcer no chão, enquanto apertava a barriga. – ONDE ELAS ESTÃO?
̶ Eu não sei. – proferi mais alguns chutes e socos até que ele estivesse inconsciente.
̶ Oliver, o que você está fazendo? — Roy veio até mim.
̶ Eu disse para me dar cobertura. – sentia a raiva borbulhar por dentro.
̶ Droga Oliver, Waller vai nos matar.
̶ O chefe dessa equipe sou eu e não Amanda, Roy, você deveria temer a mim, afinal o agente em treinamento aqui é você.
Sai deixando um Roy atônito enquanto ouvia a voz de John pelo comunicador, ele pedia que eu voltasse para a cave antes que alguém me visse nas docas.
̶O caso será encerrado. – Amanda falava enquanto adentrava minha sala.
̶ O que? Qual é Waller, foram apenas uns socos.
̶ Não Queen, você pôs a operação em risco, quase estragou os disfarces dos seus colegas e ainda mandou um cara com três costelas fraturadas para o hospital.
̶ E só por isso você vai encerrar o caso? Qual é Amanda, isso se trata de algo sério, vidas estão em risco.
̶Acontece Oliver, que você não se importa com essas vidas, você só pegou a primeira pista que ligasse o caso ao desaparecimento de sua namorada e se jogou. Mas entenda, ela pode estar morta e eu não deixarei você estragar tudo por algo incerto.
̶ Então é isso? Vai deixar o caso sem solução.
̶ Não, vou fechar um caso que não tem mais pistas ou provas. – ela foi em direção a porta. – Aprenda a perder Queen.
(...)
Passei pelo hall do hotel voado, eu precisava ficar longe de todo mundo, preciso por meus pensamentos em ordem, ou sinto que vou enlouquecer com toda essa bagunça. Essa era minha chance de fechar esse caso, e algo me dizia que não seria tão simples como Amanda previa.
̶ Quem é você e como entrou aqui? – encarei a mulher sentada em minha cadeira. – Eu fiz uma pergunta e espero a resposta. – falei sacando a arma que estava em meu coldre.
̶ De vagar com essa gatinha, campeão. – ela parecia relaxada.
̶ Eu posso te matar com apenas uma bala dessa gatinha. — alertei destravando a arma.
̶ Mas sabemos bem que você não fará isso. – desdenhou girando na cadeira.
̶ Vou perguntar de novo, quem é você e o que faz aqui? Eu não estou brincando, posso te matar.
̶ Ou... Eu posso te matar. – tudo que senti foi ela golpear meu pulso com o tornozelo, fazendo minha arma escorregar para longe.
̶ Então será sem arma mesmo.
̶ Bem melhor. – seu riso sarcástico me fez atacar, mas não a peguei de surpresa, a loira sabia lutar, na verdade ela parecia querer lutar.
Não sei quem era aquela mulher, mas inconscientemente ela estava me ajudando a extravasar. Senti minha perna fraquejar devido um golpe na dobra do meu joelho, sem perder tempo ela cruzou as penas em volta do meu pescoço me fazendo bater com as costas no chão.
— Felicity Smoak, nova agente cibernética dessa equipe, e o prazer é todo seu.
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