Linhagens e Amizades

40 Capítulo 39 - As Recompensas de uma Guerra


Notas iniciais
Ixe... *foge das pedradas*

Eu sei que não cumpri o acordo, mas eu tive que mudar mutia coisa na fic, não estava gostano do rumo de algumas coisas e tratei de pontuá-las, preparando um capítulo legal. Espero que gostem!

PAra recompensá-los, im SPOILER quentíssimo do próximo capítulo e vocês sabem que eu não forneço spoilers NUNCA.

Beijos e Boa Leitura!

O olhar de Nayuri e Kakashi cruzou-se mais uma vez. E ele se sentiu como nos tempos em que a bela esposa de seu sensei lhe lançava aquele olhar tão cândido. “Não, não daquela vez”. Eram os mesmos olhos... mas o “olhar” era diferente. Enquanto Kushina emanava bondade e carinho, Nayuri era... intensa. E indecifrável... ele não conseguia definir a emoção que conseguia enxergar através da única parte visível de seu corpo, mas o que quer que fosse era algo latente, que encerrava em si com sofreguidão. Aquele mistério já estava vagando por sua mente há dias, tirando-lhe o sono... não se deixaria confundir pela imagem de aliada, nem pela figura de uma princesa. Não estava a par das negociações desde o início e sabia bem que deveria suspeitar. E era com todo seu autocontrole que escrevia aquelas mensagens, informando apenas o necessário.

Porém, ao avistar Nayuri cruzando os portões da Vila com a herdeira dos Hyuuga, Kakashi sentiu seu coração abrandar com suas próprias inquietações. Ela estava do lado de Konoha... segura em Konoha... ele garantiria isso.

A mulher caminhava como um leopardo, sinuoso e auspicioso, observando tudo ao seu redor. Era a primeira vez que estava em Konoha e não conseguiu desviar-se de um saudosismo que não lhe pertencia. Entretanto foi uma passagem momentânea: instantes após ela estava refeita e pronta.

- Kakahi-san... trouxe a menina Hyuuga inteira para casa... Infelizmente, não poderei retornar. Há algo que possa fazer para ajudar à Vila?

Kakashi observou os orbes de Hinata, ainda que sem o perolado característico do Byuakugan, mas vivos e lúcidos. Felizes... Mesmo naquela situação de guerra, contando com o falecimento recente de seu pai e líder. Naquele momento não conseguiu dar ouvido às palavras de Nayuri, mas ao som fino que saía da boca da kunoichi e que apontava numa direção próxima à sua:

- Naruto-kun!

OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO

Neji tinha retornado à Vila pois o corte profundo em seu braço impediria seu total desempenho em lutas diretas. E a situação ainda não parecia tão alarmante, portanto ele precisava estar pronto. Carregava consigo dois Hyuuga que estavam em estado crítico. Jurou a si mesmo que não deixaria nenhum que tivesse um fio de vida para trás. Infelizmente apenas encontrou aqueles dois. Assim que cruzou os portões da vila, dois médicos vieram de encontro a ele, que entregou os familiares para que fossem cuidados prioritariamente. Estava a caminho do hospital, quando avistou a prima ao longe. Aqueceu-lhe o coração e teve uma paz que não saberia ser possível encontrar, não àquela altura: ainda tinha o pesar de não ter cumprido seu papel de protetor, falhando miseravelmente, sem nem ao menos saber onde ela estava. Por isso fizera tanta questão de encerrar Hanabi no esconderijo usando toda a autoridade que tinha naquele momento. Neji pensava já na reconstrução de seu clã e Hanabi seria a líder por direito, caso algo acontecesse com Hinata. E num suspiro ele permitiu-se relaxar por um segundo: Hinata garantiria o futuro do clã. Ele confiava na prima, mais que ela mesma.

E não tinha sido sempre assim, Até pouco tempo atrás, Neji tinha sérias dúvidas se Hinata conseguiria administrar um clã como os Hyuuga e a verdade era aquela cruel: se não houvesse a guerra, se por força não tivesse sido feita a mudança, ela não o estaria. Mas quando soube que ela havia contrariado a ordem de seu pai e deixado que o amor que ela sempre nutriu pelo Uzumaki falasse mais alto, então Neji soube que ela estava pronta para lutar pelo que realmente considerava importante. Naquele momento, ao contemplar a figura de Hinata, teve vontade de ir ao seu encontro e abraçá-la, mas reteve o corpo. A figura de um rapaz tão ou mais preocupado com ela rompia aos brados e certamente tinha mais direito aquele momento que ele.

Isso porque, logo no encalço do loiro ele pôde ver algo que acabou de uma vez por todas com a calmaria passageira de seu coração. A figura dela agora perturbava seu ser de uma maneira viciante. E não estava preparado para vê-la novamente, não depois daquela despedida. Ele estava pronto para guardar aquele abraço em sua mente como um momento de paz em meio à guerra, para lhe acalmar. E Sakura vinha acompanhada do Uchiha, o que foi o suficiente para retirar do semblante do Hyuuga qualquer expressão de alívio. Já estava pronto para dar meia-volta, quando ouviu a voz dela ao longe, chamando-o. Ele queria apenas ignorá-la e ir, apertou os olhos fortemente, ordenando ao corpo que se movesse. Mas aquela era uma batalha perdida, pois finalmente seu coração estava no controle de seu corpo. E ele pedia por ela... na verdade, exigia por ela. Estancou no mesmo lugar, mas evitou encará-la. Sakura veio apressada e postou-se a frente dele, preocupada, pois tinha identificado a grande mancha de sangue na manga do quimono que usava.

- Neji! Você não pode ir para frente de batalha assim!Vamos, me deixe cuidar disso... Venha...

E no instante seguinte, o Hyuuga sentia seu corpo dominado... Embriagado pelo cheiro e pela visão da mulher que amava. O olhar quase enternecido endureceu assim que cruzou com o fuzilante e reprovador do Uchiha. E então Neji se lembrou da maior batalha que teria assim que aquela guerra acabasse: Sakura seria dele, porque ela merecia ser tratada como a mulher que era. Sem lágrimas, sem lamentos ou pesares.

Os dois homens mediram-se de perto, parados. O silêncio era forte e carregado de significados. Sem deixar de mirar Neji, Sasuke dirigiu-se à Sakura:

- Creio que no hospital existem pacientes mais necessitados Sakura.

A rosada estava pronta para soltar alguma reprimenda, mas não era papel dela defender-se. Não do Uchiha:

- Eu não sou apenas um paciente, Uchiha – Sem mais palavras, Neji tomou a mão da kunoichi e seguiram para o mesmo local onde ele guardava a lembrança reconfortante dos braços daquela mulher, do cheiro dela, da intensidade dela... Deixando para trás um Uchiha furioso e impotente. Ele não tinha o direito de exigir nada de Sakura, não quando sua mente vagava preocupada pelo destino de seu filho. Ela não merecia metade dele, mas sim ele por inteiro, foi isso que os dois acertaram antes, que um seria do outro por completo. E naquele momento, a guerra impedia aquilo. As coisas seriam diferentes quando o conflito findasse e o Hyuuga saberia que ele poderia não ser apenas um “paciente”, mas com certeza não tinha papel de atuação naquela cena.

OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO

- Hinata!

Naruto pouco se importou com a reclamação de Sakura sobre ele adiantar-se, mas assim que avistaram Konoha por entre as árvores e do alto do monumento dos Kages, Naruto avistou-a: exatamente como se lembrava dela. E viva! E aparentemente bem, como Kakashi tinha lhe dito. Disparou ao encontro dela e alargou ainda mais o sorriso ao ver que ela o avistara de longe também. Tomou-a nos braços sem cerimônias ou vergonha por estar na presença de outros e deu-lhe um beijo sofrido, urgente. Os braços erguendo o corpo da mulher que lhe pertencia e lhe completava... Tentando protegê-la, garantir a si mesmo que ela estava segura em seus braços. Esse conforto não passou despercebido por Hinata, que ali se sentiu em casa. E forte também, afinal de contas ela precisava ser mais que uma inútil em meio ao momento que vivia. Ponderou se contava ou não o que se passara no cativeiro, Naruto era muito temperamental e poderia ter uma reação desconhecida, na certa exagerada.

Só que após aqueles segundos reconfortantes, Naruto colocou-a de lado e quando Hinata percebeu, os olhos dele estavam vermelhos, intensos e furiosos. E dirigidos à Nayuri.

- O que ela está fazendo aqui, Kakashi-sensei? – Embora a pergunta fosse para o Ninja os olhos não desgrudavam dela.

Kakashi por um segundo não compreendeu e precisou de rapidez para segurar o aluno, que já estava pronto para avançar na mulher com toda a fúria que tinha. O que teria acontecido entre os dois para que ele estivesse daquela maneira? Até aquele momento ele jurava até mesmo que o Uzumaki desconhecesse a herdeira da Cachoeira.

- O que você está fazendo Naruto? – Kakashi segurou fortemente o braço do rapaz para trás, sabia que por força não o prenderia, mas esperava que a autoridade que ainda tinha sobre ele fosse necessária. Ele viu que infelizmente não seria, mas foi surpreendido ao sentir os pés do rapaz presos por raízes que brotaram da terra e tomavam todo seu corpo. Assustado, tentou compreender no semblante de Nayuri a explicação para aquilo. Estaria ele errado sobre ela, desde o início?

Mais uma vez, o homem viu-se maravilhado com a visão do belo rosto descoberto da Kunoichi. Os cabelos estavam presos numa trança, mas a intensidade do vermelho estava lá, bem como os olhos arroxeados turvos, embargados. E agora sim, ele podia decifrar o que se passava neles...

- Pode deixar Kakashi-san... com esse moleque atrevido eu me viro. Já está na hora de uma verdadeira reunião familiar – E um riso debochado foi ouvido no local, aquela mulher era desconcertante.

Kakashi soltou o ex-aluno, que ainda poderia se libertar daquele pequeno empecilho facilmente. Os dois compreenderam que Nayuri não o temia, pois se assim fosse, teria usado um jutsu mais forte para detê-lo.

- Eu vou acabar com você pelo que fez com Hinata e comigo... Você não merece usar essa bandana! – Apontou para o hitaiate da Vila da Cachoeira, que ela ostentava com orgulho.

O som estridente do tapa surpreendeu até mesmo Nayuri. Um simples “tapa” não teria dolorido fisicamente, muito menos seria um golpe utilizado para atingir o inimigo. Aquele foi um gesto carregado de sentimentos, de um passado que ele desconhecia. Pela primeira vez Kakashi ouviu a voz urgente da mulher, amarga. Naruto já tinha sido presenteado uma vez com aquele timbre, mas ainda assim lhe soava deveras sinistro.

- Você acha que só porque encontrou o esconderijo da família e soube da nossa história, apenas por isso é melhor que eu? Escute insolente, EU sou a Cachoeira, EU sou o Redemoinho. EU tenho a história, a dor e o sofrimento dos meus comigo, encerrada em mim. EU tenho a necessidade e os deveres da MINHA irmã como objetivos de vida, tenho as exigências de retidão do MEU pai e a obrigação de utilidade de MINHA mãe. Nós temos o mesmo sangue, “Namikaze” Naruto. Mas você carrega o meu nome porque numa última atitude, seu pai entendeu que a grandeza do nosso povo não poderia morrer com Kushina e numa atitude débil, depositou-o em você, certo de que faria por merecer. Mas escute uma coisa: Você acha que é forte porque sofreu e porque precisa lutar por aqueles que lhe são importantes, mas isso pirralho aventureiro, são motivos egoístas demais. No fim, você se beneficia pelas suas lutas, você não sabe o que é sacrifício, o que é viver para completar os planos que foram interrompidos pelo destino. Eu – e fez uma pausa, certificando-se de que ele ainda lhe encarava com aquele olhar de fúria – vivi os dias mais miseráveis que uma pessoa poderia viver. Eu tive tudo e perdi tudo e todos. E ainda guardei na mente e no coração a obrigação de ser mais que uma sobrevivente, de ser uma guardiã, de velar, de proteger, de lutar. E para proteger, Namikaze, você faz o que é preciso.

Os olhos da raposa indicavam que ele estava pronto para sair dali, mas a parte hiperativa e emergencial sobressaiu-se, erguendo a voz ainda mais alto que a dela:

- Proteger o que? Um nome, um orgulho? Você é mesquinha, Nayuri! Você tentou me matar para ser a única Uzumaki, a única herdeira! Eu não lembrei no início, mas aos poucos a minha mente foi recordando e quando eu te vi, lembrei de tudo. Você só não me matou porque o Madara não deixou! Kakashi-sensei, eu fui salvo pelo meu inimigo, compreende?

Nayuri revirou os olhos, impaciente. Com um gesto, indicou a Kakashi o silêncio e puxou o rapaz para fora dali.

- Me diga onde existe uma cachoeira aqui.

Mais ruidoso que o normal, Naruto já se via liberto da prisão de madeira e estava sendo puxado pela orelha por uma mulher que ele odiava e sendo assistido por Kakashi, Sasuke e Hinata, que nada fizeram para impedí-la.

- Você está maluca se acha que vou ficar contigo em algum lugar! – Desvencilhou-se dela com força. Nayuri fechou os olhos e apertou as mãos com força. Finalmente, virou-se para o Uchiha, direta e friamente.

- Passe para ele o que está na minha mente – E percebendo o vacilo da mente do rapaz, acrescentou – Agora.

Sasuke ousou, mas fosse o que fosse, se ela realmente representasse uma ameaça, ele poderia acabar com ela enquanto estivesse sob o genjutsu dele. O sharingan orbitou sobre o violeta intenso e duro por alguns segundos. A mulher nem ao menos parecia estar em transe e instantes depois um chocado Sasuke precisou apoiar-se nela para não tombar, vacilante e com a respiração alterada, quase que suplicando à mulher:

- Eu não vou passar essas memórias para o Naruto...

- Você não tem escolha, Sasuke – Murmurou Nayuri – Se não fizer isso, não vou te dizer como resgatar seu filho das mãos de Madara – Ante o olhar desesperado do Uchiha, ela constatou que tinha sido contemplada com a aprovação dele – Sim, eu vi o que você teme e confirmo que a criança está com ele e correndo perigo. Vai poupar seu amigo, ou salvar seu filho?

Sasuke virou-se para o amigo, que estava preocupado com o estado dele. Kakashi ainda estava atrás do loiro para evitar qualquer reação exagerada. A mente de Sasuke vagava entre a incredulidade por estar num dilema como aquele, a frieza daquela mulher e a possibilidade de salvar seu filho. Suas prioridades estavam bem claras, assim que mirou os olhos de Naruto, capturou-o num genjutsu e despejou todas as imagens e lembranças. Para os outros, foram segundos, porém ele sabia que Naruto agora estava passando por anos de busca, de dor, de morte. Lembrou-se da ocasião em que esteve na mesma situação e pela primeira vez entendeu que existia sim um sofrimento maior que o seu. Mas ele não podia escolher poupá-lo daquilo. Kyosuke precisava dele.

Naruto não teve a mesma presença de espírito do companheiro e pendeu com o corpo para frente, caindo ajoelhado. Hinata foi de encontro a ele, que a afastou na mesma hora, não queria sequer que aquela aura a contaminasse. Ergueu-se aos poucos, apoiando as mãos no chão, até erguer-se por completo e fitar Nayuri com um olhar desolador.

- Foi... Assim...?

A mulher retornara à sua posição fria e impassiva. Não aceitaria aquilo dele.

- Não quero nem preciso da sua pena. Vai me dizer onde fica a cachoeira?

Ele apenas assentiu, tomando silencioso o caminho que levaria até onde queria. Nayuri tocou-o nos ombros, para que aguardasse. Precisou refrear um olhar ansioso ao se dirigir a ele.

- Você tem a pedra da minha... Da sua mãe? – Apontou para uma pedra de um vermelho tão intenso quanto os cabelos dela que estava pendurada em seu pescoço. Era enorme e brilhante.

- Hai... Está aqui.... – Retirou do bolso uma semelhante, mas de tamanho maior. Os olhos deNayuri brilharam e ela precisou controlar-se para não chorar. Era ela ali, a essência de sua irmã, sua amada irmã. Quis tocá-la, mas os dedos vacilaram e ela refreou as lágrimas. Não na frente dele.

- Pois então vamos.

Naruto não deixou de notar o vacilo dela e ficou curioso:

- O que vamos fazer lá?

Tomando a dianteira e deixando enfim as lágrimas alcançarem seus olhos ainda que silenciosas, ela lhe respondeu, sem se voltar para ele.

- Você já teve o nosso sofrimento, agora vai ter a força da sua família.

OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO

Neji fechou a porta atrás de Sakura, concentrando-se. Precisava pedir desculpas a ela.

- Sakura... Foi imperdoável a minha atitude antes... mas...

Ela calou as palavras dele com um aceno de mão e um sorriso que aqueceu o coração do Hyuuga da maneira que nenhuma vitória poderia fazer. Sakura pediu que ele tirasse a parte de cima do quimono e ao ver o corte enorme, obrigou-se a ralhar com ele:

- E desde quando isto o qualificaria para lutar novamente? Isso está uma bagunça! Foi do elemento água?

Não era surpresa que ela conhecesse a origem do ferimento, mas Neji incomodou-se porque ela certamente sabia que aquele era o principal elemento que ele dominava. O desconforto não pareceu despercebido por Sakura. Neji era fácil de entender, depois de compreender-lhe o orgulho que ela passara a ver como admiração:

- Ora vamos... – Disse enquanto o chakra dela começava a dar alívio ao ferimento – Certamente eram quatro ou mais, para pegar você assim...

Neji não agüentou e sorriu, quase abertamente, fazendo Sakura irradiar satisfação por vê-lo assim e responder-lhe “quase” no mesmo tom:

- Eram sete... E um deles bem forte, o que fez o corte. Fiquei um pouco enraivecido por isso.

- Percebi... – Falou ela, divertidamente – E então, o que aconteceu com ele?

- Mortos, claro... – O semblante dele fechou mais um pouco. Era verdade que há poucos minutos via-se no inferno de uma guerra, tirando vidas com as próprias mãos. Mas agora ele encontrava-se em seu paraíso, na melhor versão que tinha dele. As mãos confortantes e quentes da kunoichi sobre sua pele fizeram-no lamentar por um segundo ter que retornar à batalha, ser um shinobi, ser necessário. Se não fosse o caso, ele poderia levá-la dali para longe.

“Mas o que eu estou pensando?” – Recriminou-se Neji – “Ela é perfeita... exatamente assim.”

O momento de reflexão dele não passou desapercebido pela kunoichi, que também estava atenta aos cuidados e aos seus próprios pensamentos. Ela queria perguntar algo a ele, mas não se sentia à vontade para fazê-lo. Reuniu coragem quando percebeu que o ferimento já estava quase cicatrizado e ele teria que partir.

- Neji... Posso perguntar uma coisa?

Certamente era sério e ele já imaginava o que seria.

- Prossiga.

A mulher precisou reunir toda sua coragem enquanto um curioso Neji observava-lhe as reações. Primeiro ela evitou encará-lo, mas ao final das palavras os olhos suplicavam por uma afirmativa da parte dele:

- Você... Sabe o que eu sinto pelo Sasuke, não?

O shinobi empertigou-se. Faria seus ouvidos surdos se fosse necessário, mas não aceitaria uma recusa dela ali. Não naquele momento, destruiria sua vontade de voltar por ela, de ser ainda mais bravo para a batalha. Contudo ele tinha cedido a ela a pergunta e decerto esperava pela resposta:

- O que eu sei Sakura, é que estou cônscio das dificuldades. Há mais alguma coisa? – Ele precisava ser direto para que ela não lhe alcançasse o coração daquela maneira, mesmo os sentimentos pertencendo à ela, não tinha o direito de retirá-los daquela maneira.

Mas ela o surpreendeu ao jogar-se nos braços dele, esperando apenas por aquela confirmação para ver-se liberta w capaz de proferir aquelas palavras com honestidade:

- Neji... Eu não agüentarei sofrer assim novamente... Eu certamente não suportarei uma vida assim... Não tenho o direito de... Pedir...

“Eu a alcancei... ou melhor, ela permitiu que eu reunisse minhas esperanças tão próximas de uma aceitação como não pensaria estar naquele momento. Eu a tinha em meus braços, mais intensamente que da outra vez, eu realmente poderia tocá-la, confortá-la, cuidá-la.”

- Você não vai chorar por mim Sakura, é uma promessa. – Era o novo compromisso de vida daquele jovem líder. Ele a teve nos braços por instantes curtos, mas que lhe pareceram uma eternidade. Sentir aquela pele tão próxima do seu corpo, ainda mais inebriante que antes, frágil, necessária... Precisava daquele impulso, para ter certa a sua hipótese. Inalou por uma última vez e profundamente o cheiro dela, completando todo o seu interior com aquele odor único e procurou aqueles lábios, respeitosos, contidos... E ao tocá-los... Libertos.

Enquanto os dois vivam seu momento único, ainda que breve, Neji teve revigorado seu ânimo para a luta, pouco a pouco a sua necessidade de voltar para ela contaminava toda sua vontade.

Ele voltaria para a guerra e a venceria, pois já era possuidor da recompensa.

OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO OoOoOoOoOoOoOoO

(N.A.:E para quem pensou que ela estava sumida... eis que a VACA aparece....)

Karin mal pôde acreditar quando sentiu o chakra dele próximo dali. Finalmente iria vê-lo! Sentiu seu corpo estremecer pela expectativa... E quando ele se aproximou, direto como sempre e tomou-a pelos braços fortemente, puxando-a para um local afastado sem palavras, ela esperou pelo beijo rude, pelas mãos desrespeitosas, pelo toque urgente, como antes. Mas quão grande não foi a surpresa ao ouvir as palavras... Apenas as palavras.

- Que direito você tinha de esconder o meu filho de mim? – Os olhos dele não estavam sequer avermelhados, mas Karin nunca temeu tanto por sua vida como naquele momento.

Ela tentou em vão afrouxar a força que ele impunha em seus movimentos, mas era inútil, ele certamente era mais forte que ela. Restariam então apenas os argumentos para satisfazê-lo:

- Porque ele é um pedaço seu que nem mesmo você poderia me tirar! Ele cresceu dentro de mim, eu dei a vida àquela criança e jurei que você não participaria da vida dela se fosse para tê-lo pela metade!

Sasuke sacudiu a mulher com ódio, frustração e todos os outros sentimentos pesados que poderiam influenciar naquele movimento.

- Eu jamais deixaria a criança sozinha, ou pela metade e você sabe disso! Vamos mulher, assuma que você estava me castigando por não querer você! Escute: isso não mudou e você sabia que nunca teria importância para mim. Eu poderia até mesmo te respeitar Karin por você ser a mãe do meu filho, mas com isso perdeu qualquer chance de ter alguma coisa minha. Você por um acaso faz idéia de onde o meu filho está? – Sasuke sabia que provavelmente ela estava ignorante da situação do menino e queria puní-la de alguma forma, mesmo sabendo ser cruel. Afinal, Karin era a mãe dele... Por mais que a idéia lhe parecesse impossível... Mesmo em fúria por ter escondido aquilo, precisariam de união para salvá-lo.

- Ora... Ele está na Vila onde você me encontrou... Com uma babá. Aguardando o meu retorno pra casa e te juro que depois disso você nunca mais vai ouvir falar nele ou em mim!

Com uma risada aterrorizante, Sasuke dirigiu-se à mulher presunçosa:

- De VOCÊ eu não quero nada, se desaparecer, ótimo. Mas o menino é meu filho e você se mostra uma péssima mãe Karin! Sua postura deveria ser a de ficar ai lado dele e protegê-lo! Graças à sua gana por me ver, o meu filho está nas mãos do arquiteto dessa guerra toda, acha que merece o papel de mãe do ano, Karin?

A mulher ficou visivelmente transtornada e Sasuke quase se arrependeu de tê-la atingido daquela maneira. Apenas por um momento, pois as palavras dela lhe soaram como um balde de água fria:

- Ele vai usar o Kyo-kun para te atingir? Para te atrair? – E então um desespero sem igual dominou a mulher que se agarrou ao corpo do Uchiha loucamente, querendo apoderar-se dele, tomá-lo para si:

- Vamos embora daqui, Sasuke-kun! Você não pode ficar nessa maldita Vila! O que tem aqui para nós? Vamos embora, deixe-os sozinhos, deixe que a destruição finalmente chegue a esse maldito lugar que é o que ele merece! Vamos para longe... E eu lhe darei todos os filhos que você quiser. Vamos, vamos... Aquela inútil não lhe pode presentear desta maneira, não se agarre à ela! Deixe todos para trás e fuja comigo!

A primeira coisa que Sasuke sentiu foi surpresa. Depois incredulidade. Por fim, nojo.

Empurrou Karin com força para longe de si, se livrando daquele contato sujo que o enojava. Aquela mulher imunda e baixa estava propondo abandonar o filho ainda bebê nas mãos de um assassino por...Uma fixação absurda.

- Você vai comigo sim. Mas para me ajudar a localizar o MEU filho, ouviu bem? E depois disso tudo, você vai fugir de Konoha sozinha e nunca mais eu quero ouvir falar da sua existência miserável outra vez enquanto for vivo. E jamais, ouviu bem? Jamais vai entrar em contato com Kyosuke novamente.

Embora não houvesse alteração no tom de voz, Karin sabia queaquela era uma decisão já sacramentada para o Uchiha. E então ela compreendeu que seu maior temor tinha acontecido: Sasuke iria embora de sua vida para sempre e carregaria consigo o pedaço dele que ela não soube amar como um outro ser, mas como se fosse ele mesmo.

Karin seria abandonada uma segunda vez, agora para sempre.

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Hinata puxou Kakashi, angustiada:

- Aonde eles vão Kakashi-san?

- Assuntos de família Hinata... Deixe-os. E você, como está?

Era uma pergunta injusta, porque ele sabia a resposta. Triste, confusa... Eram alguns dos adjetivos que ela poderia usar para decifrar a si mesma. Entretanto ela deu de ombros, jogando todo aquele peso para longe de si.

- Isso não importa. Sabe o que aconteceu com os Hyuuga? Com minha nee-chan?

Aquela era uma atitude diferente da que a kunoichi teria normalmente. Ela não gaguejava ou vacilava. O sofrimento obrigava as pessoas a amadurecerem. Kakashi lamentou internamente por isso... Ele já tinha visto várias guerras, mas aquela geração de Konoha ainda estava se recuperando da investida da Akatsuki... E depois da última guerra Ninja, Konoha optou por não criar armas, mas sim pessoas. Infelizmente eles não tinham preparo para aquilo, mas ele via orgulhoso carregarem seu fardos sozinhos, sem perpassar a responsabilidade.

- Neji assumiu o clã, numa decisão do conselho. Está liderando os homens na batalha, proibiu as mulheres, crianças e idosos de irem para a luta, bem como sua irmã. Todos estão seguro nos abrigos, Lee e TenTen estão liderando os chuunins com a evacuação da vila que está a quase 100%. Os que ficaram são a última linha de defesa da Vila, para aqueles que estão no hospital e para garantir aos que escaparam uma rota segura.

Hinata contemplou a vila vazia, desolada e aliviou-se por sua família não estar mais ali. Seu pai morrera há poucos dias e não teria tempo ao menos de prestar-lhe homenagens.

- Kakashi-san... Onde posso arrumar um uniforme?

O copy ninja não podia acreditar que Hinata estava se dispondo a lutar, não nas condições dela.

- Hinata, não posso permitir isso, Naruto não me perdoaria.

Ela deu um sorriso confiante, talvez inspirado no próprio Naruto, antes de respondê-lo:

- Ele não o perdoará se me deixar ficar sem o uniforme e o equipamento – Deu uma pausa antes de prosseguir – Posso não usar o byakugan, mas ainda sou uma shinobi. Tenho meu taijutsu e meus jutsus que não dependem do byakugan. Kakashi-san, eu tenho plena noção da minha capacidade, embora tenha duvidado dela por muito tempo. Mas chegou a hora de provar a mim mesma que sei lidar com aquilo que tenho da melhor maneira. Eu serei útil e protegerei minha família!

Não havia como argumentar. Era o fogo que nutria os corações do shinobi de Konoha, a vontade de lutar por algo maior que suas próprias vidas. Kakashi apontou um pequeno arsenal e observou a kunoichi apressar-se até lá. O homem voltou os olhos para o céu e inspirou profundamente:

- Sarutobi-sama ficaria orgulhoso...

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Madara estava inquieto, o menino estava em prantos desde que a Hyuuga fora embora, levada por Nayuri. Já não sabia mais o que fazer com o menino, toda aquela gritaria estava tirando sua concentração e ele queria estar inteiro no momento em que cruzasse os portões de Konoha e alcançasse o jinchuuriki.

- Diabos, esse moleque não sofre de falta de ar?!?

Era frustrante e irritante ao mesmo tempo. Madara dirigiu-se para o local onde a criança se agitava nervosamente e estava pronto para prendê-lo num genjutsu pelo tempo que fosse necessário. Ao mirar as órbitas dele com o sharingan pronto para cumprir sua missão, vacilou. Com um sorriso nos lábios, ergueu o pequeno Kyosuke para fitá-lo na altura de seus próprios orbes. Eles estavam ali, girando tão intensos quanto os seus... Impedindo-o de domá-lo numa ilusão.

- Sasuke... Acho que você acabou de se tornar obsoleto para mim...

Notas finais
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Ow! Espero que tenham gostado...

Agora, como prometido, o SPOILER:

*No próximo capítulo, você não pode perder:*

O PASSADO DE UZUMAKI NAYURI FINALMENTE VEM À TONA!!!

- Descubra de que lado esta mulher misteriosa está!!! -

Beijos e até a próxima Atualização!!!