Linhagens e Amizades
33 Capítulo 33 - Novos Destinos, Velhos Problemas (Parte 2)
Notas iniciais
Sakura e Ino conversavam perto da casa da médica-nin. Os assuntos eram apenas dois e suficientes para gerar conversas até a noite cair, mesmo o dia estando apenas no seu início.
- Testuda, eu disse que ia casar antes de você!
- Ah, sim... E para isso até enrolou o idiota do Sai.
- Não fala assim vai... — O rosto dela parecia triste agora, quase ofendido. — Eu não esperava que você me tratasse assim.
Sakura abraçou efusivamente a amiga e rival. A disputa entre as duas nada mais era que o diferencial na amizade. Ambas não se cansavam uma da outra.
- Desculpe a minha brincadeira idiota. Não vou recriminar você nunca. Vai ter um bebê do homem qua ama. Mesmo a época não sendo das melhores, é um fato para comemorar, sim. E muito!
- Tudo bem... Você também deve estar com a cabeça cheia, né?
- Todos estamos, Ino...
- Nem começa... Você sabe muito bem do que eu estou falando.
- Não fale disso, tá?
Ino não sabia o que dizer. Sakura estava fechada e decidida a não falar sobre o assunto que todos sabiam estar tirando o sossego da médica, mais que a própria guerra iminente. O retorno do antigo time Hebi foi recebido de bom grado como ajuda mais que necessária, mas Sakura preferiria a morte que conviver com a Karin. Ao menos era assim que todos pensavam.
- Testuda, você não pode olhar para os próprios pés quando ela está por perto. Afinal, ele está com você, não?
- Sim. Mas Ino, não quero mesmo falar disso... Vamos, sua porquinha, não seja chata!
- Não é ser chata, mas se você vai começar a agir assim quando o Sasuke não está por perto, não espere que ela se sinta acuada quando ele voltar.
- Não quero pensar nisso, nem creio que o Sasuke vá ligar para qualquer uma de nós. Estou procurando pensar assim, mais friamente.
- Certo... isso seria muito legal para qualquer outra pessoa, menos para você! Sakura, todas as suas ações são guiadas pelo seu enorme coração, que agora está dolorido e medroso. Você quer se resolver? Então vai lá e coloca aquela mocréia no lugar dela. Diz que o Sasuke é seu, e que você vai sobreviver a essa guerra apenas para ter o prazer de tornar-se a esposa dele. E que se ela quiser, pode ficar para o casamento! Isso é o que a Sakura falaria para mim.... Então vai lá e fala prá ela!
Sakura fitava os próprios pés... sem ação aparente. Não, não choraria. Suas lágrimas não viriam por aquilo, ou por qualquer outra coisa. Ela aprendeu a sofrer em silêncio.
- Ino... por favor, vamos esperar isso tudo terminar. Depois me ocupo da Karin.
- Até você me dizer o motivo desse medo todo, não vou te deixar em paz.
- Ah, mas ela não precisa... Eu mesma conto para você! — A voz irritante e debochada de Karin invadiu os sentidos das duas. Ino postou-se frente a ela, tomando a atitude que julgava ser aquela que Sakura deveria tomar:
- Você não foi chamada nesta conversa. Pode ser uma aliada temporária para a vila, mas nunca deixará de ser nossa inimiga.
- Aqui em Konoha as mulheres falam muito e fazem pouco. Na verdade, essa pode ser uma atitude certa, se você entende o seu lugar. Nossa médica-nin aqui, por exemplo, ela sabe muito bem o motivo de não se irritar com a minha presença.
As duas encararam Sakura, que ainda vigiava os próprios pés, absorta em pensamentos longíquos. Karin percebeu que ela nada falaria e mesmo sabendo que tinham uma espécie de acordo, precisava provar do doce sabor da vingança. De dentro da sua bolsa de equipamento ninja tirou um pequeno recorte e entregou à Ino. Esta ficou fitando sem entender absolutamente nada.
- E o que isso deveria me dizer?
- Dizer não, mostrar.
- Fala logo, sua idiota.
- Tudo bem, adoro isso. Quanto maior a altura, maior a queda. Certo. Bem... você está segurando a foto do meu filho... Kyosuke. Ele não é a cara do pai?
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- Naruto-kun... você está bem?
Hinata estava quase entrando em pânico. Há sete dias que uma kunoichi entrou naquele esconderijo e depositou um desacordado e febril Naruto na mesma cama que agora ela vigiava com toda sua atenção. Foi então "apresentada" à tia que agora ela sabia estar viva e que se chamava Nayuri.
Flashback ON
- Mantenha-o hidratado, obrigue-o a beber um pouco de água de hora em hora.
- O...q...q...que acon...teceu com ele...?
Nayuri fitou a patética figura que estava maculando o santuário do seu clã. Aquele era SEU lugar, SUA herança... Quem aquele pirralho pensava que era? Levar uma insolente até ali... Sem dar maiores explicações, limitou-se aos menores contatos.
- Sobreviveu.
Hinata queria gritar, questionar, mas a preocupação com o estado de Naruto era tão grande e o assombro diante daquela figura desconhecida fazia seu interior tremer como nunca antes. A mulher diante de si emanava uma aura confusa e deprimente, como se ao menor sinal de reação por parte da Hyuuga fosse o estopim para sugar sua vitalidade. Ela tinha uma essência ruim, disso Hinata não duvidava, mas não diria isso a ela... Na verdade, nem ao menos conseguia encará-la.
- Venha até aqui.
Ela indicava a cama onde Naruto estava, não para que Hinata ficasse ao lado dela, mas sim para que fosse ter com ela. Não era um convite, era uma intimação. E Hinata não ousou contrariá-la.
- Na...Na...Nayuri-sama... gomen...
Com um gesto, a mulher a silenciou. Não era o momento de desculpas ou palavras, ela parecia apressada. E realmente estava, o tempo corria e estava contra ela, desde sempre.
- Cale-se. Desta falta de respeito tratarei depois. Mas por hora, preciso garantir a segurança dele e, por conseguinte, a sua. Ele precisa sair daqui, assim que acordar, me entendeu?
Não, não tinha entendido, mas ainda assim, concordou com a cabeça. Mas a kunoichi podia ver que não tinha.
- Escute aqui, você não precisa saber os motivos, porque vai descobrí-los por si só. Sua Vila está à beira de uma guerra enorme... Da última vez que esse movimento foi visto, a maior de todas as vilas caiu. E agora, você está diante da única remanecente dessa grande vila. Se a Cachoeira caiu, Konoha vai cair também.
"Guerra? Desde quando...?"
Naruto gemia na cama, sentia dores... a cabeça estava quente, com uma visível febre... Estaria ele tendo alucinações? Hinata acreditava que sim e não via a hora de poder cuidar dele, estar ao lado dele... Como ele tinha feito com ela antes. Mas aquelas palavras... guerra... Konoha derrotada...
- E ele não está seguro aqui. O inimigo sabe onde está e virá atrás quando descobrir que não há mais o que fazer. Por isso vem a sua função, menina Hyuuga.
- Fu... Função?
O que ela, uma kunoichi fraca, poderia fazer numa guerra iminente? Nem ao menos poderia utilizar seu doujutsu, como seria útil?
E então, Nayuri narrou a situação, o mais rápida e resumidamente possível. Quando comunicou a morte de Hyuuga Hiashi, a filha não conseguiu segurar um pranto desesperado:
- Meu pai! Por que ele...? Ah... meu pai...!
Todo seu ser tremia revoltoso pela notícia... Nunca teria a chance de dizer ao seu pai o quanto era importante para ela... ou a oportunidade ínfima de um dia ouvir de seus lábios qualquer palavra de reconhecimento que fosse... Teria agora um destino de culpa... culpa... maldita culpa!
- Pare com espetáculos. Precisa agir como uma shinobi, não como uma menininha fraca. É uma guerra, pessoas morrem. O seu pai foi tolo o suficiente para ser o primeiro. Torça você para não ser a segunda. Agora venha até aqui!
Uma nova ordem. Desta vez, a Hyuuga se aproximou como ela indicava, de forma que as duas ficaram frente a frente. Nayuri fez selos desconhecidos por Hinata, que a observava com o olhar turvo e distante.
- Isto vai salvar sua vida, garotinha estúpida. Fique quieta.
Uma corrente fina de chakra começou a se formar nas mãos de Nayuri, mas a coloração dela era negra e parecia tão densa que asustou Hinata. Logo depois, ela cobriu toda a forma negra com o chakra comum , que ficou compacto na forma de uma pequena bola de energia. A remanescente da Cachoeira aproximou a mão carregada até o ventre da Kunoichi e pressionou com força, obrigando o chakra a penetrar pelo corpo dela. Hinata sentiu uma dor inenarrável, o mundo rodava e não podia dizer se conseguiria manter-se em pé. Alguns segundos, e seu corpo em choque foi estabilizando. Quando Hinata sentiu-se forte o suficiente para dominar seu próprio chakra, concentrou uma grande quantidade na palma de sua mão e esbofeteou a mulher à sua frente com o estilo característico do Junken de sua família. Deixando o lado esquerdo dela paralisado e com uma dor tão grande quanto a que tinha acabado de sentir. Nayuri estava tão concentrada que não conseguiu desviar a tempo. Foi brutalmente arremessada pelo golpe até a parede mais próxima, seus ossos trincando violentamente uns contra os outros, deixando um filete grosso de sangue escorrer pelo nariz e boca da mulher mais velha.
- Nunca mais... refira-se ao meu pai... como tolo! Você me ouviu bem? Não me importa que você seja qualquer pessoa que não a figura insolúvel e desproporcional que tenho em minha frente... nem você, nem ninguém vai tratar Hyuuga Hiashi como um tolo... fique certa disso!
Aquela não era ainda a vingança que Hiashi merecia... ou ao menos qualquer das homenagens que devia a ele como filha e subordinada... mas já era hora de deixar tantas perdas pousarem em sua vida... ao menos a memória do seu pai ela protegeria, com o que restasse de suas forças!
Nayuri não parecia surpresa. Muito pelo contrário. Aos poucos e em silêncio, foi se recompondo e obrigando o corpo a responder às ordens que enviava de maneira correta. Quando percebeu ter completo controle novamente, secou as manchas de sangue e estalou o pescoço para os lados esquerdo e direito. Um sorriso zombeteiro estava plantado no rosto dela, acompanhando por uma risada impregnada pelos sentimentos dúbios que Hinata tinha identificado nela desde o princípio.
- E não é que você é igualzinha a ele? Tão tola quanto...
Sentiu o corpo avançar sozinho... e parar sozinho, levando agoniantemente as mãos até a barriga, desmontanto aos poucos até que os joelhos encontrassem o chão.
- O que... você... fez comigo?
A mulher aproximou-se dela e a esbofeteou de volta.
- Sua pirralha insolente. Da próxima vez que se atrever novamente assim, vai encontrar muito mais que esse pequeno incômodo — referindo-se claramente à dor que devastava a moça naquele momento.
Os olhos confusos de Hinata pareciam buscar alguma explicação naquilo... Então ela estava ali para matá-la? Então por que contar tudo?
- Antes que você tente qualquer outra idiotice que me faça perder a paciência que eu não tenho, vou te dizer: esta pequena dor que você sente agora vai te manter salva por enquanto. E a ele também.
- Segura do quê?
- Momentaneamente, apenas. Mas enquanto Madara pensar que você tem o que ele quer, estará segura. Creio que isso fará meu sobrinho ficar mais tranquilo, por conseguinte, mantendo-o em segurança também.
- Explique de uma vez! — Hinata queria que a dor parasse, queria que ela falasse logo, que Naruto acordasse, que tudo aquilo fosse um sonho... Queria tantas coisas, mas não via nenhuma delas se realizando...
- Mais uma vez, não seja tola para me irritar. Você escutou o que eu disse antes? Madara quer uma coisa de você. Na verdade, não de você, mas dele. Duas coisas.- Apontou para Naruto — Ele quer a Kyuubi e um receptáculo para ela quando o trabalho estiver terminado. Se ele conseguir a Kyuubi, Naruto morre e não pode servir de novo hospedeiro para o bijuu.
Naruto morre... — foi tudo que Hinata conseguia entender... a única coisa que fazia sentido e ao mesmo tempo não fazia nenhum.
- Se Madara chegar nele, vai matá-lo... e você também. A não ser que você tenha o novo receptáculo da Kyuubi... Um filho do Naruto. Um Uzumaki. Bem... teoricamente, agora você tem o que ele quer.
- Eu...? Você quer dizer que...?
- Não quero saber das suas confissões amorosas, poupe-me. Mas não, você não está. Mas as únicas pessoas que saberão que você não está somos você e eu, me ouviu? Você agora está com uma parte da nossa corrente única bloqueada e revestida por chakra comum. Basicamente você tem uma bomba inativa dentro de si, mas não pode te matar se não for ativada por mim... ou se você for morta, daí o chakra vai se desprender e causar uma enorme explosão. De qualquer forma, é o fim. Mas eu não tenho intenção de ativar e nem posso.
- E... por que não?
- O quê? Acha mesmo que me importo com você? Ah, por favor... Meu sobrinho é o único que me interessa. Não, meu interesse pelo seu "bem estar" é nulo. Acontece que se fizer o in que ativa, isso vai afetar todos que estiverem com o mesmo engodo.
- Tem mais alguém assim?
- Isso não é da sua conta. Apenas certifique-se de que quando ele acordar, parta imediatamente para Konoha.
- Hai! Mas por que voltar? Se é o Naruto que ele quer... vai fazer de tudo para conseguir.
- Sim, mas estou contando que sua vila consiga ao menos causar algum dano nele, derrubá-lo em parte, fazer com que resista. Ele precisa de contato visual para chamar a Kyuubi. Se não se aproximar, não pode invocá-la.
- Certo... Então quando ele acordar, vamos voltar prá vila.
- "Vamos" não. Ele vai.
- Mas ele não vai querer ir sozinho. E por que eu não iria com ele?
A kunoichi respirou fundo, e mesmo horas depois, Hinata não conseguiu definir se era pesar ou impaciência em seu olhar.
- Porque se você o ama mesmo, vai precisar fazer com que Madara continue confiando em mim.
- E como eu posso fazer isso?
- Fazendo ele crer que eu a levei até ele, no estado em que interessa. Com isso terei mais credibilidade e poderei ajudar o Naruto.
- Você está se arriscando muito...
- Sim. E pelo seu olhar, você também vai.
*Flashback OFF*
E sete dias se passaram desde então...
Naruto parecia melhorar, mesmo os delírios aumentando. Mas segundo Nayuri, seria assim mesmo. Hinata afagava o rosto dele enquanto que, com a outra mão, mantinha a compressa que trocava religiosamente quando esta não cumpria mais a função de ajudar a dominar a febre. Seu coração estava em pedaços. Por tudo que aconteceu e pelo que aconteceria. Como a vida podia ser tão injusta? Mas seus pensamentos eram respondidos por ela mesma... A vida era ela mesma, indomável e guiada por um destino que às vezes podia ser tão sádico e cruel... como agora.
Naruto transformara sua vida, e finalmente podia ter a chance de fazer a direferença para ele. Ela queria que tivesse sido como em seus sonhos: cuidando dele, amando-o, demonstrando todo seu carinho com grandes gestos de cuidado... velando seu sono como agora. Mas sentia que faria a mesma coisa, de outra maneira...
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Em Konoha, um shinobi ainda zonzo forçava um treinamento nada convencional, com o corpo quase esgotado. Teria insistido até ser tomado pela dor intensa, mas um alarde emergencial fez com que parasse, desta vez com um medo real.
- Rock Lee! O que diabos você pensa que está fazendo???
Lee tentou, de verdade, fazer parecer que não estava sendo tão severo em seu treinamento...
- Ten Ten... não é isso que você tá pensando!
- Não mesmo? — Os braços cruzados e a cara enfezada dela diziam que não acreditava mesmo.
- Pode acreditar, não estou sentindo dores! — Lee mexeu o corpo para todos os lados, afim de provar a veracidade de suas palavras.
- Tsunade-sama foi categórica ao dizer que você só poderia treianr quatro horas por dia, sob supervisão! E já treinamos por cinco horas por insistência sua! Lee, você não pode abusar da sorte! Você não sabe o quanto nos deixou preocupados... eu quase não dormi pensando que poderia acontecer o pior...
Lee aproximou-se dela, sorridente e abraçou.
- Obrigado. Mas vai ficar tudo bem!
Ela recostou a cabeça exausta nos ombros dele, estava preocupada sim, mas cansada de discutir com ele.
- Eu sei que vai.
Notas finais
Quero muito a opinião de vocês!
Beijos e mais uma vez, obrigada!
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