Linhagens e Amizades
9 Capítulo 9 - Os Seus Sonhos São os Meus Maiores Temores (Parte 2)
Notas iniciais
O capítulo tem ficado grande demais... mas não tem problema, eu posto em duas partes!!! E espero views em dobro! rsrsrsrsrsr
- Saaaaaaaaaaaaaai... queridinho, você chegou cedo! – Sempre fazia entradas espalhafatosas, Ino precisava desesperadamente de alguém que lhe desse atenção. Tive a sorte, ou azar de ser devidamente escolhido para isso. A presença dela tornava tudo sempre urgente e às vezes a paz que eu precisava para me concentrar era terrivelmente roubada de mim. Mas ainda assim, muitas das minhas novas perspectivas sobre os sentimentos vieram com ela. Ino, como poderia dizer... é uma pessoa “intensa”, pode parecer difícil compreendê-la, mas na verdade é uma questão de aplicar o filtro certo ao que fala. Ela estava bem nas roupas dela comuns. Sempre achei o uniforme que ela usa por demais exagerado, eu entendo o uniforme como uma arma de defesa também, mas no caso dela, pouca coisa é protegida. Ainda assim, ela ficaria bem com qualquer coisa. Já fiz alguns desenhos dela e é bem certo que ela jamais vai ficar sabendo sobre, seria minha condenação final. Desde que o Sasuke voltou para a Vila, ela deixou qualquer sentimento por ele de lado, pois a Sakura já estava sofrendo demais por ele, para ainda ter que se preocupar com ela.- Ei você... desenhando novamente? Ai ai ai ai.... já disse que se você treinasse mais seria...*Ninpuu Chouujo Giga* — A correnteza do riacho que estava despertando em meu desenho passou a ter vida e envolveu Ino antes que ela pudesse recuar. Seu tempo de resposta nunca foi dos melhores. Ordenei que minha arte encontrasse seu espelho, e assim ela fez: mergulhou juntamente com Ino nas plácidas águas do riacho. Foi um espetáculo tão lindo ver minha criação unir-se à natureza... mas acho que a garota das flores não gostou tanto quanto eu, pois a cara dela saindo da água não me diz uma coisa boa.- Seu... seu... quem te disse prá fazer isso?A saia de tecido azul e a blusa fina branca estavam encharcadas e uma das sandálias estava perdida ainda no riacho, ela apoiava o próprio corpo sobre a água, com o chakra concentrado nos pés e mãos.- Você quem disse que eu deveria treinar mais, não? – Ofereci-lhe um dos meus melhores sorrisos, mas não funcionou. Ela veio em minha direção, punhos em riste:- Você arruinou duas horas em frente ao espelho! Vou matar você por isso!Era engraçado observá-la vindo ao meu encontro tão... furiosa, mas de uma maneira divertida. Por que ela estava tão preocupada com aquilo?Não foi difícil bloquear o primeiro ataque, muito menos o segundo, terceiro, ou a sequência que seguiu-se. Assim como Sakura, Ino dedicou-se a treinar ninjutsus médicos, mas agora foi incorporada à Equipe de Ibiki, sempre que necessário suas habilidades eram usadas em interrogatórios, mas a frieza que demonstrava durante seu trabalho não se observada no dia-a-dia. Sua participação no time era utilizada dentro daquela formação, Ino-Chika-Chou... na grande maioria das vezes, o sucesso era garantido e quando ocorria a falha, minhas criações tratavam de capturar o oponente, mas tudo dentro da estratégia de Shikamaru. Devo reconhecer, ele seria um excelente chefe da ANBU, mas a falta de compromisso com os treinos era uma coisa que eu não conseguia compreender.Então eu me cansei daquela situação, precisava continuar meu trabalho e teria que captar novamente aquela correnteza, mas ela não existia mais. Bloqueei um último chute alto de Ino segurando-lhe a perna direita e quando ela se desvencilhou, segurei-a pela cintura e meus pés enroscaram-se ntre suas pernas, fazendo-a perder o equilíbrio. Era uma coisa bem básica, mas ela não estava raciocinando direito, seria o suficiente. Caímos sobre a grama e aquele cheiro de terra molhada não conseguia sufocar o perfume de flores que emanava dela, era um aroma bastante agradável. O rosto dela estava corado, ela já se cansou só com aqueles golpes?- Acho que é você quem precisa treinar mais, Ino-chan – Acho que o perfume me tirou o foco, eu ainda estava por cima dela caído no chão, mas não podia deixar de apreciar alguns detalhes que me chamaram a atenção – Também deveria andar mais naturalmente, sem perder tanto tempo com enfeites. A beleza que tem já é suficiente para enfeitar qualquer tela.Seria aquilo inapropriado? Porque pela primeira vez, desde que a conheci, vi Ino ficar sem falar coisa alguma.
- Falei algo que não devia, Ino-chan?Já estava sentado novamente e ela me olhava fixamente, então eu percebi que aquela visão eu nunca tinha captado, não aquele rosto que era afetado por alguns respingos d’agua e que sorria disfarçadamente para mim. Aquele era um sorriso... verdadeiro? Ainda tinha muita dificuldade em decifrar as reações das outras pessoas, principalmente das mulheres. Mas elas eram um mistério agradável de se observar, assim como Ino, naquele momento.- Sai... posso pedir uma coisa?- Sim, pode pedir – Era o mínimo que poderia fazer depois de colocar-lhe molhada daquela maneira.- Eu tento tanta inveja das suas pinturas...- Inveja por que?- Porque você se dedica à elas... seus olhos brilham intensamente e você sente orgulho de vê-las terminadas. Eu... te observo... quando estamos em combate... você parece um pai orgulhoso quando vê seus desenho tomando vida... e isso... essa dedicação... é algo que eu invejo... queria que você passasse alguns momentos... ah... eu queria que você se dedicasse a mim... mesmo que num desenho... poderia?Que engraçado, ao menos eu acho que é, pois não tinha percebido... eu tinha orgulho? Então é assim que se denomina a satisfação que eu sinto quando vejo o resultado daquilo que faço? Ino sempre me ensina alguma coisa, mesmo sem intenção... por isso aprecio sua companhia... e observá-la daquela maneira... sem barreiras ou enfeites... aquilo era o que faltava em meus desenhos antigos... seria eu capaz de captar a essência dela?- Posso, será uma honra. Será que você pode ficar a favor da luz? Quero ver essa luz fraca do pôr-do-sol iluminar o seu rosto, fica muito bom... alguma coisa errada Ino-chan? Por que você está vermelha?- Na-nada... assim está bom?Ela stava sentada À minha frente, realmente com a luz do sol favorecendo seu rosto... mas aquela não era ela... e bem... eu queria chegar o mais próximo de sua essência, seria um desafio.- Me permite? – Indiquei que ela me acompanhasse. Ela levantou-se e foi, sem reclamar. Fiquei de pé na água e pedi que ela sentasse na beirada do riacho e colocasse apenas as pernas dentro da água. Afastei um pouco suas pernas, estavam bem rígidas, que engraçado. Sua saia escondia a parte que não estava submersa e bem, aquilo não era aceitável. Aprendi com Ino que satisfação e orgulho são sentimentos próximos e sempre observei nela uma grande satisfação em ver seu corpo à mostra, mas não seria de uma maneira vulgar, aquilo era beleza e era meu dever captá-la da maneira adequada. Ao suspender um pouco a saia sob as pernas, pude perceber que todo o corpo dela parecia rígido... ela estaria numa posição desconfortável? – Ino-chan... você prefere ficar numa outra posição? Não quero que se sinta incomodada...A mão dela tocou a minha e senti que estava quente. Ela não me olhava nos olhos, mas sua voz saía rouca – Não, está tudo bem – Até sua voz estava diferente, não exprimia urgência ou qualquer tipo de alarde... estaria ela me ajudando? Senti que precisava sorrir-lhe e sua mão me encorajou a fazê-lo da maneira mais honesta que pude. Seus contornos estavam visíveis debaixo da roupa molhada e os salpicos de algumas gotas escorriam sob o colo dela e era tão bonito observá-la assim... afastei uma das alças e deixei que caísse sobre os ombros. Seu cabelo estava engraçado, o modo como ela o prendia estava desgrenhado, soltei-os e deixei que caissem pelas costas, sem que escondessem seu rosto, muito menos seus olhos. Mas o rosto dela continuava tenso, olhando para o chão.- Ino-chan, preciso que você olhe para mim, por favor. – Eu não teria pedido novamente se ela recusasse, mas grande parte daquilo que eu entendia como “Ino” dizia respeito ao modo como ela passava vitalidade através do seu rosto. Eu já aprendi a admirá-la, embora algumas vezes ela ocupe espaço demais onde está. Mas ali ela parecia tão limitada... a tudo... mas tão... seria tão mais fácil se eu conseguisse definí-la.Mas ela olhou-me nos olhos e eu senti que aquele calor das mãos dela estavam presentes em seus olhos e queriam se impor aos meus, ou já se tinham imposto, não sei dizer...- Assim está muito bom, agora eu vou me sentar aqui – fiquei sentado bem no meio do rio, onde meus olhos podiam contemplar o fundo e sua figura por completo – e tentarei ser o mais breve possível.Os esboços foram saindo desordenados... os contornos dela são tão... intensos e minhas linhas severas... não, preciso trocar de método. Um lápis mais delicado foi minha escolha, mostrou-se correta. Procurei fazer o fundo e qualquer coisa que não fosse ela... isso seria meu momento final... desenhar o que rodeava era bem... natural... e aqueles sentimentos que a natureza me mostrava já era capaz de captar e representar... e ela permanecia imóvel, mesmo o vento começando a esfriar aquele calor que eu senti ao tocá-la e a luz ir diminuindo lentamente mas não o suficiente para apagar-lhe da minha visaõ. Quando terminei, fiquei, como ela disse, orgulhoso. Seu corpo foi difícil de fazer, expressar um frescor e respiração... mas ao contemplá-la, reconheci um pedaço dela ali. Levantei e fui em sua direção, e fiz com que ela ficasse em pé. Tirei da minha bolsa um cobertor pequeno e coloquei sobre os ombros dela e... como sua pele estava fria!- Ino-chan... deveria ter me dito que estava com frio... poderíamos terminar outro dia.- Não... você estava se dedicando a mim naquele momento. Eu não deixaria qualquer coisa atrapalhar...- Mas agora você vai adoecer por causa disso.-Valeu à pena... posso ver meu desenho?Entreguei à ela e na verdade não me importo com a opinião das pessoas... eu mesmo me satisfaço, mas algo se remexia em mim, inquietamente.- Está lindo Sai. Posso ficar com ele?Ficar... com o desenho?- Mas não acho que você queira guardá-lo...- E por que não? Está tão... bem, digamos que eu mesma não me reconheceria...- Você quer dizer que não ficou parecido?- Não é que... está tão... ah Sai... você me viu tão direto... não sei se alguém me reconheceria assim... e se me visse, poderia não gostar de mim... porque eu não sou interessante, não assim, desleixada e sem atrativos.Que absurdo... aquela falta de... ahn... como é mesmo... de confiança. Isso, confiança era um ponto alto nela... e como assim, era tudo mentira então?- Ino-chan... você está querendo me dizer que você se modifica para os outros? Por que faria essa estupidez? – É certo que falei algo errado, seu rosto ficou abalado. – Me perdoe, mas não vejo motivos para você ser diferente. O que eu vi hoje me agradou, de uma maneira instigante. Você deveria seguir sua natureza... fazer e agir como seus sentimentos mandam...- Sai... não diga isso, você é uma pessoa que não compreende bem o que são os sentimentos, como seguí-los?- Mas eu não tenho medo de enfrentá-los.- Sai... você já fez alguma coisa sem pensar?Ponderei sobre aquilo... então entendi que ela fazia uma pergunta justa. Até mesmo para respondê-la eu precisei criar um raciocínio, ainda que rápido. Aquilo precisava ser válido em minha mente e condizente com uma imagem pré-estabelecida... então aquilo era hipocrisia... já li em algum livro sobre como as pessoas se sentem quando falam sobre determinada coisa, sem na verdade agirem de acordo com elas. Então eu não tinha direito de falar daquela maneira com Ino...- Me desculpe, estou sendo hipócrita com você. - Mas você se incomoda com isso? Em estar sempre analizando as coisas?Meu interior dizia que aquilo não deveria ser respondido, mas ali, quando os dois estávamos sendo sinceros um com o outro, quando ela se mostrava na sua forma mais frágil... me sentia impedido de enganar ou disfarçar.- Eu não posso dizer que sou totalmente satisfeito com isso.- Você quer mudar?Por que tantas perguntas? Já não era suficiente aquele desconforto?- Não é tão fácil.Então ela segurou minhas mãos novamente. Mas ela ainda estavam quentes, não geladas como o restante do seu corpo.- Sai, você tem o controle de suas atitudes, mas quem controla você? Ao menos em alguma oportunidade, experimente simplesmente “fazer”. Você precisa conhecer alguma coisa, para então sim, poder dizer algo sobre ela. Se não tentar mudar, não vai saber o quanto é difícil.Foram as palavras mais... sinceras e... justas... que eu já vi saírem da boa de alguém para mim. Ino estava me abrindo uma opção que eu sempre ignorei, mesmo não estando ciente de sua existência. Eu...
- Eu queria não ser o único a aprender coisas novas... os outros sempre me indicam os caminhos para as emoções, sempre tenho que enxergá-las nos outros... ou tê-las apontadas em mim.- É mentira! Hoje você me ensinou que... muitas das minhas atitudes são erradas... porque eu penso em agradar os outros e não à mim mesma... Sai... diga alguma coisa, faça alguma coisa que você não conheça, mas que você não esteja sozinho nessa descoberta... assim como nós fizemos hoje e então...Sentir aquele calor irradiado dos lábios dela... essa sensação eu não quero, nem vou explicar... é um mistério que não faço questão de desvendar, porque não tenho como abrir mão de tentar e tentar e tentar... eu não queria que ela se afastasse de mim, mas ela não queria também, porque se aproximou mais de mim e as roupas que ainda estavam um pouco úmidas e geladas não me afetavam em nada, nem à ela.Eu... sinto como se algo despertasse em mim... e nela também, eu a sinto... entregue e tenho vontade que ela me veja assim também. Mas eu estava fazendo corretamente? Fiquei com receio, ela se afastou de mim e um frio inquietante me fez desejá-la mais e mais...- Ah Sai, você fez isso por quê?- Ino eu... agi sem pensar... me desculpe – Mas eu não sentia que tinha feito algo errado e agora que aquela vontade me incapacitava de pensar racionalmente... como poderia desculpar-me por algo que tinha me feito tão bem? Estava sendo egoísta?Ela cobriu o corpo com o lençol, será que o mesmo frio que me abateu, tocou aquela pele da mesma maneira severa?- Ino-chan eu...- Sai... se você tivesse que fazer alguma coisa agora, o que seria? – Ela estava de costas, se afastando de mim. - Ino... volte...você está com medo de mim?Ela parou, mas não me encarou. Eu tinha magoado algum sentimento dela?- Estou feliz por ter ajudado você.- Me ajudou...? O que você quer dizer?- Se você fez aquilo sem pensar... se quando me beijou fez por impulso e nunca tinha experimentado aquela sensação... então você fez com alguém que também não conhecia, como você. E eu também segui meus instintos e me permiti estar próxima de você. Mas Sai, infelizmente não podemos viver sempre daquilo que nossos sentimentos nos indicam. Me perdoe, eu também fui hipócrita com você.- Ino, o que quer dizer?- Da próxima vez que você desejar se aproximar assim de uma garota, certifique-se de que você deseja isso de verdade e que... você não pode medir o quanto e como, mas que a sua mente ordene que aquilo não pare... e você queira fazer a garota sentir-se da mesma maneira e que isso seja... especial para os dois.E então eu deixei o conselho inicial dela me influenciar, postei-me rapidamente frente à ela:- Te insultaria se essa pessoa fosse você?- E-eu?- Ino eu... eu quero aprender coisas novas... junto com você... e sentir... sentir essas emoções que eu não compreendo... eu não quero recusar aquilo que não conheço... não quero recusar você.- Sai... nada me faria mais feliz.Dessa vez a iniciativa partiu dela e eu senti aquele alvoroço em mim se intensificar, mas ciente de que eu não queria que ele fosse embora.
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